A Safe Haven in You
3 Capítulo 3 - Festa Beneficente.
Notas iniciais
Meu sonho está tão bom, mas tinha algo me chacoalhando e perturbando minha paz. Eu queria fazer com que isso parasse, porém, o efeito foi contrário.
— Rose Hathaway, se você não levantar dessa cama, eu juro que vou jogar um balde de água gelada em cima de você. — escuto a voz irritada de Lissa. A voz parecia estar longe e desfocada, como uma estação AM de um rádio velho que só funciona direito em FM. Mais uma chacoalhada me fez perceber que Lissa está tentando me acordar. Ela conseguiu, mas eu mantive meus olhos fechados.
— Eu acho que baleias não se incomodam com a água, Liss. – escuto a voz sarcástica de Cristian em algum lugar do meu quarto.
“Espera, o que essa coisa está fazendo no meu quarto?”
Me sento na minha cama e encaro os dois com cara de poucos amigos.
— Posso saber o motivo de tanto barulho? – questiono a eles enquanto esfrego meus olhos com a mão. — E o que ele está fazendo no meu quarto, Lissa?
— Nada, ele já está de saída. – Liss empurra seu namorado até a porta, que vai com uma carranca no rosto. — Te ligo mais tarde. – diz e lhe dá um selinho, porém ele aprofunda o beijo.
— Ei! Eu não sou obrigada a ver essa obscenidade logo depois de acordar! – provoco deixando Lissa vermelha.
— Isso é falta de...
— Tudo bem, já chega vocês dois. – minha melhor amiga interrompe o namorado e os dois saem do meu quarto.
Me jogo para trás e caio no meio dos meus travesseiros.
“Porque estou com o pressentimento de estar esquecendo de alguma coisa?” penso franzindo a testa. Dou de ombros e fecho meus olhos.
Estou quase dormindo novamente quando Lissa volta.
— Você vai se atrasar! Levanta logo, Rose! – Lissa pede e retira o travesseiro debaixo da minha cabeça.
— Me atrasar para quê? – Bufo me sentando de novo.
Então eu me lembro da nossa saída até o shopping e do motivo das compras.
— Aí, merda! A festa da empresa! – exclamo arregalando meus olhos. Com um salto, saio da cama e corro para meu banheiro, escutando a risada de Lissa.
Ela vem atrás de mim até o bainheiro e se escora na pia, enquanto eu entro dentro do Box.
— Dimitri vai me matar seu eu me atrasar hoje – resmungo lavando meus cabelos. “ Isso que dá ter tanto sono em um corpo minúsculo como o meu.”
— Relaxa, ainda temos algumas horas até a festa. – me tranquiliza.
Depois de tudo lavado, peço para Liss pegar minha toalha atrás da porta e me seco rapidamente.
Lissa me guia até o seu quarto, levando as sacolas das compras de hoje mais cedo consigo. Ela me faz sentar em uma cadeira em frente da sua penteadeira e começa a fazer seu milagre. Lissa sempre sabe o que fazer para deixar alguém bonito e apresentável para qualquer ocasião.
Eu estava relaxada com Liss mexendo nos meus cabelos e fecho meus olhos até ela começar a me maquiar. Confiava nela para fazer isso mais do que em mim mesma, já que eu sou um desastre para essas coisas e o máximo que eu sei fazer, é passar um lápis de olho com um pouco de rímel.
— Pronto, agora só falta colocarmos o vestido. – Lissa me trás de volta dos meus pensamentos. Quando vou me olhar no espelho, Liss bloqueia minha visão ficando na minha frente. — Nada disso, primeiro o vestido.
Reviro os olhos, mas não falo nada. Coloco o vestido com a ajuda de Liss, depois os saltos assassinos e por último os acessórios.
Com tudo pronto, Lissa me leva até o grande espelho que ela tem na parede de seu quarto.
— Nossa! – isso é a única coisa que sai de meus lábios. Eu quase não me reconheci. A Rose que refletia no espelho estava bonita, mas o melhor de tudo é que eu me sentia bonita e confiante, coisa que eu não me sentia a algumas semanas.
— Eu sei! Você está tão linda, Rose. – Lissa sorri, e os seus olhos refletiam admiração.
Antes que pudéssemos falar mais alguma coisa, a companhia toca. Lissa sorri mais uma vez e vai atender a porta.
Sinto algo estranho no estômago ao escutar a voz de Dimitri, mas ignoro pegando uma bolsa de mão e seguindo até a sala com passos confiantes.
Lissa está perguntando ao meu chefe se ele aceita beber alguma coisa, enquanto este recusa educadamente e se senta no nosso sofá.
Fiquei analisando ele antes de me fazer presente, porque, Deus do céu! Esse homem está merecendo uma segunda – e até terceira – olhada.
Dimitri está usando um terno preto, uma camisa social azul claro por baixo e seus cabelos – recentemente mais curtos – estão bagunçados propositalmente. E resumindo: Ele está incrivelmente irresistível.
“Qual é, eu nunca neguei que ele era gostoso!”
Caminhei calmamente até eles, mas fiz um pouco de barulho com os saltos assassinos.
Dimitri levanta do sofá e dá seu típico sorrisinho de lado. Aquele sorriso que deixa todas as mulheres da empresa se abanando.
— Rosemarie. – Dimitri me cumprimenta com um aceno de cabeça. — Você está linda.
— Obrigado, você também não está nada mal. – retribuo e sou compensada com um de seus raros sorrisos, um verdadeiro.
— Podemos ir? – questiona estendendo seu braço para mim. Reviro os olhos com a sua atitude medieval, mas pego no seu braço.
Nos despedimos de Lissa, que tem um sorriso misterioso como quem diz: “Eu sei de uma coisa que vocês dois não sabem, e eu não vou contar.”
Ele comanda o caminho até o carro e não trocamos nenhuma palavra até chegar nele.
Dimitri abre a porta para mim, depois segue até o lado do motorista e liga o motor que quase não faz barulho. Seguimos algum tempo apenas escutando a respiração um do outro.
Tem uma coisa que estava martelando na minha cabeça desde ontem, mas não tenho certeza se é inteligente perguntar.
— Pergunta logo, Rosemarie. – ordena como se tivesse lido meus pensamentos.
— Como sabe que eu quero te perguntar alguma coisa? – questiono lhe olhando assustada.
— Estou escutando as suas engrenagens daqui. – Dimitri brinca, mas prefiro não dizer nada. — Pergunte, eu juro que não mordo. A não ser que você queria, claro.
— Porque aceitou vir como meu acompanhante, quando nunca tinha vindo em uma festa da empresa acompanhado? – solto minha dúvida, ignorando a provocação dele.
Dimitri fica em silêncio por algum tempo, pensando em alguma resposta. Talvez se perguntando a mesma coisa.
— Eu não tenho certeza, mas quem sabe até o final dessa noite nós dois não temos a resposta? – explica com um meio sorriso, mas continua com os olhos focados na estrada.
— É, quem sabe...
Seguimos o resto da viagem conversando sobre coisas aleatórias, e nem percebi que tínhamos chegando até Dimitri desafivelar seu cinto de segurança.
Somos abordados por alguns fotógrafos no caminho, que faziam sempre a mesma pergunta. “Sr. Belikov, essa é a sua nova namorada?” E Dimitri sempre se limitava a sorrir e me conduzir no caminho até o salão aonde ocorria a festa.
Na entrada do salão a mãe de Dimitri, Olena Belikova, e a irmã mais nova dele, Viktoria Belikova, estavam recebendo as pessoas.
Olena é uma das melhores pessoas que pode existir no mundo, assim como Viktoria. Com elas eu não preciso sorrir forçadamente só para ser educada, elas são uma das poucas pessoas que meus sentimentos são verdadeiros, e sei que eles também são recíprocos.
— Rose! – sou praticamente jogada para trás com o abraço de Viktoria, só não caio porque Dimitri estava segurando meu braço.
— Oi, Vik. – retribui o abraço e rio da atitude espontânea da garota.
— Fico feliz que você tenha vindo, Rose – Olena também me dá um abraço e depois sorri curiosa para a mão de Dimitri, que agora está pousada na base das minhas costas.
— É verdade, eu pensava que você não ia vir por causa do Adrian e da piranha dele. – um defeito – mas que também era uma qualidade – de Vik, é que como eu, ela fala o que pensa e muitas vezes não mede suas palavras. — Porém, o que me deixou mais curiosa, é meu irmão ter lhe trazido como acompanhante dele. Já tinha até pensado que ele era gay.
Agora vocês entendem o porque nós duas nos damos bem?
Tento esconder um gargalhada quando Dimitri fica vermelho. Eu não sei se de vergonha ou de raiva, mas estou apostando mais na parte da raiva.
— Viktoria! – Olena a repreende, mas seus olhos refletiam sua diversão.
— Nós vamos entrar, agora — Dimitri anuncia. Ele já havia recolocado a máscara de CEO arrogante, mas sei que ele não ficou bravo de verdade com a sua irmã. — Nos vemos depois, mãe.
Dou um sorriso para elas e me deixo ser guiada por Dimitri e andamos o salão todo cumprimentando as pessoas e conversando um pouco com algumas.
— Dimitri Belikov e Rose Hathaway, quem diria? – Mikhail Tanner e sua esposa, Sonya, caminham até nós com sorrisos no rosto. Mikhail e Sonya são amigos incomum que eu e Dimitri temos, mas como é final de ano tanto nós, como eles, não temos mais tempo livre para uma rodada de cerveja, pizza e uma boa conversa. E a última vez que nos reunimos, foi no casamento deles, à alguns meses.
— Parece que o casamento está te fazendo bem, Mikhail. – Dimitri fala sarcástico.
— Sim, está te deixando mais gordo. – concluo sabendo exatamente o que Dimitri estava pensando.
— Como vocês são engraçados. – debate ainda rindo. – Mas e vocês? Não sabia que estavam juntos.
— Isso porque nós não estamos juntos. – Respondo antes que ele possa fazer mais alguma piadinha.
— Porque a gente não senta e coloca a conversa em dia? – Sonya sugere e eu quase lhe beijo por isso, já que meus pés já estavam começando a protestar por causa dos meus saltos assassinos.
Encontramos uma mesa com nosso nome e sei que isso tem uma mão inteira de Olena nisso.
Conversar e rir com eles é muito bom e me fez esquecer todos os meus problemas. Fiquei um tempo conversando com Sonya sobre bebês, que ela e Mikhail estão pensando em ter, e observo Dimitri conversando com Mikhail e em como ele parece estar confortável e verdadeiramente feliz.
— Como você está com o Adrian estar aqui com outra pessoa? – Sonya me pergunta, fazendo minha atenção voltar a ela. Meus olhos automaticamente encontram Adrian e Sydney do outro lado do salão e suspiro.
— Bem, por incrível que pareça. Acho que estou começando a perceber que eu não amava ele tanto como pensava. – digo a verdade e então minha bexiga se aperta. — Que ir no banheiro comigo? – pergunto baixinho para ela, que assente.
— Nós já voltamos. – Sonya anuncia para seu marido e me segue até o banheiro feminino. Sonya fica retocando seu batom vermelho enquanto eu entro dentro de uma cabine.
— Sonya, quanto tempo! Soube que se casou alguns meses atrás. – estou quase saindo quando escuto a voz de Natasha Ozera. Natasha é tia de Cristian, mas digamos que a implicância que tenho com ele nem se compara com meus sentimentos por essa mulher. O problema é que ela não gosta de mim e nem da Sonya, e ela comentar do casamento deve ser porque os noivos não a convidaram.
— Natasha, estou surpresa de te ver por aqui. – digo quando saio da cabine, livrando Sonya de responder alguma coisa. Natasha tenta esconder seu desgosto ao me ver enquanto eu lavo minha mãos.
— Eu vim com um amigo que foi convidado, mas surpresa eu que fiquei ao ver que a acompanhante misteriosa de Dimitri é você. – Natasha tenta desviar a atenção dela, e sinto seu veneno nas palavras. Outro fato: Natasha tem uma paixão platônica por Dimitri.
Sorrio falsamente para ela, depois digo que precisamos voltar e arrasto Sonya de volta para a mesa.
Dimitri e Mikhail ainda estavam conversando sobre a empresa e mal perceberam quando nos sentamos.
Peguei uma taça de champanhe de um garçom que estava passando e quando vi, já tinha bebido cinco taças. Fui pegar outra, mas a mão de Dimitri me impediu.
— Acho que já chega, não é? – explica e dispensa o garçom com um aceno de cabeça. – Não quero ter que te carregar para casa depois.
— Bem que você gostaria disso. – provoco rindo. Dimitri revira os olhos, mas não nega. Eu estava bem, até que a Vacatasha vir caminhando na nossa direção, ou melhor, na direção de Dimitri.
— Olá, Dimitri. – Vacatasha cumprimenta ele com um sorriso que eu acho que era para ser sexy.
— Tasha. – retribui sorrindo.
“Filho da mãe! A vacatasha você chama pelo apelido!” penso, ou acho que penso, pois Dimitri me olha com os olhos divertidos e a Vacatasha me olha irritada.
— Vaca é a sua mãe, sua corna! – diz com o rosto vermelho. “opa, cadê toda a etiqueta e classe de antes?”
— Não fala da minha mãe, ela não tem culpa se você não foi aceita na índia e te exportaram de volta. – digo sarcástica, mas acho que piorei minha situação, já que ela quis avançar na minha direção, mas foi impedida por Dimitri. “Qual é! Culpem o álcool, não a mim!”
— Já chega, Rosemarie. – Dimitri fala com sua voz de chefe e Tasha tenta esconder um sorriso atrás dele.
— Você está defendendo ela? – pergunto calmamente.
— Não, eu só estou pedindo para você parar de fazer escândalo sem motivos.
— Eu? Fazendo escândalo sem motivos? – esse homem está pedindo para morrer, só pode. Levanto um dedo para calar ele, quando ele começa a se explicar e viro de costas indo em direção da cozinha.
— Aonde você vai? – pergunta Dimitri, mas eu não me dou ao trabalho de responder. Depois de uma conversa com um garçom, eu convenso ele de me dar uma garrafa de qualquer bebida forte e me sento em uma mesa no canto do salão, sozinha.
— Volte para lá, Rosemeire. – Dimitri fala de pé na minha frente.
— Prefiro ficar aqui, aonde eu não estou mais te fazendo passar vergonha.
“Cala boca, Rose! Ele só pediu para você parar de fazer escândalo. Deixa de ser exagerada.” Minha consciência fala como se eu tivesse 5 anos de idade.
Bom, ele defendeu ela. A Vacatasha! E ainda chamou ela pelo apelido, ele nunca me chamou pelo apelido.
Dimitri solta um suspiro de impaciência e senta do meu lado.
— Você fica insuportável quando está bêbada. – murmura com uma careta. Ele fica tão bonito quando está impaciente. “O quê!?”
— Eu não estou bêbada. – digo cruzando os braços como uma criança birrenta. — E eu não pedi para você vir até aqui.
Dou mais um gole na bebida, bebendo direto do bico mesmo.
— Ei! Eu estou bebendo! – protesto quando Dimitri tira a garrafa da minha mão e entrega para um garçom que está passando. — Você é tão antiquado!
— Obrigado. – Sorri e se levanta me puxando consigo. — Vamos pegar sua bolsa e nos despedir.
— Eu não quero ir embora ainda.
— Eu não perguntei o que você quer. – debate me arrastando. Nos despedimos de todo mundo e digo para Sonya me ligar, para marcarmos de sair outro dia.
Dimitri e eu temos uma pequena discussão sobre meu cinto de segurança e no fim, acabou com um Dimitri irritado e ele mesmo colocando o cinto em mim.
Na metade do caminho eu já estava dormindo.
...
Acordo em uma cama macia e meu maior desejo é continuar ali, se não fosse pela dor de cabeça horrível que eu estou sentindo e o meu estômago que está pensando que estamos em uma montanha russa. Resmungo e me viro para o lado, batendo em alguma coisa sólida.
Quando olho para cima dou de cara com, nada mais e nada menos que o meu chefe dormindo.
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