A Saga Crepúsculo Amanhecer - Para sempre

9 Capítulo 9 - Um simples passeio causa uma briga


Seth estava correndo para um lugar onde eu nunca tinha visto. Eu estava curiosa e achando tudo muito estranho. Quando vi, ele estava indo em direção ao outro lado da floresta, onde eu não poderia ir.

– Seth! – parei e gritei. Ele parou e virou para mim. Ele rosnou, como se dissesse “O que foi” – Não posso ir até lá. Você sabe disso.

Ele rosnou de volta e fez um sinal com a cabeça, para eu continuar a segui-lo. Eu hesitei e não me movi. Seth foi para trás de uma árvore e voltou na forma humana.

– Qual é o problema? – ele perguntou.

– Você sabe. – eu respondi. – O tratado.

– Nessie, você não se lembra? – ele disse e eu não respondi. Ele continuou. – Você pode sim ultrapassar a fronteira! Quando era criança, você ia até La Push com Jacob. Acho que nada tenha mudado, você é o...

Ele parou e tampou a boca, assustado. Olhei para trás e para os lados e não vi nada.

– O que você ia dizer? – perguntei confusa.

– Nada! – ele respondeu rapidamente.

– Seth... – eu disse. – O que houve? Você está me deixando preocupada. O que eu sou? Quero dizer, eu sei o que eu sou. Mas, você ia dizer que eu sou algo, que eu não sei... estou confusa!

– Não insista, por favor. – ele disse. – Só venha comigo. Quero conversar com você.

Eu não insisti. Esperei ele se transformar em lobo e ele me levou até uma cachoeira. Era um lugar lindo. Tinha pássaros cantando e muitas árvores que estavam em volta da cachoeira. Um pouco a frente, tinha uma ponte e embaixo dela, ficava um rio onde desaguava a cachoeira. Eu sorri maravilhada e quando olhei para Seth, ele já estava na forma humana piscando para mim.

– O que acha? – ele perguntou entusiasmado. – Vim aqui uma vez com Jacob.

– Incrível. – eu murmurei.

Eu continuei avaliando o lugar, até que vi pedras que levavam até a beirada do rio, perto da cachoeira. Eu saltei uma a uma, até chegar lá. Fiz uma concha com as minhas mãos e peguei um pouco de água e joguei no meu rosto, a água era doce, como eu esperava, mas era incrivelmente morna. Tive vontade de me jogar dentro daquelas águas, mas me lembrei de que não estava de traje de banho.

– Quer entrar? – perguntou Seth atrás de mim. Não tinha percebido sua presença.

– Não dá. – eu sorri e apontei para as minhas roupas. – Mas adoraria.

– Sinto muito, eu deveria ter a prevenido.

– Tudo bem. – eu disse. – Tenho que ir agora. Meus pais vão me matar!

Ele assentiu e subiu as pedras e eu fui atrás.

– Por que me trouxe aqui? – eu perguntei enquanto estávamos atravessando a ponte.

– Não sei... – ele respondeu pensativo. – Esse lugar me lembra Jacob e você também. É uma forma de eu estar perto dele. Sei que é muito meloso, mas Jacob é como meu irmão mais velho. Eu me preocupo com ele.

– Eu percebo. – sorri. – Ele deve estar bem, Seth.

Ele não respondeu e continuou andando. Ele não se transformou em lobo novamente. Não conversamos mais e quando chegamos perto da fronteira, eu percebi que aquele lugar não ficava na terra dos Quileutes.

– A cachoeira não fica nas suas terras? – eu perguntei.

– Não. – ele respondeu. – Na verdade, não fica nem nas suas terras. É um lugar livre. Não me pergunte por quê.

Eu assenti e olhei de longe a minha casa, depois olhei para Seth.

– Obrigada pelo passeio. – eu sorri para ele.

– Não há de que. Obrigada pela companhia. Se encontrar Jacob, diga que eu estou procurando por ele.

Ele sorriu e sumiu por entre as árvores. Eu corri em direção à minha casa e vi meus pais na frente delas, me encarando. Eu levaria uma grande bronca, é claro.

– Exatamente – disse meu pai rispidamente. – Onde você estava?

– Fui passear com Seth. – eu respondi. Não iria mentir.

– Como assim? – ele gritou e minha mãe segurou o seu braço.

– Qual o problema, pai? Não posso ter amigos? – gritei de volta. – Eu e Seth viramos amigos, sim! Você não vai me impedir de ter amigos!

– O problema não é você ter amigos, Renesmee. – ele me disse, tentando parecer calmo. – O problema é esse amigo ser um lobo.

– Se eu posso ser amiga do Jacob, eu também posso ser amiga do Seth! – eu gritei e corri.

– Volta aqui! – gritou o meu pai.

– Edward, chega! – minha mãe protestou. E foi só isso que eu pude ouvir.

Corri para o meu quarto, passando pela a minha tia Rosalie e a ignorei. Tranquei a porta e a janela. Sentei na minha cama, zangada. Peguei meu celular e liguei para o meu avô Charlie. Ele atendeu ao terceiro toque. Fui gentil e disse que já estava em Forks e pedi para passar alguns dias em sua casa, Charlie ficou animado e disse que estaria me esperando. Peguei uma mala pequena e fácil de carregar e coloquei algumas mudas de roupas, o suficiente para duas semanas. Tomei um banho e fiquei olhando pela janela, tentando ver se o caminho estava livre para eu sair de casa. Logo vi uma oportunidade e pulei pela janela e corri o mais rápido que pude. Fui pela floresta, humanos não podiam me ver correndo daquele jeito.

Cheguei à casa do meu avô em menos de dez minutos. Ele abriu a porta sorridente.

– Nossa, você cresceu! – ele sorriu. – Você é a minha terceira sobrinha agora.

Desde quando nasci, minha mãe pediu a Charlie que me tratasse como uma sobrinha, não neta. Ele não gostou da ideia, e achou tudo estranho demais, mas aceitou. Conforme eu ia crescendo, eu ia mudando de nome e me tornando outra sobrinha. Apesar de Charlie nunca mencionar ter irmãos, as pessoas não estranharam muito.

– Como estão Vanessa e Lily? – ele perguntou dando uma gargalhada, se referindo aos meus “antigos nomes”.

– Elas estão ótimas. – eu forcei um sorriso.

– E Renesmee? Ela está bem? – ele disse falando um pouco mais sério.

– Não muito. – admiti. – Problemas familiares.

– Estão te tratando mal? – ele perguntou colocando a mão na arma.

– Não! – respondi rapidamente. – Não! Eu não quero falar sobre isso. Mas fique tranquilo, todos me tratam bem. É outra coisa.

Ele deu de ombros e me levou até o antigo quarto da minha mãe. Ele estava reformado. Tinha uma cama box e uma colcha azul marinho por cima. Tinha um pequeno guarda-roupa e uma mesa com um netebook. Eu fiquei maravilhada.

– Você reformou o quarto? – eu fiz a pergunta óbvia.

– Há muito tempo! – ele disse. – Eu estava esperando você. Queria mesmo passar um tempo com a minha neta.

Ele piscou e saiu, me deixando sozinha. Abri a janela e pude ver o volvo do meu pai estacionando ao lado da viatura de Charlie. Droga.

– Vovô! – chamei-o. Ele estava no alto da escada e voltou para ver o que eu queria. – Meu pai está aqui, mas não quero vê-lo. Diga para ele ir embora, por favor!

– Mas...

– Vô. – pedi. Ele assentiu e desceu as escadas. Minutos depois vi meus pais saindo de casa e entrando no carro. Minha mãe me viu e sorriu sem jeito. Pude ver o carro saindo e se afastando. Me joguei na cama e chorei, pensando em como tudo estava tão errado para mim.