A Saga E - A pirâmide Colossal

2 Achando o meu próprio caminho


Notas iniciais
Apresentando o primeiro cavaleiro original de bronze que auxiliará os protagonistas.

O povo do Santuário estava em polvoroso. Uma multidão de cavaleiros, estudantes nas artes de batalhas e até os camponeses haviam vindo para ver a final que decidiria quem seria a pessoa digna de vestir a tão cobiçada armadura de bronze.

O grande mestre estava sentado sobre um trono de ouro e tinha uma visão privilegiada da batalha que ocorria alí. Ele estava trajado com seu manto azul marinho e uma máscara dourada que estava embutida num capacete vermelho que lhe ocultava totalmente o rosto, deixando apenas os cabelos verdes caírem sobre seus ombros.

Lá em baixo. Dois jovens se enfrentavam na esperança de serem dignos de participar da armada que protegeria a deusa Athena. Os jovens eram praticamente do mesmo tamanho. Um deles tinha a pele mais amorenada, seus cabelos eram cacheados com cachos grandes e abertos que por vezes caíam por cima dos seus olhos. Ele tinha um sinal na sua testa que lembrava dois pontos vermelhos. Toda vez que ele conseguia se esquivar ou atacar, a multidão gritava o seu nome: “Seihim”.

O outro era magrelo, franzino. Ele mantinha um sorriso provocante e irônico. Seu cabelo era loiro e erguido no ar com um penteado mais rebelde. Ele era o favorito dos guerreiros, seu nome era: Jacob.

—-- Por que você não vem pra cima de mim com tudo que você tem? – perguntou Jacob limpando o sangue que escorria pelo canto da boca.

—-- Já que me pede com tanta insistência! – disse Seihim sorrindo e cerrando seu punho direito.

Ele investiu em alta velocidade contra o seu rival que ficou esperando por ele com aquele sorriso irônico. A principio Jacob apenas se desviava dos ataques de Seihim que começou a ficar sem entender.

—-- O que foi , Seihim? Onde está a sua determinação?

—-- Ahh! – disse o rapaz quando foi atingido no seu estomago.

Seihim esgasgou com o sangue que jorrou de sua boca. Jacob por sua vez começou a estimular seu poder e do seu punho uma pressão lançou o seu rival contra as rochas do campo de batalha, levantando muita poeira.

A multidão foi ao delírio. O grande mestre cruzou as pernas e apoiou sua cabeça sobre o punho, ficando de lado em seu trono. Foi quando ele emitiu um som de surpresa quando notou o outro desafiante saindo de debaixo dos escombros, mesmo já ferido.

—-- O que você fez, seu maldito?... – disse ele que tinha dificuldade de enxergar com o sangue que escorria da cabeça e atrapalhava a visão. – Que truque é esse?

—-- Truque?... HÁ,HÁ,HÁ !!! – riu Jacob.

—-- Do que você está rindo, seu maldito?

—-- Como que alguém que deseja se tornar um cavaleiro, não conhece o conceito do “Cosmo”?

—-- Hm? – disse Seihim como se tivesse acabado se lembrar de algo.

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A memória de Seihim o levou a um lugar distante. Era um desfiladeiro. O sol da tarde estava começando a se por e o menino que era bem mais novo estava sentado, assistindo o pôr do sol com alguém. A sombra do astro impedia que ele visse seu rosto, mas o garoto parecia encarar aquele homem com orgulho.

—-- Eu já lhe ensinei tudo que podia, Seihim! Agora cabe a você achar o seu próprio caminho!

—-- Mas mestre.. – disse o menino assustado. – Eu quero seguir o mesmo caminho que o senhor, senão fosse o senhor, eu jamais estaria aqui e...

—-- Eu entendo a sua devoção e amor, Seihim! Mas cada pessoa possuí o seu caminho! Os nossos caminhos se cruzaram a cinco anos atrás, mas chegou a hora de você trilhá-lo sózinho! Você pode aprender minhas técnicas, pode até imitar o meu sinal de nascença! – disse ele sorrindo ao ver que o menino havia pintado duas bolas vermelhas na sua testa. – Mas você ainda será Seihim!

—-- E o que eu devo fazer, mestre?

—-- Vá para o santuário! Comece seu treinamento para se tornar um cavaleiro ! Eleve seu cosmo até que o universo se dobre a sua vontade!...

—-- Elevar o meu cosmo? – repetiu o menino sem entender.

Seu mestre pacientemente se levantou e pegou uma rocha que era um pouco mais larga do que sua mão. Seihim o encarava atentamente.

—-- Todo o universo foi criado a partir de partículas as quais não podemos ver. A elas chamamos de matéria! Nós cavaleiros, temos o poder de destruir a matéria e com um golpe de nossas mãos podemos esmagar as estrelas. Concentre seu poder Seihim num único ponto e invoque esse poder que pode obrigar a matéria a se render ao seu punho. Eleve o seu cosmo!

—-- Certo! – disse o menino sorrindo e levantando-se.

Seihim fechou os olhos. Ele podia ouvir o vento soprando no desfiladeiro, as batidas do seu coração, alguns animais que caminhavam por alí. Foi quando seu mestre sentiu algo diferente. O jovem menino começou a emanar gradativamente uma aura prateada. Seus cabelos começaram a ficarem em pé, deixando seu pescoço nu.

Pedras pequeninas começaram a levitar ao seu redor e seu mestre começou a surpreender-se quando a montanha em que estavam começou a tremer.

—-- Seihim! – disse ele num tom preocupado. Como não houve resposta, o homem iria investir na direção do menino, mas uma rachadura rompeu pelo chão e dividiu aquela grande rocha em duas, de modo que o menino ficou sem chão e este caiu.

Seihim abriu os olhos assustados e viu que a ponte de pedra onde estava, ficava cada vez mais longe. Em baixo haviam várias pedras pontiagudas com esqueletos de civis e cavaleiros que tentaram se aventurar por aquele lugar. O menino instintivamente fechou os olhos, mas o abriu quando se sentiu amparado.

Seu mestre o havia pego no ar e de repente, ele sentiu seu corpo estranho como se estivesse desmanchando-se e antes que eles tocassem as pedras, ambos desapareceram. Antes que o menino pudesse entender o que acontecera , ele estava novamente no alto do desfiladeiro.

—-- O que foi isso? Foi a sua telecinese, mestre?

—-- Sim! Tudo por que você foi incrivel Seihim! Que cosmo poderoso você tem!

E com um sorriso orgulhoso o menino corou diante de seu grande herói.

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Saori estava em seus aposentos. Ela contemplava o céu azul com poucas nuvens e o sol que brilhava intensamente no céu. Seus cabelos roxos deslizavam pelo ar e ela parecia confortavelmente em paz.

—-- Hm? – disse ela sentindo uma presença.

Nuvens e mais nuvens apareceram sobre o céu, mas o mais intrigante que surgiram apenas sobre o salão de Athena. A deusa olhou com insegurança e seriedade para a nuvem negra que pairava sobre sua cabeça e nela raios serpenteavam ferozmente.

—-- ATHENA!!! – bradou uma voz como um trovão.

—-- Quem é que está aí? – respondeu a deusa sem se intimidar.

—-- Sou alguém que você selou a muito tempo atrás! Sou o senhor do sol e dos deuses do maior império do mundo!

—-- RA? – disse a deusa intrigada e assustada. – O quê?!...

Athena gelou quando viu algo sair do meio das nuvens negras. Uma barca dourada sobrevoava o céu e dentro dela estavam várias pessoas com feições, cortes de cabelo e maquiagem ao estilo egípcio. O Deus sol era lindo. Ele fitou Athena de cima a baixo e sorriu ironicamente.

—-- Eu me lembro de você! – disse a deusa da sabedoria. – Por muito pouco não causou uma guerra entre o oriente e o ocidente! Eu o selei e o selarei novamente!...

—-- Por favor, me deixe matar essa garota insolente! – disse um rapaz .

—-- Sempre impaciente não é, Hórus? Por que temos que ser tão rápidos?

De longe o grande mestre observava que algo estava errado no templo de Athena. Por que haveria uma nuvem que sobrevoasse apenas o templo da deusa?

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—-- Então Seihim, vai desistir?

—-- Nunca! – disse o garoto limpando o sangue de sua testa e atacando novamente.

Jacob mais uma vez desviava de seus ataques e concentrava seu cosmo no punho direito. Quando ele viu uma abertura, o jovem guerreiro atacou, mas se surpreendeu pela defesa de seu inimigo.

—-- Você agarrou o meu punho? – disse Jacob vendo Seihim segurando seu punho que emanava cosmo. – Quer mesmo que eu lhe arranque este braço?

—-- Pouco me interessa o que vai fazer! Mas obrigado por me lembrar sobre o “Cosmo”! Eu já sei qual é o caminho que eu devo seguir! É fazer o universo se submeter a força do meu punho! E com este punho, eu vou proteger Athena junto com meu mestre!...

—-- Você por acaso ficou louco?

Seihim começou a concentrar o seu poder na mão que segurava o ataque de Jacob. Uma luz muito forte começou a tomar o punho dos dois guerreiros e a terra ao redor deles começou a estremecer-se. As rochas, pilastras, tudo ao redor dos dois guerreiros começou a consumir-se e todos se deslumbravam com tamanha demonstração de poder.

Até que Seihim encarou a armadura de bronze que estava sendo oferecida como prêmio. E ao ver o que o rival a olhava, Jacob elevou ainda mais o seu cosmo.

—-- EU JAMAIS PERMITIREI QUE FIQUE COM ELA!!!

E Seihim deixou que ele forçasse seu punho, mas deixou o corpo e puxou o seu braço. Jacob viu que o garoto usaria a mão esquerda e levantou sua perna para bloquear o ataque, mas viu o seu rival pegar impulso na mesma e saltar sobre a sua cabeça e ficar frente a luz do sol.

—-- Maldito! O que pensa que está fazendo? – disse ele tentando vê-lo através da luz do sol.

—-- Acabou Jacob! Isso mostra como eu sou digno da armadura! – e disse Seihim descendo em alta velocidade com seu pé direito. – GALOPE DO UNICÓRNIO !!!...

E cortando o céu, Seihim acertou seu poderoso chute no peito do seu inimigo e atingindo o chão com o corpo dele, ele abriu uma grande cratera de forma que uma grande quantidade de terra se ergueu da arena a uma altura fabulosa.

A platéia ficou em silêncio, mas logo em seguida ergueu-se com palmas e vivas para o novo cavaleiro que acabara de nascer. O grande mestre se levantou e se dirigia para a arena para começar a cerimônia de iniciação.

—-- Queria que pudesse me ver, mestre! Eu comecei a trilhar o meu próprio caminho! – pensou o cavaleiro de bronze.

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—-- O que você quer aqui, Ra? – disse Athena que empunhava seu cetro demonstrando a sua autoridade.

—-- Do que me adianta explicar a você? Você não terá escolha mesmo! CARREGADORES!!!...

Quando o Deus sol brandou. Uns homens sem expressão, mas egipicios em forma saltaram da barca dourada causando um grande impacto no chão. Eram pelo menos uns dez deles. Em cima de seus braços caiu um caixão dourado adornado com outras pedras preciosas.

Athena os fitou com repudio e quando estes avançaram contra ela. Ela entendeu seu cetro e apenas com um brilho, aqueles homens se quebraram como se fossem feitos de barro.

—-- Acho que terá que fazer melhor pra enfrentar uma deusa, RA!

—-- Observe... – disse ele calmamente.

—-- O quê?!

Para a surpresa da deusa, os cacos foram de reunindo até que os dez “carregadores” estavam intactos novamente.

—-- Os carregadores são criaturas mágicas das profundezas do Duat! Não importa se você é um ser humano ou um Deus, eles são simplesmente indestrutíveis! E jamais descansam até capturar o seu alvo! Não importa o quanto use o seu poder, uma hora você se esgotará, Athena! – disse o Deus Sol sorridente.

—-- Droga! – praguejou a deusa se colocando em guarda.

E realmente Athena apenas piscava o seu cosmo e os carregadores se despedaçavam. Mas em pouco segundos, eles se reconstruíam e partiam para um novo ataque.

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—-- Seihim de unicórnio! – bradou o grande mestre. – Eu lhe entrego essa armadura e aviso-te que a use com responsabilidade. Sempre em favor do amor, da paz e da justiça. Use-a com sabedoria para defender esse mundo e a deusa que o rege. Lute e dê sua vida se preciso for por Athena!

—-- Queria que pudesse me ver, mestre! Estou aqui no santuário para onde me mandaste, e eu cumpri o dever que me deu! Queria tanto que pudesse me ver...-- pensou Seihim.

O grande mestre sacou uma espada de cunho dourado. E com ela recostou levemente sobre o ombro direito do novo cavaleiro. Jacob que saía de maca, encarou aquela cena e trincou os dentes com decepção e raiva.

—-- Estão vindo tempos difíceis Seihim! Precisaremos da ajuda de todos os 88 cavaleiros de Athena!

—-- Será uma honra lutar por Athena, senhor! – disse ele abaixando sua cabeça. – Lutarei por ela, assim como meu mestre fez a 16 anos atrás... Serei tão forte quanto ele! E o agradecerei por tudo que fez por mim!

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—-- Isso nunca vai terminar? – disse Athena com a sua respiração ofegante.

—-- Isso logo acabara, Athena! – disse Ra com um sorriso no rosto.

Athena fraquejou e caiu de joelhos com o rosto tomado pelo suor. Os carregadores se reconstruíram pela milésima vez e dessa vez correram para cima dela com seu sarcófago dourado aberto. Saori os encarou com medo e fechou os olhos desesperada.

—-- CRISTAL WALL !!! – gritou alguém.

A deusa da justiça e os deuses abordo da barca dourada ficaram surpresos quando uma parede de cristal se levantou entre Athena e os carregadores. As criaturas egípcias tombaram para trás e um homem se colocou diante da deusa.

Ao ver que se tratava do cavaleiro de ouro de Áries, Saori respirou aliviada. O cavaleiro possuía um cabelo ruivo que caía sobre os olhos e os ombros. Seus olhos eram azuis como o céu e em sua testa a marca que denunciava a sua descendência do antigo povo lemuriano.

O Cavaleiro sorriu encarando os deuses na barca e levantou o seu dedo indicador para o céu. Saori ficou impressionada de como de repente o ambiente de luta mudou. Ela não estava mais no quintal do seu templo e sim no meio do espaço sideral. Ela podia ver as constelações, as nebulosas, os planetas e estrelas cadentes passando.

—-- Starlight Extintion ! – gritou ele.

Uma luz rompeu do seu dedo indicador e feixes de luzes que mais pareciam estrelas cadentes voaram pelo ar e ao atingirem cada carregador, os faziam primeiramente brilhar e em seguida os aqueciam, e por último os desintegravam.

—-- Não acredito! – disse Rá cheio de ódio. – Aquele maldito mandou meus carregadores de volta ao Duat?

O jovem cavaleiro de ouro apenas respondeu com um sorriso

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O grande mestre retirou a espada de Seihim e para a surpresa de todos a urna da armadura de unicórnio se abriu e a armadura apareceu diante de seu novo dono. Montada, realmente a armadura se parecia com o animal lendário. E sem qualquer comando ela despedaçou-se e voou até seu mestre. O vestiu e este ficou maravilhado com o fato de como ela era confortável, ao mesmo tempo resistente.

Seihim encarou o alto das doze casas onde residia Athena. Ele cerrou o punho e suspirou feliz.

—-- Um dia poderei lutar ao seu lado, mestre! E juntos faremos o universo obedecer o nosso punho! Eu, Seihim de Unicórnio e você... Kiki de Áries!

Notas finais
Agradeço as quase 40 visualizações que o primeiro capítulo teve. Gostaria de pedir que dividissem comigo o que estão achando da história. Como disse, nas primeiras notas iniciais, é uma história que escrevo há quase 10 anos, então, a escrita muda muito ao longo do tempo. espero que tenham paciência.