Notas iniciais
Um inimigo apareceu no portão norte do Santuário e cabe aos cavaleiros de bronze detê-lo. O santuário foi invadido e o terror começou a dançar nas ruínas do Santuário. Um antigo cavaleiro perde a vida.

Capítulo 8 — O poder de Hidra

Arredores do Santuário

— O que você está vendo, Nyctea? — perguntou Eris, para o berserker que lhe acompanhava.

Nyctea estreitou os olhos em direção ao portão principal. Embora estivesse a mais de quinhentos metros de distância, sua visão aguçada tornava a cena tão nítida quanto se estivesse a poucos passos.

— A serpente do Senhor Deimos está auxiliando os soldados contra os cavaleiros. Dois cavaleiros de bronze estão no chão, mas um deles está enfrentando a serpente e, de alguma forma, levando vantagem. A criatura destruiu o muro, mas nossos soldados não conseguem avançar.

— O que está impedido? — Eris indagou.

— Parece uma... barreira. Algo está bloqueando a passagem deles.

Eris estreitou os olhos, pensativa. Abriu uma carta que estava em sua mão, analisando rapidamente seu conteúdo.

— Anteros não mencionou nada sobre uma barreira no Santuário.

Um estrondo seguido por um tremor de terra fez Eris virar rapidamente na direção do Santuário. Nyctea se adiantou na explicação.

— A serpente caiu. Ela está mais lenta e parece estar gravemente ferida.

Éris sorriu.

— Vá até lá e acabe com isso. A serpente não vai durar muito e precisamos invadir o Santuário antes do pôr do sol.

Nyctea deu um passo à frente, as asas da sua Couraça se abriram com um brilho cósmico ameaçador.

— Sim, senhora. — respondeu o berserker. E com um poderoso impulso, alçou voo em direção ao portão principal.

—...—

Portão Principal do Santuário – Grécia

— Vamos dar um fim nisso. — Ichi elevou o cosmo e movimentou as mãos de acordo com as estrelas de sua constelação. — "Invocação de Hidra".

Diversas serpentes se formaram do cosmo de Ichi, unindo-se para criar uma imensa Hidra de cosmo. Da boca de cada cabeça da Hidra foi disparada uma rajada de energia em direção à serpente de Deimos. A besta, já ensanguentada e paralisada pelas presas venenosas, foi atingida pelo golpe e desabou no chão, causando um forte tremor.

— Esse é o espírito de batalha do deus de vocês?! É patético! — zombou Ichi.

Os soldados de Atena gritaram em comemoração, enquanto os de Ares permaneceram calados, sem expressão.

— "Patético" é?! — disse uma voz vindo do céu. — Será castigado pela sua falta de respeito para com um deus, humano imundo.

Ichi e os demais olharam ao redor, tentando identificar de onde vinha a voz. Quando levantaram os olhos, viram um jovem trajando uma Couraça vermelha descendo com leveza, aterrissando suavemente ao lado da cabeça da serpente morta, sem levantar um grão de poeira. Ele pousou e, com uma calma perturbadora, alisou a cabeça da criatura como se fosse seu animal de estimação.

— Derrotou sozinho a serpente divina do Senhor Deimos?! Quem diria que entre os Cavaleiros de Bronze haveria alguém com tal capacidade. Parece que não é apenas Seiya e os outros quatro que se destacam. Mas vejo que você é um veterano, certamente da geração de Seiya. Então me diga, Cavaleiro de Bronze de Hidra... Quantos anos se passaram para você alcançar esse nível? — disse Nyctea, zombando.

Ichi cerrou os punhos, tentando conter a raiva.

— Quem é você? — perguntou Ban.

— Sou Nyctea de Lechuza, berserker do Batalhão do Terror. Um subordinado do deus Deimos. — respondeu ele friamente. Nyctea estalou os dedos e a serpente se desintegrou, virando cinzas. — Sou o carrasco de vocês.

— Então seu mestre enviou você para nos eliminar? — disse Jabu.

— É decepcionante eu ter que vir até aqui para acabar com vocês. Um bando de ratos. — ele ergueu as mãos e várias esferas negras surgiram ao seu redor. — Cavaleiros de Bronze não são rivais para mim. Chamem os Cavaleiros de Prata, ou melhor... Chamem os Cavaleiros de Ouro! Vocês não vão durar um minuto contra mim! Desapareçam!

As esferas voaram em direção aos Cavaleiros de Bronze com uma velocidade devastadora. Jabu correu e pulou na frente dos outros dois, gritando:

— Protejam-se!

A explosão lançou Ban e Ichi para longe, mas sem ferimentos graves. Uma densa neblina de poeira cobriu a área, mas Nyctea permaneceu imóvel, observando com desdém. Quando a poeira se dissipou, revelou Jabu em pé, com as mãos estendidas para frente, sustentando uma barreira alaranjada diante dele.

Barreira de Tempestris. disse Jabu, ofegante. — Não subestime os Cavaleiros de Bronze!

A barreira aparentemente protegeu os outros do golpe de Nyctea, mas custou muita energia a Jabu e o impacto danificou a sua armadura, que explodiu em pedaços. O Cavaleiro de Unicórnio acabou cedendo ao cansaço e caiu exausto.

— Barreira de Tempestris?! — zombou o berserker, olhando com desprezo para Jabu. — A barreira baseada na brilhante estrela da constelação de Unicórnio... Do que adianta usar um golpe como esse se depois você cede à exaustão? Sua estrela brilhou pela última vez, Cavaleiro de Unicórnio. Apagarei de uma vez por todas esse brilho.

Um uivo ecoou, seguido por uma rajada de cosmo uivante que veio em direção a Nyctea. O berserker sorriu e moveu-se lentamente para o lado, desviando do golpe. Um cavaleiro trajando uma armadura de bronze se aproximou de Jabu e o levantou.

— Adianta. Claro que adianta. Isso é o que um amigo faz pelo outro. O esforço de Jabu salvou a vida de Ichi e Ban. — disse Nachi de lobo. — Desculpa pela demora, pessoal.

Invasores no portal principal. Pensei que fosse mentira. — disse um homem alto, se aproximando. Ele tinha mais de dois metros de altura e também estava trajando uma armadura de bronze. — Vamos dar um fim nisso.

— Geki! — disse Ban, aliviado.

Nyctea estreitou os olhos.

— Cavaleiros de Urso e Lobo... São apenas cavaleiros de bronze como os outros, não são? — perguntou Nyctea, sorrindo com desprezo. — Que piada. Já disse para chamarem os Cavaleiros de Ouro. Vocês não são incômodos para mim.

— Nem mostramos do que somos capazes e já está nos chamando de incompetentes. Retrucou Geki, estalando os dedos e elevando seu cosmo. — Não há necessidade de incomodarmos os Cavaleiros de Ouro.

Nachi deitou Jabu no chão com cuidado e se posicionou ao lado de Geki.

— Vamos mostrar a força dos Cavaleiros de Bronze.

— Vou quebrar todos os seus ossos! — Geki concentrou seu cosmo no punho direito e atacou. Grande Punho!

Nyctea sorriu e levantou um dedo, parando o golpe de Geki.

— Ora, ora, ora... Devo admitir que seu golpe é bastante poderoso... Para matar insetos. Achou mesmo que isso seria suficiente para me vencer ou talvez... me ferir? — O cosmo de Geki, que se concentrava na ponta do dedo de Nyctea, começou a girar violentamente, transformando-se em um ciclone, antes de explodir contra Geki com uma potência duas vezes maior. O golpe o acertou em cheio, lançando-o contra o muro e causando danos significativos na armadura de bronze de Urso, deixando Geki ferido. — Não se gabe achando que é capaz de lutar comigo. Existe uma grande diferença entre nossos poderes.

Nyctea achou que nenhum deles ousaria enfrentá-lo novamente, mas Nachi se posicionou à sua frente em posição de ataque.

— Levantem-se! Não aceitem permanecer no chão. Não importa o quanto o oponente se orgulhe de seu poder. — gritou Nachi, sua voz cheia de determinação.

Com as palavras de Nachi, Ichi, Ban e Geki se levantaram, feridos e com suas armaduras danificadas, mas encontraram forças para se erguer mais uma vez.

— Não subestime a determinação dos Cavaleiros de Bronze. — declarou Nachi, seus olhos queimando com uma força de vontade feroz.

Nyctea soltou uma risada fria.

— Determinação não é suficiente para vencer quem possui a verdadeira força. Vou mostrar a vocês o que realmente significa poder.

— Uive, meu cosmo! — disse Nachi, elevando seu cosmo e concentrando-o na mão. A cosmo energia emitia um uivo crescente à medida que o poder aumentava. — Uivo do Lobo!

Nachi disparou uma rajada de cosmo que tomou a forma de um lobo cinzento. Primeiro, uma sequência de ondas sonoras foi disparada, emitindo um uivo ensurdecedor. Nyctea, inicialmente despreocupado com o ataque, levou rapidamente as mãos aos ouvidos, tapando-os desesperadamente. Seus sentidos aguçados tornavam as ondas sonoras uma tortura intensa, sentindo uma dor aguda e profunda. O uivo não apenas atingia a audição, mas também afetava o sistema nervoso, causando uma rápida paralisação. Esse efeito deu tempo suficiente para que o golpe de Nachi acertasse Nyctea em cheio.

O berserker foi arremessado, mas ainda no ar ele abriu as asas e planou. Em seguida, desceu suavemente, mas com o cosmo elevado. Ao encostar a ponta do pé no solo, uma poderosa onda de choque varreu o campo de batalha, lançando todos contra o grande muro. O impacto fez com que eles cuspissem sangue e danificou ainda mais suas armaduras de bronze.

— Tudo isso... com apenas um simples impulso?! — disse Geki, impressionado.

— Ele é muito poderoso... — disse Nachi, cuspindo sangue.

Os olhos dourados de Nyctea brilhavam intensamente. Ele estalou os dedos, fazendo surgir várias esferas negras que flutuavam no campo de batalha.

— Cometi o erro de subestimar você, Cavaleiro de Lobo, mas não repetirei esse erro. — Nyctea ergueu as mãos, elevando seu cosmo. — Eu sou um berserker, um dos inimigos mais temidos do Santuário. Acham que vou cair diante de Cavaleiros de Bronze? Seus cosmos são promissores, mas vocês ainda são fracos. São a escória do Santuário.

Os Cavaleiros de Bronze elevaram seus cosmos para atacar o berserker, no entanto, o berserker se moveu com uma velocidade espantosa, quase invisível.

Nyctea atacou primeiro Ban, surgindo atrás dele num piscar de olhos. Antes que o Cavaleiro de Leão Menor pudesse reagir, o berserker desferiu um poderoso soco em suas costas, fazendo-o voar para frente e colidir brutalmente contra a muralha do portão principal. Ban caiu no chão, com sua armadura destruída e o corpo em agonia sentindo uma dor aguda.

— Vocês se movem em Mach 1, não é?! Que patético. Nem preciso usar a velocidade da luz para matar vocês! — zombou Nyctea.

Em seguida, Nyctea se virou para Ichi. O berserker deu um passo a frente e apareceu ao lado de Ichi.

— Vejam como vocês são lentos! — riu Nyctea.

O berserker desferiu um chute lateral que acertou as costelas do Cavaleiro de Bronze com força suficiente para levantá-lo do chão. Ichi gritou de dor enquanto era arremessado para longe, aterrissando com um baque surdo, quase inconsciente.

Nachi, sentindo o cosmo de Nyctea voltando-se para ele, tentou contra-atacar com seu "Uivo do Lobo", mas Nyctea desviou facilmente, reaparecendo na frente do cavaleiro. Com um movimento rápido, o berserker agarrou Nachi pelo pescoço e o levantou do chão, apertando com força.

— O seu uivo é só um murmúrio para mim, Cavaleiro de Lobo. — disse Nyctea. Com um movimento brusco, ele jogou Nachi ao chão com uma força esmagadora, deixando-o imóvel e gravemente ferido.

Geki, vendo seus amigos caírem um a um, concentrou todo o seu cosmo e avançou em direção a Nyctea com um poderoso "Grande Punho". O berserker sorriu e desapareceu, surgindo atrás do Cavaleiro de Urso. Com um golpe no pescoço, Nyctea fez Geki cair de joelhos, ofegante.

— Que fraco. — provocou Nyctea, erguendo o braço para um golpe final. — Vocês Cavaleiros de Bronze são uma piada. Seu orgulho não é nada comparado à minha força.

Antes que pudesse desferir o golpe final, Geki usou suas últimas forças para se levantar e lançar outro soco, mas Nyctea desviou com facilidade, golpeando Geki no estômago. O cavaleiro caiu no chão, derrotado.

— Vocês lutam com bravura, mas são lamentavelmente lentos — disse Nyctea, olhando para os corpos caídos dos Cavaleiros de Bronze. — A verdadeira força reside na velocidade e no poder. Vocês não têm nenhuma das duas coisas. Desapareçam! Esfera das Trevas!

As esferas foram em direção aos Cavaleiros de bronze, mas dezenas de penas negras surgiram pairando no ar e se transformando em círculos negros, interceptando o golpe do berserker que explodiu ao colidir com as barreiras. Um pouco surpreso, Nyceta olhou para o muro e viu um homem parado observando a batalha.

— Foi você não foi? — perguntou o berserker ao homem.

O homem saltou do muro e aterrissou no chão.

— Sou Johan, o Cavaleiro de Prata da constelação de Corvo.

— Cavaleiro de Prata? — o berserker enrugou a testa. — Impossível. Todos os Cavaleiros de Prata estão no Portão Norte.

— Para um inimigo do Santuário, você parece estar bem informado sobre os planos de defesa. — disse Johan. Ele era um jovem alto e magro, olhos roxos, cabelos longos e ondulados com uma tonalidade de verde lodo escuro.

— Talvez um pouco mais que você. — rebateu Nyctea, com um sorriso irônico, e as esferas voltaram a surgir ao seu redor. — Existe traidores no Santuário, meu rapaz. Você nem imagina. — as esfera negras se agitaram e foram disparadas contra Johan — Seja devorado pelas trevas!

Johan ergueu os braços elevando o cosmo e um vento violento cercou seu corpo. Os golpes de Nyctea foram absorvidos pelo vento forte e se acumulou na palma de mão de Johan. Com um pouco de esforço, Johan repeliu o golpe contra Nyctea.

Vento Neutralizador. Disparou Johan

Nyctea estendeu as mãos para parar o golpe, mas ainda assim foi arrastado por alguns metros.

— Eu não estava presente no momento em que o Grande Mestre reuniu os Cavaleiros de Prata e deu a eles a ordem de protegerem apenas o Portão Norte. — explicou Johan. — Sendo assim, eu vindo até aqui não é uma desobediência. Afinal, eu não recebi ordens nenhuma. Sobre a ida dos demais para o Portão Norte, achei estranho, mas são ordens do Grande Mestre e eles tiveram que obedecer. Não eu.

— Entendi. Vejo que, ao contrário dos outros ratos, você é poderoso. Mesmo sendo um Cavaleiro de Prata, sinto que seu cosmo está acima da sua patente. Então vou ter que lutar com a mesma intensidade que você. Prepare-se Corvo!!

Nyctea uniu as mãos, e ao separá-las, uma esfera negra se formou e explodiu como tinta na água. Todo o ar ao redor se tornou escuro..

Invocação das trevas! O campo ficou mergulhado em trevas e a pupila dos cavaleiros e soldados começaram a dilatar a fim de captar o máximo possível a luz do ambiente, mas nenhuma luz sobrevivia aquela escuridão. Era como se as trevas fossem impenetráveis até mesmo pela luz do sol. — Ao contrário de vocês que não enxergam no meio dessas densas trevas, meus olhos são como os de uma coruja, e assim vejo cada um de vocês claramente.

— Desgraçado! Vai apelar para um golpe covarde. — disse Ban, frustrado.

— Posso parecer covarde para você, já que é você quem vai sair prejudicado. — retrucou Nyctea.

— Vamos elevar nossos cosmos e dissipar essas trevas. — declarou Ichi.

— Não adianta. — disse Johan, calmamente. Os cavaleiros de bronze não sabiam onde ele estava, mas a sua voz permanecia firme. — Essas trevas não serão dissipadas tão fácil. Independente do quanto vocês elevem o cosmo ou o quanto brilhem.

— Quer dizer que estamos de fato vulneráveis a ele? — perguntou Geki, mas Johan permaneceu em silêncio.

— Claro que estão. São como ratos encurralados. Atrás de vocês, uma enorme muralha. À frente, uma coruja pronta para devorá-los. Não há para onde fugir! Caiam mortos! — No meio de toda aquela escuridão, um olho gigante surgiu. Um olho dourado, igual ao de Nyctea. Olhar de Nyx!

O olho dourado brilhou e disparou uma rajada de cosmo. No meio de todo aquele brilho, todos ficaram visíveis, com expressões de pavor vendo uma rajada de cosmo sendo disparada. O golpe foi lançado diretamente para Johan, mas algo interrompeu o golpe e depois desabou no chão. As trevas voltaram a cobrir todo o local.

— Imbecil. — disse o berserker, com tom de desdém. — Poderia ter deixado Johan morrer, mas não, preferiu se jogar na frente do meu golpe.

— Do que você está falando? — perguntou Nachi.

O berserker deu duas palmas e ao fazer isso, as trevas abriram espaço, formando um círculo de escuridão, cercando-os como se fosse um paredão coberto por um domo. Johan estava em pé encarando Nyctea e entre eles estava Ichi, caído no meio de uma poça de sangue. Todos correram para ficar junto dele, exceto Johan e Nyctea, que continuaram se encarando.

— Cavaleiro idiota. — disse o berserker.

— Eu não sou idiota, Nyctea. — disse Ichi, se levantando. Sangue escorria de um ferimento na cabeça. Sua armadura estava totalmente destruída e havia um buraco no meio do seu peito. Cortes profundos também eram visíveis espalhados pelo seu corpo. — Não me importo em dar a vida por um companheiro... Porque se um não pode vencer, no mínimo deve servir de escudo para que o mais forte vença. Sei que não estou no seu nível, no nível de Johan ou dos outros... Mas sou um cavaleiro. Nós, Cavaleiros de Bronze, somos cavaleiros como qualquer. Independente da patente ou do tamanho do cosmo. Também passamos por duros treinamentos até chegarmos aqui. Portanto, não nos desmereça. Sou Ichi de Hidra e não me envergonho disso. Sei que não vou sobreviver aos ferimentos, mas antes de morrer darei meu último golpe. Um golpe que vai mostrar o quanto qualquer cavaleiro pode evoluir, basta querer.

Ban segurou no braço de Ichi

— Não fale besteiras Ichi. Você não precisa provar nada para ele, muito menos se matar.

— Ban, aprenda, não pode interferir na decisão de um homem quando este está decidido a morrer. — ele sorriu para o amigo e elevou o cosmo. Ban se afastou e abaixou a cabeça. Geki e Nachi fizeram o mesmo em respeito. — A morte de um guerreiro deve ao menos ser significativa para que seus esforços não sejam em vão. Posso ser o cavaleiro mais ridículo entre os 88 combatentes, mas ainda assim sou e sempre serei um Cavaleiro. Um Cavaleiro de Atena. Um homem escolhido pela armadura de Hidra para proteger a Terra e a humanidade. Se a armadura confiou em mim, tenho a obrigação de corresponder. Não importa o quanto me chamem de inútil, pois para a minha armadura eu tenho utilidade.

— Lindo discurso, Hidra. — Zombou Nyctea. — Mas se quer tanto assim morrer, farei como deseja. O cosmo de um homem quase morto não pode me atingir. Se em vida você não conseguiu, o que te faz pensar que na beira da morte conseguirá?

Esferas negras apareceram novamente.

— Não quero morrer... — disse Ichi com lagrimas nos olhos. — Realmente eu não quero. Mas sei que vou, então não vejo problemas em gastar todas as minhas forças no último golpe.

Esferas das trevas!

Eleve-se cosmo! Só mais uma vez! Queime como nunca ardeu antes.

Memórias inundaram a mente de Ichi. Seus dias ao lado dos irmãos no orfanato da Fundação Kido, os intensos treinamentos no Lago Holtz, na Finlândia, os combates no Torneio Galáctico, a luta feroz contra Hyoga, e o dia em que protegeu Atena dos soldados do Santuário na batalha das 12 Casas. Ele lembrou também da noite gélida da Guerra Santa contra Hades, quando defendeu o Santuário ao lado de Jabu e os outros. O sacrifício ao confrontar o deus Thanatos junto de seus companheiros para proteger Seika, e as missões confiadas a ele por Delfos... Cada memória era como lenha, fazendo seu cosmo queimar cada vez mais intensamente.

A energia ao seu redor começou a pulsar, brilhando com uma luz intensa e quente.

— Eu vivi por momentos como esses, onde a coragem e o sacrifício são tudo o que temos. — Ichi murmurou, mais para si mesmo do que para seu adversário. — E não vou permitir que isso seja em vão. Invocação de Hidra!

O cosmo de Ichi deu forma a uma enorme Hidra e da boca de cada cabeça foram disparadas rajadas de energia que se uniram durante o percurso, formando um poderoso disparo.

A técnica de Nyctea colidiu com o golpe de Ichi.

— Não importa o quanto você se esforce, Cavaleiro de Bronze. — Nyctea rosnou. — Sua força é insignificante diante da minha escuridão!

Ichi sorriu, apesar da dor e do sangue escorrendo de seus ferimentos.

— Subestimar a determinação de um Cavaleiro de Atena sempre foi o erro dos inimigos. — ele disse, elevando seu cosmo ao máximo, a figura da Hidra se formando novamente ao seu redor, ainda mais poderosa.

Na medida que a técnica de Nyctea avançava contra Ichi, seu cosmo ardia com mais intensidade e novas cabeças de Hidra se projetavam, simbolizando a habilidade única da Hidra de se regenerar mais forte após ter uma cabeça cortada. Suas múltiplas cabeças rugiram enquanto disparavam rajadas de energia, todas convergindo para Nyctea.

O berserker tentou se defender, mas o poder de Ichi estava além de suas expectativas. O golpe de Ichi foi disparado com um nível diferente. Um nível que superava o poder de um Cavaleiro de Bronze e de Prata. Um poder próximo ou talvez igual ao de um Cavaleiro de Ouro. O golpe atingiu Nyctea com uma força avassaladora, rompendo suas defesas e lançando-o contra o chão.

No último momento de vida, Ichi conseguiu elevar o cosmo próximo ao 7º sentido.

Apesar do berserker ter sido golpeado, a técnica “Esferas das Trevas”, anteriormente lançada, seguiu seu percurso. Sem forçar para desviar, Ichi foi atingido em cheio. O cavaleiro de bronze foi bombardeado e lançado para o alto, caindo bastante ferido. Com esforço, Ichi tentou se levantar, olhou para os seus amigos e sorriu.

Exausto e mal se mantendo de pé, em seu um último olhar para seus companheiros estava estampado a satisfação de dever cumprido.

— Nós somos Cavaleiros de Atena... — ele murmurou antes de finalmente sucumbir aos seus ferimentos, caindo no chão enquanto seu cosmo se desvanecia lentamente.

Ban, Geki e Nachi arregalaram os olhos e não contiveram o desespero. Correram até o amigo, mas era tarde demais.

Johan permaneceu onde estava. Ele não interferiu em nenhuma das ações de Nyctea ou de Ichi, apenas manteve-se atento. As trevas de Nyctea voltaram a cobrir todo o campo, como uma neblina espessa e sufocante. Isso era um sinal claro de que Nyctea ainda estava vivo.

—...—

Salão do Grande Mestre – Santuário

— A invasão mal começou e um cosmo já se apagou. — Comentou Tourmaline. Ela estava sentada no braço do trono do Grande Mestre. — Ichi de Hidra está morto.

— Logo outros cosmos também irão se apagar. — disse o Grande Mestre. — Isso é uma guerra.

— Sinto que Atena está se aproximando. — alertou Tourmaline.

A saintia se posicionou em pé ao lado do trono, no mesmo instante em que Atena entrou no salão, vindo de seu templo, atravessando as cortinas vermelhas que ficam por trás do trono. Plavin, a Saintia de Prata de Pavão, a acompanhava.

— Grande Mestre... Um cosmo explodiu e se extinguiu. — comentou Atena, lamentando. — O como de Ichi desapareceu.

— A Guerra Santa começou, Atena. — disse o Grande, se levantando do trono e dando lugar para a deusa. — Como desconfiávamos, o nosso inimigo é Ares, mas até então apenas soldados e um berserker vieram ao Santuário.

Atena apertou o báculo com força.

— Está enganado. Sinto outros cosmos, ainda mais poderosos, se esgueirando lentamente. E os cavaleiros? — perguntou Atena.

— Cada um em seu devido lugar. Em pontos estratégicos para proteger o Santuário e você. — respondeu o Grande Mestre.

— Ergui uma barreira que vai impedir o avanço dos soldados.

— Uma barreira? — perguntou Tourmaline, surpresa.

Tourmaline olhou para o Grande Mestre, mas não achou resposta. O Grande Mestre, mesmo tendo sua face escondida pela máscara e pelo elmo, devia estar com uma expressão de surpresa também.

— Não me falou nada a respeito de uma barreira, Atena. — comentou o Grande Mestre.

— Achei conveniente uma defesa a mais diante da atual situação — disse a deusa. — Espero que isso ajude os cavaleiros.

—...—

Casa de Sagitário – Doze casas.

— Uma grande quantidade de soldados inimigos foi de encontro com o Portão Principal, justo o mais desprotegido. Mesmo assim, não posso sair das 12 casas. O que o Grande Mestre acha que está fazendo?! — disse Seiya, conversando sozinho enquanto observava a confusão no Santuário. Seiya estava trajando a armadura de ouro de Sagitário, segurando o arco e a flecha dourada.

— Querendo garantir a proteção de Atena... — respondeu um homem, saindo das sombras dos pilares da Casa de Sagitário. — Eu acho.

— Hyoga?!

Hyoga estava trajando a Armadura de Ouro de Aquário, com uma imponente capa branca presa nas ombreiras. Seus cabelos estavam um pouco mais longos.

— Você saiu da casa de aquário... por quê?

— Lembra que eu te falei quem seria provavelmente o inimigo de Atena? Bem, eu estava certo. Ares é o deus inimigo nessa Guerra Santa. — disse Hyoga, sério.

— Ares?! — Seiya ficou espantado. — Mas são os Cavaleiros de Bronze que estão no Portão Principal para impedir o avanço dos soldados de Ares.

— Berserkers. É assim que são chamados. Não desmereço os Cavaleiros de Bronze, mas os Berserkers são inimigos poderosos.

— Você está indo para lá?

— Sim, mas não para enfrentar eles. Eu tenho outra missão. — respondeu Hyoga friamente.

Ele começou a descer as escadas em direção à Casa de Escorpião.

— Espere Hyoga. O que você vai fazer?

— Soube que Johan de Corvo já está no Portão Principal. Não tem com o que se preocupar. O que eu vou fazer... Não posso dizer. O Grande Mestre me deu uma missão de última hora.

— Johan de corvo?! Vai confiar tudo nas mãos de um Cavaleiro de Prata? E o Grande Mestre lhe deu uma missão em meio a uma invasão?! No começo de uma guerra?! E por que não pode dizer? — questionou Seiya.

Seiya, você deve confiar no Grande Mestre. Johan dará conta da situação, já que são apenas soldados rasos enviados por Ares. Você não deveria se preocupar tanto em confiar em um Cavaleiro de Prata. Afinal... Johan é discípulo do Shun. — Ele olhou para o amigo por cima do ombro. — E confie em mim, está bem?! Adeus Seiya.

—...—

Notas finais
Grupo da fanfic no facebook: https://www.facebook.com/groups/562898237189198/ Contato: (81) 997553813 Sinopse do próximo capitulo: No campo de batalha devastado pelo confronto entre Johan e Nyctea, a barreira protetora de Atena desmorona, deixando o Santuário vulnerável. Em meio ao caos e ao desgaste dos combatentes, a deusa Éris revela sua presença. No momento de maior desespero para Johan, um cosmo gélido e imponente se manifesta. Capítulo 9 - A queda da barreira e a ascensão de Aquário Observação: Johan, assim como Plavin, é um Cavaleiro de Prata do anime Saint Seiya Ômega. Escolhi esse personagem porque ele me agradou bastante como cavaleiro no anime. Não se surpreendam se mais dois ou três Cavaleiros de Prata ou Bronze aparecerem aqui, mas esta fanfic continua a ignorar totalmente os acontecimentos de Ômega e Next Dimension. Agradecimentos: Gostaria de agradecer a todos vocês que têm acompanhado cada capítulo. Agradeço também a você que começou hoje e já está ansioso pelo próximo capítulo. Agradeço ainda a quem comenta com opiniões, críticas e sugestões. Isso me ajuda muito, e estou sempre aberto a entender cada um dos meus leitores. Abraços.