Thomas deu alguns passos para trás.

– Óhlem! – O gigante riu, a voz grave e poderosa.

As proporções eram humanoides, mas fora isso, o gigante, mesmo com orelhas pontiagudas e um nariz grande, lembrava mais Óhlem do que um ser humano. Seus olhos eram enormes, assim como sua boca, que parecia esticar de uma orelha a outra. Chifres branco-amarelados se enrolavam em cada lado de sua cabeça, contrastando com a pele cinza que quase parecia ser pura pedra

O desconhecido falou alguma coisa em sua língua e, mesmo com a voz grave que lembrava um trovão, as palavras soavam amigáveis, até brincalhonas. E a julgar pelo modo como pousou uma mãozorra na cabeça do okrasiri como se ele fosse um cachorrinho adestrado, era claro que eram amigos.

O gigante apontou para cada um do grupo, mencionando Nôa por nome, e o rapaz sorriu para ele. Óhlem apresentou Édna e Magdalenâ, agora tão calmas quanto os outros, e então seus olhos negros e brancos se voltarem para Thomas.

– E aquele é nosso novo amigo – disse em português.

Thomas quase tremeu quando os olhos grandes caíram sobre ele novamente, e ele ficou sem jeito, nervoso demais para se mover. O desconhecido era amigável, mas Thomas não conseguia parar de pensar no modo como ele tinha girado o machado gigante, que ele ainda carregava apoiado em seu ombro.

– Thomas… – Thomas notou que tinha parado de respirar por um momento.

Os olhos do gigante se tornaram mais gentis, percebendo o medo do rapaz, e Thomas corou. Uma das mãozorras de quatro dedos subiu até o peito musculoso, coberto por uma simples faixa de tecido.

– Ôkirba. – E inclinou a cabeça, ainda sorrindo. – Transfigurador? – Seu sotaque era parecido com o do okrasiri e ele falava pausadamente, sem ter muita certeza das palavras que usava. – Clã Vermelho… ainda existir…?

– Não, ele é humano – explicou Édna, com um sorriso.

– Humano? Por isso falar essa língua…

As sobrancelhas não existentes de Ôkirba subiram em sua testa de modo quase cômico e Thomas notou que ele tinha ligado os pontos quando os olhos desviaram de seu rosto para a pedra arroxeada.

Ângâm Tsendói! Ser guerreiro de San Iak! – Ôkirba curvou a cabeça ainda mais, a mão de volta ao peito. Thomas corou e imitou o gesto. – Prazer conhecer! Que fazer em Sir’benét?

– Hã… Êkila nos mandou pra cá – respondeu Thomas, já que ninguém mais se pronunciou. – Adra-iu-de invadiu Ma-e... O castelo. – Ele suspirou, era difícil dizer aqueles nomes.

Os olhos gentis de Ôkirba se escureceram. Ele resmungou alguma coisa, deslizando o machado do ombro e Thomas deu um passo instintivo para trás.

– Não bom… Que fazer agora?

– Não sabemos. – Édna deu de ombros. – Talvez nos esconder em algum lugar?

– Poder ficar em caverna de Ôkirba. Ou At’knik.

– Sim, nossa cidade é a mais segura do Reino! – Óhlem sorriu, se voltando para Thomas por um momento e o humano se sentiu curioso. A pequena cidade dos transfiguradores parecia simples e bonita, mesmo de longe, e a cidade frente ao castelo era grande e de aparência poderosa, ele se perguntou como a cidade daqueles seres coloridos devia ser. – Eu posso levar vocês pra lá.

– Antes… – Ôkirba bateu de leve no saco que Óhlem carregava. – Comida. – E, na mesma hora, Thomas sentiu sua barriga roncar, o lembrando que não tinha feito nada além de mordiscar algumas coisas durante o café da manhã no castelo. – Vir.

A partir dali as árvores começaram a se afastar e Thomas suspirou ao sentir o calor do sol mais uma vez. Ôkirba, mesmo com seu tamanho (uns três metros, ou coisa assim) conseguia passar por entre as árvores com uma habilidade similar à de Óhlem.

Eles caminharam até o ponto em que a palavra “floresta” não servia mais para descrever o lugar, e uma clareira se abriu, revelando uma lagoa quase circular; a água refletia o sol, parecendo ser feita de prata líquida. O grupo circulou uma das margens, se aproximando mais da inclinação que levava ao pé da grande cordilheira. Thomas jogou a cabeça para trás e se sentiu tonto, vendo as montanhas se erguendo ao longe, os topos azulados contra o céu.

O grupo se dirigiu até uma casa, aparentemente criada a partir de uma abertura antiga na pedra, transformando uma caverna em um lar com janelas e portas grandes. Ao lado da casa havia algo mais parecido com uma caverna de verdade, com uma abertura escancarada e de aparência mais rude.

Thomas deu uma olhada lá dentro.

No centro da caverna estava uma enorme bigorna, além de instrumentos que o garoto já tinha visto em filmes. E, pendurados nas paredes estavam espadas, martelos e escudos, alguns parecendo ser o trabalho final, enquanto outros estavam amassados, quase malfeitos, esperando reparos. E, ao fundo, uma enorme fornalha estava acesa, a luz do fogo refletindo no metal e iluminando a forja de pedra.

– Um ferreiro… – Thomas admirou uma das espadas. Era grande, longa e afiada, feita para ser empunhada por Ôkirba ou alguém de seu tamanho. Thomas segurou a vontade de tocar, sabendo que aquilo não seria nada educado, além de nada seguro.

– Vir, entrar. – Ôkirba abriu a grande porta de sua casa, deixando os visitantes entrarem primeiro.

Assim como era por fora, a casa de Ôkirba tinha uma aparência simples, com paredes de pedra nua e vigas de madeira escura. A sala de entrada lembrou Thomas da toca, com um círculo de travesseiros no chão que era coberto por um tecido amarronzado, parecido com carpete; do outro lado da sala estava uma cozinha com um fogão a lenha de pedra; e, logo ao lado, estavam duas camas feitas de pedra e madeira, uma grande e outra pequena.

Ôkirba voltou a falar em sua língua, fazendo sinal para que os visitantes se sentassem e então disse alguma coisa para Óhlem, que assentiu e se dirigiu para a cozinha. Thomas respirou fundo e seu estômago roncou de novo quando ele sentiu o aroma de alguma coisa que o deixou com água na boca, era delicioso e cheirava a carne assada.

Thomas congelou quando algo pousou em seu ombro, era tão grande e pesado que, mesmo com o toque gentil, ele sentiu suas pernas tremerem. Timidamente, ele ergueu o olhar, encontrando Ôkirba inclinando-se sobre ele.

– Não preocupar. Aqui seguro ser – E deu um “tapinha” no ombro do rapaz antes de seguir atrás de Óhlem.

Ignorando o tremor em suas pernas após o contato, o garoto acompanhou os transfiguradores até os travesseiros. Mesmo estando em uma casa feita para um gigante, Thomas, ainda assim, se sentiu mais confortável ali do que se sentiu no castelo.

– As árvores mortas começaram a se mover faz muito tempo? – perguntou Édna, se sentando ao lado de Thomas.

– Não. – Ôkirba parou para pensar. – Algumas luas, sim, talvez três.

– Isso quer dizer uns “três meses” na sua língua. Os ordjô calculam o tempo a partir da lua cheia – explicou a garota, e o humano só assentiu, sem prestar muita atenção. – E Êkila ou o Conselho sabem disso?

Ôkirba respondeu com um som que Thomas acreditava ser negativo.

– Eu aviso os anciões em At’knik – disse Óhlem enquanto ajudava na cozinha, mesmo mal podendo alcançar as bancadas de pedra.

– Fantasmas em Sir’benét… – Ôkirba murmurava baixinho, soando incomodado.

A barriga de Thomas roncou de novo com o cheiro do que o ordjô estava preparando e ele grunhiu.

No castelo, Thomas tinha mordiscado um pouco de pão porque era a única coisa na mesa que reconhecia bem. Ele nunca tinha sido alérgico a nada, mas quem sabe o que comer alguma coisa de um outro mundo podia fazer com o seu metabolismo humano? Thomas estava com fome, mas também estava um pouco nervoso quando Óhlem começou a trazer alguns objetos para o círculo de travesseiros, similares às que tinha visto no castelo, porém muito mais simples.

Ôkirba fez sinal para Óhlem se sentar e se juntou a eles em seguida, trazendo uma tábua de pedra e a pousando no centro do círculo. Thomas salivou. O ordjô cortou pedaços pequenos de carne e os deslizou para as tigelas de seus visitantes e por um momento Thomas se viu em um dos churrascos que seus tios; ele mordeu o lábio para não rir, mas se sentiu confortável com a memória.

– O que é isso? – perguntou, só para ter certeza.

Bóvi assado. Com molho de moá. Deixar menos salgado.

Aquilo não ajudava muito, mas Thomas não disse nada. Ele ergueu um pedaço pequeno de carne na ponta do garfinho de dois dentes que tinha lhe sido entregue e deu uma mordiscada tentativa. Ele se surpreendeu, tinha o mesmo sabor e consistência de carne de porco. Mesmo com aquele tal molho ainda era bem salgado; mas Thomas não se importou e sua barriga fez mais um som, feliz por finalmente receber um pouco de comida.

Ele continuou comendo com cuidado, tão focado na comida que nem notou quando os outros começaram a conversar; mas não era como se ele pudesse entender o que falavam. Enquanto enchia a barriga, Thomas se sentiu confortável, mas nem mesmo a comida bem assada conseguia eliminar a inquietação de sua mente.

Ele estava confuso. Tanta coisa tinha acontecido em tão pouco tempo desde o momento em que acordou. De repente ele tinha tomado café com a rainha, fugido por uma passagem subterrânea, atravessado uma floresta, e agora estava almoçando na casa de um gigante de pedra. E o fato de que repetir, mais uma vez, que aquilo “era um sonho” não funcionava mais para o acalmar só intensificava aquela sensação estranha.

O que mais ia acontecer? Óhlem queria levá-los para At’knik e ele sabia que tinham fugido para se esconder de Adraúde, mas e depois?

Quanto mais tempo passava, mais ele se sentia sendo puxado em duas direções. Ele queria saber mais sobre o Grande Reino, queria explorar aquelas terras, ir até aquele outro castelo ou a árvore gigante… E, honestamente, queria saber se podia ajudar, de algum modo, aquele povo.

Mas outra parte dele queria voltar para casa imediatamente, cada vez que pensava em Adraúde e no quão poderosa todos diziam que ela era, cada vez que se lembrava dos Fantasmas e das árvores assombradas por eles. Até mesmo pensar no modo como aquela montanha em forma de pessoa tinha aparecido, girando um machado praticamente do seu tamanho, o fazia tremer.

Thomas quase derrubou a tigela que segurava quando sentiu alguma coisa o cutucar. Ele se virou para Édna, que só apontou para Ôkirba, sentado do outro lado do círculo e olhando para Thomas.

– Jovem guerreiro, onde espada estar?

Demorou um pouco para Thomas processar o que tinha ouvido.

– E-espada?

– Ele não é o guerreiro. – Magdalenâ não tirou os olhos da comida.

– Mag. – Sibilou Édna.

– O quê? – Ôkirba franziu a testa sem sobrancelhas.

Thomas corou, sem saber como responder.

– Thomas não acredita ser o guerreiro. – Édna respondeu por ele e o garoto a lançou um olhar, embora não soubesse se pretendia ou não responder. – Mas a pedra de Maes nos levou até ele. – A garota retribui o olhar.

– Por que não acreditar?

Dessa vez, Édna não falou nada. Thomas suspirou.

– Eu… não sou um guerreiro… – disse, um pouco nervoso de admitir tal coisa diante do gigante. – Olha, eu cheguei aqui ouvindo sobre um tal de San Iak que me viu como um guerreiro. É só isso.

Ôkirba continuou o encarando, como se não entendesse. Thomas desviou o olhar, desconfortável.

– Mas… por que pedra de Maes estar com você?

Thomas baixou o olhar para a pedra azul arroxeada. Tinha até esquecido que ela estava ali, o que era estranho, já que ele não estava acostumado com pesos em seu pescoço. Mas aquele cristal era diferente…

– Édna me deu… – Ela continuava quente, confortável.

– E ela não reagiu? – Foi Óhlem quem perguntou, olhando de Thomas para Édna.

– Bem, ela brilha às vezes, mas fora isso…

Óhlem não disse nada por um momento, assim como os outros.

– Édna, você ficou encarregada de ir atrás do guerreiro com a pedra, não é? – Óhlem soava pensativo e Thomas fez uma careta. Todo o reino sabia daquela missão, pelo jeito. – Dava pra outra pessoa ter ido?

– A pedra não deixou. – Édna sorriu, pelo jeito entendendo o que o outro queria dizer. Thomas não estava tendo tanta sorte.

– Como assim a pedra não deixou?

– Mas quando você deu ela pro Thomas, ela deixou?

– Como pode ver!

– Do que vocês estão falando?! – exclamou Thomas.

– A pedra de Maes é uma pedra mágica, Thomas. Não é um cristal qualquer – respondeu Édna, num tom tão calmo que incomodou Thomas um pouco. – Ela é um dos legados da família Maes, uma família da linhagem dos magos antigos. Ela está conectada a eles.

– O que quer dizer…?

– Ninguém sabe direito. – Foi Magdalenâ quem falou, para a surpresa do rapaz. Ela continuou, com a boca meio cheia: – Pelo que dizem, a Essência de todos os Maes está unida a ela. Talvez até San Iak esteja aí, observando você.

Thomas apertou os dedos em volta do cristal. Seus dedos esquentaram.

Essência… Consciência? Alma? Ele não sabia o que era e não tinha certeza se preferia saber ou não. Imaginar que ele carregava consigo algo que estava conectado com a “essência” de gerações de uma família era… estranho.

A Essência de San Iak...

A mente daquele homem, ou a alma dele, podia estar bem ali, pendendo de seu pescoço. O homem que o colocou no meio daquilo tudo.

Ele segurou a pedra com mais delicadeza, pela primeira vez tendo uma ideia de sua importância.

– Talvez… – Um de dentes tortos tomou as feições de Ôkirba. – Por isso você estar aqui! – Ele bateu com a mão no chão de pedra, fazendo Thomas pular, mas pelo jeito era uma reação de animação, não de violência. – Um guerreiro sem arma nada ser!

– O que? – Thomas piscou.

– Eu fazer espada para você! – anunciou o ferreiro, decidido.

Thomas pensou nas espadas da forja, sentindo uma agitação subir por seu corpo, e não era algo ruim dessa vez. Ele já tinha se perguntado como seria empunhá-las, o quão incrível e o quão perigoso seria… Sua barriga deu um rebuliço.

Seus pensamentos foram interrompidos por outra risada alta e ele tinha certeza de que a casa tinha tremido.

– Uma espada o guerreiro precisar! O que preferir? Cabo longo, curto? Lâmina reta, curvada…?

Thomas piscou, demorando para entender o que Ôkirba queria saber.

– A-ah, não, não tenho… – murmurou sem jeito, sem saber o que dizer. Ele desviou o olhar para os transfiguradores que o observavam com interesse, e se sentiu acuado. – Na verdade… eu nunca sequer cheguei perto de uma espada antes…

Ôkirba levantou a cabeça e Thomas tentou se esconder de seu olhar. Toda a gente do Grande Reino esperava por um grande guerreiro preparado para lutar por eles, mas a única coisa que tinham recebido era um garoto franzino que nunca sequer tinha ganho uma só briga em toda a sua vida.

Era ridículo. Ele era ridículo.

Não, não é.

Ele ignorou aquela vozinha em seu ouvido.

– Nunca ter treinamento… – deduziu Ôkirba e Thomas só assentiu. – Certo! Depois da espada pronta, você treinar!

Thomas quis dizer alguma coisa, mas não encontrou as palavras certas. Pensar em treinar com uma espada em mãos era ao mesmo tempo assustador e excitante.

– Você ser guerreiro de San Iak, precisar de espada especial, não espada simples, mesmo feita por mim. – Ele riu da própria piada. – Eu criar espada perfeita. Sim? Espada que só você poder usar bem!

Cada palavra de Ôkirba revelava sua paixão pelo trabalho e Thomas se sentiu estranhamente contagiado por sua animação. Uma espada feita só para ele… Thomas imaginou como seria estocar e cortar com ela. Seu conhecimento superficial sobre pelejar, vindo de filmes, séries e vídeos na internet, além das suas “batalhas” contra seus amigos (usando guarda-chuvas ou galhos caídos no meio do caminho) talvez viesse a calhar.

Minha espada…, Thomas sorriu, gostando de como aquilo soava.

Ôkirba tinha se levantado, fazendo sinal para Thomas fazer o mesmo e o garoto obedeceu. Ele lançou um olhar para os outros e Nôa e Édna sorriram para ele enquanto Óhlem assentia, Magdalenâ continuou focada na comida. Thomas acompanhou Ôkirba até uma mesa de madeira avermelhada num dos cantos da casa, onde o ordjô procurava alguma coisa e, quando encontrou, ele se voltou para o garoto, ainda sorrindo de orelha a orelha, e pousou a mão no ombro desse, quase o empurrando contra o chão.

– Eu medir para começar… – Ôkirba parou de falar tão de repente que Thomas também ficou quieto. O ordjô ficou assim por um momento antes de se afastar, soltando o garoto como se tivesse se queimado. – Oh…

– O que foi? – O rapaz notou que o olhar do ferreiro estava focado num ponto mais baixo e que seu peito estava um pouco mais quente que antes. Quando olhou para baixo, tudo o que pôde ver foi um leve brilho sumir de dentro da pedra de Maes.

– Bem… Problema ser… – Ôkirba olhou para os lados, como que envergonhado.

– O que é um problema?

– Você não ouvir? Ah, só eu ouvir… – Ôkirba assentiu, enquanto Thomas continuava confuso. – Não poder fazer espada… se não ser o desejo dos Maes, não poder ignorar.

Desejo dos Maes?

Thomas pensou na conversa anterior, sobre a pedra ter-se “deixado” ser entregue a ele e como não era uma pedra normal. Mas se ela tinha guiado Édna até Thomas e afirmado (de algum modo) que ele era o guerreiro, então por que não iria querer que uma espada fosse feita para ele? Até o poema dizia que ele devia ter uma espada!

– Qual é a dessa pedra afinal? – Ele não queria soar rude, mas já estava um pouco cansado de ficar no escuro.

– Talvez a pedra ache que não é a hora certa para você conseguir uma espada…? – Nôa deu de ombros.

– Mas por que não seria a hora certa?

Por um segundo o cristal se esquentou um pouco mais.

– Como saber? – Foi Ôkirba quem falou. – Talvez não hora certa, mas espada certa! – Ele pousou a mãozorra de volta no ombro do garoto. – Talvez eu não poder criar espada do guerreiro de San Iak!

A espada certa?. ele não podia negar, aquilo soava ainda mais interessante. Mas que tipo de espada?, ou o mais importante: Quando ela aparecerá?

Ele nem sabia se queria saber a esse ponto…

– Talvez em At’knik encontrar respostas.

– Sim, um dos anciões pode saber! – Óhlem se colocou de pé, pronto para ir. – É melhor a gente ir então. Eu volto depois!

O ordjô deu uma risada grave, levando a mão para a cabeça de Óhlem como tinha feito antes.

– Óhlem, amigos precisar de você. Guerreiro precisar de guia. Poder ceder meu aprendiz. Sem problema.

Thomas e o grupo ajudou a limpar o carpete da sala de suas tigelas e utensílios, mas Ôkirba balançou a cabeça, dizendo para já seguirem seu caminho. Mas antes de partir, o ordjô parou Óhlem, dando-lhe algo que deixou Thomas nervoso: uma lança, com uma ponta brilhante e afiada.

– Foi bom ver você de novo, Ôkirba! – disse Nôa quando o grupo se dirigiu de volta às árvores, com o ordjô os acompanhando como um guarda-costas. O mundo continuava o mesmo no lado de fora.

– E foi bom conhecê-lo – disse Thomas, honesta e educadamente.

– Se pedra deixar e precisar de armadura, já saber quem procurar! – Ôkirba sorriu. – Talvez outra pessoa poder fazer… Óhlem? – Ôkirba deu uma piscadela para o okrasiri.

O rosto vermelho de Óhlem ficou mais escuro e Thomas não pôde deixar de sorrir. Ôkirba então curvou a cabeça como tinha feito quando se conheceram, apertando a mão contra o peito.

Háp te Mekáp! – disse num tom retumbante.

Háp te Mekáp! – Os outros repetiram e Thomas apenas acenou, sem saber o que fazer.

O garoto suspirou. Não se sentia muito feliz em retornar para a floresta, mas, ao mesmo tempo, estava curioso para saber o que havia além das árvores.

Ele ergueu a mão para a pedra azul arroxeada e um calor reconfortante envolveu seus dedos.