A Saga do Herdeiro - A Academia Rose
3 Capitulo III
Capitulo III
Depois da revelação bombástica de Dallina, o diretor cortou a conversa e arrastou o imenso livro até uma mesa abrindo ele em uma pagina coberta de estanhos caracteres cuneiformes.
— Fernando venha aqui – pediu ele – Acho que passou da hora de sabermos quem você é.
O menino se levantou da poltrona dolorido e foi até o livro.
— Basta por a mão na pagina – disse Dallina que parecia mais calma – Sei que saber a sua família deveria ser um dia festivo. Lamento que seja no meio dessa confusão toda – ela riu iluminando o belo rosto – E me desculpe também pela boca suja, minha mãe já a lavou com sabão mais de uma vez.
O menino sorriu para ela se sentindo mais calmo e colocou a mão que tremia levemente na velha pagina do livro. No primeiro momento ele apenas sentia a textura rugosa e grossa daquele papel, mas de repente um torvelino começou a se formar na pagina com caracteres correndo de um lado para o outro e parando de repente formando um leão e um dragão entrelaçados e a palavra Lancaster. Abaixo do desenho as palavras:
“Alael Tudor, descendente dos Lancaster. Nascido na vila de Albeira há catorze anos e onze meses. Pais não registrados. Impossível achar descendência.”
— Um Lancaster! – Mark ergueu as sobrancelhas arregalando os olhos.
— Isso é muito irregular – resmungou Dallina – Sua certidão de nascimento foi registrada em Albeira, mas sem os dados dos pais! Nunca vi isso!
— Mas o que quer dizer tudo isso? – Fernando só queria que a sua vida tivesse uma definição afinal, estava cheio de ser jogado de um lado para o outro.
— Seu nome verdadeiro é Alael – disse a moça o olhando – e você nasceu na vila de Albeira que fica ao sul. Seu sobrenome é Tudor, mas não sabemos se por pai ou mãe, já que sua certidão de nascimento foi adulterada. Isso explica porque a Dama do Lago lhe deu esse nome, mas não podemos saber de quem você é parente aqui sem mais nem um dado. Sua família tem duas ramificações: Tudor e Lancaster. Ambas famílias influentes de nosso mundo. Os Tudor são atuais detentores do título de Conde do Reino e os Lancaster são a realeza, os reis e rainhas deste mundo.
— Isso está muito confuso – Fernando passou as mãos pelos cabelos em desespero – Se eu consegui entender esse negocia de família de vocês eu nasci aqui e meus pais vem dessas famílias, mas não sabemos qual? Sabe que isso é loucura! Meus pais são da Terra!
— Você se parecia com eles? – perguntou o diretor sério – Com algum deles?
O menino balançava a cabeça tentando negar tudo e se olhou em um espelho que estava no canto. Era um garoto magro, um pouco baixo para a idade, com cabelos castanhos avermelhados e olhos de um estranho azul violeta que as pessoas sempre achavam esquisito. Sua mãe era morena, como longos cabelos negros e olhos castanhos e seu pai tinha cabelos e olhos pretos.
— Isso não quer dizer nada! – retrucou ele para o diretor – Existem filhos que não se parecem com os pais afinal.
— Olha gente não tem como saber nada discutindo – disse Dallina tentando apaziguar os ânimos – Depois de resolvermos o problema do arconte no templo posso ir a Albeira e ver se consigo saber mais, mas no momento diretor, acho que o melhor é matricular ele na Academia. Ele é um aluno daqui no final das contas.
— Eu não vou voltar para a Terra?
— Nem mesmo se você não tivesse nem uma descendência poderia ir – resmungou Brandon com azedume – Você é o guardião da excalibur e não poderá sair Inysh.
— Eu não pedi para guardar esse negócio! – disse Fernando contrariado – Não tive a oportunidade de dizer não para aquela mulher e agora to preso com esse troço!
— Acho que qualquer um de nós está feliz que um adolescente guarda uma das nossas relíquias mais poderosas? – o diretor tinha o rosto vermelho – Muita coisa aconteceu em pouco tempo Fernando. No momento temos que tentar nos adaptar. Quer mesmo voltar para o seu pai depois do que ele fez a você?
Fernando apertou os lábios cheio de raiva por ter contado toda a sua vida para aquele homem, mas a verdade era que ele não queria voltar para seu pai, mas também se sentia desamparado naquele mundo, sozinho.
Brandon White respirou fundo e pareceu se acalmar.
— Fernando sou responsável por você nesse momento. Agora vai ser um aluno da Academia Rose, mas assim que conseguirmos achar Ingreyni tiraremos a excalibur de você e se ainda quiser voltar para o Poente conseguiremos um portal para você. No momento é o que podemos fazer.
— Eu sei – ele também se acalmou – Mas eu fui jogado nesse mundo que parece uma versão em anime do meu e me vi no meio de espadas e magia. Nunca me senti tão perdido e sozinho.
— Acho que posso entender um pouco você – disse a sacerdotisa olhando os frangalhos do quadro – Meus irmãos ficaram para trás no templo e nem sei o que houve com eles.
— Preciso informar a Central o que aconteceu – disse White olhando para o professor – Mark ajude Fernando a se estabelecer na Academia. Depois poderemos pensar com mais calma sobre a sua família – ele saiu da sala apressado.
— Eu vou para a vila até o Templo de Muir de lá conversar com a Guardiã Mor e falar do que aconteceu.
Ela também saiu deixando Fernando com o professor.
— Vamos Fernando, eu vou levar você até o refeitório e depois podemos arranjar um quarto para você descansar.
Eles voltaram a passar por corredores e descer inúmeras escadas até chegarem a um imenso salão cheio de mesas e cadeiras, com grandes lustres empoeirados e paredes de pedra. O teto era abobado e coberto de pinturas mostrando mais guerras e caçadas. De um lado havia algumas maquinas de venda automática e de outro um longo bufe com um cheiro que fez o estomago do menino roncar de fome.
— Parece que estamos com fome heim? – riu Mark para um Fernando vermelho.
— Não como desde ontem, desculpe.
— Tudo bem menino – Mark bateu nas suas costas – Vamos ver o que temos.
O bufe estava relativamente pronto, faltando apenas algumas cubas que iam sendo colocadas por pessoas vestindo aventais brancos que saiam de uma porta nos fundos.
A variedade assustou Fernando. Havia muita coisa que ele conhecia como macarrão a bolonhesa e frango (ele esperava que fosse frango) até algumas carnes com uma doentia cor acinzentada e verduras e frutas de estranhas cores de formatos.
— Ainda faltam dez minutos para o almoço professor – disse uma senhora negra saindo pela porta carregando uma grande cuba com um ensopado roxo – O senhor é pior que seus alunos!
Era uma senhora gorda de uns cinquenta anos, com o rosto com duas covinhas e olhos castanhos astutos. Os cabelos curtos estavam cobertos pela touca de cozinha.
— Vandinha meu amor – o professor deu um sorriso falso para a matrona – Eu vim aqui com o coitado do Fernando, um desgarrado que chegou hoje cedo por um portal. Tenho certeza que você não vai negar comida ao coitado, olha como ele está magro!
Ela lançou um olhar feio para Mark, mas seus suavizaram quando viram o menino.
— Meu nome é Vanda Smith. Fernando seja bem vindo a Academia Rose. Pode se servir no que quiser, há pratos de todo tipo aqui. Muitos daqui vieram do Poente e trouxeram seus hábitos alimentares com eles, mas temos muitos aqui de Inysh com seus próprios hábitos. Aqui cada um se serve como quiser, mas se desperdiçar comida vai ajudar na cozinha por um mês lavando pratos! – ela voltou a sorrir indo para os fundos do bufe.
— Vamos almoçar antes que ela mude de ideia.
Fernando pegou salada e macarrão achando que era algo mais seguro, assim como copos cheios de suco de maçã gelado.
Por alguns minutos os dois comeram em silencio saboreando a comida que tinha um sabor maravilho. Alguns alunos começaram a entrar para almoçar lançando olhares curiosos para os dois. Isso deixou o rosto dele vermelho de vergonha, mas algo mais logo chamou a atenção de todo mundo. Um rapaz alto e musculoso tentou comprar refrigerante de uma das máquinas, mas não saiu nada da maquina e letras de fogo começaram a aparecer na parede:
“Há! Há! Há! Há!”
— Seu castelo idiota! – xingou ele chutando a maquina.
Vanda saiu intempestivamente da cozinha e foi até o aluno agarrando a sua orelha.
— Essa boca suja sua está me irritando Alec Burke! Agora chutar patrimônio da escola está passando dos limites.
— Em nome de Deus mulher! – gritou Alec tentando se safar – Vai arrancar a minha orelha!
— Agradeça que não estou tentando arrancar outra coisa. Serviço de cozinha por um mês!
— Eu tenho treino de futebol!
— O problema não é meu Burke! Minha cozinha, minhas regras! Você começa hoje lavando pratos!
Ela arrastou o outro pela orelha para dentro da cozinha em meio a um coro de risadas dos outros alunos.
— Cuidado com o castelo Fernando – o professor deu um sorriso de lado – Rose se tornou um ser brincalhão, mas as vezes ele esquece que somos vivos e suas brincadeiras passam dos limites.
— Como um castelo, um amontoado de pedras, pode fazer isso? Vai contra toda lógica!
— Qual lógica? – os olhos do professor brilhavam astutos – A sua ou a minha? Pra nós é algo comum e corriqueiro trombar com espíritos incorporados em objetos, mas na sua lógica isso não existe, é algo vindo de delírios. Existem muitas lógicas Fernando, assim como muitos universos. Somos todos parte dos multiversos ao nosso redor. Com o passar do tempo você vai entender.
De repente o barulho de uma sirene de navio se fez ouvir fazendo todos taparem os ouvidos pelo barulho alto.
— Agora o que é isso? – Fernando olhou assustado para o professor.
— Sinal do almoço – ele deu uma gargalhada – Discreto, não?
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Fernando e Mark saíram do refeitório antes que ordas de alunos famintos entrassem e foram em direção a uma das torres ao sul do castelo e começaram a subir uma escadaria de pedra que ia em espiral pela torre. Entraram em uma porta perto de um corredor longo, com o chão de madeira polida, paredes com quadros mostrando rostos de todos os tipos.
— Antigos reis – havia deboche nas palavras do professor – Muitos nos levaram a guerras sem fim. Sorte nossa que agora eles são fiscalizados por um conselho e não podem nos enviar para conflitos insanos.
— Aqui é diferente do resto do castelo.
— Aqui vive a realeza, eles pagam por seus confortos.
— Porque estamos aqui?
— Fernando você é um Tudor ou um Lancaster e ambas famílias são ricas e com altos títulos. Essa ala do castelo pertence a eles.
— Mas eu não posso pagar por isso e essas famílias nem me conhecem.
— Do momento que o Livro das Eras o reconheceu você é parte da família e mesmo não tenha dinheiro seu, seus estudos são bancados pelo reino. As famílias podem até exigir e pagar por quartos luxuosos, mas os estudos e tudo o mais vem através do estado. Não há escolas publicas em seu mundo?
— Sim, mas nada como isso.
Chegaram ao fim do corredor e Mark abriu uma porta que dava para uma grande sala circular com sofás de veludo azul, carpetes no chão, uma grande televisão em uma parede, uma lareira em outra e várias mesas cobertas de garrafas de água, pacotes abertos de biscoitos e latas de refrigerante com nomes estranhos como Superpomerote ou Colaplush. Havia mais cinco portas de madeira fechadas.
Uma moça da idade de Fernando estava refastelada em um sofá lendo um livro de capa escura e paginas amarelas. Ele vestia uma calça de pijama e estava com os logos cabelos loiros bagunçados.
— Você não tinha aula Helena? – o professor resmungou contrariado para a moça que os olhou com os olhos azuis turvos.
— Passei parte na noite lavando banheiros professor, me da um tempo. Tenho exame de física amanhã!
— E de quem foi a culpa de você lavar banheiros?
— Ninguém mais aceita uma boa piada – disse ela jogando o livro na cara.
— Deus! – Mark olhou para cima pedindo paciência – Helena queria que conhecesse Alael Tudor, sou colega de quarto.
— Se tentar entrar em meu quarto vai ser decapitado, já vou avisando. Não estou a fim de ouvir sermão do diretor.
— Meninos e meninas podem conviver nas áreas comuns, mas um não pode entrar no quarto do outro. Nossa regra mais sagrada.
— Como se não tivesse um milhão de outros lugares pra quem quer transar – resmungou a moça.
— Por Deus Princesa Helena Belmira Lancaster!
— Esse nome é horrível – resmungou ela ainda com o livro na cara.
Ela retirou o livro olhando para Fernando. Seus olhos eram verdes e o rosto coberto por sardas. Era uma bela menina, mas com um brilho travesso no olhar que o fez estremecer.
— Um Tudor?
— Ou Lancaster. Estamos com problemas para achar sua descendência.
— No final é tudo a mesma família podre. Muita casca e pouco miolo.
— Você é uma princesa?! – o menino não conseguiu se conter e teve que perguntar.
— A quarta na linhagem e a ovelha negra da família – ela levantou do sofá – Na verdade meu meio irmão é considerado a segunda ovelha negra da família – olhou a tatuagem no braço dele – Gostei da tatuagem, imagino o que o professor Phillips vai falar sobre isso.
— Isso é assunto que será discutido com ele – ele apontou para uma das portas – Vou instalar você Fernando – e deu um leve empurrão no rapaz.
A moça sorriu astutamente e ele percebeu que ela era o tipo de pessoa que ele preferia não pisar nos calos.
O professor Mark o empurrou para um quarto que não parecia estar ocupado. Era grande com uma cama de casal com um edredom grosso e azul, uma poltrona perto de uma mesa redonda ao lado da janela coberta por uma cortina branca, um grande guarda roupa embutido e outra porta.
— Ali fica o banheiro. No guarda roupa verá que tem roupas do seu tamanho para o dia a dia, uniformes escolares para todas as ocasiões, material escolar e um tablet onde pode achar o mapa do castelo e as regras que terá que seguir de agora em diante. A porta tem uma trava – ele apontou para uma intrincada mandala desenhada na porta – Coloque a sua mão direita aqui para que ela possa gravar seus dados.
Ele apertou o desenho que começou a girar, com os círculos da mandala em várias direções até que se ouviu uma trava.
— Para abrir é colocar a mãe sobre ela novamente e pronto – ele deu um leve sorriso para o menino – Descanse e procure não ficar perambulando pelo castelo sozinho ou vai se perder. O diretor vai conversar com você mais tarde – ele abriu a porta e já estava saindo quando se voltou para o menino – E não confie em Helena, ela é uma péssima influência.
— Eu ouvi isso! – a moça gritou contrariada.
O professor acenou e fechou a porta. Cansado Fernando a trancou e se viu sozinho no quarto tentando fazer seu cérebro processar tudo o que acontecera. Sentou na poltrona e colocou a mochila em um canto olhando para o desenho intricado do carpete de pelos longos e macios.
Sua mãe sempre contava histórias de um mundo estranho, mas cheio de aventuras para ele. Ela nunca perdia a oportunidade de falar sobre Inysh no dia a dia e na hora de dormir. Ele amava cada história dela.
Pelo que ele lembrava há milhares de anos havia magia na Terra, seres incríveis e monstros terríveis habitavam florestas, campos e montanhas, mas com o tempo aqueles que não eram dotados de poderes começaram a caçar os dotados os tachando de feiticeiros e bruxos do mal ou adoradores do demônio.
Famílias foram dizimadas, seres caçados quase a extinção até que uma liga de feiticeiros resolveu dar um basta. Com a ajuda das dez famílias mais poderosas eles abriram um portal para outro mundo. A Dama do Lago com a ajuda da excalibur mantiveram o portal aberto de forma ininterrupta por mais de cem anos deixando que houvesse um imenso intercambio de seres de um mundo para o outro.
Nesse novo mundo os dotados puderam viver em paz com seus poderes e os seres mágicos não eram mais caçados. Todavia aquele mundo também tinha seus seres mágicos e seus povos o que geravam guerras entre eles.
O portal da Dama do Lago foi fechado quando um grupo de pessoas na Terra destruiu o castelo do Rei Arthur em Tintagel atiçados por Roma fazendo com que o mundo mágico se fechasse para a Terra. Todavia havia caminhos que ligavam os mundos e por esses caminhos muitos monstros viam para a Terra e atrás deles os Magos Guerreiros formados na Academia Rose.
Ele e sua mãe passaram muitas noites imaginando que estavam naquele mundo e eram magos, que podiam criar bolas de luzes e voar em dragões.
Ele sentia saudades dela e não importava se ele não era seu filho, ela era sua mãe pelo que ele entendia.
Respirando fundo ele se levantou abrindo o guarda roupa e olhando pasmo para uma grande quantidade de calças jeans, bermudas cargo, camisetas, pijamas, casacos, cachecóis, jaquetas, moletons, um terno e uniformes escolares. Até mesmo havia roupa intima e tudo tinha o seu nome bordado. Em uma prateleira achou uma mochila com livros, cadernos e o tablet ultrafino cor dourada.
Girou o aparelho, mas não achou nem um botão para ligar até que teve a ideia de colocar a palma de sua mão direita e a tela se iluminou mostrando uma imagem de um dragão entrelaçado com uma espada negra que ele reconheceu como sendo a excalibur. Após isso abriu um tutorial mostrando um arquivo em PDF com os dizeres: “Regras da Academia. Leia ou morra por sua conta e risco.”
Eram lugares onde se podia ir e onde não, como se portar nas refeições comuns, tipos de punição por atrasos, monstros mais comuns a se topar na vila, tipos de magia que era permitido, uma advertência de que bulliyng não era tolerado de modo algum e muitas mais informações. Havia mapas também, mas eram tão confusos que ele logo desistiu de olhar.
Sua grade curricular era estranha com matérias normais como matemática e física até outras como dons iniciais e química das poções.
Deixou o tablet e foi tomar um banho já que ainda tinha agulhas de pinheiro no cabelo depois de dormir ao ar livro. Vestiu uma camiseta confortável e uma bermuda e deitou na cama olhando para o teto branco achando que não conseguiria dormir, mas a próxima coisa que percebeu foi que alguém batia na porta.
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Brandon não gostava de ligar para as cede administrativa do reino, mas o que estava acontecendo era muito sério e ele não tinha opção.
Ligando o notebook abriu o canal de chamada direto para o gabinete do administrador Central, o homem que ficava apenas abaixo do rei.
A tela mostrou um ícone de telefone chamando em vermelho e de repente ele ficou verde e uma imagem apareceu na tela. Era de um homem com o rosto sério, lábios finos e olhos castanhos duros. As rugas marcavam mostrando a sua idade avançada, mas a dureza do seu rosto mostrava que ele ainda era alguém a se temer.
— Brandon – ele disse em cumprimento juntando as mãos em cima da escrivaninha – Como está meu filho? Não nos falamos há algum tempo.
— Eu estou bem meu pai – a voz do diretor era dura e desprovida de calor – Obrigado por perguntar. Espero que o senhor esteja gozando de boa saúde?
— Imagino que não foi pela minha saúde que ligou?
— Não senhor. Há noticias urgentes da Academia e do Templo em Lien – Brandon contou sobre os acontecimentos daquela manhã.
— Ao que parece as coisas estão mais complicadas do que os comunicados que recebi – seu pai perdera um pouco a postura fria – Ingreyni teve uma atitude inusitada no mínimo. Ela podia ter feito a sacerdotisa como guardiã, mas escolheu um desgarrado do Poente. Investigadores da administração estão indo nesse momento até o templo, mas estamos perto do ciclo te tempestades da cordilheira. Chegar até lá sem uma dobra será complicado. No momento apenas observe o menino. Essa é uma ordem minha e do rei, Brandon. Estamos entendidos?
— Sim meu senhor – o diretor cortou a transmissão.
Seus punhos estavam apertados e uma fina geada começava a se formar em cima dos móveis. Fiapos escuros apareciam do chão, mas logo desapareceram quando uma mulher entrou no escritório pisando de forma despreocupada na fumaça negra.
— Levantar cinzas negras não ajuda, Brandon – disse a moça.
Era uma mulher baixa, não mais que um metro e meio. Olhos intensamente verdes e sardas cobrindo o rosto redondo. Os cabelos eram curtos, castanhos e encaracolados. Ela usava jeans e camiseta preta com o nome de uma banda de rock do Poente nela. Vestia botas pretas cobertas de poeira.
— Sphiri – ele balançou a cabeça – Quando chegou?
— Ontem – ela empoleirou em cima da mesa dele fechando o computador com um dedo – Estive na vila quando topei com Dalla desfiando um rosário de palavrões saindo do templo e soube de toda a confusão. Imaginei que ia ligar para o velho e que depois querer congelar algo – ela passou a mão em cima do gelo em um livro.
— Olhar para ele apenas me enche de raiva, Sphiri – ele se levantou olhando para uma janela – Sabe o quanto odeio ver aquele rosto depois do que fez a nossa mãe.
— Ódio é um sentimento poderoso para um necromante, irmão – ela foi até ele e o abraçou – Nosso pai sabe que conhecemos as ambições dele, mas que não temos provas. Desestabilizar você é um caminho para retirá-lo do comando da Academia. Agradeça que o príncipe Morris está do nosso lado e por isso você se tornou um intocável e é isso que enche o nosso pai de ódio. Não deixe ele ter nada contra você.
— Ele não terá – Brandon beijou carinhosamente o cabelo da moça e voltou a se sentar – Teve sucesso em sua visita?
Sphiri voltou para a mesa dando um longo suspiro.
— Conhece os elfos. Se tem um povo cabeça dura são eles. Cada coisa que falo há outras dez contra. Eles estão em campanha pelo fato de termos trens passando perto da fronteira norte. Estão implicando com uma nova vila surgindo perto da Floresta Velha e por ai vai a lista de reclamações.
— Mas... – ele sorriu.
— Mas eu disse que tudo isso está acontecendo no NOSSO reino e que temos o direito de fazê-lo assim como eles tem o direito de fazer o que quiser no seu reino.
— Você é tão diplomática.
— Elfos não entendem luvas de pelica irmão. Eles entendem a força e a lógica e foi com a lógica que consegui que eles mandassem mais pedras do sol pra gente pelo mesmo preço do ano passado. Também dei uma carona para o nosso amado príncipe Eylian.
— Imagino que ele não veio de vontade própria?
— Talvez eu e o irmão tivéssemos que amarrar um pouco ele.
Brandon revirou os olhos. Eylian era o único elfo da academia e o aluno mais problemático que ele já tivera. O bendito menino vivia arrumando brigas, passando por cima das regras do castelo e mostrando de todos os modos possíveis que odiava estar ali. Mas como ele era um grande mago de guerra os elfos o enviaram a Rose para mostrar que estavam dispostos a conversar com o governo humano.
Eylian jurara que não voltaria para a Academia depois que foi tão mal nos exames que repetiu de ano que Brandon já estava achando que não teria mais aquela dor de cabeça, mas pelo visto seria mais um ano daqueles.
— Dalla veio com você?
— Deixei ela lá embaixo no refeitório para ver se seu humor melhorava. A Guardiã Mor ordenou que ela ficasse aqui na academia cuidando do Livro das Eras e do guardião da excalibur. Dallina é tão cabeça dura quanto você irmão. Está bufando porque não pode voltar para o seu templo, mesmo sabendo que a Guardiã está certa. Um arconte em pleno dia não é algo que possamos ignorar. Já avisei Morris o que aconteceu porque sei que o rei não vai fazer nada deixando tudo na mão do nosso pai.
— Vou colocar Dalla para trabalhar com os botânicos – o diretor massageou o pescoço – Se ela ficar a toa pelo castelo é capaz de destruir o planeta.
— Não deixe ela ouvir isso – a moça sorriu – Vou procurar meu adorado marido e depois dormir um mês.
— Amanhã você dá aula – disse ele para a irmã que já ia saindo, mas ergueu a mão mostrando o dedo do meio para ele que sorriu.
Sphiri era sua única irmã e a única diplomata que os elfos ouviam. Ela conhecia seus hábitos e cultura chegando a falar com fluência sua língua. Ela conhecia como ninguém os outros povos de Inish e por isso era a melhor professora de costumes que tinha na Academia. Os alunos a amavam, mas a temiam também. Ela era uma feiticeira vermelha, uma guardiã do fogo. Magos que usavam a energia dos sentimentos mais obscuros para trabalhar o fogo.
Brandon era um caminhante dos mortos, um necromante. Usava a energia dos espíritos para criar sombras e frio. Ele podia caminhar distancias curtas entre as sombras e congelar o lago em um dia de verão. Tinha poder mental avançado podendo controlar vontades e extrair o que quer das pessoas. Foi um dos magos de batalha mais temidos do reino e ainda o era entre elfos e anões.
Foi até a janela olhando o sol se por lentamente. Ele nunca quis ser temido. Um mago de batalha não era algo que ele sonhou e lutou contra isso o tempo todo, mas a chantagem de seu pai venceu no final e ele teve que ir à frente de batalha dos conflitos, matando e mutilando.
— Não mais pai – ele apertou a borda de pedra da janela – Agora eu sou livre e Sphiri também. Um dia o nosso mundo também será de você!
Um vidro da janela rachou quebrando a imagem que ele observava.
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Tonto de sono, Fernando levantou e foi até a porta tentando abrir até se lembrar que precisava destravar através da mandala. Helena entrou como um furacão loiro e falante.
— Estou batendo a cinco minutos.
— Porque você pode entrar no meu quarto se eu não ti autorizei?
— Você não me proibiu ainda – ela deu um sorriso angelical o que arrepiou os pelos de seu braço.
— Esse sorriso me da medo.
— Essa é a ideia. Vamos jantar. O diretor me ligou para levar você ao refeitório ou era capaz de parar em algum porão bolorento por ai e morrer e virar uma múmia.
— Você é um raio de sol, não é? – resmungou Fernando com azedume indo até o banheiro lavar o rosto.
— Prefiro ser uma tempestade! Vamos, estou com fome.
— Não tem alguém melhor para me levar? Tipo Cérberos?
— Vamos logo antes que eu ti leve para o porão eu mesma!
Fernando deu um longo suspiro sabendo que não tinha outro jeito e foi atrás da moça e saíram para o corredor.
— Quem mais mora nos quartos? – perguntou ele curioso.
— Bem agradeça ao diretor por ter ti colocado no quarto dos renegados – a princesa sorriu abrindo a porta para o corredor – Além de nós há um elfo mau humorado, um nerd com a cabeças nas nuvens e um jogador de futebol musculoso que não tem nada na cabeça.
— Elfo? – Fernando parou curioso – Que tipo de ser é um elfo?
— Vou dar uma dica – ela respondeu em um modo cantado e ficando nas pontas dos pés – o Senhor dos Aneis tinha razão.
Eles saíram pelo corredor onde toparam com mais alunos indo em direção ao refeitório. Algumas meninas davam risadinhas quando ele e Helena passavam e os garotos sussurravam apontando e rindo. A maioria apenas acenava, mas a atitude dos outros irritou Fernando.
— Qual o problema dessa gente? – perguntou vermelho de raiva após passar por mais um grupo rindo.
— É um caso grave de burrice em massa – disse a moça rindo – Você é o cara novo e eu não sou a pessoa mais popular daqui, graças a Deus. Pra que exatamente gostaria de ficar fofocando besteirol pelos corredores e rindo feita uma débil mental com problemas faciais é um mistério.
Fernando não pode deixar de rir da descrição dela o que fez alguns alunos fecharem a cara e um rapaz alto e loiro cortar a frente de Helena.
— O que você disse sua rejeitada?
— O que você ouviu ou tem problemas de audição agora MacGregor?
O rapaz ficou vermelho olhando feio para ela e para Fernando mostrando que era o tipo que gostava apenas de ficar brigando à toa.
— Por isso que a sua família não quer você, Lancaster! Não passa de uma puta!
— Qual é o seu problema? – Fernando empurrou MacGregor cheio de raiva – A menina tava na dela e veio você nos atormentar e agora se acha no direito de ofender de forma gratuita!
— Quem é você seu idiota? – o outro apertou os punhos – Talvez esfregar seu rosto nas pedras do castelo ti ensine quem manda aqui!
— E esse seria você? – Fernando não suportava pessoas que tinham o prazer de atormentar as outras.
— Fernando deixa – Helena segurou a sua mão puxando ele pelo corredor – Palavras vindas de pessoas assim são apenas poeira no vento.
— Eu não acabei com você! – MacGregor puxou o braço de Fernando com força, mas algo brilhou entre eles e de repente havia uma espada longa e negra apontada para o menino.
Fernando quase deixou a excalibur cair. Tinha esquecido da bendita espada e não tinha ideia que ela podia de materializar do nada desse modo.
— O que diabos você está fazendo com uma arma? – o rapaz loiro deu um pulo para trás – É contra as leis da academia!
— É a excalibur! – uma moça gritou arregalando os olhos.
MacGregor empalideceu se afastando e fazendo todos se afastarem também olhando de forma assombrada para a espada que Fernando baixou em direção ao chão rezando para que a bendita coisa desaparecesse o que aconteceu alguns segundos depois em meio a um lampejo de luz.
— Venha – Helena puxou seu braço – Vamos jantar antes que acabe decepando a cabeça de alguém.
Fernando estava se sentindo atordoado depois do que aconteceu. Já era estranho o suficiente ele ter parado naquele estranho mundo agora tinha uma espada que aparecia do nada presa a ele. O diretor bem que podia ter explicado a parte dela pular para fora de sua pele quando ele estava com raiva e se aqueles meninos eram uma prova dos alunos da Academia ele ia ficar com muita raiva ali.
Começaram a descer uma longa escadaria circular.
— Como a excalibur foi parar com você? – Helena o olhou de lado – Desde o rei Arthur apenas a Dama do Lago empunhou essa espada.
— É mais uma das esquisitices que me aconteceram – enquanto andavam por corredores e escadas cheios de alunos barulhentos, Fernando contou sua história para a princesa que pareceu mais interessada na Terra do que no fato dele ser guardião de um artefato magico.
— Meu sonho é ir ao Poente. É para isso que estou estudando para ser um mago de batalha e uma caçadora de monstros. Com isso tenho passe livre para conhecer um mundo que não está preso tradições ultrapassadas.
— Não, meu mundo está preso a interesses piores. Guerras com milhões de mortos são travadas por racismo, poder, dinheiro. Nós temos o poder de destruir o nosso mundo dezenas de vezes se seus governantes resolverem lançar ataques nucleares. Meu mundo não é melhor que o seu Helena. Poder é poder onde for.
— Pelo menos você não romantiza o meu mundo como muitos que vem pra cá. Acho que tem coisas boas e ruins em todos os mundos.
— Tem razão – ele sorriu para a moça que deu uma gargalhada se agarrando no seu pescoço e beijando seus lábios.
Fernando ficou sem ação diante da ousadia de moça, mas ela deu um sorriso safado para ele.
— Não coloque sonhos de açúcar na cabeça desgarrado. Eu não quero ter nada a ver com meninos agora, só estudar e aprontar. Foi minha forma de dizer que gosto de você.
— Acho que também gosto de você.
— Acha?! – ela voltou a rir.
Ela arrastou-o por mais alguns corredores e chegaram ao refeitório lotado, com um nível elevado de barulho com pessoas conversando, o barulho de talheres e pratos, além dos cheiros que o fez ter água na boca. Nas paredes letras de fogo avisavam que a comida estava envenenada ou que havia vidro moido nela. Outras frases alertavam para índices de infarto e diabetes.
Vanda estava diante de uma parede com as mãos na cintura gritando contrariada para as letras na parede que chamaram ela de cozinheira encardida fazendo alguns alunos rirem pelas costas dela, mas fugirem quando ela se virou.
— O castelo de vocês precisa de terapia – disse Fernando pegando um prato para se servir.
— Pra mim ele é o único honesto dessa academia.
Helena era uma pessoa ácida, Fernando percebeu nas tiradas que ela dava nos outros alunos e no deboche que respondia algumas ofensas veladas. Era também uma forma dela se afastar de todos, ele sabia como era isso já que as vezes fazia o mesmo. As pessoas eram um mistério para ele, que ficava perdido sem saber se fizera o certo quando conversava.
Ele estava morto de fome, mas havia tanta coisa que ele nem sabia o que fazer ou o que pegar, mas resolveu por salada e carne assada com batatas. Já Helena empilhou hambúrguer e batata frita.
— Isso não é saudável – disse ele vendo ela cobrir tudo com mostarda.
— Estou interessada apenas no gosto e não se é saldável.
Eles encontraram uma mesa vazia no fim da sala e começaram a comer. Minutos depois um rapaz apareceu carregando uma bandeja com o prato cheio de salada de folhas e legumes. Era um menino baixo com óculos grandes, cabelos curtos negros e carregava um grande livro de capa preta.
— Você nunca me espera – gemeu ele sentando e se virando para Fernando – Oi, meu nome é Rafael Luiz Munhoz sou companheiro de quarto.
— Fernando, muito prazer.
— A Academia está em polvorosa com sua acrobacia com a espada – disse ele espetando uma cenoura e mastigando lentamente.
— Sabia que isso ia render – gemeu Fernando.
— Rafael caralho! – um menino alto, louro e musculoso apareceu equilibrando uma bandeja com dois pratos cheios de comida – Você nunca me espera terminar.
— Você pegou comida para o reino todo ou o que Baker? – o menino que parecia um nerd olhou contrariado para o grandalhão – Não vou ficar ti esperando e ver você se entupir de carne.
— Eu não tenho culpa se você é vegetariano – Baker olhou Fernando sorrindo – E ai? Meu nome é David Baker. Tudo certo?
— Tudo. Eu sou Fernando – o garoto parecia um jogador de futebol americano vestindo jaqueta e tudo. O tipo popular que não costuma sentar com excluídos como eles, mas David se jogou perto de Rafael roubando um pedaço de nabo do prato do outro e fazendo uma careta.
Nesse momento Helena apertou os olhos como se tivesse visto algo interessante e se levantou correndo indo para o meio da multidão.
— Pobre Eylian – disse Baker de boca cheia – A Helena tem um radar pra achar ele.
— Quem é Eylian? – perguntou Fernando curioso.
— O elfo! – disseram os dois ao mesmo tempo.
Nesse momento Helena saiu do meio da multidão arrastando uma pessoa pelos longos cabelos. Fernando pensou que era outra moça, mas era um rapaz de um metro e sessenta, corpo esbelto e flexível, cabelos lisos e longos que brilhavam prateados. O rosto fino tinha olhos verdes amendoados. O elfo era de uma beleza sobrenatural, com uma pele branca que brilhava levemente.
— Senta ai! – Helena praticamente jogou ele em uma cadeira perto de Fernando.
— O que diabos você está pensando sua princesa humana idiota! – ele esbravejou para a moça.
— Meu nome é Helena Eylian, usa ele. Baker va buscar comida para essa coisa antes que ele desapareça.
— Não! – mas David já tinha se levantado todo feliz para buscar a comida – Helena ele vai trazer um monte de comida que eu não vou conseguir comer e a Vanda vai me matar por desperdiçar comida.
— Então se não quer lavar pratos coma a comida e seja civilizado e cumprimente o Fernando que já está assustado o suficiente com essa sua cara esquisita.
— Não leve ela à sério Eylian – resmungou Rafael de trás do livro que abrira – Você tem uma bela cara.
— To pouco me lixando para a opinião de humanos!
— Então você prefere a opinião de camundongos? – resmungou Helena mordendo seu sanduiche – Vamos diga oi para o menino!
Vermelho o elfo virou para Fernando que parara de comer para ver toda o drama, mas quando Eylian o olhou ficou preso no olhar do elfo. Era como se houvesse uma chama dentro daqueles olhos queimando cheio de raiva e paixão e Fernando sentia que podia entrar nele, olhar dentro da alma do elfo e ver todas as suas dores e paixões.
— Você é certo da cabeça humano? – ele disse a palavra humano como se fosse um xingamento.
— Acho que você deve melhorar nas ofensas elfo – resmungou Fernando saindo do estranho transe – Ser chamado de humano não me ofende e de onde venho meu povo pode ser mais criativo do que você pensa – ele se inclinou para o elfo dando um sorriso de escarnio – Somo todos feitos da mesma matéria, no final somos só um monte de átomos juntos tentando serem idiotas uns com os outros.
Helena engasgou e caiu na risada assim como Rafael que se escondeu atrás do livro.
— Você se acha muito inteligente não é? – havia fúria nos olhos do elfo.
— Eu só não tenho paciência para esse tipo de criancice Eylian. Meu nome é Fernando e ficar me chamando de humano não vai mudar isso, assim como chamar você de elfo não muda o que você é.
O elfo fez menção de se levantar, mas Helena o segurou.
— Fique quieto e coma. Você estava precisando desse esporro há algum tempo. Ficar com raiva de estar aqui não vai mudar que você vai ter que completar os cinco anos da academia sem reclamar. Sabe que vai ter que vir a cada ano aqui então melhore essa cara e tente se divertir um pouco.
Nesse momento David deixou um prato na frente dele com tanta comida que nem dava para ver Eylian atrás dele.
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