Notas iniciais
Um capítulo de transição.

Onde estou? Estou vivo? — a consciência começava a retornar aos poucos, por mais que, não conseguisse mexer um dedo sequer. Era como está imobilizado pela pressão do fundo do mar. — Eu tenho certeza que levei um golpe poderoso e estava condenado! Como que eu posso... — suas têmporas tremelicaram ao sentir um filete de cosmo.

Não era um cosmo qualquer. Era um puro, caridoso e poderoso cosmo dourado. Era como se o próprio sol tivesse vindo buscá-lo nas profundezas do oceano da morte e cortasse todas as amarras que o seguravam.

O santo dourado conseguiu mexer o dedo indicador, depois seus lábios, conseguiu estalar seus dedos que pareciam duros como gelo, até que finalmente, abriu os olhos. Sua visão estava embassada pela claridade do cosmo daquele que o segurava em seus braços. A primeira tentativa foi gritar: “Shun”, porque já vivera essa mesmo episódio outra vez, quando lutou pela primeira vez contra seu mestre Camus — o antigo cavaleiro de Aquário.

— Seja bem vindo de volta, Hyoga! — não conseguia vê-lo completamente, mas reconhecia aquela voz pueril. Lembrou-se dele que desde tão pequeno, já os seguia de um lado para o outro em missões onde nenhuma criança deveria estar. A claridade foi baixando ou o cavaleiro diminuiu a intensidade do seu cosmo para que seu rosto pudesse aparecer. — Pensei que também havíamos perdido você.

Hyoga sentiu a frio que estava em sua pele e abraçou o seu corpo, instintivamente. O outro santo dourado abraçou-o, entendendo a vergonha que o cavaleiro lendário estava sentindo e ficou em silêncio por respeito a ele.

Hyoga, ainda sim, focava o rosto daquele jovem. Pele queimada de sol, cabelos castanhos e aquelas sobrancelhas características dos muvianos. Por um momento, deixou a vergonha de lado e se sentiu orgulhoso pelo grande cavaleiro que Kiki havia se tornado.

– P-por quê? — Kiki olhou para Hyoga sem entender. — Por que está perdendo tempo comigo e não está indo atrás dos deuses que querem a cabeça de Athena, Kiki?

– Porque precisamos de você, Hyoga! — o ariano deixou seu semblante cair e as lágrimas começaram a juntar-se nas bolsas lacrimais. Tão logo, aquele cavaleiro que mal havia deixado de ser criança estava chorando, copiosamente. — Mesmo do jeito que está, você é capaz de sentir os cosmos de todos os cavaleiros do santuário?

O aquariano ficou intrigado com a resposta, mas resolveu fechar os olhos para tentar. Em sua mente, era como se seus olhos pudessem ver o santuário de cima. Ele viu com pesar os vilarejos ao redor do santuário completamente destruídos e o rastro do cosmo de quem lutou por lá. Em seguida, ele viu o grande coliseu e o alvoroço formado pelos aspirantes à cavaleiros lá em baixo.

Então, seus olhos começaram a subir pelas doze casas. Kiki estava ao seu lado, por isso, ele procurou pela presença de Geki de Touro e gelou quando não a encontrou. Íntegra não estava no santuário a mando de Athena e eles estavam em Câncer, logo procurou pela presença de... Não pode ser! Ikki, não poderia.... Foi a vez de Virgem e Libra. Shiryu e Shun estavam presos por um filete de energia vital ainda à essa vida.

Também reparou que Sagitário estava em seu devido local e isso o confortava. O provavelmente novo santo de escorpião descia correndo para defender a sua casa, Shaina estava em peixes e Eden de Capricôrnio vinha dos arredores do santuário, por enquanto, Capricórnio estava desprotegida.

Hyoga também sabia que três dos grandes deuses egípicios avançavam, fora... Ele arregalou os olhos ao sentir uma presença poderosíssima seguindo por dentro da casa de Virgem.

– Geki e Ikki morreram, enquanto o grande mestre e Shiryu foram derrotados. Também conseguimos derrotar muitos deuses, mas as nossas defesas estão acabando.

– Não diga asneiras, Kiki! — o novo cavaleiro de Áries não acreditou ao ver Hyoga tentando sentar-se. — Os cavaleiros de Athena também são conhecidos como os cavaleiros da esperança. Quantas vezes, eu, seiya e os outros caímos diante um inimigo invencível e queimando os nossos cosmos, nós materializamos o milagre?

– Sim... Mas os deuses egipícios possuem uma técnica secreta! — Hyoga encarou-o com estranheza. — Tivemos muita sorte que Serket, Tot e principalmente Geb não tiveram tempo de usá-la! O tal do modo divino... HYOGA, POR FAVOR!

O santo de Aquário cambaleava como um homem bêbado e encarava a saída da casa de cancêr com ansiedade. Mesmo que todo o seu corpo doesse, ele despertou o seu cosmo dourado e se livrou dos resíduos de gelo que Konshu havia disparado contra ele.

– O que Mú diria ao ver que você está com medo, Kiki? — o muviano arregalou os olhos, encarando às costas de Hyoga. — Os cavaleiros de Athena não são mais que armas, Kiki. Saori que nos acostumou mal de tanto tentar nos proteger. Mas um cavaleiro de Athena não pode temer a morte, senão ele não é digno de vestir a sua armadura.

– Perdoe-me, Hyoga.

– Teleporte-nos. — o menino se surpreendeu novamente. — Vamos enfrentar aquele deus que está em Virgem. Eu sei que em situações emergências, Athena libera que você use a sua telecinese.

Kiki se colocou de pé e começou a elevar o seu cosmo mais uma vez. Ele encarou Hyoga que parecia um homem normal, despido de sua armadura, mas não da sua determinação e do seu espírito de luta. Ele se aproximou e tocou no ombro do cavaleiro veterao e eles desapareceram de Câncer.

[ ***]

Hórus caminhava calmamente pela casa de Virgem e parecia apreciar a destruição que a luta entre o santo guardião e a deusa da música provocaram. Quando a deusa ativou o seu modo divino, nem ele, se atreveu à entrar na casa. Assustou-se ao ver que um simples humano conseguiu conter a sua famosa e temível canção do fim.

E quando estava prestes a atrevessar, ele viu o mais rico vestígio da batalha. O corpo de Shun de Virgem jazia aos céus pés. Estaria desmaiado? Morto? Ativou seu olho dourado e notou que um filete de vida percorria no corpo do irmão do cavaleiro de Leão.

Ele lembrou de fênix e pensou que não era sensato deixar que um ser humano como esse continuasse vivendo. Não precisaria usar todos os seus poderes. Um dedo bastaria.

E foi isso que ele fez. Apontou seu dedo indicador para o corpo de Shun e arrancaria a sua cabeça com um único tiro, mas um cosmo chamou a sua atenção e rapidamente, teve de saltar e evadir as estrelas cadentes e cristais de gelo que vinham na sua direção.

Quando aterrissou, notou que o santo de Áries estava acompanhado do cavaleiro de Aquário e ambos o encaravam, queimando seus cosmos dourados.

– Pensei que cavaleiros de ouro ficassem em suas casas! — usou de deboche. — O que vieram fazer aqui? Não sentiram o cosmo de Leão desaparecer?

– Cale sua boca, deus menor! — Hórus semicerrou a sua vista e encarou Hyoga. — O quê?

Kiki arregalou os olhos ao ver o antigo cavaleiro de cisne sendo tomado por chamas e seu corpo sendo carbonizado aos poucos. O olhos dourado de Hórus havia se ativado, junto com seu sorriso maligno. Mas o mesmo desapareceu, assim que Hyoga liberou a sua geada e congelou todo o perímetro, obrigando que Kiki se afastasse.

– Então, você é Hyoga de Aquário? Um dos cavaleiros lendários! Khonsu adorou lutar com você! — ele riu, percebendo que a provocação havia dado certo. — O que quer de mim, sendo que perdeu para um deus inferior a mim?

– Eu quero mostrar algo para a nova geração, deus egípicio! — e estendendo o seu braço para o lado, liberou uma massa de cosmo de seu punho que explodiu a parede da casa de virgem. — Mas vamos lutar num local melhor.

Hórus ia returcar, mas o cheiro campestre e floral chamou a sua atenção. Ao olhar para o buraco que Hyoga abriu com seu punho, notou que a parede escondia um belo jardim. Um campo florido que exalava um doce perfume que seduzia as suas narinas.

– Acha que poderia ensinar qualquer lição nesse estado?

– Se preocupe com você e não comigo! — Hyoga começou a caminhar na direção do jardim.

Hórus e Kiki não sabiam bem o que fazer, mas o seguiram. O santo de Aquário encarou o céu estrelado e sorriu. Sua constelação lá no alto, refletia o rosto de seu mestre.

– Eu não vou morrer tão cedo, meu mestre Camus... Eu prometo guiar as novas gerações!

– Eu vou queimar a sua alma de forma que nunca mais reencarnará, Hyoga de Aquário!

Deus e humano começaram a elevar seus cosmos. O céu refletia a forma do falcão e a jovem que segurava o jarro de barro. Então, homem e Deus partiram para se chocarem.

– IMPULSO DO DEUS FALCÃO!

– PÓ DE DIAMANTE!

Kiki observava a luta, imóvel, mas então olhou para trás, no mesmo momento em que sentiu um terceiro cosmo. Hórus e Hyoga olharam na direção de um feixe dourado e recuaram, evitando o confronto dos poderes e perceberam uma espécie de corte dourado separando-os.

O eco metálico da armadura dourada sob o solo de pedra indicou que mais um cavaleiro se aproximava. Kiki parecia que não podia mais se surpreende, enquanto Hyoga se sentiu incomodado com a presença dele.

– Mais um intrometido? — Hórus bufou. — Quem ousa me atrapalhar?

– Aquele que vai picotar o seu corpo e devolvê-lo ao Duat ! — disse o jovem que erguia o sua mão direita com os dedos enfileirados. — Tema o filho de Marte! Éden de Capricórnio.

Notas finais
3 contra 1?