A Saga Crepúsculo Amanhecer - Para sempre
35 Capítulo 35 - Novos sentimentos
O dia termina sem muitas novidades, Sam não aparece, não temos nenhuma pista, nenhum cheiro. É quase impossível de encontra-lo. Vejo a esperança sumindo nos olhos de cada um, menos de Jake e Emily. Eles não desistem e eu estou do lado deles. Sam não iria sumir assim. Alguém o pegou por alguma razão desconhecida.
Confesso que a voz que ouvi ontem, indo para a praia, me deixou confusa e com um pouco de medo. Eu sei que conheço aquela voz. Eu tenho certeza, só não consigo encontra-la na minha memória. Outra coisa muito estranha, eu esquecer algo. Impossível. Um dom falhar? Não acho provável. Não quis tocar no assunto com a minha família ou com Jacob, não quero que eles tenham mais uma preocupação, o sumiço de Sam já é o bastante.
Desligo o chuveiro e começo a me preparar para mais um dia de aula. Jacob prometeu que iria comigo, mas ainda não apareceu. Bem, ele sempre se atrasa.
Uso toda a minha velocidade para me arrumar o mais rápido possível. Dessa vez me viro sozinha com minhas roupas, Alice está ocupada tentando se concentrar e ver algo mais sobre Sam, mas parece difícil.
Saio do meu quarto e já consigo escutar vozes vindas da sala.
– Eu não consigo ver. – murmura tia Alice irritada.
– Eles são lobos, é normal. – responde meu avô.
– Não! – ela grita. – Eu consegui ver. Mas agora... é como se alguém tivesse bloqueando Sam. Eu vi Jacob...
– Nessie. — interrompe meu pai e Alice se cala imediatamente.
Ando apressadamente até a sala, provavelmente corada.
– Desculpe, eu estava saindo do meu quarto...
– Está tudo bem. – diz meu pai beijando o topo da minha cabeça. – Você tem que ir à aula, Jacob acaba de chegar.
Escuto o motor da moto rangendo e corro até a porta de entrada, já estava sentindo falta dele, que hoje está... incrível. Quero dizer, essa jaqueta de couro fica muito bem nele.
Acho que estou pirando! Ele está normal, como todos os dias. É, isso mesmo.
– Bom dia! – ele sorri... e que sorriso.
Respiro fundo e mando minha mente se calar antes que eu surte.
– Bom dia! – digo animada demais. Droga!
– Você está bem? Parece nervosa. – Jake vem até onde estou e beija minha bochecha. – E quente.
– Eu sou quente. – respondo. Não caiu muito bem. – Quero dizer, minha temperatura é quase tão quente quanto a sua.
– Eu sei, mas você parece mais hoje. – ele diz com a sobrancelha franzida.
– Estou bem, sério. – digo sorrindo. – Vamos?
– Claro, mas antes preciso falar com Edward. Ele quer falar comigo. – Jacob olha para cima e vejo meu pai na varanda, nos olhando.
– Eu espero aqui. – murmuro e Jake sorri antes de entrar na casa.
Tenho vontade de bater em mim mesa. O que eu tenho hoje? Estou parecendo uma idiota na frente de Jacob! Será meus hormônios ou eu não tenho dormido direito? Talvez minha mãe possa me ajudar. Não, não sei se conseguiria falar com ela sobre isso. Nem ninguém. Calma. Vai passar. Eu sei que vai...
– Pronto. – diz Jacob me fazendo dar um pulo. – Desculpe.
– Tudo bem. – sorrio.
Jake sobe na moto e vou atrás. De repente ele ficou estranho, mais calado que o normal. Talvez a conversa com o meu pai não tenha sido tão agradável.
– Está tudo bem? – pergunto calmamente.
– Sim. – ele responde hesitante, o que me faz pensar que talvez não esteja, mas não retruco. Ele não parece querer falar sobre o assunto.
Seguimos o caminho em silêncio. Percebo que Jacob está tenso apenas pelo som da sua respiração, o que me deixa tensa também. Algo de ruim deve ter acontecido ou prestes a acontecer. Fecho meus olhos e digo para mim mesma que tudo ficará bem. Sam vai aparecer. Ele tem que aparecer.
Aperto a cintura de Jacob, ele está dirigindo rápido demais, como faz quando está nervoso. Sei que não acontecerá nenhum acidente, mas teremos complicações se algum policial nos parar. De alguma forma ele entende meu recado e diminui a velocidade, não tanto, mas o suficiente.
Chegamos ao colégio e, infelizmente, todos ainda estão no estacionamento. Somos focos de todos os olhares, novamente. Com a minha audição aguçada percebo que cada um diz alguma coisa. Como, sobre a minha festa, nosso sumiço por alguns dias e garotas fazendo comentários maliciosos sobre Jake. Tento ignorá-los, mas é quase impossível. Esse é um dos poucos momentos em que não queria poder ouvir tanto.
Jake segura a minha mão. Esse simples gesto me faz ficar toda arrepiada e provavelmente corada. Seguro a respiração. Ele percebe minha tensão e sorri para me encorajar, mas talvez voltar para o colégio não seja o meu medo.
Entro na sala de aula nervosa e ansiosa. Lá está minha turma. Anna, Collin, Grayson, Tiffany e Robert. Todos fazendo brincadeiras e rindo. Robert para de rir logo quando me vê e logo parece tenso. Sento perto dos meus amigos, como se nada tivesse acontecido. Como se Tiffany e Robert não tivessem desaparecido na mesma noite em que Sam sumiu. Robert sorri e apenas o encaro, não quero sorrir de volta. Isso significa que ele me deve explicações. Ele parece entender o que penso e assente positivamente com a cabeça.
Collin e Grayson me cumprimentam informalmente e dizem o quanto gostaram da minha festa, sorrio e agradeço. Tiffany apenas me diz um oi e sorri, parece estar com medo de me encarar. Já Anna não disse nada. Nem um oi, nem um sorriso. Não entendo sua atitude. Pelo que eu me lembre, não fiz nada para chateá-la. Decido que preciso conversar com ela mais tarde.
Não prestei muita atenção na aula, muito menos Jacob. Percebo sua preocupação e me sinto culpada por trazê-lo aqui. Entretanto, sei que meu pai não me deixaria dar um passo sozinha com Sam desaparecido. Minha mãe me liga várias vezes para saber como estou.
No final da aula, já estou esgotada de tanto pensar. Minha cabeça chega a doer. Não paro de pensar no desaparecimento de Sam e seus possíveis culpados. Ou será um só? Não, impossível.
Quase um dia inteiro pensando nas possibilidades e não consegui chegar a nenhuma conclusão. Na maioria das vezes, penso que os Volturi são os culpados, meus instintos dizem, mas não faz sentido. Por que eles pegariam Sam? A briga é com os Cullens, e se fosse para pegar algum lobo seria Jacob. Esse pensamento me faz tremer.
– Você está bem? – pergunta Jacob, enquanto desce da moto. Já estamos em casa.
– Sim – minto.
Ele não acredita, é claro. Jacob me conhece como ninguém. Ele me conforta em seus braços quentes. Não consigo suportar a vontade chorar.
– Estou com medo. – sussurro.
– Eu sei – ele sussurra em resposta. – Mas eu estou aqui. Nunca vou te deixar. Eu prometo.
Abraço-o mais forte e deixo mais algumas lágrimas caírem. Preciso chorar um pouco antes que eu exploda de uma vez. Não suporto essa angústia. Quando finalmente solto Jacob, estamos a poucos centímetros um do outro. Fico arrepiada novamente. Jake limpa minhas lágrimas e eu tenho vontade de... beijá-lo?
Me afasto rapidamente e tento tirar esse pensamento da minha cabeça. Jacob é meu melhor amigo. Por que ando tendo esses pensamentos?
– É melhor entrarmos. – murmuro e ando o mais rápido que posso até a casa.
Escuto vozes vindas da sala e vou até lá, fazendo barulho o suficiente para perceberem minha chegada. Meu pai me olha confuso. Droga, não consigo tirar da minha cabeça o que aconteceu há alguns segundos atrás.
– Sam foi encontrado. – diz meu avô olhando na minha direção, mas não para mim. Jacob está atrás de mim, chocado e ao mesmo tempo aliviado.
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