A Saga E - A pirâmide Colossal
29 A águia & a serpente
Notas iniciais
Marin encarava Shaina com um sorriso provocativo. A amazona de Serpentário arrancou a sua mascará e revelou um rosto sombrio, duro e com lágrimas correntes. A máscara dourada foi largada e deslizou pelo chão.

― O que houve?
― Tem certeza de que quer conversar? Não prefere vingar o seu primeiro amor?
Shaina desviou o olhar e encarou o corpo de Seiya. Foi inevitável que suas memórias retornassem ao dia que aquele pirralho partira a sua máscara. Por tantas vezes, o perseguiu, mas cada vez que era derrotada, a sua obsessão se tornava empatia e sentimento para com o Pégasus. Um sorriso se abriu ao recordar que chegou a lançar-se na frente do golpe de Aiolia. Desde aquele momento, o seu sétimo sentido estava despertando.
― Sinto não ter chegado mais cedo, Seiya... ― as lágrimas gotejaram sobre a sua cratera. Mas o cosmo dourado e quente evaparou as restantes. ― Agora, só posso vingá-lo.
― Não se vingue de mim, Ophiuchus. Se vingue de Athena! Foi ela que me entregou esse precioso receptáculo.
― O que está dizendo?
Isis sorria, novamente e encarou a entrada da casa de sagitário. Seu cosmo começou a se elevar e Shaina nem viu quando ela se moveu, apenas sentiu sua mente sendo transpassada pelo punho branco. Seus olhos verdes se arregalaram e cenas começaram a surgir na sua mente.

MESES ANTES — STAR HILL
Pelo clima nevoso, aquelas imagens eram de meses atrás. Exatamente quando a ex-amazona de Águia desaparecera do santuário, pouco antes da invasão de Marte. A amazona dourada via a sua companheira de treinamento escalando as duras rochas da montanha sagrada. Lugar qual, apenas o grande mestre poderia subir ou a própria Athena.
O grande mestre, certa vez, relatou que ele subira a montanha sagrada junto de Athena e a deusa sabedoria disse que além de Star Hill guardar os segredos do santuário e ser um lugar de previsão do grande Papa, ele também funcionava como um portal para o monte Olimpo — lar dos deuses.
― E se Star Hill também for um portal para outras realidades? ― pensou a antiga amazona de cobra.
Seu coração assistia apreensivo sua companheira adentrar no templo que exibia luzes azuladas divinais. Ela recordou-se de quando Marin descobrira o corpo do antigo mestre naquele mesmo lugar e desmascarou Saga de gêmeos.
― Marin! ― as duas amazonas — a que estava lá e a que estava observando — se atentaram para aquela voz doce e aquele cosmo quente que envolveu a antiga águia. ― Me perdoe por lhe mandar a este lugar, novamente. Shun teve de ir a nova ilha de andrômeda e você era a unica que já havia pisado nesse lugar.
― Fique tranquila, Athena. Eu estou aqui para servi-la.
― Apesar de que, você é digna por estar nesse lugar. Eu confiei a você a escola das Santias, então você é minha sacerdotiza. Grande Mestra. Espero que Yuna siga seus passos.
― Eu espero que ela seja uma águia que voe mais alto.
Marin continuou a caminhar e encarava os corredores sendo guiada pelo cosmo dourado da sua deusa guardiã. Saori Kido a levou a uma câmara que exibia estantes e mais estantes com pergaminhos. Alguns tão antigos quanto a humanidade. Eles poderiam desfazer-se apenas com o contato do olhar.
De repente, a ex-amazona de Águia achou um livro antigo que para a sua surpresa, emanava cosmo. Saori parecia estar sendo bloqueada por um cosmo tão poderoso quanto o dela. Marin não sabia o que fazer. Sua missão era levar o antigo grimório de Rá, mas não imaginou que ele estivesse reagindo a presença dela.
― O que eu faço, Srta Saori?
― Fuja, Marin! ― Shaina estava desesperada olhando.
O grimório começou a liberar letras douradas que dançavam no ar. Marin reconheceu os hierógrifos e como se fosse fluente naquela língua, sua mente os traduziu, automanticamente: “Toque-me”. A guerreira balançou a cabeça e tentou se afastar, mas surpreendeu-se com o livro voando para dentro dos seus braços.
Seus olhos se arregalaram, o livro reluziu, o lacre foi rompido e o livro caiu no chão, folheando-se sozinho, liberando uma torrente de luz dourada que cegou a mulher ruiva.
― Olá Marin! ― a amazona estremeceu. ― Eu — Isis — a deusa da magia te esperei por um milênio. Antes que a antiga athena nos selasse, eu vi tudo. Eu vi que uma descendente direta dos faraós do Antigo Egito subiria a montanha sagrada dos gregos e romperia o lacre.
― Está blefando!
― Você foi muito esperada, Marin. Seu lugar não é ao lado de Athena. Eu tomarei o seu corpo como receptáculo e juntas, aguardaremos o despertar de Rá.
― Eu não vou a lugar nenhum com você, deusa! Volte para este livro e aguarde pelo julga....
Shaina mordicou o lábio ao ver a sua miga sendo envolta por espirais de luz. Ela e Marin viram uma forma holográfica sendo projetada de dentro do grimório, de uma mulher nua com cabeça de gavião branco.
― Não adianta lutar! Eu te tomarei. Não há honra maior.
O grito ex-amazona de Águia ecoou junto com o de Shaina. A entidade avançou contra ela e Marin foi envolvida por um pilar de energia branca e cândida. Quando a energia cessou, Isis sorria no seu novo corpo e começou a gargalhar, enquanto pegava seu grimório.
― Você não perde por esperar, deusa Athena.
― MARIN! ― gritou Ophiuchus retornando a sagitário.
A respiração estava ofegante, os olhos arregalados e o coração parecia que ia sair pela boca. Ela encarou a deusa a sua frente com um misto de ódio e preocupação.
― Marin foi envolvida por uma graça que poucos seres humanos tiveram ao longo da história. Eu não entendo por que você a tentaria roubar isso dela.
― GARRAS DE TROVÃO! ― gritou a amazona dourada.

Isis ergueu uma sobrancelha e saltou, evadindo as garras de Shaina, mas em seguida, se surpreendeu com os cosmo da amazona que serpenteava, liberando relâmpagos e moldando-se na forma de uma serpente. Ela olhou para baixo e Shaina não a encarava, apenas estendia seus braços para frente com a palma de ambas as mãos bem abertas.
― TERRÍVEL SARAIVADA DE SERPENTÁRIO! ― bradou ela.
― ASES DA MAGIA! ― bradou Isis.
A deusa parou no ar e conjurou um cetro reto com uma espécie de olho na parte superior e asas de cada lado. Ela cortou a serpente de Shaina que explodiu com a luz branca, jogando a amazona dourada contra o topo do portão que levava a saída da nona casa zodiacal.
― Ela conseguiu cortar o meu ataque facilmente? ― a guerreira desgrudou da estrutura e caiu com rosto em chão, deixando seu sangue fluir numa pequena poça.
― Você entende a dimensão da diferença entre os nossos poderes, humana? Não importa que você é uma amazona dourada, não há nada que... ― Isis estranhou que o cosmo de Shaina estava brilhando novamente.
― Já disse que inútil. ― a deusa ergueu o seu báculo e a cosmo energia envolveu Shaina e suspendeu no ar. ― Eu vou encerrar o seu sofrimento, Ophiuchus. Ases da...
― Explosão Galática!

Antes de lançar o seu ataque, Isis se viu no espaço sideral. Ela olhou para o canto superior direito e viu a figura da amazona de Gêmeos de braços abertos, liberando todo o cosmo que ainda lhe restava. Isis riu do grave ferimento em seu abdômen que ainda sangrava.
― O que uma amazona morimbunda faria com a rainha dos deuses?
― Destruí-la!
Íntegra lançou a sua supernova, mas isis apenas ofereceu o seu báculo e toda aquela massa cósmica foi absorvida e ficou concentrada na ponta do báculo. A geminiana encarou a cena incrédula e temeu por sua vida.
― Se aguardasse a morte quietinha não teria que passar por essa dor e constrangimento! ― Isis começou a concentrar parte do seu poder, potencializando a explosão galática. ― Eu prometo partí-la em partículas tão minúsculas que não será possível encontrá-la, amazona.
Tanto Íntegra, quanto Isis se surpreendeu quando ouviram um síbilo. Ambas olharam para baixo e notaram que diversos tipos de serpentes peçonhentas percorriam o chão da casa zodiacal. Shaina ainda estava sob o poder de Isis, mas seu cosmo dourado começava a sobrepujar o da deusa.
― SHAINA, NÃO! ― gritou Íntegra. ― O quê?
A geminiana sentiu uma picada no local da ferida e olhando para baixo, viu que uma serpente curava a ferida grave que a deusa da magia havia aberto.
― Que horror! ― Isis exibia um nojo terrível para aqueles répteis que envolviam o seu corpo. ― Como os guerreiros de Athena são baixos. Invocando criaturas do caos para me atacarem!
A deusa bateu com o cabo do seu cetro no chão e uma explosão de luz destruiu grande parte dos animais que encheram de sangue o chão da casa zodiacal.
― SHAINA, PARE! ― Isis não entendia o desespero de Íntegra. ― Ele vai possuí-la de novo.
― O que está tramando, Ophiuchus?
― Esse é o único jeito! ― A amazona parecia em transe. Seus olhos se tornaram completamente brancos e de repente um báculo dourado surgiu em suas mãos. ― Será Deus, contra Deus.
Uma nova pressão espiritual se instaurou e libertou a amazona dourada do poder da deusa que foi arrastada por alguns metros. O chão da casa de sagitário começou a ruir e novas serpentes começaram a emergir dele. Shaina chegou ao chão, exibindo um cosmo muito mais poderoso do que o antigo.

― Eu não sei o que se esconde dentro de você, amazona, mas eu a destruirei agora!
Íntegra via claramente a figura divina de Isis contra a constelação de serpentário de Shaina. A amazona batia com seu centro ofídico contra o solo e o mesmo respondia com um tremor incessante. Seth que estava afastado por conta do ferimento observava a amazona que outrora lutou contra Serket e começou a reconhecê-la.
― Isis. Vamos recuar. Eu sei quem está possuindo essa mulher.
― Cale-se, rebelde! Eu sou a rainha dos deuses! Eu partirei essa humana em mil pedaços. ASES DA MAGIA.
As asas do báculo aumentaram de tamanho, a ponto de baterem e impulsionarem a deusa da magia para o ar. O olho no topo de báculo se arregalou e um canhão de magia voou na direção de Shaina.
Íntegra gritou e tudo que a companheira fez, foi erguer a mão direita com o pulso recontorcido. Suas garras liberaram o antigo brilho roxo e todas as serpentes invocadas, converteram-se em energia. Ela golpeou o ar como se rasgasse o mesmo e para terror de Isis, ela dividiu o seu ataque em dois.
― VENHAAAAAAAAA COOOOOOBRAAAAAA! ― a voz gutural fez com que a espinha da ìntegra gelasse.

Isis viu a grande onda de energia roxeada vindo em sua direção e ordenou que seu báculo a protegesse. As asas lhe abraçaram e ela foi lançada contra o teto da casa com grande violência. A energia elétrica ressoou por toda casa, atingindo até Íntegra e Seth.
A deusa da Magia caiu contra o chão e exibia grandes ferimentos, mesmo que não tivesse sido atingida em cheio.
― Prepare-se para morrer, deusa! ― a amazona se preparava para um novo golpe, quando de repente, um cosmo quebrou o seu transe, através de um toque carinhoso em seu ombro. ― Mas, o quê...
Uma outra mulher havia acabado de chegar em sagitário. Ela chorava bastante, apesar de manter um olhar pleno para a sua guerreira.
― O que está fazendo aqui, deusa Athena? ― perguntou Íntegra.
― Se Shaina completasse o que estava para fazer, teríamos um problema muito maior que Rá para lidar. Eu não posso permitir que isso aconteça, por isso, estou me oferecendo para ir com os deuses egípios.
― O QUÊ? ― bradaram as amazonas.
― Muito sangue já foi derramado. Perdemos pessoas importantes e Shaina estava a ponto de usar aquilo como último recurso. ― a amazona de ophiuchus desviou olhar, envergonhada. ― Lembra-se do que eu disse quando deixei que vestisse essa armadura amaldiçoada? Eu lhe avisei que viriam tempos desesperadores que serviriam de tentação para invocar aquele poder. Eu lhe disse o porquê desse poder ser tão terrível. Magia do caos vem com grande preço.
Saori Kido caminhou até o deus das tempestades e ele tentou, inultimente, se cobrir, como se a deusa fosse impalá-lo. Seth se surpreendeu que ela apenas tomou a sua mão e com seu cosmo puro, curou as feridas mais graves do inimigo que ficou embasbacado encarando-a.
― Chame os carregadores com a liteira! ― Seth parecia que tinha visto a cobra apocalíptica. ― Rápido, Seth. Antes que elas interfiram.
― O que está tramando, Athena?
Seth levantou o dedo indicador e uma passagem para o Duat se abriu. Dela sairam os carregadores — Shabits inexpressívos que carregavam um caixão de barro com hierogrifos mágicos que tinham o poder de conter o poder de um deus.
Saori lançou um último olhar de carinho às duas e foi violentamente colocada dentro da Liteira. Íntegra e Shaina choravam de desespero e finalmente conseguiram se mover, mas Isis girou o seu báculo e a rajada de cosmo divino ricocheteou pela casa de sagitário e jogou as amazonas douradas longe.
― Vamos Isis.
― Não me dê ordens, rebelde... ― a deusa lançou um último olhar a ophiuchus. ― Da próxima vez, eu acabarei com você, Shaina.
E sumindo pelo Duat, eles voltaram ao esconderijo de Rá. Um silêncio sepulcral tomou a nona casa zodiacal, mas depois de alguns segundos, só era possível escultar o som do choro das amazonas douradas.
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