A Salvação de um Uchiha
22 Capítulo vinte e um
_ Sukui? — Sasuke se assustou quando obasan me chamou.
Fui até eles, o casal chorava enquanto abraçava o pequeno Sasuke, e eu não podia fazer nada para amenizar isso.
Ajoelhei-me no chão, portando a presença fria que aprendi a ter em meus dias de Sombra.
_ Reportando para o líder do clã. — Falei com a voz monótona. _ Eu, Sukui, impedi que o plano de Danzo e dos conselheiros, incluindo o Hokage se concretizasse.
_ Sukui, o que você...
_ Eu, Sukui, esposa de Uchiha Itachi, membro do Clã Uchiha, afiliada às Sombras...
_ Sukui... — Tia Mikoto quase caiu de joelhos.
_ Quero reportar que, daqui para frente, o aprendizado e educação de Uchiha Sasuke serão passados para a única sobrevivente do clã, sem ser do infame nukenin, Uchiha Itachi.
Tirei meu olhar do chão e os olhei, observando o pequeno Sasuke que se agarrava a tia igual um coelhinho assustado.
Itachi realmente foi cruel, mas sabia que foi necessário para que ele pudesse ter sua redenção.
Porém, isso não precisava mais ser feito... E ele nem mesmo sabia disso.
_ Então você era uma integrante das Sombras. — Acenei, vendo o tio limpar seus olhos. _ Muito bem, Sukui. — Olhou para Sasuke. _ Cuide bem do meu filho e...
_ Não deixarei que nada de ruim aconteça ao Itachi, você tem a minha palavra. — Apertei minhas roupas sujas.
_ Obrigada. — Deixou o garoto nos braços de seu marido e veio até mim. _ Muito obrigada, Sukui. — Agarrou meu corpo e quase me fez desabar em lágrimas _ Nazi estaria orgulhosa de você...
_ Oba...
_ Nazi escolheu um bom nome. — Segurou meu rosto, enquanto continuava chorando e soluçando. _ Sukui significa salvação, e você, minha criança, não salvou apenas o clã, mas salvará o meu filho e o dará a redenção que ele merece.
_ Ele não queria fazer isso com ninguém. — Agarrei seus pulsos. _ Ele foi obrigado, se não fosse ele...
_ Eu sei, meu amor. — Tocou minha testa com dois dedos. _ Nunca duvidei do meu filho, e não será agora que irei. — Sorriu em meio as lágrimas. _ Apenas que você realmente é a salvação dele. Obrigada.
_ Não estou fazendo isso...
_ Você o ama, e o quer bem. — O tio se pronunciou, acariciando o Sasuke.
Certo, no passado os dois não se davam tão bem, mas nesse meu mundo, na minha realidade, eles eram uma família amorosa.
_ Cuide bem deles, por favor. — Deixou o garoto no chão. _ Sasuke. — O garoto o olhou. _ Obedeça a sua cunhada, e cuide dela. — Tocou a testa do filho, deixando-o totalmente avermelhado. _ Promete?
_ Otasan... — Fungou. _ Prometo.
_ Bom garoto. — Bagunçou seus cabelos. _ Temos que ir, vejo vocês em algum momento. — Acenei, distanciando-me da tia e indo até o Sasuke.
Vejo-os partir com os Hyuuga, e a única coisa que consigo pensar é: preciso pegar o loiro e sair desse lugar.
_ Sasuke, você tem raiva do seu irmão? — Olhei para a porta aberta.
_ Itachi onisan matou... — Sacudiu a cabeça. _ Otosan falou que era mentira, então acredito que é uma mentira e que o irmão não fez nada.
_ Realmente é um bom garoto. — Suspirei. _ Precisamos buscar o Naruto, consegue correr?
_ Sim. — Sorri, soltando sua mão e saindo da casa.
Soltei sua mão e saímos correndo pela rua silenciosa.
A madrugada ainda pesava sobre Konoha. As lanternas de papel balançavam levemente com o vento, e o cheiro de fumaça distante ainda pairava no ar.
A vila parecia dormir... completamente alheia ao que havia acabado de acontecer.
Sasuke corria ao meu lado, pequeno demais para tudo aquilo, mesmo assim não reclamava.
Seus passos eram rápidos, determinados. Às vezes ele tropeçava um pouco, mas sempre se levantava no mesmo instante.
Apertei os dentes.
Ele não deveria estar passando por isso.
_ Falta muito? — Perguntou, ofegante.
_ Não. — Respondi, olhando para frente. _ Estamos quase lá.
Viramos duas ruas, atravessamos um pequeno beco e finalmente avistei a residência simples onde o loiro morava.
Suspirei, só faltava levá-lo e sair daqui, para nunca mais voltar.
Então, parei de enrolar e subi rapidamente os degraus.
Indo até a porta do loiro e destrancando-a com cuidado, fazendo-a abrir com um leve rangido.
_ Naruto? — Chamei em voz baixa.
Silêncio.
Entrei mais um pouco, fazendo sinal para Sasuke ficar atrás de mim.
O lugar estava uma bagunça, como sempre. Roupas jogadas e copo esquecido na mesa.
Mas então ouvi.
Um pequeno ronco.
Olhei para o local de onde vinha o ronco, dei mais alguns passos e o vi, na cama, perto da janela.
Naruto Uzumaki.
Completamente apagado.
De barriga para cima, um braço jogado sobre o rosto e o outro agarrando um travesseiro como se fosse um tesouro.
Por um segundo… eu apenas fiquei olhando.
Depois de tudo o que aconteceu naquela noite… ele estava dormindo.
Dormindo profundamente.
Seu peito subia e descia calmamente, totalmente alheio à tragédia que quase havia acontecido… e ao destino cruel que o aguardava no futuro que eu conhecia.
Caminhei até ele e me agachei ao lado da cama.
_ Naruto. — Toquei seu ombro. _ Naruto, acorda.
Ele resmungou algo incompreensível e virou para o outro lado.
_ Cinco minutos…
Pisquei lentamente.
Sasuke me olhou, claramente confuso.
_ Ele é estranho.
_ Você ainda não viu nada. — Murmurei.
Suspirei e o sacudi um pouco mais forte.
_ Naruto, acorda agora.
Os olhos azuis se abriram de repente.
Ele me encarou por alguns segundos… completamente perdido.
Depois olhou para Sasuke.
Depois para mim de novo.
_ Sukui? — Sua voz ainda estava pesada de sono. _ O que você está fazendo aqui?
Então ele piscou novamente.
_ E por que o Sasuke está na minha casa?
Troquei um olhar com o pequeno Uchiha.
Meu coração bateu forte.
Não havia mais tempo para explicações longas.
_ Naruto. — Falei com firmeza. _ Levanta-se.
Ele franziu o cenho.
_ O quê?
Estendi a mão para ele.
_ Precisamos sair de Konoha. Agora!
O silêncio caiu sobre o quarto.
Naruto piscou.
Uma vez.
Duas.
_ …isso é algum tipo de brincadeira?
Antes que eu pudesse responder, senti.
Uma presença.
Fria.
Pesada.
Virei lentamente a cabeça em direção à janela.
Alguém estava na vila.
E não era qualquer pessoa.
Obito.
Cerrei os punhos.
Ele estava aqui para ver se todos realmente estavam mortos, ainda bem que foram colocados corpos deformados no complexo Uchiha.
Ninguém vai saber... esperava que não.
_ Naruto…
Minha voz saiu muito mais baixa do que eu gostaria.
_ A gente está sem tempo. — Levantei e fui pegando suas roupas para colocar em alguma bolsa perdida naquele lugar.
Ele se levantou e coçou os olhos, mas logo foi até aprontar com a ajuda do Sasuke.
Não sabia se era a decisão certa levar os dois comigo, deixando-os ter uma vida confortável e longe de tudo que passariam.
Seja Orochimaru encontrando Sasuke ou Konoha conhecendo Akatsuki com a vinda de Itachi.
Mas eu sei que tudo estará bem, não é apenas convicção... O futuro é brilhante, e sei que consegui o impossível.
Nada irá me abalar agora, nem mesmo que eu tenha que ressuscitar um certo Uchiha.
Kamisama, me dê forças.
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