A Saga de Ares - Santuário de Sangue
83 Capítulo 74 – Campo de Guerra: Armas de Libra
Notas iniciais
Capítulo 74 – Campo de Guerra: Armas de Libra
Região montanhosa a Leste do Santuário de Atena – Grécia
Draco, o deus-dragão, havia sido arremessado para fora da montanha do Santuário por Tritão, o filho de Poseidon, e agora estava aguardando a chegada do seu adversário. Ele estava em pé, no meio de uma planície deserta, cercado por altas montanhas em ambos os lados. Ao fundo, á alguns Km de distância, começava a floresta que rodeia a região entre a montanha do Santuário de Atena e a montanha do Star Hill.
O filho de Ares sentiu a aproximação do cosmo de Tritão como se fosse uma força da natureza indomável. Com ele veio um forte aroma de brisa do mar e terra molhada. O deus marinho surgiu no horizonte atravessando o céu em direção ao deus-dragão, deixando para trás um rastro de cosmo como se fosse um cometa penetrando a atmosfera. Seu avanço provocava a formação de nuvens escuras, anunciando tempestades iminentes que encharcariam a terra com sua fúria.
Com um estrondo ensurdecedor, Tritão pousou à frente de Draco, fazendo tremer a própria terra sob seus pés. O solo estremeceu e se partiu ao redor do deus marinho, gerando uma onda cósmica que pressionou Draco para trás. No entanto, o deus-dragão permaneceu firme, inabalável.
— Quanto esforço para me jogar tão longe. — disse Draco. — Tudo isso foi para evitar que eu destruísse a sua frota?
— Eu não queria correr o risco. — respondeu Tritão se erguendo. Ele trazia em sua mão direita o Tridente de Poseidon. A arma divina do seu pai.— Aqui é um bom lugar para enterrar você. — disse o deus apontando o tridente para Draco.
— O Tridente de Poseidon... — Draco sentia o grande poder que fluía do artefato divino. — Trazer o nosso combate para essa região não vai alterar o resultado da batalha. Mesmo empunhado o tridente, você morrerá, e em seguida eu vou atrás dos seus generais.
Tritão segurou firme o tridente e se posicionou ofensivamente.
— Acredito que não. Tenho uma pendência com Ares. — disse o deus marinho. — Levar a sua cabeça para ele.
Nesse momento os cosmos de Atena e Ares cruzaram o céu indo em direção a Esparta.
— Esses cosmos... — disse Draco. — Senhor Ares!
— Ares e Atena estão se retirando do Santuário! Mas para onde estão indo?! — questionou o deus marinho, pensativo. — Não importa... Meu oponente está na minha frente. Tenho que agir!
Notando a mudança de postura de Tritão, Draco elevou o cosmo.
Com o tridente empunhado, Tritão avançou para o ataque e girou a haste da arma divina tentando golpear o deus dragão, mas Draco usou suas asas para desviar da investida. A arma divina atingiu o solo diante de Draco, emanando uma pressão esmagadora, abrindo uma profunda fenda.
— Sem dúvidas, esse é o poderoso Tridente do deus dos mares. — pensou Draco. — Terei problemas em enfrentar Tritão empunhando esse tridente... Preciso desarmá-lo!
Frente a frente, Draco e Tritão se encararam. O poder emanado pelos deuses gerou um forte atrito entre eles.
— Uma luta entre deuses... —disse Draco.
— Podemos varrer essa região.
— Então não se contenha. Sua vida depende disso.
Draco abriu suas asas criando uma forte ventania de ar quente e chamas. E como uma besta que desce do céu em direção a terra, o deus bestial bateu suas asas e foi ao encontro de Tritão que avançava em sua direção.
As chamas liberadas por Draco tomaram a forma de dezenas de dragões alados flamejantes. Tritão desviou das investidas mantendo a trajetória, mas foi surpreendido pelo seu oponente que irrompeu das chamas e disparou um soco concentrado. Rapidamente o tridente foi erguido e o golpe foi bloqueado, mas a pressão imposta por Draco fez com que o deus marinho fosse lançado contra o chão.
Tritão conseguiu evitar a queda, mas o impacto do seu pouso desconfigurou o solo ao seu redor. Draco então o perseguiu envolto em chamas, fazendo zigue-zague entre os destroços que haviam sido lançados no ar, e aplicou socos e chutes consecutivos. Tritão acompanhou os movimentos do seu oponente usando a arma divina como bloqueio, e em meio aos ataques desferiu um golpe cortante com o tridente.
O golpe atingiu Draco em cheio, danificando gravemente sua Onyx e descarregou sobre ele uma poderosa carga elétrica que desceu das nuvens de tempestade. O raio rasgou o solo e arremessou o deus para o alto.
Tritão achou que havia derrotado seu oponente, mas para a sua surpresa um forte clarão iluminou o céu. As chamas que haviam sido liberadas anteriormente por Draco retornaram violentamente para o deus, subindo aos céus formando um turbilhão ao redor do filho de Ares.
— Mesmo empunhando a arma divina de Poseidon, você não consegue extrair todo o potencial do tridente. — Vociferou o deus em meio as chamas. A Onyx danificada estava se regerando com o cosmo flamejante. — Você é incapaz de me vencer!
— Está implorando para morrer?!
O cosmo de Draco cobriu a região emanando um forte calor. A rajadas de vento rasgavam o solo, erguendo os destroços, e as chamas se espalhavam no céu desfazendo as nuvens.
— Acha... Que eu sou... Incapaz?! — O deus marinho deu um passo forte para frente esticando seu braço para trás, como se fosse um atleta lançador de dardo. — Então receba uma fração do meu poder.
Tritão arremessou o Tridente de Poseidon contra Draco e o disparo da arma divina gerou um som de estouro. A velocidade do som e da luz foram superadas e o tridente rasgou o caminho em seu percurso, emitindo descarga elétrica e movendo ventos de tempestades.
— Vá para o inferno, Draco!
O deus dragão reuniu diante de si todo o cosmo que estava sendo emanado na região e disparou uma rajada. Os golpes colidiram entre os deuses e uma devastadora explosão assolou a região. O estampido se propagou cortando tudo e abrindo uma profunda cratera abaixo.
Apesar dos esforços do deus dragão, o tridente de Poseidon partiu o golpe de Draco ao meio e seguiu seu avanço. A arma divina estava a poucos centímetros do peito de Draco e naquele instante o tempo pareceu ter congelado. Foi com um leve sorriso que o corpo de Draco se desfez em chamas no ar e o deus desviou do tridente.
A arma de Poseidon girou no céu e desceu contra a terra, abrindo uma profunda fenda que partiu a montanha no meio. O cosmo divino rasgou o solo e uma coluna de cosmo se ergueu em meio a uma poderosa explosão, arremessando destroços para todos os lados.
No ar, Draco observou o estrago causado pelo tridente e em seguida voltou-se para Tritão, mas o herdeiro de Poseidon havia desaparecido no campo de batalha. O deus marinho surgiu atrás de Draco através da nuvem de poeira e desferiu um chute entre as asas do deus dragão. O golpe propagou um forte impacto e Draco foi atirado contra o chão.
Mantendo o ritmo da investida, Tritão pousou revirando a terra e disparou contra Draco. O deus marinho estendeu a mão para o lado elevando seu cosmo enquanto avançava e invocou o Tridente de Poseidon, o qual se desprendeu da rocha e voou em direção a mão do deus. Com a arma divina empunhada mais uma vez em sua mão, Tritão saltou e expandiu o seu cosmo, invocando uma onda cósmica.
— Ele transformou seu cosmo em um tsunami de energia?! — disse Draco surpreso diante do golpe que se erguia como uma gigantesca onda. — Tolice!
— Seja esmagado pelas águas de Atlântida! — gritou Tritão.
Draco pisou firme no chão e usou suas asas divinas para se proteger. O golpe o atingiu com a mesma ferocidade que o mar esmaga um navio contra as rochas. O deus estava sendo arrastado para trás enquanto tentava suportar a rajada de cosmo que penetrava sua onyx. As asas divinas e sua onyx foram destruídas e Draco foi engolido pela onda, sendo arremessado em seguida.
Sentindo o seu corpo pesado, o filho de Ares se levantou cambaleando. Seus cabelos verdes estavam grudados em sua testa com suor e sangue.
— Eu não usei todo o meu poder ainda porque não pretendo finalizar essa luta tão rápido assim. — disse Tritão. — Você ainda irá pagar por ter invadido Atlântida.
Os cabelos prateados azulados do deus marinho se agitaram com o elevar do seu cosmo. O deus assumiu novamente uma postura de combate, pronto para atacar.
— Então foi por isso que você veio até aqui... Por vingança. — o deus dragão elevou o cosmo e concentrou chamas em suas mãos.
— Exatamente!
Tritão saltou em direção ao deus, lançando seu tridente com força. Draco se esquivou habilmente, mas o tridente desviou em sua direção, forçando-o a se esquivar novamente. O deus dragão então respondeu ofensivamente com uma avassaladora rajada de cosmo flamejante contra Tritão, para que o deus puxasse o tridente para si para se proteger. E assim o deus marinho fez. Tritão invocou a arma divina e girou criando um escudo que bloqueou as chamas.
— Quer mesmo continuar se contendo e estender uma luta entre deuses?! — questionou Draco, pressionando Tritão.
A defesa foi desfeita e o combate se intensificou entre os deuses. Ambos se moviam rapidamente lançando ataques continuamente. Tritão desferia golpes cortantes rápidos e precisos, enquanto Draco usava sua habilidade de controlar as chamas para manter o seu adversário à distância.
Tritão girou o tridente e rasgou as chamas, abrindo caminho para uma investida. O deus marinho segurou o filho de Ares pelo pescoço e avançou violentamente contra a montanha, forçando o deus dragão contra a rocha. A montanha foi rasgada na medida em que o cosmo do deus marinho penetrava no solo, compelindo Draco.
— Sem o poder da arma do seu pai... O que lhe resta?! — disse Draco que parecia não se importar com a investida do filho de Poseidon.
Mesmo com o seu corpo pressionado contra a cratera na montanha, o traje destruído e o sangue escorrendo em sua testa, o deus dragão continuava a esboçar um sorriso de desdém.
— Você realmente quer saber?! — disse Tritão se afastando de Draco. Ele flutuou no céu apontando o tridente para o filho de Ares.— Aplicarei todo o meu poder contra você. Por todas as pessoas inocentes que você e os berserkers mataram em Atlântida!!
— “Inocentes”?! Que ser patético você se tornou. — disse Draco se erguendo. — Um deus querendo vingança por causa da morte de humanos?! Que razão fútil para lutar. Por acaso você olha para a sola dos seus pés quando pisa em uma formiga? Achei que estivesse preocupado com a soberania do domínio de Atlântida, e não com a vida dos porcos que habitam naquele reino. Não estrague o nosso combate com esse discurso humanizado. — O cosmo de Draco se ascendeu com mais intensidade, criando uma forte pressão. A terra ao seu redor ficou vermelha como brasa e o seu corpo emanava um intenso calor. — Nós somos deuses, Tritão! Nós não choramos pela morte de humanos. São eles que devem chorar pedindo a nossa misericórdia ao olharem para o céu... — os olhos de Draco brilharam e as nuvens acima de Tritão se abriram. O espaço foi distorcido e, para a surpresa do deus marinho, um gigantesco meteoro em chamas foi invocado. — E ver uma gigantesca bola de fogo indo em direção a eles para exterminá-los. Você se tornou um tolo!! Apagarei a sua existência!! — gritou o deus.
Mesmo diante da iminente ameaça de um meteoro indo em sua direção, Tritão restringiu qualquer expressão de espanto. O deus marinho girou o tridente e desferiu um golpe contra a rocha em chamas, pulverizando o corpo celeste em milhares de fragmentos que choveram sobre a região como uma tempestade de meteoritos.
— Não importa o truque que você use ou quanto você queime o seu cosmo! — bradou o deus marinho. Tritão investiu contra Draco com o cosmo elevado ao máximo, enquanto o deus dragão se aproximava, concentrando todo o seu poder no punho. — Enquanto eu empunhar o tridente de Poseidon, você não vai me superar! Esse é o seu fim!!
A arma divina de Poseidon e o punho do deus dragão colidiram, gerando uma massa de energia cósmica que se concentrou entre eles. O poder avassalador se propagou, erguendo um pilar de cosmo e causando um abalo sísmico sentido por todo o Santuário.
A descarga de cosmo rasgou ferozmente a terra, revirando tudo ao redor. Draco e Tritão persistiam, mesmo que a explosão iminente pudesse consumi-los, junto com o Santuário, ou até mesmo se espalhar pelo país, varrendo a Grécia e atingindo nações vizinhas.
Finalmente, a massa de cosmo energia colapsou, lançando os deuses em direções opostas, e sua energia ascendeu aos céus, originando um intenso clarão seguido por uma explosão acima das nuvens de tempestade.
Com a Escama azul marinho danificada, Tritão se ergueu apoiado no tridente.
— Prolongar essa luta é arriscado — pensou Tritão, arfando. — Draco e eu temos um nível de poder semelhante. Mesmo empunhando o Tridente do Rei dos Oceanos, essa arma divina só libera todo o seu poder quando está nas mãos do deus patrono de Atlântida. Poseidon. Nas minhas mãos... Ela se torna limitada. Apenas me garante uma parcela de vantagem.
Em meio a nuvem de poeira emergiram gigantescas asas vermelhas feitas de chamas. Mesmo ferido e com sua Onyx destruída, Draco impulsionou-se em direção ao céu, desaparecendo nas nuvens escuras. Tritão estreitou os olhos procurando seu adversário. A presença cósmica de Draco havia sumido completamente.
O deus marinho brandiu o tridente e o céu trovejou. A luz dos relâmpagos revelou a sombra de uma besta gigante entre as nuvens da região.
— Essa é a crise que o Olimpo está tentando combater. — a voz de Draco ecoou entre as nuvens. — Os deuses que desceram à Terra e se aproximaram da humanidade acabaram corrompidos por emoções fúteis.
Draco atravessou as nuvens na sua forma bestial divina, emitindo um rugido ensurdecedor que fazia o solo vibrar. Era um imenso Dragão Vermelho Wyvern feito de cosmo. Seus olhos flamejantes encaravam Tritão e sua presença emanava uma poderosa pressão cósmica. Draco estava posicionado no centro do peito da criatura, flutuando com os olhos irradiando um forte brilho vermelho.
Era um corpo celestial gigantesco.
— Isso é... É a mesma imagem que se projetou anteriormente no topo das Doze Casas! — exclamou o deus marinho. — É a sombra da sua verdadeira forma manifestando-se como um reflexo do seu espírito de luta. O deus-dragão das chamas da guerra! Nascido da relação adultera de Ares e Afrodite.
— Como guerreiro, aceitarei sua busca por vingança. — disse Draco através da imagem bestial. Era uma voz mais poderosa, ameaçadora e imponente. Um grave tão profundo capaz de despertar a sensação de medo.— Mas como um deus... Darei a você a fúria divina!! E como prova da minha palavra, lutarei com todas as minhas forças. Sem qualquer limitação.
— Então venha!!
Manejando o Tridente de Poseidon, Tritão criou uma cúpula de cosmo e a multiplicou, formando um escudo cristalino composto por dezenas de camadas.
No céu, a figura bestial agitou as asas, e Draco disparou em direção a Tritão em um rápido impulso. O deslocamento do deus propagou uma poderosa energia cósmica, gerando um forte clarão. Chamas vermelhas rodopiavam ao redor do deus, criando um turbilhão.
— Morra Tritão!!
A colisão das chamas divinas com a defesa do deus marinho desencadeou uma explosão intensa, fazendo toda a região tremer. O impacto propagou círculos de labaredas de chamas, desfigurando a área à medida que a onda de choque se espalhava, erguendo um assustador cogumelo de chamas.
—...—
Região Central do Santuário de Atena – Grécia
Liderados por Nasile de Thatch, o Capitão de Mar-e-Guerra do 1º Distrito de Atlântida, os marinas de Atlântida e os Guerreiros de Asgard saltaram dos navios flutuantes de Atlântida para se unirem aos Cavaleiros e soldados de Atena na batalha contra os soldados de Ares e berserkers que se concentraram na região. Entre os cavaleiros, encontrava-se Marcel, Cavaleiro de Prata de Perseu, liderando o grupo.
Uma imensa quantidade de soldados de Ares estava presente, contando com milhares de guerreiros. Alguns portavam espadas ou lanças. Apesar do grande número de soldados rasos, a quantidade de berserkers era notavelmente menor. Os principais subordinados de Ares, que formam a linha de frente ofensiva do deus da guerra, foram abatidos durante a Guerra Santa, restando agora guerreiros secundários de nível mediano. Mesmo assim, o poder de seus cosmos, a resistência de suas Onyx e a agressividade de suas técnicas de combate concediam vantagens consideráveis em termos de dano e defesa.
Os berserkers mostravam astúcia ao atacar os soldados mais fracos para diminuir o poder de avanço. O objetivo era encurralar os guerreiros mais destacados, como os Cavaleiros de Atena, os Guerreiros Deuses de Asgard e os Generais Marinas de Poseidon.
Uma hoste de soldados berserkers cercava os guerreiros do Santuário e os soldados Marinas. Suas lanças e escudos, feitos de Onyx, superavam as defesas dos guerreiros de Atena e Poseidon. Os soldados de Ares estavam prestes a dizimar o grupo quando um grito chamou a atenção deles.
— Ei, berserkers! — gritou um jovem de cabelos azuis e olhos verde-escuro. Marcel, o Cavaleiro de Prata de Perseu. — O que pensam que estão fazendo?!
— Não tenha pressa para morrer, Cavaleiro de Atena. — disse um dos soldados.— Primeiro vamos retalhar seus amigos. Depois cuidamos de você.
— Acham que são capazes?! — respondeu Marcel, dando as costas.
— Você é muito corajoso, provocando seus inimigos e dando as costas. — disse um berserker, enquanto os soldados abriam caminho para ele.— Se quer tanto assim morrer, então será o primeiro.
Marcel sorriu.
— Venham.
O berserker avançou junto com seus soldados, mas o Cavaleiro de Prata permaneceu de costas. Quando faltavam poucos metros para os guerreiros de Ares alcançarem o Cavaleiro de Atena, o cosmo de Marcel se elevou, agitando seus cabelos e revelando um par de olhos vermelhos brilhando em suas costas.
O brilho petrificou instantaneamente o berserker e seus soldados. No entanto, havia um detalhe curioso: a proteção de Onyx era tão poderosa quanto a maldição da Medusa presente no escudo. As peças da Onyx não foram petrificadas, apenas o corpo humano dos berserkers sofreu os danos.
— Mas o que foi isso?! — exclamou um berserker ao longe, ao ver seus companheiros transformados em pedra.
— Berserkers!! Olhem aqui!
— Isso é... — os olhos do berserker se arregalaram e em seguida ele virou o rosto. — Não olhem!
Apesar do aviso, o grito de Marcel chamou a atenção de dezenas de soldados berserkers. O Cavaleiro de Prata removeu o Escudo da Medusa de suas costas e o lançou para o alto. Os olhos da Medusa se abriram, emitindo um brilho forte que petrificou imediatamente os inimigos que ousaram olhar diretamente para ela. E aqueles que fecharam os olhos, mas não desviaram o rosto, tiveram seus corpos parcialmente petrificados, pois o poder do escudo é capaz de atravessar a pálpebra.
— Senhor Marcel! O senhor podia ter nos petrificado também! — exclamou um dos soldados de Atena, arfando.
— Não se preocupem. — disse o Cavaleiro de Prata, caminhando entre as estátuas. — O escudo da Medusa é um escudo da Justiça! Ele irá petrificar apenas aqueles que se erguem contra mim, contra nossa deusa e contra a paz na Terra.
Marcel elevou seu cosmo, e sua energia se expandiu, pulverizando os corpos petrificados.
— Não temam! — o escudo voltou direto para o braço esquerdo de Marcel.— Somos guerreiros de Atena!
As palavras de Marcel encorajaram os soldados rasos do Santuário, muitos deles antigos aspirantes a cavaleiros.
A batalha rugia em todos os cantos. O choque das lanças dos soldados de Atena contra as Onyx ecoava, acompanhado pelos rugidos dos guerreiros. Após petrificar centenas de soldados rasos, Marcel de Perseu avançou para o combate corpo a corpo. Seu cosmo queimava intensamente enquanto desafiava os guerreiros de Ares. Mas um inimigo o acompanhava enquanto se aproximava sorrateiramente.
— Parece que temos um rato inconveniente. — disse um berserker sussurrando no ouvido de Marcel.
O Cavaleiro de Prata sentiu a presença do inimigo e tentou reagir, mas seu corpo foi paralisado pelo cosmo do berserker.
O guerreiro de Ares desferiu um chute, lançando Marcel contra um pilar. O Escudo da Medusa se desprendeu do braço do Cavaleiro de Atena e voou até cair alguns metros de distância.
— Eu não consegui sentir a presença desse desgraçado... — pensou Marcel se levantando.
— Meu nome é Hatif, sou o berserker de Djinn. — O berserker era um homem de pele escura, com íris rosa brilhante mergulhada em uma esclera negra. Seus cabelos curtos e esvoaçantes mesclavam entre azul escuro e rosa cintilante, com brilhos multicoloridos próximos aos olhos. Ele vestia uma Onyx escura como as trevas, com detalhes azuis e joias de diversas cores. Na mão direita, segurava uma espada curvada e na mão esquerda, conjurava um fogo verde. Havia tanta maldade em seus olhos que o corpo de Marcel tremia de pavor. — O Escudo da Medusa sempre foi uma arma inconveniente, mesmo sendo utilizada por um cavaleiro de baixa patente. — disse o berserker. — Mas, assim como seus antecessores, você não é grande coisa sem o seu escudo, não é?!
Hatif agitou os dedos e labaredas de chamas verdes se materializaram ao seu redor. Com mais um aceno, as chamas giraram diante dele e foram disparadas contra Marcel. O Cavaleiro de Prata foi atingido e gritou de dor. Sua armadura estava sendo consumida e sua pele borbulhava.
— Inferno Esmeralda! — disse o berserker sorrindo e dando as costas. — Isso é fogo grego, cavaleiro. Vai consumir todo o seu corpo até que não sobre nada. Nem mesmo a sua armadura de prata é capaz de sobreviver.
Marcel sentia um terror indescritível enquanto as chamas verdes devoravam a sua carne. Seu corpo inteiro ardia em agonia, e a sensação de desespero crescia. Ele olhou em volta, buscando ajuda, mas seus companheiros estavam paralisados pelo medo. Os olhos de Hatif brilhavam com uma satisfação cruel enquanto ele se afastava e ouvia os gritos de Marcel sendo consumido pelo fogo.
Qualquer tentativa de ajuda por parte dos companheiros do Cavaleiro de Atena resultava em tragédia. Ao se aproximarem, o fogo verde se espalhava rapidamente, atraído por qualquer presença viva, consumindo os soldados do Santuário. Era como um vírus se alastrando rapidamente. Nem mesmo os soldados de Ares mais próximos foram poupados. Suas armaduras eram destruídas em segundos, e seus corpos viravam cinzas.
Os gritos de dor ecoavam pelo campo de batalha, e o cheiro de carne queimada enchia o ar. Até que um vento gélido varreu a região, apagando as chamas. No centro da devastação, Marcel de Perseu permanecia vivo, mas em um estado lastimável. Sua armadura estava em frangalhos, carbonizada em várias partes, e sua pele apresentava queimaduras severas. Em algumas partes do seu corpo seus músculos já estavam expostos. Ele ofegava, a dor era insuportável, mas ele ainda respirava. Seu cosmo permanecia aceso, e talvez tenha sido isso que o tenha mantido vivo.
O General Marina Breda de Lymnades apareceu ao seu lado, segurando-o com firmeza, mas ao mesmo tempo com um certo cuidado. Breda era um jovem de pele clara, com traços belos e delicados. Seus cabelos cor-de-rosa esvoaçavam ao vento, e seus olhos dourados brilhavam com uma intensidade serena. Ele olhou para Marcel com compaixão, enquanto o apoiava cuidadosamente.
— Aguente firme, Cavaleiro de Atena. — disse Breda.
Hatif parou e observou a cena ainda com um sorriso perverso. Mas a presença de Breda trouxe uma nova tensão. Afinal se trata de um General Marina. Elite do exército de Poseidon.
— Não interfira, General. — disse o berserker. — Se esse verme não morrer pelas chamas, será pela dor.
— Tenho que lhe frustrar. Eu o privei do sentido do tato e congelei parcialmente as queimaduras. Ele não vai sentir dor e vai sobreviver. — disse Breda encostando Marcel em um pilar. — Diferente de você.
Hatif passou a mão esquerda na espada que segurava na mão direita e a banhou com fogo grego.
— Tente repetir isso quando a sua cabeça for cortada. — Com um gesto rápido, Hatif disparou um corpo cortante contra os soldados ao seu redor, e com apenas um corte decapitou os seus próprios subordinados. Uma chuva de sangue forrou o chão. — Minha espada se chamada Zulfiqar. Ela é tão afiada quanto a Excalibur. Eu a usurpei de uma classe de guerreiros sagrados chamado “Gladiadores”. Eu a reivindiquei e a uni com a minha Onyx. E quando eu a embebedo com minhas chamas verdes... — Hatif sorriu. — Sou capaz de cortar tudo. Até mesmo essa sua Escama dourada. Inclusive... A aparência da sua Escama está bem diferente da Era Mitológica.
— Não sei do que está falando. — Ironizou o General Marina.
Bedra elevou o seu cosmo e percorreu o campo de batalha em direção ao berserker. O General Marina saltou, tendo seu corpo tomado por uma poderosa energia elétrica, e desceu contra o guerreiro de Ares desferindo sua técnica principal.
— Salamandra satânica!!
Raios lilás trovejaram em volta do General e avançaram contra o berserker que partiu o golpe ao meio com facilidade. Tentando se livrar das chamas, Bedra rapidamente se lançou para trás e aterrissou.
— Interessante. — disse o general. Que em seguida sorriu. — Isso não significa nada.
— Inferno Esmeralda!
Hatif disparou um golpe cortante que se transformou em um violento furacão de chamas verdes contra Bedra. Para surpresa de todos, o espaço-tempo se distorceu e Bedra desapareceu, deixando para trás uma fenda dimensional que drenou as chamas até desaparecer.
— Não é só você que é dotado de truques, berserker. — sussurrou Breda, ainda invisível no campo de batalha.
— Se esconder covardemente não vai adiantar, Lymnades!! — disse o berserker. — Basta eu varrer esse campo e matar todos até achar você.
Ele gerou uma tempestade de fogo verde que varreu a área ao seu redor, enviando rajadas de chamas em todas as direções. Destruindo tudo pelo caminho. Inimigos e aliados.
Ao perceber que em um determinado ponto havia uma pequena distorção no espaço, Hatif recolheu as chamas e a concentrou, disparando uma grande rajada em um único ponto e liberando uma explosão massiva, destruindo tudo em uma área vasta.
— Explosão do Éter!
— Já terminou? — sussurrou Breda, surgindo ao lado do berserker.— O que é realidade? O que é ilusão? — sorriu o general. — Abra os olhos, berserker. Desperte!
A paisagem trincou e se despedaçou, revelando que as chamas de Hatif não tinham se estendido pelo campo de batalha como ele achava que tinha feito. Todo o dano foi concentrado em um raio de 6 metros ao seu redor. Onde a terra estava revirada e queimada.
— Tudo foi... uma ilusão?
— Encanto de Kasa. Essa minha técnica cria uma ilusão tão perfeita que o inimigo não percebe e perde a capacidade de distinguir o que é verdade e o que é fantasia. E esse efeito perdura até mesmo após o despertar. Você pode achar que eu estou em um canto, quando na verdade estou em outro. Um verdadeiro labirinto na sua mente.
— Desgraçado!! Não me faça de idiota!!
Hatif passou então a atacar aleatoriamente, caçando o general, tentando encontrar o verdadeiro. Ele manejava a Zulfiqar tomada por chamas verdes. Apesar dos golpes não acertarem Bedra, o fio da espada estava cortando tudo ao redor e as chamas poderiam se espalhar por todo o Santuário.
— Vamos acabar com isso. — disse Bedra. — Desespero Abissal!! Vou enviá-lo para o ponto mais profundo do oceano glacial Antártico.
O cosmo de Bedra se expandiu, criando um grande círculo dourado no chão abaixo do Berserker, e o interior do círculo se converteu em um pequeno lago de águas escuras como a noite. Hafit teve seu corpo paralisado no centro do diâmetro e a água debaixo dos seus pés se agitou, sugando o berserker para dentro daquela dimensão submarina gélida.
— Isso é... O fundo do Oceano Antártico?! — pensou o berserker — Estou sendo puxado!
— Desespero Abissal!
No fundo daquela imensidão escura surgiu centenas de criaturas marinhas cósmicas gigantes, com aspecto horrendo, materializadas pelo cosmo de Bedra e investiram contra Hatif, atacando-o violentamente. Era como se o abismo oceânico estivesse preste a devorá-lo com golpes cortantes.
A última criatura abissal gigante feita de cosmo atravessou a escuridão gélida e se transformou em uma rajada de cosmo exercendo uma esmagadora pressão, com capacidade de arremessar o oponente e infligir danos. O golpe perfurou o corpo de Hatif através das brechas da Onyx e o corpo do berserker afundou na imensidão escura.
— Faça companhia ao seu companheiro no fundo desse inferno gélido. — disse o General Marina dando as costas.
Bedra retornou ao Santuário através do portal que se fechou imediatamente atrás dele. O general estava prestes a se reunir com os demais guerreiros quando foi alertado por um cavaleiro.
— General! Cuidado! Atrás de você! — gritou Ryuho de Dragão, filho de Shiryu de Libra.
Ele estava vindo da Região Norte do Santuário, acompanhado pelos Cavaleiros de Prata: Saiph de Orion, Kléos de Hercules, Céfalo de Cão Maior, Lathos de Flecha; E pelos Cavaleiros de Bronze, Jikan de Relógio e Acteon de Cão Menor.
Um golpe de espada passou rente ao corpo de Bedra, que desviou com a agilidade de um raio. Diante dele estava um homem alto e forte, de pele negra como ébano e olhos vermelhos como sangue. Seu corpo era marcado por símbolos finos e alaranjadas em ambos os braços pulsando como brasa viva na pele escura. Seu rosto tinha ângulos duros, marcado por cicatrizes. Uma delas desregulava sua barba pontiaguda na lateral do rosto.
— Você... — Bedra rapidamente tomou uma postura defensiva. — Makhai! O Espírito de Guerra das Batalhas, o último de sua classe e o mais poderoso.
— Cansei de matar os ratos que saltaram do seu navio. — disse Makhai, avançando com uma aura ameaçadora.
— Droga! O cosmo desse homem... — pensou Bedra, sentindo a pressão. — É muito maior do que o daquele berserker. Não posso perder tempo lutando com ele. Se o Cavaleiro de Dragão não tivesse me alertado... Eu teria sido partido ao meio com um só golpe. Apenas com sua força bruta. Preciso tirá-lo do campo de batalha.
Bedra concentrou seu cosmo e atacou, tentando deter o avanço do Espírito de Batalha.
— Abismo Abissal!
Um arco dimensional se formou abaixo de Makhai, e ele foi tragado para dentro ao dar um passo. Bedra soltou um suspiro de alívio, como se estivesse contendo a respiração por muito tempo.
No entanto, para a surpresa do General, Makhai rompeu a dimensão com sua força bruta e retornou ao campo de batalha antes que o arco se fechasse. Ele havia suportado a força devastadora do oceano e voltou intacto. E não estava sozinho. Hatif de Djinn estava ao seu lado, ferido, sangrando e arfando, mas vivo.
— Im-Impossível! Ele não apenas retornou, como também salvou o berserker! — exclamou Bedra. — Essa técnica deveria ter aniquilado você!
— Não me compare com nenhum outro berserker que você tenha enfrentado. — respondeu o Espírito da Guerra, agora livre da dimensão. — Eu poderia ter resgatado o outro berserker que você mantém vivo sofrendo no fundo do oceano, mas não tenho o costume de ajudar esses porcos que mancham a imagem do exército do Senhor Ares.
Makhai lançou um olhar de reprovação para Hatif por cima do ombro.
— Se... Senhor...
— Vou lhe dar uma segunda chance para se mostrar útil. — disse o Espírito da Guerra. — Vá até o Coliseu e queime tudo. O antigo Cavaleiro de Câncer, Tithonos, está fazendo um ritual de selamento. Ele está atraindo as almas de todos os berserkers e soldados mortos para aquele local. — os olhos vermelhos de Makhai brilharam. Ele conseguia ver as almas cruzando o céu da região como se fosse uma chuva de estrelas. — Se isso continuar, o exército do Senhor Ares será destruído. Por isso, queime o Coliseu. Queime o Santuário. Incendeie tudo pelo seu caminho.
— Com essa proporção, até os soldados do nosso exército poderão ser envolvidos. — alertou Hatif. Mas Makhai não respondeu. O Espírito da Guerra lançou um olhar de repreensão e deu as costas. — Estou indo agora mesmo, senhor!
Hatif se levantou e correu em direção ao coliseu
Enquanto o berserker corria na direção do Coliseu, a noite escura revelava apenas a sombra colossal da estrutura a metros de distância. As chamas verdes de Hatif eram liberadas em ondas à medida que ele avançava, incendiando tudo em seu caminho. Árvores, arbustos e até o próprio solo se transformavam em um mar de fogo verde, iluminando o caminho do berserker enquanto consumia tudo.
— Pare, berserker! — gritou Bedra, tentando conter o avanço do berserker.
Makhai apontou a espada para o General Marina.
— Você está prestes a ser morto. Não gaste seu tempo se preocupando com ele.
— Eu irei detê-lo. — disse uma voz firme.
Saiph de Orion surgiu ao lado do General. Era um jovem alto e forte, de pele clara, olhos azuis claro, e cabelos ruivos caindo sobre os ombros.
— Orion, você tem certeza? — perguntou Bedra, preocupado.
— Sim, eu irei.
— O senhor quer que nós o acompanhemos? — perguntou Kléos, Cavaleiro de Prata de Hercules. Era um jovem tão alto quanto Saiph, de pele parda, olhos verdes e cabelos pretos. Ele usava uma capa de pele dourada de leão presa em suas ombreiras.
— Não. Fique aqui e lidere os outros. — ordenou Saiph.
Bedra ficou surpreso com a forma como os cavaleiros tratavam Saiph. Era como se o jovem Cavaleiro de Prata fosse uma autoridade particular daquele pequeno grupo. Um pequeno exército. Isso chamou até mesmo a atenção de Makhai.
Determinado, Saiph de Orion partiu atrás de Hatif.
— Morrerá. — disse Makhai, ignorando o avanço de Saiph.
O Espírito da Guerra flexionou o corpo e avançou, voltando sua atenção para o General Marina, expandindo seu cosmo e restringindo os movimentos de Bedra. Os outros Cavaleiros tentaram interceptá-lo, mas o guerreiro de Ares os ignorou, avançando até alcançar o General Marina,
— Diferente dos outros... — Makhai sorriu, agora cara a cara com Bedra. — Você é interessante.
O Espírito da Guerra desferiu um soco tão poderoso no queixo de Bedra que arrancou o elmo do subordinado de Poseidon e o lançou para o alto. No ar, Bedra mal teve tempo de recuperar o fôlego antes que Makhai aparecesse como uma sombra nas trevas. Unindo as mãos, ele desferiu um golpe no peito de Bedra. O General Marina cuspiu sangue e foi lançado em direção ao solo, mas antes que pudesse atingir o chão, Makhai se moveu na velocidade da luz, desferindo centenas de socos. Ele bombardeou Bedra até que o General colidisse com o chão, criando uma cratera. Cada golpe era tão poderoso que rachava e quebrava as Escamas de Lymnades.
— Não é sempre que encontro um oponente que me permite lutar a sério. — disse o Espírito da Guerra.
— Posso dizer o mesmo. — respondeu Bedra, com dificuldade.
O cosmo do General Marina se ergueu como um pilar de luz, afastando Makhai. Mesmo ferido, o cosmo de Bedra continuava a crescer, tornando-se cada vez mais poderoso. Raios lilás crepitavam ao redor de seus pés enquanto o General Marina avançava, desferindo um chute. Makhai bloqueou a investida com uma mão e, com a outra, tentou desferir um soco. Bedra, porém, bloqueou o punho de Makhai, girando rapidamente e desferindo um segundo chute, desta vez na clavícula do Espírito da Guerra, forçando-o a se ajoelhar.
Aproveitando a abertura, o General Marina saltou e criou um domo de raios ao redor de si, ampliando o impacto do golpe "Salamandra Satânica". Em seguida, ele desferiu o golpe com força total, afundando Makhai no chão. Os raios perfuraram o solo com tanta intensidade que a região explodiu em uma onda devastadora.
Apesar do dano, o Espírito da Guerra rapidamente contra-atacou. Ele avançou contra Bedra, que tentou recuar para escapar do ataque, mas foi atingido de raspão, sendo lançado contra a multidão pela força do impacto. Em um piscar de olhos, Makhai materializou uma espada negra e se moveu com a velocidade da luz. Deslocando-se em zigue-zague e teletransportando-se em frações de segundo, ele desferiu centenas de cortes. Cada golpe causava danos severos à Escama de Lymnades.
O último e mais letal golpe foi direcionado ao pescoço do general, mas o trajeto da lâmina foi interrompido por uma lança dourada.
Chrysaor, filho de Poseidon, havia bloqueado o ataque de Makhai e o empurrou para trás. Ele estava vestindo a Escama dourada de Crisaor, sinal de que era Guardião do Oceano Indico, e trazia a lança dourada na mão. Seus cabelos eram longos e verdes, seus olhos eram dourados e seu porte físico era de um guerreiro forte.
— Você está bem, Lymnades? — perguntou Chrysaor.
Ferido, Bedra cambaleou para trás e caiu de joelhos.
— Estou sim, obrigado. Vamos acabar com ele. — disse o general, tentando se levantar.
— Ele não está em condições de lutar. — Interveio o Cavaleiro de Bronze, Acteon de Cão Menor. Era um jovem de cabelos castanhos acinzentados curtos, olhos roxos e pele clara.
— Bedra é um dos Generais Marinas mais poderosos, e mesmo assim, esse homem foi capaz de feri-lo dessa forma sem sofrer um ferimento grave e sem usar qualquer técnica especial... — pensou Chrysaor, analisando Bedra rapidamente e assumiu uma postura de ataque contra Makhai. — Concordo com o cavaleiro. Recue, General! Eu mesmo vou derrotá-lo. Makhai não é um Espírito da Guerra qualquer. Recupere o fôlego e se una aos demais para eliminar os berserkers.
— Está bem.
Bedra recuou, acompanhado de Ryuho e dos demais cavaleiros. Eles foram até Marcel de Perseu e o retiraram da batalha para garantir sua segurança antes de retornar ao combate. Makhai, por sua vez, ficou enfrentando Chrysaor.
— Chrysaor... Filho de Poseidon e Medusa. O homem que tem sangue divino, mas não é um deus. Um gigante que reencarnou como um humano. Você mancha a linhagem do seu pai. — Makhai elevou o cosmo e segurou firme na espada. — Não fará diferença você assumir essa luta. Está apenas antecipando a sua morte e prolongando a do outro general.
—...—
Região montanhosa a Leste do Santuário de Atena – Grécia
Quando a poeira finalmente se assentou, o cenário revelado era um campo devastado. A planície estava em chamas, com o solo carbonizado e revirado, como se uma força primordial tivesse varrido a área. Chamas dançavam por todos os lados, criando um espetáculo infernal de labaredas.
A defesa de Tritão, erguida através do Tridente de Poseidon, tinha sido crucial para salvá-lo daquela destruição. No entanto, a força divina do cosmo de Draco havia deixado seu corpo exausto e dolorido. Tritão estava apoiado no tridente, arfando e lutando para se recuperar da onda de choque que o atingiu. O escudo de cosmo que ele havia criado estava agora enfraquecido.
A poucos metros de distância, Draco estava ajoelhado no chão, recuperando-se do choque da colisão. Embora estivesse cansado, seu cosmo permanecia intenso e imponente. A imagem divina do deus-dragão pairava sobre ele como um avatar de poder, cada vez mais vívida e real. O gigantesco dragão vermelho, que parecia ter se materializado diretamente da essência de Draco, emanava uma aura ameaçadora. A presença do dragão celeste sobrecarregava o campo de batalha com uma sensação de ameaça.
Os ventos furiosos, ainda ressoando com a força das habilidades conjuradas durante o combate, uivavam através da planície, espalhando cinzas e fumaça.
— Não seja covarde. — disse Draco.— Pare de se esconder atras do escudo criado pela arma do seu pai e lute.
O deus-dragão se ergueu, intensificando ainda mais seu cosmo. A energia crescente emanava rugidos que ressoavam como se fosse um dragão furioso.
Draco avançou com uma velocidade surpreendente, deixando Tritão encurralado com uma aproximação inesperada. Havia uma pressão incomum em volta do corpo de Draco. Era como se uma colossal besta estivesse se abatendo sobre ele. Algo que ele não havia sentido antes quando se aproximou do filho de Ares.
— Tem algo diferente nele. — pensou Tritão. — Ele está mais forte.
A sensação era única e aterradora, intensificada pelo turbilhão de chamas que rodeava Draco. A gigantesca cabeça do Dragão Celestial emergiu das chamas, como uma manifestação do seu poder.
Draco desferiu um soco no rosto de Tritão. O impacto foi tão violento que o corpo do deus foi lançado pelo ar, caindo com força no solo. A força do golpe criou uma onda de choque que reverberou pela área, e Tritão soltou o tridente devido ao impacto.
— O tridente... — pensou ele, vendo a arma divina deslizar para longe.
Com o deus marinho desarmado e atordoado, Draco não hesitou. Ele aproveitou a oportunidade para se lançar sobre Tritão e levou a luta para um combate corpo a corpo. Draco continuou seu ataque, desferindo socos e chutes embalados com extrema força. Cada golpe era infundido com chamas e a força cósmica do Dragão Celestial, tornando-os quase impossíveis de serem bloqueados ou evitados.
— O que foi, Tritão?! Por acaso você perdeu as forças ao ser desarmado? — perguntou Draco, desferindo uma sequência de socos.
— Ele estava guardando todo esse poder?! — pensou Tritão, tentando desviar dos golpes e contra-atacar.— Tenho que revidar! Caso contrário... Serei morto.
Determinado a não ser derrotado, o deus marinho reuniu suas forças. Ele atraiu as nuvens e os ventos de tempestade ao seu redor, criando um furacão que repeliu Draco. Essa defesa foi suficiente para ele ganhar alguns segundos para recuperar o folego. Sua escama azul estava bastante danificada. Tritão então estendeu as mãos, canalizando o seu poder e disparou uma poderosa rajada cósmica.
Draco igualmente reuniu seu cosmo e disparou um contra-ataque. Tritão então aproveitou a distração e invocou uma tempestade escura, emitindo trovões que faziam a terra vibrar. Raios desceram em esperais ao redor de Tritão e ele os canalizou contra o deus-dragão, arremessando-o violentamente contra a montanha.
Draco, movendo-se com a agilidade ampliada por suas asas de chamas, se ergueu e disparou contra Tritão, atacando uma combinação de golpes rápidos. Tritão desfez seu corpo em água e, em um movimento rápido, reapareceu atrás de Draco. Antes que o deus-dragão pudesse reagir, Tritão conjurou uma onda cósmica que atingiu Draco com força e o lançou para o alto.
No céu, Draco abriu suas novas asas e gritou:
— Venha a mim, minha nova armadura!!
A imagem cósmica do dragão celestial se dissolveu em cosmo e cobriu o corpo de Draco, materializando uma nova Onyx, vermelha como sangue, com detalhes dourados. Agora, Draco estava com suas forças restauradas e com sua defesa ampliada.
Esferas de chamas surgiram ao seu redor, girando, e foram arremessadas contra Tritão, que as assistia em solo. O deus marinho desviou dos golpes e contra-atacou. Draco ergueu a mão para o céu, empunhando uma nova espada vermelha como rubi, e a envolveu em chamas. Um golpe cortante foi disparado, abrindo uma fenda tão profunda que parecia que ia dividir um continente ao meio. Tritão desviou, mas não conseguiu escapar da potência cortante emitida pelos ventos de deslocamento da técnica. O deus caiu, rolando no chão, até tocar em algo gelado.
Agora, empunhando novamente o Tridente de Poseidon, Tritão elevou seu cosmo ao limite e bateu forte com a arma divina no chão, fazendo com que as poças de água que se acumulavam na região desconfigurada fossem lançadas ao ar. Cada gotícula de água tomou a forma de Tritão, e centenas de réplicas do deus dispararam inúmeras rajadas contra Draco.
O deus dragão bateu suas asas e disparou contra Tritão, desviando de cada feixe de cosmo que cruzava rente ao seu corpo. Em um piscar de olhos, ele se teletransportou e surgiu diante de Tritão, desferindo um soco no queixo do deus, seguido por um chute. Tritão recebeu todo o impacto e foi lançado para trás, rasgando o solo enquanto cravava os pés no chão. Draco prontamente acompanhou o percurso do deus marinho e se aproximou para uma nova investida.
Tritão então girou o Tridente, envolvendo-o com todo o seu cosmo, e disparou. Draco desfez seu corpo em chamas, desviando do percurso do tridente, e em seguida se materializou novamente. Agora desarmado, Tritão parecia estar em desvantagem.
— É o seu fim! — gritou Draco, desferindo um golpe de espada.
A arma divina rasgou o peito de Tritão, transpassando surgir nas costas do deus marinho. Cuspindo sangue, Tritão segurou firme no braço que Draco empunhava a espada.
— O seu também. — disse o filho de Poseidon, sorrindo.
O Tridente de Poseidon, que havia sido arremessado, retornou sendo invocado pelo cosmo de Tritão e atravessou as costas de Draco, rasgando o seu peito, parando a poucos centímetros do corpo de Tritão.
— Você... — as palavras de Draco foram interrompidas pelo sangue que subia por sua garganta.— Que forma patética de encerrar uma luta.
— O que importa é que você morra.
Tritão desferiu um chute no abdômen de Draco, fazendo o deus ser lançado para trás. A arma divina de Poseidon atravessou o corpo do deus-dragão por completo, e Tritão a removeu bruscamente, ainda com a espada rubra de Draco em seu peito.
— Por Atlântida! — disse Tritão rispidamente.
O deus girou o tridente e o segurou com as duas mãos, cravando-o novamente no peito de Draco.
O filho de Ares arregalou os olhos, cuspiu sangue e, em seguida, deu seu último suspiro. Ferido, Tritão removeu a espada vermelha de Draco e a jogou no chão. O deus estava perdendo bastante sangue, e sua visão estava embaçada. A paisagem então ficou escura, e ele desabou em uma poça de sangue, ainda segurando o Tridente de Poseidon.
—...—
Região Central do Santuário de Atena – Grécia
A luta travada entre Drago e Tritão no Leste da Grécia fez a montanha do Santuário tremer levemente. Chrysaor estava prestes a enfrentar Makhai quando sentiu a sua Escama vibrar. Em seguida ele sentiu a colisão entre os cosmos de Tritão e Draco. Foi como um trovão silencioso que ressoou profundamente.
Ele fechou os olhos para se concentrar. Podia sentir os resquícios da batalha que havia ocorrido. A fúria do deus dragão e determinação do filho de Poseidon ainda pairava no Leste, mas o que mais chamou sua atenção foi o súbito apagamento de ambos os cosmos. A energia antes poderosa que inundava a região montanhosa, desapareceu em um instante, deixando um vazio no lugar.
Chrysaor abriu os olhos, seu olhar agora fixo na direção de onde sentia a energia se dissipar. Ele sabia que a luta havia terminado, mas não sabia qual dos dois havia saído vitorioso, ou se ambos haviam caído.
Atrás dele, os soldados marinas também sentiram o impacto. Eles interromperam seus combates, trocando olhares confusos e preocupados.
Chrysaor apertou o cabo da sua lança dourada, com seus pensamentos voltando para Tritão. Ele sabia que o seu irmão era incrivelmente poderoso, mas também sabia que Draco, sendo filho de Ares, não era um oponente fácil. A incerteza o corroía por dentro, mas ele sabia que ainda havia uma batalha a ser travada, e ele precisava estar pronto para o que viesse a seguir.
— Seu meio irmão está morto. — disse Makhai.— Vou enviá-lo para junto dele.
Makhai flexionou os joelhos, gerando uma pressão intensa debaixo dos pés, e disparou contra Chrysaor. O Espírito da Guerra parecia se fundir com a escuridão da noite enquanto avançava. Sua pele negra parecia se dissolver em uma bruma de trevas, enquanto seus olhos vermelhos brilhavam intensamente e seus músculos se enrijeciam ao redor do cabo da espada.
Espada e lança se chocaram com um estrondo, emitindo faíscas e ondas de choque que ecoou ao redor. Makhai empurrou Chrysaor para trás, criando uma abertura, e ergueu a espada para um segundo golpe. No entanto, o General Marina se esquivou por baixo da lâmina e passou pela lateral de Makhai, desferindo um golpe com a lança. Mesmo desviando, o Espírito da Guerra teve o abdômen de sua Onyx levemente cortado pela pressão do movimento da lança.
Chrysaor, percebendo a oportunidade, se posicionou às costas de Makhai e saltou, desferindo dezenas de golpes em rápida sucessão. No entanto, seus ataques apenas trincavam a Onyx, sem conseguir perfurar completamente a armadura. Talvez isso se devesse ao fato de que, enquanto atacava, o General Marina tentava manter uma distância segura. Mas Makhai já estava entendendo o estilo de luta que seu oponente adotava.
De repente, Makhai se teletransportou, encurtando o espaço entre eles, e desferiu um golpe de espada que partiu o elmo da Escama e rasgou o rosto de Chrysaor acima do olho direito. O General Marina foi lançado para trás pelo impacto, rasgando o solo ao cair.
Chrysaor viu Makhai avançando rapidamente em sua direção e se levantou com esforço. Mesmo com um dos olhos embaçados pelo sangue e a cabeça latejando de dor, ele se preparou. A espada de Makhai zuniu diante do peito do General, que se teletransportou na velocidade da luz para desviar do golpe. Em seguida, ele usou sua velocidade para desferir diversos golpes com sua lança, tentando encontrar uma abertura para se aproximar.
Makhai, percebendo a estratégia de Chrysaor, elevou seu cosmo e ergueu um dos braços, criando um turbilhão de energia que se concentrou acima de sua cabeça. Com um movimento, ele lançou o turbilhão contra o solo, gerando uma explosão massiva que se alastrou, golpeando Chrysaor. O filho de Poseidon teve sua investida brutalmente interrompida e foi pressionado para trás. Ele flexionou os joelhos com força, resistindo à onda de choque com determinação. No entanto, seu corpo não aguentou a pressão, e ele foi arrastado pela rajada de cosmo de Makhai
A Escama de Chrysaor sofreu graves danos enquanto ele era arremessado contra as ruínas, deixando um rastro de destruição.
— Ele é muito... forte. —disse Chrysaor, caído por cima de um pilar. Ele sentia fortes dores em seu corpo, como se vários ossos estivessem quebrados. — Mas eu também sou. — disse ele, levantando-se lentamente, segurando firmemente sua lança, que vibrou. — Vamos de novo!!
Chrysaor se ergueu e disparou contra Makhai, que o aguardava, pronto para cortá-lo ao meio. Mas, para a surpresa do Espírito da Guerra, o General Marina bloqueou o golpe da espada e, em seguida, desferiu um duplo chute no peito de Makhai. O cosmo concentrado no ataque foi tão intenso que desconfigurou o solo ao redor e lançou o Espírito da Guerra para longe.
Makhai se dissolveu em trevas, ressurgindo em movimento, zig-zagueando enquanto tentava uma aproximação aérea. Sentindo os movimentos de seu oponente, Chrysaor estabilizou seus pés no chão, girando a haste da lança para bloquear o golpe, afastando Makhai com a força do impacto.
O Espírito da Guerra foi lançado para trás, mas rapidamente se recuperou e avançou novamente contra Chrysaor. As duas armas colidiram com força, mas dessa vez a pressão imposta por Makhai era tão esmagadora que ele arrastou Chrysaor, rasgando o solo enquanto o General Marina lutava para bloquear a espada. Percebendo que estava sendo pressionado, Chrysaor girou a haste da lança, desequilibrando Makhai, e logo em seguida girou seu próprio corpo, desferindo um chute que foi bloqueado pelo braço desarmado do Espírito da Guerra.
Makhai, sem hesitar, desferiu outro golpe com a espada. Chrysaor, ágil, manejou sua lança dourada e contra-atacou com um golpe cortante. As armas se chocaram com um estrondo, mas, para surpresa de Makhai, sua espada se estilhaçou. A lança dourada não apenas anulou o golpe, como também partiu a arma ao meio com facilidade.
— Não se esqueça que a lança que você está enfrentando... pode cortar tudo — disse Chrysaor, com a voz firme. — No próximo golpe, irei cortar o seu braço.
Makhai observou o cabo da espada em sua mão, a surpresa evidente em seu olhar. Afinal, sua espada era forjada do mesmo material que seu traje, a indestrutível Onyx. Isso significava que a lança dourada nas mãos de Chrysaor era capaz de danificar os trajes do exército de Ares com uma facilidade caso fosse desferido um golpe direto.
— Deveria ter feito isso antes, quando teve a oportunidade no fator surpresa — avisou Makhai, jogando a arma destruída no chão. — Daqui pra frente, seus subordinados vão ouvir o estilhaço dos seus ossos.
Agora desarmado, Makhai avançou com os punhos cerrados contra Chrysaor. O General Marina segurou sua lança com firmeza e disparou inúmeras estocadas na velocidade da luz, criando um turbilhão de feixes de luz e vento cortante. A lança dourada parecia multiplicar-se.
Makhai, imbuído por uma força física descomunal, enfrentou de frente o ataque de Chrysaor. Era impossível Makahi sair ileso, pois até mesmo o o simples deslocamento de ar era suficiente para abrir cortes profundos na Onyx de Makhai. Mesmo assim, o Espírito da Guerra avançava, ignorando a dor e o sangue que começava a escorrer de suas feridas. Ao se aproximar, ele saltou com o punho cerrado e atacou, mas Chrysaor elevou seu cosmo ao máximo e com a outra mão criou uma barreira de energia para bloquear o ataque de Makhai. O impacto foi tão brutal que a defesa do General Marina se desintegrou no ato.
Mesmo Ferido e ensanguentado, nada era capaz de fazer Makhai recuar. A dor era totalmente ignorada. Ele continuou tentando uma aproximação física cada vez maior, e restou para Chrysaor desviar, sendo forçado a recuar saltando para trás. O Espírito da Guerra o acompanhou, girando em seu braço direito um turbilhão de cosmo, e disparou contra Chysaor.
O General Marina então infundiu sua lança com cosmo e desferiu um golpe cortante que rasgou o solo, abrindo uma fenda profunda. O feixe dourado atravessou a Onyx de Makhai, lançando o Espírito da Guerra para longe. Exausto e cambaleante, Chrysaor mal teve tempo de recuperar o fôlego. Ele apenas sentiu um chute romper em sua lateral, fraturando várias costelas, antes de ser jogando contra a multidão novamente.
— Senhor Chrysaor! — gritou um soldado marina surpreso.
— O senhor está bem? — perguntou Nasile de Thatch, o Capitão de Mar-e-Guerra do Primeiro Distrito de Atlântida. Um homem alto e forte, de expressão dura, olhar frio e cabelos azul-escuros, curtos nas laterais e longos atrás.
— Nasile! Cuidado! — gritou Chrysaor, levantando-se rapidamente e lançando-se na frente de Nasile para bloquear, com a haste da lança, o punho de Makhai.
— Você não tem condições de proteger os seus subordinados, General. — disse Makhai.
O Espírito da Guerra desferiu um chute na perna de Chrysaor, que gritou de dor ao sentir os ossos se partindo, e em seguida segurou o braço do General, girando-o violentamente e arremessando-o para longe.
— Desgraçado! — gritou Nasile, elevando seu cosmo e estendendo os braços. Em cada palma, uma enorme quantidade de cosmo se concentrou, formando duas esferas de cosmo. — Boroc!!
Fazendo jus ao nome da técnica, o ataque foi disparado como se os braços de Nasile fossem dois canhões lançadores de mísseis. As esferas de cosmo cortaram o ar deixando um rastro de energia e emitindo um rugido estrondoso, mas Makhai as bloqueou com facilidade.
— Patético.
— Nesse caso...
O cosmo de Nasile se expandiu, e no céu surgiram dezenas de navios flutuantes de Atlântida, todos envoltos pelo cosmo do Capitão e com seus canhões voltados para Makhai.
— Mais uma vez!! — gritou o Capitão. — Boroc!!
O estampido de centenas de rajadas de cosmo ecoou. As explosões criaram uma tempestade de energia em torno de Makhai, bombardeando-o sem piedade. No entanto, o Espírito da Guerra não se moveu. Com uma mão, ele bloqueou todos os ataques.
— Mesmo sendo um subordinado inferior, essa sua técnica é poderosa. — disse o Espírito da Guerra segurando a rajada de cosmo concentrada na palma da mão.— Agora, sinta o que é um verdadeiro cosmo poderoso.
Makhai liberou a energia acumulada, que atingiu Nasile em cheio. A rajada rasgou o solo em uma linha reta, como se uma espada gigante tivesse cortado a terra. Nasile teve sua Escama destruída e desabou, quase sem vida.
— Vocês não são rivais para mim!! — gritou o Espírito da Guerra.
Ignorando as palavras de Makhai, os soldados se reuniram e avançaram contra ele. Makhai aceitou a ofensiva com um sorriso.
Mesmo desarmado e usando apenas os punhos, Makhai avançou matando que entrasse em seu caminho. Ele lutava com uma letalidade assombrosa. Seus punhos perfuravam os peitos dos soldados como se fossem lâminas afiadas. Um guerreiro de Asgard tentou atacar com uma espada, mas Makhai tomou a arma dele e o decapitou com um movimento rápido. Quando um grupo de soldados o cercou, ele se esquivou com agilidade e, com apenas um golpe, partiu o grupo ao meio,
Voltando sua atenção para Chrysaor, Makhai percebeu que o General Marina se aproximava, preparado para dar mais um golpe. Apesar de seu estado crítico, Chrysaor pretendia encerrar a luta naquele momento, confiando na potência de sua lança para fazê-lo. Mas Makhai não se intimidou e partiu pra cima do General com as mãos nuas.
— Vou quebrar os seus braços e o seu pescoço general. — Gritou.— Irei vencê-lo sem precisar desarmá-lo.
Mas antes que pudesse completar seu movimento, o céu foi rasgado por um clarão dourado. Todos os presentes, tanto aliados quanto inimigos, olharam para cima, perplexos. Algo cruzou o céu em uma velocidade espantosa e caiu diante de Makhai e Crhysaor, gerando uma explosão tão poderosa que os dois foram arremessados. Chrysaor foi socorrido por alguns Marinas próximos, enquanto Makhai pousou com força, rasgando o solo.
No céu noturno, as nuvens foram dilaceradas por dezenas de feixes dourados que tomaram a forma de dragões chineses dourados. Os dragões desceram do céu como meteoros, colidindo com o solo em uma série de explosões ensurdecedoras; C ada impacto criava crateras imensas e ondas de choque que sacudiam a montanha, lançando destroços e poeira a centenas de metros de distância.
— Mas o que é isso... — murmurou Makhai, estreitando os olhos para tentar entender o que estava no centro da cratera que se abriu diante dele. Para sua surpresa, era uma espada dourada. — Uma espada?! — seus olhos se arregalaram em descrença. — Mas essa é... Uma das 12 armas sagradas do exército de Atena. E quem as maneja é...
Makhai olhou para o céu, onde um cosmo dourado de poder esmagador se aproximava. Era muito mais intenso do que os feixes de cosmo que haviam devastado o terreno momentos antes. O cosmo desceu com uma força brutal, colidindo no centro do campo de batalha e gerando uma onda de deslocamento tão poderosa que arremessou todos para longe, abrindo um vasto espaço na região. O chão se contorceu e os destroços foram lançados aos céus.
No meio da poeira e dos escombros, ergueu-se um homem de longos cabelos negros e trajando uma armadura de ouro reluzente.
— Você é...
— Sim... Eu sou... Shiryu de Libra!! — disse ele, para que todos ouvissem.
Os olhos verdes de Shiryu brilharam e em seguida um fluxo poderoso de cosmo emanou de seu corpo, irradiando-se por todo o Santuário. O brilho dourado se espalhou como uma onda expansiva, alcançando cada canto da região. Tanto aliados quanto inimigos sentiram a presença imponente do Cavaleiro de Ouro de Libra, compreendendo imediatamente que ele havia chegado para a batalha.
Próximo dali, Ryuho de Dragão, que estava reunido com outros cavaleiros cuidando de Marcel de Perseu e outros feridos, sentiu o cosmo de seu pai.
— Ele está aqui. — disse o jovem Cavaleiro de Bronze, a voz carregada de emoção. — Meu pai.
No Coliseu, Tourmaline de Capricórnio, Shina de Ophiuco, Alkes de Taça, Mallia de Coma Berenice, Lacaille de Mosca, Asterion e Tithonos sentiram o poderoso cosmo de Shiryu.
— Que cosmo incrível. — disse Alkes, impressionado.
— Ele finalmente chegou. — murmurou Tourmaline, que já havia enfrentado Shiryu uma vez. — Mas que cosmo é esse que sinto emanando dele? É incomparavelmente maior do que o que ele usou contra mim. Isso significa que, naquela ocasião...
— É de fato impressionante. Então esse é outro Cavaleiro Lendário?! — disse Tithonos, erguendo os olhos para observar a coluna de cosmo dourado que se erguia majestosa no centro do Santuário. — Por que Delfos manteve um homem com tamanho poder longe da Guerra Santa? Seria ele o trunfo final do plano do Grande Mestre? Afinal... Nenhum Cavaleiro de Libra demonstrou tamanho poder ao longo dos séculos, desde a Era Mitológica. Esse cosmo... Supera o 8º sentido.
Do outro lado da montanha, na floresta que atravessa a região norte próxima ao Star Hill, Kiki de Áries e os cavaleiros Lino de Lira, Nicolas de Fornalha, Acher de Eridanus e Kitsune de Raposa, que estavam se recuperando no Templo da Fonte Sagrada, além de Perses de Cefeu, que estava caminhando sozinho na floresta, sentiram a poderosa presença do cosmo de Shiryu.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!No topo das 12 casas, no templo de Atena, Delfos observou a chegada de Shiryu em silêncio. Enquanto isso, Dionísio, ainda sentado no trono em meio às ruínas da estátua de Ares, olhava espantado para o cosmo de um humano.
—...—
Interior da Casa de Aquário, Grécia – Santuário de Atena
O cosmo emanado pela chegada de Shiryu varreu cada milímetro de área da montanha e chegou até Ikki de Fênix e Jabu de Unicórnio, que estavam no interior da Casa de Aquário enfrentando um grupo de soldados berserkers.
No instante em que o cosmo dourado de Libra cruzou a Casa de Aquário, para Ikki foi como se uma força invisível o puxasse de volta à realidade. Ele parou abruptamente, estendendo o braço em um sinal silencioso para Jabu, que também cessou imediatamente seus movimentos. Os inúmeros soldados com os quais lutavam insaciavelmente simplesmente desapareceram, como se o cosmo de Shiryu tivesse apagado sua presença do campo de batalha.
— O que aconteceu, Ikki?! — perguntou Jabu, confuso.
— Você sentiu esse cosmo?! — respondeu Ikki, olhando para trás com uma expressão grave. — É o cosmo de Shiryu.
— Agora que você falou... — Jabu estreitou os olhos estranhando. — Sim, eu sinto. Mas... Para onde foram os soldados de Ares?
Ikki olhou ao redor com estranheza.
— Jabu... Quanto tempo estamos subindo as 12 casas?
— Alguns minutos, eu acho. — Jabu parecia não ter certeza da resposta. Se sentia confuso. — Por quê?
Ikki caminhou até uma janela e avistou o Relógio de Fogo.
— Quando chegamos na Casa de Áries, a chama do Relógio de Fogo estava em Virgem, indicando que tínhamos 6 horas. Mas veja...
Jabu olhou para a Torre do Relógio de Fogo e se espantou. A chama de Capricórnio estava se apagando.
— Isso é... Impossível!! Não há como ter passado tantas horas correndo. O que isso significa?
— Significa que alguém está manipulando a nossa percepção. — explicou Ikki. — Estamos dentro de uma ilusão extremamente poderosa. Para nós, pode ter sido apenas alguns minutos, mas na realidade passamos horas subindo as escadas e enfrentando inimigos que não existiam.
— Quem poderia fazer isso com você, Ikki?! Será que ainda há algum berserker poderoso o suficiente para afetá-lo? — perguntou Jabu.
Ikki fechou os olhos, concentrando-se.
— Não... Não é um berserker. Esse cosmo... É de alguém muito superior. É tão poderoso que, mesmo estando cientes da ilusão, ele continua a manipular nossa percepção, mantendo a ilusão ativa na primeira oportunidade. — Ikki sorriu. — Que bobagem! Isso funcionaria contra qualquer outro cavaleiro! — gritou Ikki, elevando o cosmo. Chamas ardentes surgiram, rasgando o solo, o céu, o tempo e o espaço ao seu redor.— Mas agora que entendo a natureza da ilusão, ela não terá efeito sobre mim!!!
O grito de Ikki causou uma expansão tão intensa de seu cosmo que a ilusão que distorcia o espaço-tempo se quebrou como vidro estilhaçado.
— Ikki... Você...
— Vamos em frente, Jabu. A pessoa que está atrasando nossos movimentos... está no Templo do Grande Mestre. Vamos!!
—...—
Templo do Grande Mestre – Santuário de Atena
No interior do Salão do Grande Mestre, Shun de Andrômeda, Marin de Águia e Henry de Câncer sentiram a montanha do Santuário tremer sob o impacto do cosmo de Shiryu.
— Shiryu!! — exclamou Shun, contente. — Finalmente você veio.
— Que desgraçado... — disse Henry, dando um leve sorriso. — Ele possui todo esse poder?! Naquele dia, ele não me mostrou nem 10% de sua força.
Shun franziu o senho.
— Esse outro cosmo... ikki. — pensou Shun. — Então você...
Ainda no Templo do Grande Mestre, longe do salão principal, a porta de um dos aposentos se abriu. O berserker Alceu de Pantera entrou e se ajoelhou.
Sua pele era de um tom profundo e escuro, seus olhos eram dourados como duas moedas, Ele possuía uma estrutura esguia e musculosa, com um rosto majestoso e imponente, e cabelos negros modelados em dreads que caíam até os ombros. Entre esses dreads, fios dourados brilhavam adornando seu cabelo. Dois finos dreads caíam sobre seu peito.
Ele estava trajado com uma imponente Onyx negra, com detalhes e adornos dourados. Seu elmo era moldado na forma da cabeça de uma pantera negra, exibindo suas duas poderosas presas prateadas.
— Senhorita Afrodite, vossa excelência me chamou?
Afrodite estava sentada diante de um espelho oval com moldura de ouro, repousado sobre uma elegante mesinha. A deusa emanava um brilho deslumbrante, como sempre. Seus longos cabelos dourados caíam em ondas suaves, com as pontas cacheadas, e seus olhos azuis cintilavam como pedras preciosas. Sua pele clara exalava um perfume doce que preenchia o ambiente. Ela estava vestida com um longo vestido que acentuava graciosamente seus seios e cintura, destacando a beleza do seu corpo.
O espelho à sua frente mostrava tudo o que desejava ver, seja no Santuário, no Olimpo ou em qualquer outro lugar do mundo que fosse de seu interesse. Mas no momento o espelho refletia Shiryu de Libra.
— O Santuário não é mais seguro para nós, Alceu. Devemos partir. — disse a deusa, levantando-se da cadeira. — Anteros, Phobos e Draco foram derrotados e Ares está lutando contra Atena no antigo templo em Esparta. Além disso... O Cavaleiro Lendário de Libra chegou com suas armas, o Cavaleiro Lendário de Andrômeda está neste templo, o Cavaleiro Lendário de Fênix está a caminho e o Grande Mestre do Santuário está no Templo de Atena. Nosso tempo aqui acabou.
— Nenhum deles é uma ameaça para a senhora. — disse Alceu. — Mas compreendo sua apreensão. Deseja ir ao Olimpo, minha senhora?
— Sim. A carruagem já deve estar a caminho.
— E quanto ao senhor Dionísio, senhorita? — perguntou Alceu, acompanhando a deusa Afrodite um passo atrás.
— Dionísio está entretido com o humano que é o Grande Mestre do Santuário. Deixe-o chamar a atenção daquele homem. Aproveitaremos para nos retirar discretamente.
— Achei que a senhorita fosse ajudar o Senhor Ares. — disse Alceu, adiantando-se para abrir a porta que levava ao principal corredor de acesso ao grande salão.
Afrodite lançou um olhar altivo para Alceu.
— A guerra é o domínio dos deuses que a abraçam, Alceu. A minha presença não é mais necessária neste caos. Deixemos que os que nascem para a guerra decidam seus destinos. Assistiremos ao desfecho no Olimpo, onde a ordem e a beleza prevalecem, longe deste espetáculo bárbaro e indigno da minha graça
—...—
Região Central do Santuário de Atena – Grécia
— Cavaleiros! — A voz de Shiryu ressou como um trovão, carregada por seu cosmo, alcançando cada canto do Santuário e além. — Isso é uma ordem! Reúnam-se imediatamente na região central do Santuário! Restam duas horas para destruirmos o exército de Ares! — Com um gesto imponente, ele estendeu a mão, e uma das espadas douradas de Libra voou até ele, emitindo um forte brilho dourado. — Como Cavaleiro de Ouro de Libra... — Seu cosmo inflamou-se enquanto ele cravava o olhar em Makhai. — Eu autorizo o uso das Armas de Libra! Que o poder da justiça prevaleça e os inimigos sejam obliterados!
—...—
Informações e curiosidades:
— O nome do Berserker “Hatif” vem do Árabe e significa “é uma voz que pode ser ouvida sem que se descubra o corpo que a fez”. Acreditava-se que os Gênios (Djinn) se comunicavam assim.
— A classe de “Gladiadores” citada pelo berserker Hatif é uma referência ao spin-off “Saint Seiya Episódio G-Assassin”, onde aparece guerreiros multiversais chamados de Gladiadores.
— A descrição da técnica “Desespero Abissal” do General Marina Bedra de Lymnades é uma referência à habilidade “Lançar Isca” do Campeão Fizz do jogo League of Legends.
— Antes eu havia mencionado que Chrysaor era um deus menor, mas após rever a mitologia, notei que ele não é um deus, apesar de ser filho de Poseidon. Ele na verdade é um gigante. Então corrigi nesse capítulo a natureza do personagem e depois farei a correção nos capítulos anteriores.
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