A Saga de Ares - Santuário de Sangue

13 Capítulo 13 - Atena aos mortos


Notas iniciais
Atena vs Deimos. A deusa da guerra luta com afinco contra o habilidoso deus do terror. A adaga dourada ataca novamente. Um corpo cai nas escadas do Santuário, um anjo chora e o povo lamenta.

Capitulo 13 — Atena aos mortos


Salão do Grande Mestre

Deimos investiu como um demônio contra Atena, mas Pavlin saltou na frente da deusa e correu em direção ao deus para detê-lo. Deimos foi mais ágil e desviou dos punhos de Pavlin, acertando um soco no rosto da sacerdotisa. A cabeça da saintia foi inclinada para o lado e o seu corpo foi arremessado para a lateral do salão. Só parou quando suas costas encontraram uma das grandes colunas, que rachou com o impacto, e ela escorregou até o chão.

— Pavlin! — gritou Atena, preocupada com a jovem sacerdotisa.

Deimos não se importava se seu oponente era mulher, criança ou idoso. O que lhe importa é vencer e se for necessário ele tira a vida do seu adversário sem pensar duas vezes.

Com o nariz escorrendo sangue e algumas escoriações no rosto, a sacerdotisa tentou se levantar se apoiando na grande coluna na qual foi arremessada.

— Não se intrometa nessa luta, garota. — disse Deimos.

— Quem você acha que é para me dizer o que devo ou o que não devo fazer?! — disse Pavlin.

— Você é atrevida, sacerdotisa.

Pavlin se levantou, mas sua visão estava turva por causa do soco que levou.

Deimos ergueu a espada para ataca-la, mas teve que usa-la para se defender de um ataque de Atena. Ainda próxima ao grande trono, Atena disparou um golpe usando seu báculo dourado na intenção de chamar a atenção de Deimos.

— Não interfira, Pavlin! — disse Atena. — Essa luta é entre mim e ele.

— Me perdoe Atena, mas eu não posso ficar parada. — disse Pavlin, já de pé. — Qual seria a minha função nisso tudo? Sou sua sacerdotisa e minha função é lhe proteger. Não foi para isso que treinei arduamente até ser honrada com a armadura de prata de Pavão?!

— Mas Pavlin...

— Vou lhe proteger mesmo que isso custe a minha vida, Atena. Não carregue o fardo sozinha — Pavlin olhou para Deimos e se recompôs. — Venha Deimos. Eu, Pavlin de Pavão, serei a sua oponente.

Deimos abaixou sua espada e a fincou no chão.

— Será uma luta em vão, garota. E você sabe muito bem disso. Está querendo provar o seu valor de forma errada. Que chance você tem contra um deus? Irá morrer inutilmente sem me provocar um arranhão. Que utilidade terá para Atena?

— Não brinque comigo. — disse Pavlin.

— Está bem. Vou corresponder a você. — disse o deus. Atena, você desperdiça de mais os espíritos de luta que seus cavaleiros possuem. — Os olhos de Deimos brilharam e ele partiu em direção a Pavlin.

A Saintia elevou o cosmo e plumas de pavão surgiram em suas costas acompanhadas de um par de asas verdes invocadas pelo cosmo da sacerdotisa. Abrindo as asas em posição defensiva, a sacerdotisa se preparou para se esquivar. Sabia que era tolice bater de frente com um deus, ainda mais com Deimos que vinha com toda carga pra cima dela.

No instante em que ambos iriam se chocar, Pavlin desviou. Ao invés de deixar que o seu adversário batesse de frente com as colunas, ela segurou o deus por uma das asas da Onyx e o arremessou para o outro lado da sala. Surpreso com o atrevimento, Deimos acabou se descuidando e se chocou na parede causando um enorme estrondo. Pavlin pousou no meio do salão.

Atena, Tourmaline e o Grande Mestre ficaram surpresos. O orgulhoso deus do terror foi pego de surpresa e ainda teve seu corpo lançado para o outro lado do salão. Mas logo o temor voltou a tomar seus corações. Deimos era um deus e não seria derrotado dessa maneira. Tal atitude só fez enfurecer ainda mais a divindade.

O cosmo de Deimos explodiu e apenas um borrão foi visto se movimentando de onde ele estava até Pavlin. Em uma velocidade superior a dos cavaleiros de ouro, o deus contra atacou acertando-a de punho fechado, fazendo com que ela fosse arremessada novamente contra uma das colunas e teve sua armadura despedaçada.

— Forte e ágil, mas incapaz de me ferir gravemente. Levantar a mão contra um deus pode até ser um pecado, mas sou um deus de guerra, então, não irei reclamar da sua petulância garotinha. Irei questionar apenas a sua fraqueza. Humanos são limitados.

Pavlin desabou no chão desacordada. Sangue começou a escorrer de seus ferimentos e em poucos segundos uma poça se formou.

— Quem será o meu próximo oponente? — perguntou Deimos enquanto ia em direção a sua espada e a retirava do chão. — Será você menininha de cabelo vermelho? — perguntou Deimos, apontando sua espada para Tourmaline. O deus moveu novamente sua espada, mas agora apontando para Delfos. — Ou será o Grande Mestre?

— A nossa luta ainda não acabou Deimos.

Com a blusa branca ensopada de sangue marcando seus seios, Pavlin se levantou mais uma vez. Seus braços e rosto estavam com várias escoriações e cortes profundos. Seu cabelo loiro agora estava todo bagunçado e sujo de sangue e poeira.

— Se continuar assim vai acabar morrendo, Pavlin. — ironizou Tormaline.

— Então saia de perto do seu irmão e lute contra Deimos você também. — Pavlin já estava perdendo a paciência com Tourmaline.

— Eu mesma não. — disse Tourmaline dando um sorriso. — A própria Atena já disse para não lutarmos.

Atena olhou de lado para Tourmaline com desconfiança.

— Então, vai me enfrentar? — perguntou Deimos. — Mesmo nesse estado?

— Já chega, Pavlin! — ordenou Atena. — Dessa forma vai acabar morrendo.

— Não desanime seus servos, Atena. — o deus se virou para a sacerdotisa. — Vamos lá, garota. Vamos acabar com isso!

Deimos ergueu a espada e depois a moveu como se estivesse cortando o ar, lançando um golpe com o movimento da lamina. Um corte fino foi disparado contra Pavlin, mas algo bloqueou o golpe. Um enorme escudo dourado surgiu diante de Pavlin, protegendo-a e repelindo o golpe. Levada pelo cansaço, a saintia de Pavão desabou no chão.

— Decepcionante, garotinha. — comentou Deimos. Ele abaixou a espada e voltou-se para Atena. — Vai lutar comigo agora, Atena?

— Não tenho outra escolha. — Atena elevou o cosmo e deu um salto, causando espanto em todos que a observava. Ela ergueu o báculo, que brilhou e diminui de tamanho, transformando-se em uma espada dourada de dois gumes. A deusa desceu com a espada em uma investida contra Deimos, mas o deus do Terror a bloqueou usando a sua espada. O choque das duas armas divinas causou uma onda de ar que arrancou o trono do lugar e o arremessou contra a parede de fundo. Se o Grande Mestre e Tourmaline fossem humanos normais, teriam sido arremessados também. — Vamos lutar Deimos!

Deimos sorriu e a repeliu com a força da espada. Atena pousou a alguns metros de distância, e ao pisar no chão olhou para Deimos e correu em sua direção para ataca-lo. Deimos girou a espada e correu em direção a Atena. No momento em que as duas espada iam se chocar novamente, Atena estendeu a mão e o escudo foi teletransportado do chão para o braço da deusa. Deimos desceu com toda força, mas sua espada atingiu o escudo e dessa vez ele e seu ataque foram repelidos.

Atena empurrou Deimos para trás usando o escudo e o contra atacou com a espada dourada. Um show de espadas começou no grande salão. Deimos se divertia ao mesmo tempo que demonstrava espanto ao ver Atena tão ágil manuseando armas. O deus saltou para trás, mantendo distância de Atena, mas ao invés de usar a espada ele estendeu a mão e um enorme pentagrama brilhou no teto do salão. Era um grande círculo vermelho com um pentagrama no centro e várias descrições em uma língua estranha ao redor. O círculo brilhou e uma dimensão foi aberta.

Um rugido ecoou e um grande animal surgiu do círculo e desabou no chão do salão, rachando o piso com o peso do corpo. Era um grande cão preto com enormes dentes afiados, orelhas pontudas, olhos como labaredas de fogo e grandes garras afiadas. Com cerca de oito metros de altura, o cão demoníaco ocultava o outro lado do salão.

— Mas o que é isso? — perguntou Tourmaline.

— Uma invocação. Deimos é famoso por gerar terror através dessas suas invocações demoníacas. — respondeu o Grande Mestre. — Mas não é apenas uma invocação qualquer. Cada besta invocada por Deimos é apenas a materialização do seu espirito sanguinário de luta. O que estamos vendo é apenas uma das inúmeras formas que ele possui.

— Fiquei sabendo que ele enviou junto com o exército invasor uma serpente gigante.

— Não passa de mais uma forma do seu espirito. — o Grande Mestre tirou de dentro da sua manga um punhal dourado e o escondeu nas costas, longe da visão de Deimos. — Se as coisas não saírem como planejei, eu terei que intervir.

O cão demoníaco latiu e foi na direção de Atena, enquanto Deimos permaneceu observando. Atena desviou do ataque, mas o animal era ágil mesmo sendo extremamente pesado. A cada pisada o chão tremia e rachava. Na corrida o vestido de Atena rasgou de lado, deixando amostra sua formosa perna de pele clara. A deusa correu em direção a um dos pilares e o cão demoníaco a perseguiu achando que a tinha encurralado, mas Atena saltou no pilar e pulou, dando um giro de 360 graus e pousando na cabeça da besta. O animal começou a se mexer bruscamente afim de derruba-la, mas a deusa se segurou na pelagem do animal e fincou a espada na cabeça da besta. O animal se debateu bruscamente e lançou Atena para longe, que caiu embolado no chão. O pesado escudo dourado voou de seu braço. A grande besta urrou e desabou. Não parecia morto, mas estava bastante ferido.

— Andou treinando, Atena? — perguntou Deimos. — Lembro muito bem de você na última guerra santa. Não era tão flexível assim em uma luta e detestava o uso de armas, mas duzentos anos depois você me aparece assim, preparada para uma lua. Isso me excita, sabia?

— Guarde isso para você.

Deimos correu em direção a Atena, que ainda estava se levantando, e antes que ela reagisse ele a acertou com um soco no rosto e outro em seu abdômen. Atena foi jogada contra a parede e caiu no chão com o nariz sangrando. Deimos correu novamente e saltou afim de cair com os dois pés em Atena, mas dessa vez Atena se teletransportou e apareceu atrás de Deimos com a espada dourada na mão, e antes que Deimos se virasse, Atena fez a espada descer em um corte profundo nas costas do deus e se teletransportou novamente, mas dessa vez para longe de Deimos.

O deus do terror urrou como sua besta e caiu de joelho no chão, arfando. Atena aproveitou para recompor o folego. Uma de suas mangas foi rasgada e agora estava visível várias cicatrizes finas no seu braço. Os hematomas desapareceram, mas as cicatrizes não.

O ar do salão ficou pesado e por pouco as tochas não se apagaram. Do lado de fora começou a chover e a trovejar. Raios desciam iluminando a noite e o brilho se propagava em pequena escala dentro do salão. O cosmo de Deimos então se elevou ainda mais, deixando Atena surpresa.

Ainda de joelhos e de costas para Atena, Deimos começou a falar.

— Mas que vira-lata você é. Sim, você treinou. Isso é obvio. Não só está mais habilidosa, como também está emanando um grande poder. Então vou enfrenta-la com todo as minhas forças. Tenho que matá-la de qualquer forma.

As asas da Onyx brilharam e se tornaram asas de verdade. Um grande par de asas negras, parecendo asas de morcego, se abriram nas costas do deus, e na ponta de cada asa havia uma grande e afiada presa. O curto cabelo acinzentado começou a crescer na parte de trás e um par de grandes chifres negros e grossos brotaram em sua cabeça. O deus olhou de lado para Atena e ela se assustou. Deimos se transformou em um verdadeiro demônio.

Ele se levantou e toda a escuridão que estava cobrindo o salão se materializou em uma longa capa que descia até o chão e se arrastava. Seus olhos vermelhos brilhavam e seus cílios pareciam mais escuros, deixando-o com um olhar ainda mais sombrio.

Seu corpo já era formidavelmente musculoso, mas agora parecia ainda mais forte e imponente. Deimos estendeu a mão em direção a sua espada e ela veio voando em sua direção.

— Levante-se besta! — ordenou ele. O grande cão rugiu e se levantou. Parecia menos feroz do que antes, provavelmente ainda sentia fortes dores por causa do ferimento na cabeça, mas aquele era um espirito forte de Deimos e não cairia tão fácil como foi com a serpente. O animal foi em direção a Deimos, em cima do altar, onde fica o trono do Grande Mestre e se posicionou ao lado do seu senhor. — Você é uma filha de Zeus e eu não sou tolo em enfrenta-la com metade dos meus recursos.

Atena se recompôs e estendeu o braço esquerdo, o qual logo foi coberto pelo grande escudo dourado.

— Ele assumiu sua forma divina apenas para enfrentar Atena. — comentou o Grande Mestre, que assistia toda a luta junto com Tourmaline atrás de um pilar.

O grande animal latiu e correu na direção de Atena, seguido por Deimos que ia logo atrás. Atena então disparou contra o animal. Ela se desviou do ataque da besta e o cortou pela lateral, fazendo com que o animal cambaleasse. Deimos surgiu na frente de Atena e a atacou com a espada, mas Atena usou o escudo para se defender. Enquanto a deusa segurava o ataque de Deimos, o animal aproveitou o descuido e tentou atacar Atena, mas um vento forte o jogou contra a parede.

Pavlin, que estava se segurando em um dos pilares, estava com as mãos estendidas e com o cosmo elevado. Seu último esforço defendeu Atena. Ela sorriu para sua deusa e desabou novamente no chão.

Atena então se enfureceu e elevou o cosmo. A deusa plicou um chute no abdome de Deimos, que foi lançando para trás. Ele foi arremessado e pousou violentamente rasgando o chão. Atena saltou para trás abrindo espaço maior entre eles, mas ela se descuidou e a besta a atacou novamente. Com uma forte investida Atena foi jogada contra um pilar e o escudo foi novamente jogado longe, indo para nos pés de Deimos, que chutou para longe do alcance de Atena.

— Mate-a!

Os olhos do animal brilhavam ainda mais e fumaça saia de suas narinas. Com sua pesada pata ele começou a esmagar o corpo de Atena, que gritava de dor, sem poder manusear a espada. O animal abriu a boca e mostrou seus dentes afiados, então latiu e foi em direção a cabeça de Atena, mas foi nocauteado, interrompendo seu ataque.

Meteoros azuis cruzaram o salão e acertaram o monstro, atravessando seu pesado corpo e o matando. O animal se dissolveu em uma fumaça negra que voou em direção a Deimos e entrou pela sua boca.

— Subiu as casas restantes apenas para interferir na minha luta... Seiya de Sagitário!

Seiya estava na entrada do salão encarando Deimos. Ao ver Atena no chão ele correu ao seu encontro, mas antes de chegar perto dela algo o acertou várias vezes no rosto em uma velocidade superior ao de um cavaleiro de ouro. Deimos havia se movimentando em uma velocidade divina e aplicou vários socos em Seiya, o lançando no chão novamente.

— Não adianta, Deimos! disse Seiya, cuspindo sangue e se levantando.Continuarei a me levantar quantas vezes forem necessárias.

— Eu sei disso. Ou melhor, nós sabemos. — Deimos olhou para Atena, que estava se levantando mais uma vez, e apontou a espada para ela. — Você foi vítima do meu golpe não foi Seiya? Talvez você tenha visto algo semelhante a cena, não é mesmo?

Seiya olhou para Atena e arregalou os olhos. Imagens começaram a rodar na sua mente e entre elas estava a cena de Atena se levantando, ferida, com a manga rasgada, vestido rasgado na lateral e segurando uma espada dourada na mão. O cabelo estava igualmente bagunçado, rosto e braço repletos de escoriações e com um fino traço de sangue escorrendo pelo seu rosto.

— O “Terro tenebrarum” funciona de três maneiras. Pode ser apenas uma ilusão que afeta a todos, pode ser uma ilusão que afeta um único individuo, ou pode mostrar um futuro ou um passado aterrorizante que lhe arrasta para uma agonia enlouquecedora. — Deimos sorriu e deu as costas para Seiya, ficando de frente com Atena. — Seu cosmo ainda está desequilibrado e seu esforço custou muito do seu sistema nervoso. Não vai se levantar nem tão cedo. — disse olhando para Seiya por cima do ombro. — Olhe e se desespere.

Atena e Deimos se encararam profundamente.

— Vamos dar um fim nisso! — disse Atena.

Os dois deuses dispararam, um contra o outro, a uma velocidade incrível. Eram tão rápidos que seus movimentos deslocavam o ar ao aplicarem socos e chutes. Então partiram para o manuseio da espada. Deimos era mais ágil que Atena no manuseio de armas, mas Atena era rápida em se defender, assim não saia com tantos danos na luta.

Quando chegaram perto o bastante para golpear, ambos saltaram bem alto, quase alcançando o teto. No espaço em que os dois se cruzaram, em pleno ar, sabiam que só teriam tempo para desferir um único ataque, que deveria ser letal. E então atacaram. O choque das duas armas causou um grande brilho que tomou todo o salão e então algo desabou no chão.

Deimos estava caído, com os olhos sangrando. O brilho emanado no ataque veio da espada dourada de Atena, que cegou o deus do terror que é alimentado pelas trevas da guerra. Atena agora estava com um pé forçando Deimos no solo, enquanto sua espada estava fincada em uma das grandes asas negras de Deimos, prendendo-a no chão. Os pedaços de mármore do chão também fizeram cortes nas asas e na cabeça do deus, fazendo com que seu cabelo e o chão ficassem ensopados de sangue.

— Você perdeu essa luta, Deimos!

Atena levantou sua espada, que brilhou e se transformou novamente em seu báculo dourado. Ela mirou o báculo no pescoço de Deimos, pronta para arrancar a cabeça do deus maligno.

De longe Seiya observava tudo. Diante dele não estava mais aquela garotinha indefesa, Saori Kido. Diante dele estava Atena, a deusa das guerras justas e da sabedoria. Aquela imagem de Atena em cima de Deimos lhe chamou atenção. Aquela cena também estava no futuro que o golpe de Deimos lhe mostrou e depois dessa cena vinha o que Seiya mais temia.

— Atena! — gritou Seiya, mas era tarde demais.

Um vulto passou por ele em direção a Atena. No momento em que a deusa desceu o báculo na direção do pescoço de Deimos, sangue espirrou no chão do salão e o báculo foi jogada ao chão. Tentando entender o que estava acontecendo, o olhar de Atena estava vidrado no rosto de Deimos que sorria com o que estava vendo. Uma mão estava enfiada no peito de Atena e sangue escorria ensopando todo o vestido.

Deimos se levantou e olhou para Seiya, que estava gritando por Atena.

— Eu disse a você. — zombou o deus.

Um homem de longos cabelos negros, trajando uma formosa Onyx divina com um par de asas formidáveis, parecendo asas de um anjo, estava de costas para Seiya e com a mão direita cravada no peito de Atena.

— Pho-bos! — gritou Seiya. — Desgraçado!

— Atena... — começou Phobos. — Devo admitir que es um tipo de deusa que eu sempre admirei no Olimpo por causa de sua sabedoria, mas nessa guerra a vitória não será sua. Você foi quem perdeu a guerra nessa Era, Atena.

— Phobos... Deus do medo. — disse Atena, se engasgado com sangue e cuspindo. — Então meu destino é morrer nas suas mãos?

— Não se esforce para que não perca tão rápido seu último folego de vida. — disse Phobos, tirando a mão do peito de Atena e segurando a deusa em seus braços.

— Tudo como planejado, não é mesmo, deuses gêmeos? — disse Anteros, que chegou acompanhado de Alec de Lagarto.

Seiya olhou para Alec e o reconheceu. O discípulo de Shun que foi consagrado como cavaleiro de prata pela própria Atena.

— Alec? O que está fazendo do lado de um deus inimigo? — perguntou Seiya, furioso.

— Ainda não percebeu que existe traidores no Santuário? — perguntou Deimos.

Seiya se levantou novamente ficando entre os quatro. De um lado Deimos e Phobos, com Atena morrendo em seus braços e do outro lado Anteros, deus da manipulação, e Alec de lagarto.

— Você traiu Atena seu desgraçado?!

— Fiz a escolha mais sábia. — respondeu Alec.

— Traiu Atena, traiu o seu mestre e traiu o Santuário, mas ainda vem dizer que "fez a escolha mais sábia"? — Seiya disparou contra Alec e lhe deu um soco, fazendo com que o cavaleiro de prata fosse lançado para o alto e desabasse no chão. Alec não teve se quer chance de desviar do golpe. — Levante-se, seu maldito. Tire essa armadura a qual você insiste em vestir. Você é um desonra para os seus antecessores. Você é uma desonra para o Misty!! — O cosmo de Seiya se elevou rompendo a restrição do golpe de Deimos em seu sistema nervoso.

Seiya lançou outra sequência de socos no momento em que Alec tentou se levantar. A armadura de prata rachou e Alec foi arremessado para fora do Salão.

Seiya ignorou Anteiros e voltou sua atenção para os deuses gêmeos.

— Incrível a força de um lendário. — comentou Phobos, ainda segurando Atena em seus braços. — Seiya de Sagitário, você é um homem formidável.

Seiya elevou o cosmo intensamente.

— Seu desgraçado! Atacou na covardia. Você vai pagar caro por isso Phobos! Vai pagar com a sua própria vida!

Seiya disparou contra Phobos. Nenhum dos deuses se moveram, mas alguém se adiantou e parou o golpe de Seiya com apenas uma mão. Em uma velocidade similar a Seiya, Tourmaline surgiu diante do lendário e parou seu golpe, fincando fortemente os pés no chão, sem estar vestindo sua armadura.

— Parou meu golpe com uma mão?! Impossível! — disse Seiya. — Tourmaline, até você traiu Atena?

— Não foi apenas eu e o Alec, Seiya. Decisões erradas devem ser tomadas nos momentos certos. Seja sábio. Não tinha como Atena vencer essa guerra santa.

— O quê?! — disse Seiya, espantado, mas logo entendeu o que ela quis dizer. Ao olhar para Phobos, Seiya o viu colocando Atena no chão, mas um homem alto trajando os trajes de Grande Mestre se aproximou de Atena, que estava morrendo aos poucos. — Delfos?! Delfos, seu maldito!! Você também traiu Atena?

— Não fale assim com meu irmão. — disse Tourmaline, segurando o punho de Seiya e o lançando contra o chão. A agilidade, força e cosmo dela era além do nível de uma sacerdotisa comum.

Seiya se levantou novamente, mas antes de qualquer ataque que ele pudesse lançar, Tourmaline já se preparava para aplicar um golpe.

Dança das espadas!

Vários feixes em forma de laminas atacaram Seiya. Os golpes foram lançados na velocidade da luz e chegaram a fazer arranhões até na armadura de ouro. Notando que a força de Tourmaline não era do nível de um cavaleiro de bronze, mas sim muito superior até dos cavaleiros de prata, Seiya desviou das laminas e contra-atacou com seus meteoros. Tourmaline desviou e o atacou, aplicando um soco no abdômen de Seiya e o derrubou.

Essa força... Não é comum para um cavaleiro de bronze. pensou Seiya, de joelhos.Tourmaline, você por acaso é...

— Atena, você é uma deusa fraca. Isso é culpa da parte humana que lhe domina. — disse o Grande Mestre, se ajoelhando ao lado de Atena. — Pretendia dar cabo da sua vida sem ser necessário toda essa luta, mas teve que ser assim. Como os deuses disseram, você é a última gota e deve ser derramada. — Ele ergueu o punhal dourado que Saga usou para tentar mata-la e o afundou no peito de Atena. — Isso é para o despertar de Ares. Quando você voltar do mundo dos mortos, volte a agir como uma verdadeira deusa. Até lá... A Terra será governada pelo deus da guerra.

Atena gritou de dor e olhou para Delfos.

— Delfos... porque seu coração está batendo tão forte? — perguntou Atena, fazendo com que o Grande Mestre ficasse surpreso.

Lagrimas escorreram dos olhos de Atena, então a cor da vida começou a abandonar seus olhos. A cabeça de Atena virou para o lado e a última coisa que ela viu foi Seiya se levantando e tropeçando nos próprios passos tentando chegar até ela, gritando por ela, mas era tarde demais. Atena estava morta.

Phobos e o Grande Mestre se afastaram. Deimos, Tourmaline, Anteros e Alec, que havia voltado para o salão, observavam de longe. Seiya arrancou o punhal do peito de Atena e a abraçou. O calor da vida já a tinha abandonado e seu corpo agora estava frio.

— Me desculpe. — lamentou Seiya. — Eu não consegui te proteger como prometi. Atena... Saori... — lagrimas escorriam dos olhos de Seiya e pingavam no rosto de Atena. — Me desculpa. Me perdoa pelo meu fracasso. Não consegui... Me perdoa.

— Que fraqueza, Seiya. — Deimos girou e chutou Seiya, arremessando-o contra uma pilar.Chega de lagrimas! — O deus pegou o corpo morto de Atena pelos cabelos e o levantou.

— Não! Deimos, pare! — gritou Seiya se arrastado, chegando nos pés de Deimos e tentando segurá-lo. Deimos o chutou no rosto e Seiya desabou no chão chorando. Diante dele estava a mulher que ele amava, sendo arrastada pelos cabelos por um inimigo. — Deimos... Por favor.

O deus arrastou Atena pelos cabelos até o lado de fora da sala do Mestre e então a ergueu, como se levantasse um troféu. Suas garras afiadas cravaram na fina pele da cabeça de Atena e sangue começou a escorrer. Ele olhou para as Moiras e para o santuário, e então gritou:

— A última gota de sangue caiu! Atena... está... MORTA!

Foi então que as Moiras, que estavam se projetando no céu noturno e chuvoso, repetiram a frase de Deimos.

Atena está morta!

Lamentos foram ouvidos vindo de toda parte do santuário, mas o grito de festejo, vindo dos soldados de Deimos superou as lamentações. Os soldados e cavaleiros de bronze que se esforçavam para deter os soldados rasos de Ares cederam no chão ao saber da notícia. Eles haviam perdido a guerra.

Atena, a deusa da justiça estava morta. O santuário e a Terra pertencia agora ao deus da guerra, Ares, e assim um novo Império começava.

A chuva molhava Atena e Deimos, e o sangue da deusa escorria pelo chão misturado com a água da chuva. Deimos olhou para trás, para Phobos, e sorriu.

— Eu disse a você que haveria um derramamento de sangue no Santuário.

—...—


Brasil: Cidade do Rio de janeiro — Bangu — Penitenciária Laércio da Costa Pellegrino

A penitencia de Bangu é relativamente pequena. Existem somente quarenta e oito lugares, dividido em quatro galerias, cada uma com doze celas individuais. O critério empregado para que um preso seja encaminhado para lá é o seu teor de periculosidade e a divisão dos presos nessas galerias é o mesmo do conjunto das cadeias brasileiras: por grupos de afinidade ou quadrilhas organizadas.

Ele chegou. disse uma voz dentro da cela.

— Percebi. — respondeu um rapaz, que estava deitado em um colchão dentro da cela. Aparentemente o jovem estava sozinho, mas uma outra voz dava para ser ouvida, como se o vento falasse. — Acho que eu o "senti". Poderoso pelo visto.

Muito. Desde pequeno sempre foi um prodígio. respondeu a voz. — Vai gostar dele. Tem personalidade forte. Igual a do irmão. Eu também o treinei um pouco.

— Sei...

Alguém vem vindo ai. disse a voz misteriosa. Lembre-se, você deve levar meu legado adiante. Alguns trabalhos podem ser pesados demais para os outros cavaleiros, mas não para você.

Um policial se aproximou da cela, trazendo nas mãos um molho de chave e uma algema.

— Hoje é o seu dia de tomar sol. — disse o policial, para o rapaz.

Ele saltou do colchão e ficou de costas para o policial. Enquanto isso o agente abria a cela e colocava algemas nele. O jovem aparentava ter mais ou menos dezoito anos. Corpo magro, mas com músculos definidos, era um jovem de cabelo preto curto, pardo, vestindo uma camisa branca e uma calça jeans cinza. Estava descalço e tinha um anel dourado no dedo anular da mão direita. Uma aliança.

O policial o conduziu até o pátio, onde o preso iria tomar seu banho de sol. Não tinha ninguém no pátio, o normal era que outros presidiários também estivessem ali. Mas havia um homem de longo cabelo azul-céu e olhos azuis como uma safira. Vestia um blazer azul marinho por cima de uma camisa social azul claro, e usava calça e sapatos social pretos.

— Quem é aquele cidadão ali? — perguntou o jovem.

— Uma visita. — respondeu o policial tirando a algema do garoto. — De alguma forma ele pagou uma fiança que você não deveria ter direito e a ordem veio de Brasília e de algum lugar da Grécia.

— Como é que é?! — perguntou o garoto. O policial não o respondeu e deu as costas.

— Você é Henry Lucas? — perguntou o homem.

— Sou eu sim. — respondeu o rapaz, se virando para o homem desconhecido. — E quem é você?

— Eu me chamo Eros Michaelis. Sou o cavaleiro de ouro de peixes.

— Na verdade eu sei quem é você. — disse o jovem, com um sorriso debochado, colocando as mãos no bolso. Seus olhos eram castanhos e frios. — Eu sou o Cavaleiro de ouro de Câncer. Pode me chamar apenas de Henry.

— Entendo. Chame a sua armadura. — disse Eros, se virando e caminhando em direção a um luxuoso helicóptero branco francês que estava no pátio. — Vamos para o santuário.

— Estou adorando isso. — disse Henry, sorrindo. — Tem champanhe?

—...—

Notas finais
Próximo capitulo: Os cavaleiros de ouro se reúnem diante do Grande Mestre. A nova era começou, o reino de Ares teve seu inicio com o sepultamento de Atena. Mas será que tudo está perdido? Rumo ao tártaro jovens cavaleiros da esperança. Capitulo 14: A nova era. O que você mais gostou? O que você acha que poderia ter sido melhor? Comente. Vamos trocar ideias ^^