A Salvação de um Uchiha
2 Capítulo um
O choro não era mais ouvido naquele andar do hospital de Konoha, as preces de dois homens do mesmo clã, não eram mais faladas.
Porém, duas mulheres olhavam para a lua que fazia sua luz entrar por todo o quarto em que estavam, permitindo ter um alívio em ver os rostinhos de seus filhos.
Uchiha Mikoto deveria estar descansando, mas seu coração estava tão feliz em ver seu primeiro filho ali, bem e saudável, que a insônia a fez companhia naquela noite.
Porém, Uchiha Nazaki não estava radiante como ela queria estar, seu peito estava apertado e seu sorriso não enchia seus olhos de luz.
A mulher, que ocupava uma das camas naquele quarto, parecia sem vida.
— Nazi. — A matriarca do clã a chamou. _ Você não o contou? — Discordou. _ Por quê?
— Porque sabia que se ele soubesse que só tenho mais alguns anos de vida, ele não me deixaria engravidar. — Tentou sorrir, mas a tosse voltou, a fazendo se inclinar.
Os lábios pálidos ganharam cor e o sangue respingou no lençol que a cobria.
Mas não se importou, ela já estava acostumada com as tosses que a fazia perder o ar, as tonturas que a faziam tremer e os cabelos que caiam sem parar.
Porém, a única que sabia de sua condição, além de seu médico que foi ameaçado, era sua melhor amiga, Mikoto.
— Nazi, ele tem o direito de saber. — Encostou-se na cama. _ Como você acha que ele ficará quando a ver selada em um caixão? — Lágrimas deslizaram pela sua pele, a manchando de tristeza. _ Como você acha que ficarei quando ver a sua filha no distrito?
— Mi... — Soluçou, apertando o peito. _ Estou morrendo desde que nasci, essa doença não tem cura e nenhum médico tem a resposta para ela. — Seus cabelos escuros taparam sua visão. _ Queria ter uma família.
— E você tem. — Mordeu os lábios. _ Você tem a pequena Sukui agora e o seu marido, mas sem você, como eles irão reagir? Você precisa contar ao Ryu.
Apertou os lençóis em sua mão, temendo suas próximas palavras não só ferissem sua mente, mas a sua amiga.
Porém, seu olhar caiu na garotinha que dormia em sua própria caminha, ela era tudo que Nazaki tinha no momento e seria tudo o que seu marido teria para sempre.
Fechou os olhos e tentou pensar positivo, talvez ela conseguisse acompanhar a sua pequena até seus dez anos, talvez pudesse até mesmo ver qual time seria designada.
Nazaki queria ver tudo, mas sabia que isso era um sonho impossível para o momento.
Mas se ela tivesse uma segunda chance, ou pouco mais de tempo, ela queria ver tudo que sua filha seria capaz.
— Mimi. — A matriarca a olhou. _ Quando me for, não despreze a minha filha apenas por me ver nela. — Sorriu. _ Quero que vocês sejam a segunda família dela, ok?
— Isso... — Tapou a boca em surpresa.
— Você não quer ser a madrinha dela, mimi? — Riu e negou.
— Seria uma honra, mas se for assim, quero que você seja madrinha do Itachi. — Suspirou. _ Eles podem ser bons amigos.
— Hum. — Pensou a respeito. _ Mas e se eles se gostarem? — Cruzou os braços. _ Fugaku não iria gostar disso.
— Ele não precisa gostar de nada, sou eu quem mando. — Zombou. _ Mas se Itachi gostar de sua filha, podemos ficar horas e horas conversando sobre os preparativos de casamento ou...
— Dos nossos netos? — Riram, tirando um pouco do peso da conversa interior. _ Isso é tudo um "e se", não quero obrigar a minha filha a se casar com alguém que ela não tenha tais sentimentos.
— Nazi, faço de minhas palavras as suas. — Fechou os olhos. _ Mas gostaria que os nossos desejos se concretizassem, afinal, meu filho é o mais novo e deveria ter alguém forte ao seu lado.
— Por três minutos, apenas isso. — Suspirou. _ Se isso se tornar realidade, espero que eles sejam felizes.
— Talvez ela veio para colocar juízo na cabeça do meu filho. — Bufou. _ Se o pai já é um tapado, meu bebê pode virar um segundo tapado!
— Mimi! — Segurou a risada. _ Itachi será uma criança abençoada por Kamisama.
Deitaram-se e ficaram se encarando, tentando entender as palavras não ditas, as duas tinham medos e receios sobre o futuro que as reservava.
Mas nenhuma poderia imaginar que os medos se transformaram em desastre e os receios em guerra.
Mesmo planejando coisas felizes, a felicidade não aguardava a vida dos Uchiha, apenas sangue...
— Sukui significa salvação, talvez ela traga salvação para você. — Ergueu a mão, tentando alcançar alguma coisa. _ Ou talvez traga a salvação de alguém.
— Espero que ela não precise fazer isso.
— Esperamos.
───※ ·❆· ※───
Nazaki estava em casa, no distrito Uchiha, sentada ao lado de Ryu. A noite caía suavemente sobre a vila, pintando o céu com tons de laranja e roxo enquanto a luz do sol desaparecia lentamente.
Era um momento tranquilo, mas dentro de seu coração, Nazaki carregava um peso que há muito tempo guardava.
Ela olhou para Ryu, seu marido, que estava recostado em uma cadeira ao seu lado. Seus olhos, normalmente cheios de determinação e calor, agora mostravam preocupação e confusão enquanto observava sua esposa com atenção.
Ryu era um homem de força e firmeza, um guerreiro respeitado entre os Uchiha. Mas naquele momento, diante da fragilidade de Nazaki, ele se sentia impotente, como se o mundo tivesse virado de cabeça para baixo.
Nazaki sentiu a mão de Ryu sobre a dela, buscando conforto e estabilidade. Ela sabia que precisava ser forte, não apenas por ela mesma, mas por ele e pela pequena Sukui, que dormia em sua caminha.
— Ryu... — Nazaki começou, sua voz suave carregando uma seriedade que fez Ryu se endireitar na cadeira. _ Preciso contar algo. — Franziu o cenho.
Sua mente começou a girar com possíveis problemas que Nazaki poderia estar enfrentando. Ele colocou uma mão sobre a dela, buscando confortá-la e encorajá-la a falar.
— O que está acontecendo? — Sua voz era uma mistura de apreensão e ternura.
— Eu... fui ao médico recentemente... — Hesitou por um momento, as palavras presas na garganta.
— E? E o quê? — Ficou aflito, mas não gritou, não queria acordar a bebê.
— E descobri que tenho uma doença grave. — Abriu a boca. Uma doença sem cura. — A fechou sem que pudesse perceber.
O silêncio caiu entre eles, pesado e palpável.
Ryu olhou para Nazaki, seu coração se apertando com a notícia devastadora que ela acabara de revelar.
— Sem cura? — Sussurrou, sua voz estava trêmula com emoção contida.
Nazaki abaixou o olhar por um momento, reunindo forças para continuar.
— Eu... não tenho muito tempo, Ryu. — Discordou, mas a deixou continuar. _ Os médicos dizem que são apenas alguns anos... talvez menos.
Ryu sentiu como se o chão tivesse sido arrancado sob seus pés. Ele segurou firmemente a mão de sua esposa, incapaz de articular qualquer resposta imediata diante da magnitude da notícia.
— Por que não me contou antes?
— Porque queria viver este momento... com você... — Solouçou. _ E com Sukui. — Ela olhou para a filha pequena. _ Não queria que isso nos definisse, mas queria apenas aproveitar cada momento que ainda temos juntos.
Ryu sentiu um nó na garganta, as lágrimas ameaçando escapar de seus olhos. Ele a olhou, seu amor por ela transbordando em cada respiração.
— Nós vamos... enfrentar isso juntos, estarei ao seu lado, em cada passo do caminho.
Nazaki sorriu fracamente, gratidão e amor brilhando em seus olhos.
— Eu sei. — Suspirou. _ E... obrigada por ser o meu porto seguro.
Eles se abraçaram, compartilhando silenciosamente o peso do futuro incerto que agora pairava sobre eles.
Mas naquele momento, entre as sombras da noite e o calor do lar, eles encontraram conforto um no outro.
Ryu acariciou suavemente o rosto de Nazaki, sentindo a pele macia sob seus dedos.
Era difícil acreditar que algo tão terrível pudesse acontecer a alguém tão forte e gentil como sua esposa.
Ele se perguntou como poderia protegê-la, como poderia dar a ela o máximo de conforto e amor nos dias que lhes restavam juntos.
— Nazaki... — Murmurou, lutando para manter a voz firme. _ Você sabe que eu faria qualquer coisa por você, qualquer coisa.
Ela assentiu com a cabeça, os olhos marejados de lágrimas que ameaçavam cair.
— Eu sei, Ryu. E eu te amo tanto por isso.
Eles permaneceram abraçados por um longo tempo, perdidos em pensamentos e sentimentos que eram difíceis de colocar em palavras.
Nazaki podia sentir o calor do corpo de seu marido contra o dela, um conforto tão necessário em meio ao medo e à incerteza.
— Quero que Sukui saiba o quanto eu a amo. — Sussurrou, quebrando o silêncio tenso que se estabelecera entre eles. _ Quero que ela cresça sabendo que foi o maior presente que já recebi.
Ryu beijou suavemente a testa de Nazaki, sentindo o cheiro do perfume suave que ela sempre usava.
— Ela vai saber, Nai. — Sorriu. _ Garantiremos que ela saiba.
Eles se afastaram lentamente, os olhares se encontrando em um entendimento mútuo e uma determinação silenciosa.
Era hora de enfrentar o que viesse, juntos como uma família unida pelo amor e pela coragem.
— Prometo a você. — Ela começou. _ Faremos cada dia valer a pena. — Sua voz estava firme apesar da tristeza que pesava em seu coração.
Seu marido assentiu, segurando as mãos dela com firmeza enquanto olhava para o futuro incerto com uma mistura de medo e esperança.
— Cada dia... — Repetiu, seus olhos encontrando os dela em um pacto silencioso de amor eterno.
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