A Saga das Lendas - Prólogo
10 A Besta do Raio
Midori se vê cercada pela escuridão, mas aquilo não a apavora. Ela fecha seus olhos, buscando ouvir algo. Nada, nenhum som. A escuridão começou a se desfazer, e ela se vê em um território feito da mais pura pedra. Rochas dos mais variados tamanhos distribuídas pelo local, algumas pontudas, outras levemente planas, a maioria reunidas em grupos com uma dominante em tamanho. O céu estava nublado e da cor padrão do clima, o que fez Midori entender que não estava em um mundo pertencente ao seu. Ela volta a fechar seus olhos procurando pelo inimigo, mas isso não foi necessário. A mesma se declarou.
— Você tem uma energia diferente dos outros. Sinto que se eu baixar minha guarda, serei feita em pedaços. Vou tentar não dar mole.
— Isso não te garante sobreviver.
— Garante sim. Sou imortal. Kaiser já me matou antes, mas sou uma Succubus. Nossa raça de demõnios, quando morre, volta ao inferno, e de lá podemos reviver quantas vezes quisermos. Isso significa que você nunca vai me derrotar de verdade. Aliás, me chamo Liak, como cortesia de guerreira para guerreira.
— Me chamo Midori, não que seja um prazer lhe conhecer. Imortalidade? Se você tem vida, significa que pode morrer. E vou te dar a prova disso. — Midori banha sua espada com o elemento raio e o concentra em seus pés, se movendo extremamente rápido ao redor de Liak. A Succubus apenas fica imóvel, como se já esperava aquilo. Midori tenta atacá-la pelas costas, mas a mesma defende e lhe contra-ataca com suas garras, quase atingindo seu pescoço. — Você é rápida, mas nada que eu não possa prever. — Liak percebe algo de errado, e quando olha para seu ombro esquerdo, seu braço não estava mais lá, substituído pela exposição de seu interior e um filete grosso de sangue jorrando do corte. Ela urra de dor.
— Você vai pagar. Muito caro! — A Succubus toca no chão e diz : — Ruki otchayaniya! — Com isso, e invoca dezenas de mãos negras que surgiam das sombras das pedras. Midori vai se desviando e cortando com facilidade cada uma delas, e enquanto o faz, vai em direção a Liak, ainda em controle da técnica. A mesma se ver incapaz de continuar e salta. Aproveitando a oportunidade, Midori corta sua perna direita em três partes, o que lhe tira mais um grito. Ao cair, consegue se equilibrar na única perna, mesmo com dificuldade. Seu olhos se tornam vermelhos de raiva e sua pele branca vira levemente avermelhada. — Você... Você!!! — Ela começa a simular um grande esforço, enquanto os músculos que estão expostos dos membros cortados começam a se mover. Em alguns instantes, o braço e a perna se recuperam, o que deixa-a ofegante. Aquilo exigia usar quase metade de sua energia, e ela sabia que um combate de longo prazo com aquela garota não lhe faria bem, então usa seu próximo recurso. — Você não me deixa escolha.
Chamas em locais específicos de seu corpo surgem. Chamas fortemente vermelhas, como se fosse a cor viva em sua manifestação mais literal. A partir dela, nasce uma armadura de ébano, com várias inscrições em seu peitoral que cobria apenas o busto e um pouco das costas, aonde em seu meio dos seios residia uma pequena pedra circular, semelhante a uma rubi. Suas ombreiras, manoplas e botas cobriam pouco de seu corpo, enquanto seu elmo tinha o formato de um dragão. Sua pele avermelhou um pouco mais, deixando agora bem nítida a mudança, que destaca ainda mais pela sua boca, agora negra. Uma enorme espada de dois gumes começa a nascer do chão, começando pelo seu cabo repleto de espinhos que seguravam a lança, que emanava uma energia muito forte, porém não vista. Liak ri, deixando claro que se sente perfeitamente capaz de derrotar Midori nessas condições.
A Succubus lança sua espada contra Midori, que usando a sua, desvia a direção do ataque e começa um combate corpo-a-corpo. Liak defendia os ataques com precisão, usando as caneleiras de suas botas e os braceletes acima das manoplas, enquanto em todos os ataques eram defendidos com dificuldade. As duas se afastam após a troca de ataques, e Midoria recita: — Arashi no eikyo! — Coloca sua espada pra cima, o que manda uma onda de eletricidade que se dividia em várias ondas menores, buscando atacar Liak, que não via dificuldade em evitar ser atingida. A pedra no peitoral da armadura brilha, avermelhando ainda mais sua pele, consequentemente a tornando mais rápida e forte. Com isso, ela atinge Midori com um chute dado com o peito do pé, que se defende com a espada, mas o impacto a fez ser arremessada até uma grande rocha. Ela se levanta, sem demonstração de dor, mas a frustração era óbvia. Ela se coloca em posição de preparo, apoiando todo o corpo nos dois joelhos e mãos em paralelo, então levanta um pouco seu quadril, colocando a perna direita para trás. Deste jeito, Seu corpo se preenche com uma poderosa e densa corrente de eletricidade, criando um tipo de escudo. Ao levantar um pouco mais o quadril, ela desaparece. Liak então é atingida por algo que não consegue ver, mas que a lança a uma boa distância capotando, mas se põe de pé, ainda se arrastando por alguns metros. Então ela é atingida de novo, mas consegue se manter na posição, mesmo que seu rosto tenha doído no impacto. Midori estava incrivelmente mais rápida, tão rápida que não era possível enxergá-la. Depois de breves segundos, Liak recebe uma chuva de ataques vindo de todas as direções, sem a chance de se defender de qualquer um deles. Sua armadura aos poucos vai se quebrando, então, com a Succubus no alto, Midori aparece em cima de sua cabeça, perfura seu estômago com a espada, coloca as mãos sobrepostas uma na outra em cima da ponta do cabo, e diz : — Kaimetsu-tekina rakurai ! — O ataque se transformou em uma força que impulsionou a espada com bastante violência, levando sua vítima para o chão, criando uma cratera do tamanho de sua amada vila. A Succubus lá estava caída, mas ainda levanta. tremula e mergulhada em raiva.
— Não vou deixar você me vencer. Mesmo que eu sacrifique todos os meus renascimentos, eu vou queimar todas as almas que eu tenho só para destruir você, e a sua será a primeira da minha coleção! — Ela grita, liberando um grande poder da pedra em seu peito. Seus músculos começam a inchar, no mesmo ritmo que sua pele escurece em um tom vermelho que quase se torna preto. Ela explode em energia, aumentando ainda mais a cratera. Ela ficou com o dobro do tamanho, e, infelizmente, mais rápida. A breve vantagem que Midori tinha naquele momento se tornou na sua completa desvantagem, uma vez que ela tentava correr na direção oposta, Liak conseguia golpeá-la com força, jogando para a direção contrária. A defesa de Midori era quebrada pela combinação de força e velocidade de cada golpe, a deixando incapacitada de assumir a ofensiva. Liak em um momento consegue chutar Midori pro chão, e cai em cima de suas costas, arrancando um grito ofegante de dor, enquanto ouve todos os ossos de sua costela se quebrando como vidro. Liak pega Midori pelo cabelo, que deixa sua espada cair sem nenhuma tentativa de segurá-la, a levantando em sua frente e a olha nos olhos. — Parece que agora você não tem mais recursos. Até agora não houve nenhuma pessoa, absolutamente NENHUMA, que tenha me derrotado definitivamente. Mas você me forçou a sacrificar todas as almas que eu usava para poder reviver. Não posso negar, você é uma guerreira incrível, e merece morrer como tal. Não vou esquecer do prazer que você me deu, o prazer de experimentar uma quase-derrota. — Midori que até então estava de olhos fechados, os abre e larga um sorriso. — Você... Do que está rindo, fedelha?
— É muito bom ser reconhecido por quem é. Você estava errada em apenas uma coisa... Eu ainda tenho um recurso. — Em um piscar de olhos, Midori corta a mão de Liak e se afasta. O membro cortado se regenera instantaneamente. Ela não era invencível. Mesmo se curando, ela se confessou mortal. Era essa a chance que Midori queria. Então, de repente, ela libera uma poderosa energia. Em um nível completamente diferente de antes, como se o poder não fosse propriamente seu. É audível seus ossos se regenerando em grande velocidade, fazendo sua coluna voltar ao seu perfeito estado. Seus cabelos e olhos mudam de verde para dourado, e sua espada dobra de tamanho. Midori então, com total controle de combate, corta o corpo de Liak em vários pedaços, que se regenera várias vezes. A cada momento, a Succubus ficava mais cansada, mostrando que sua regeneração lhe gastava estamina. Seu cansaço a deixava sem reação. Então, como um golpe final, Midori acerta a ponta de sua espada na pedra localizada no peito da armadura de sua inimiga. Liak ainda tenta empurrá-la de volta, mas é inútil. O poder de Midori parecia insuperável. Ela então, fala suas últimas palavras. — É assim que se mata um guerreiro, demõnio. Olhando de cima. — A pedra se quebra, explodindo o corpo de Liak não deixando sobrar nada, derrotando-a completamente. Guarda sua espada e vê o território se desfazendo. Agora, Midori sentia a energia de seus companheiros em um novo lugar.
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