A Sacerdotisa e a pirataria
1 Sobre tráfico humano e escravidão
Notas iniciais
1.
Esperanza corria o mais que podia, em meio aos outros tripulantes e passageiros da nave estelar. Sua túnica de algodão era pesada e comprida demais, enrolando-se em seus pés e quase a fazendo cair.
Havia pânico e desespero no ar. Todos temiam os piratas que abordaram e invadiram a espaçonave. Havia relatos terríveis que davam a entender que todos seriam feitos prisioneiros, e vendidos na Velha Terra como escravos.
Havia poucos lugares onde poderiam se esconder. Esperanza escolheu os porões onde armazenavam a carga. Junto de si havia famílias inteiras, a maioria de mulheres, uma vez que o nascimento de meninos havia decrescido bastante no último século, devido mutação genética.
– Sacerdotisa! — Alguém chamou baixinho.
– O que houve? — Esperanza respondeu num sussurro.
– Os piratas vão aprisioná-la e vendê-la por um alto preço, por sua posição na sociedade. Deveria trocar de roupa. — Uma velha mulher lhe falava por detrás de caixas metálicas de mercadorias.
– Sim? E o que eu vestiria?
– Troque de roupa comigo.
Esperanza deu uma olhada na "casca grossa" que a mulher vestia, e procurou um motivo para declinar a oferta. Resolveu ser pragmática e aceitou a troca de roupa.
Subitamente, um turbilhão irrompeu no porão. Um grupo de piratas espaciais invadiu o local, fazendo com que as mulheres gritassem assustadas. Um dos piratas, com traços asiáticos, agarrou uma das velhas mulheres e a segurou pelo braço, enquanto levantava sua katana no alto da cabeça para mutilá-la.
– Não! Não faça isso! — Esperanza saiu de seu esconderijo para pedir pela vida da velha mulher.
O ambiente ficou em silêncio no mesmo instante.
O pirata a olhou compenetrado e desferiu o golpe contra sua refém assim mesmo. A lâmina parou a milímetros do pescoço.
– Você não me dá ordens, mulher. Eu mato essa e depois te mato.
Todas as mulheres no porão começaram a gritar novamente.
– Calem-se! — O pirata ordenou.
Então todos os olhares se voltaram para a porta nas costas do pirata. As mulheres se calaram atemorizadas.
Por trás do pirata veio uma figura alta, vestida com armadura de liga leve, que lhe dava a aparência de uma máquina. Era uma mulher pirata. Ela tocou no ombro do pirata e ele no mesmo instante liberou a refém, afastando-se para dar passagem a ela.
– Fui informada por meu imediato, de que uma Alta Sacerdotisa se encontra a bordo. O sensor genético apontou este recinto como o local onde ela se encontrava. Entregue-se agora, sacerdotisa. Isso é uma ordem.
A velha com a túnica de Esperanza se aproximou. Incriminando a si mesma.
– Leve-a para a ponte, Sakuraba.
– Espere! O que fará com ela? — Esperanza perguntou preocupada.
– Vou escaneá-la para saber se é quem diz ser. — A pirata respondeu.
– E se ... ela não for quem você procura, o que acontecerá a ela?
– Sakuraba, aqui, treinará com sua katana. — A pirata respondeu friamente.
Os piratas começaram a se retirar levando a velha com túnica branca.
– Espere! — Esperanza gritou com o que lhe restava de ar nos pulmões.
– O que você quer menina? — A pirata se voltou e caminhou diretamente para Esperanza, que deu um passo atrás.
– Eu ... Eu ... Eu sou quem você procura. Deixe essa pobre anciã em paz. Ela só tentou salvar minha vida. — Esperanza falou emocionada e baixou os olhos rapidamente, esperando por seu destino.
A pirata ergueu o queixo de Esperanza, fazendo com que a mesma olhasse para ela. A pirata tinha olhos verde azulados, que emitiram um raio de luz avermelhada, que percorreu o rosto de Esperanza, e depois sumiu.
– Realmente, meu scanner confirma que você é a Alta Sacerdotisa Esperanza Marciana. — A pirata virou-se para seu homem e ordenou. — Liberte a anciã. Ela não é quem procuramos.
– Eu a usarei como sparring para meu treinamento. — Sakuraba respondeu.
– Não! Procure alguém do seu tamanho. O capitão dessa nave é todo seu. — A pirata disse friamente e depois se retirou, levando Esperanza consigo, pela mão.
2.
Posteriormente, no recinto que uma vez fora usado como dormitório pelo capitão da nave, Esperanza foi deixada a um canto, enquanto a mulher pirata acessava arquivos digitais a partir de dispositivos na armadura de seus braços.
– Fêz uma sábia escolha, ao se entregar. Os mercadores de escravos na Velha Terra não são muito delicados com suas mercadorias. Primeiro te usariam, depois venderiam tua carcaça por um bom preço. Estaria morta antes dos 30 anos. — A mulher pirata falou.
– Não é humano vender pessoas como se fossem coisas. — Esperanza murmurou.
– Muitas coisas não são humanas, embora praticadas por humanos.
– Todas aquelas pessoas lá no porão... Irá vendê-los todos?
– Sim. Esta nave não tem muitos bens na carga.
– Porque é uma nave de passageiros. Não sabia disso antes de nos abordar?
– E? Isso não faz a menor diferença.
– A vida das pessoas faz toda a diferença.
A pirata procurou uma das poltronas no quarto do capitão e se sentou. Olhou curiosa para Esperanza e sorriu animada.
– Digamos que esta nave em que estamos seja interceptada pelas tropas estelares da federação, e eu seja feita prisioneira. A propósito, a pena por pirataria é a morte. Você seria minha defensora, Alta Sacerdotisa?
– Isso é diferente. Você é uma criminosa, merece pagar por seus crimes. As pessoas naquele porão são inocentes. Não merecem o sofrimento que as aguarda.
– Quer dizer, nem todos são iguais. Alguns merecem mais que outros. Por que eu deveria mostrar misericórdia, quando isso me é negado?
– Você pode se modificar. Pode mostrar misericórdia para essas pessoas, aí então, as autoridades poderão ser misericordiosas consigo.
– Oh, sim! Considerando-se que eu sou humana o bastante para desenvolver tais sentimentos de piedade.
– Exatamente!
A mulher pirata levantou-se e abriu uma portinhola em sua armadura, na altura da tórax. Retirou de lá um objeto vermelho brilhante do tamanho de um coração. Ela o colocou no carregador universal do quarto do capitão. O espaço vazio no seu tórax era metálico e grande o bastante para dar a entender que seu corpo não era humano.
– Como vê, minha cara Sacerdotisa, não sou humana o bastante para isso.
Esperanza ficou pasma, e por um momento sua crença em um desfecho feliz e amigável daquele incidente desapareceu.
Mais tarde, após pôr coleiras de contenção em cada prisioneiro, eles foram levados para a nave pirata. A tripulação da nave de passageiros ficou a bordo, ajoelhados e com as mãos na cabeça. O destino deles era incerto. Esperanza e a andróide foram as últimas a sair dali.
Novamente, Esperanza foi levada para a cabine da pirata. Dessa vez foi deixada sozinha em um ambiente escuro, antiquado e opressivo. Parecia mais uma toca, um esconderijo para um animal das trevas. Esperanza conteve o impulso de chorar por sua sorte.
Algumas horas depois, a andróide veio para sua cabine e ao seu comando de voz, os móveis da sala foram liberados de seus encaixes. Uma escrivaninha, uma mesa com cadeiras para duas pessoas, e uma cama de casal. Além é claro de apetrechos eletrônicos para recarregar objetos e armas.
Esperanza encontrava-se encolhida no chão, quieta e triste. Ela não poderia fazer nada para mudar seu destino, e não acreditava que apelar para a humanidade de um robô poderia poupar sua vida.
– Então, minha cara sacerdotisa, não quer mais discutir ética e moral comigo?
– Discutir com uma máquina? Isso adiantaria alguma coisa?
– Gosto de desafios. Você sabe, desenferrujar arquivos e rever meus conceitos dialéticos.
– Então, eu sou apenas um passatempo para você?
A pirata soltou uma gargalhada. Esperanza espantou-se. Ela não sabia que robôs podiam ser tão exuberantes.
– Oh, acredite, eu poderia me divertir como bem quisesse, com quem quisesse, fazendo qualquer coisa, afinal sou a capitã desta nave. A propósito, pode me chamar de Athena.
Um arrepio percorreu o corpo de Esperanza. Athena de Xanthi era uma figura lendária, sobre a qual as pessoas se referiam como um monstro, ou um bicho-papão. Ainda se lembrava dos tablets com histórias infantis sobre uma entidade terrível que se chamava Athena de Xanthi. A história da pirata terráquea, imortal e invencível, que fugia de todas as prisões conhecidas, tinha um toque de sobrenatural e misticismo, sendo que até seus superiores da congregação em Marte se referiam a Athena como o mal supremo.
Athena se deliciava com a miríade de sentimentos que bailavam no rosto de Esperanza. Espanto, medo, incredulidade, fascínio, negação e curiosidade.
– Pelo visto, já ouviu a meu respeito.
– Os pais dos meus pais já contavam estórias assustadoras a seu respeito, para que as crianças se comportassem. Quero dizer, isso é uma lenda. Você apenas se apropriou de uma estória folclórica para fazer-se temida.
O riso começou aos pouquinhos, como um tique nervoso, mais evoluiu para uma gargalhada, levando Athena às lágrimas. Quando ela se refêz, limpou o rosto liso, sem nenhuma ruga ou cicatriz, das lágimas que lhe inundaram a face.
– Desculpe-me, meu propulsor de lágrimas não sabe quando parar. Isso realmente é uma inconveniência. Mas, voltando ao assunto, fui registrada Athena, nascida na cidade de Xanthi, da Velha Terra, no ano de 2022. Então, creio que provavelmente, seus antepassados devem ter ouvido a meu respeito.
– Você... você tem 100 anos?
– Difícil de acreditar não é? Por isso o corpo cibernético vem bem a calhar. Na verdade é até mais barato do que usar "La Prairie" diariamente. Desculpe-me, essa referência não é do seu tempo.
– Você ainda tem algo de humano em si?
– Não sei o que lhe responder. Se alguma parte de mim tem células de meu antigo corpo? Não. Se há compostos orgânicos, que se assemelham a células animais? Sim. Isso a deixa chocada?
– Sim, não vou mentir. Eu me pergunto por que escolheu essa existência como pirata, prejudicando tantos a sua volta, uma vez que é imortal e poderia fazer algo mais produtivo em sua vida.
Athena a olhou com simpatia e teve de refrear o impulso de abrir seu coração. Ao invés, levantou-se e saiu da cabine.
Alguns piratas vieram logo em seguida, trazendo frutas terrestres, iguarias marcianas, e jarros com líquidos. Depositaram tudo na mesa, sem se dignarem a olhar para Esperanza. Somente quando estavam se retirando, disseram:
– A capitã Athena ordenou que se alimentasse.
Então se foram.
3.
Havia um monitor na cabine de Athena que mostrava o exterior da espaçonave e o vácuo que a cercava. Alguns meses pela frente, e então estariam entrando na órbita terrestre. Isso era triste e inexorável. Esperanza seria vendida como uma coisa, e usada até que se despedaçasse por maus tratos e doenças. Seria melhor que a matassem logo. Lembrou-se de algo que Athena lhe dissera, como se ela tivesse escapado de um destino terrível, mas ela estava mesmo a salvo? Tinha medo de ter esperanças, a despeito de seu nome.
Algumas horas depois, Athena voltou para a cabine. Sorriu para Esperanza e ignorou a comida na mesa. Apertou alguns encaixes em sua armadura, que a fez desmantelar-se aos poucos. Por baixo da armadura de liga leve, surgiu um corpo feminino nu em pelo, com todos os detalhes de um corpo atlético, de pele sedosa, curvas bem distribuídas, e ajuntamento de pelos nos locais certos. Na verdade, o corpo feminino, por baixo da armadura de Athena, emitia luz própria pulsante, como uma lâmpada de baixa voltagem.
– Espero que não se incomode. É desconfortável dormir nessa cama macia usando armadura. Não que seja impossível. Já cheguei a passar um mês sem dormir, com minhas ações e reações em modo automático, mas eu estava em guerra, então não fêz muita diferença.
Athena deitou-se na cama e cobriu-se com o lençol pesado. Ela segurou uma das beiras da coberta e olhou insistente para Esperanza, como se a convidasse.
Esperanza não sabia o que pensar. A idéia de dividir uma cama com uma perversa andróide que era ao mesmo tempo brutal e belíssima, a deixava desconcertada. Ela olhou para Athena, como se pedisse ajuda.
– Ora, deixe de ser medrosa. Eu não como criancinhas. Além disso, aqui está bem macio e quentinho. — Athena sorriu.
Esperanza desistiu de opor resistência. Ela retirou a túnica e ficou nua em pelo também, mas ao contrário da pirata, seu corpo emitia uma sombra que deixava suas partes íntimas na escuridão, não permitindo que se discernisse com exatidão, como era seu sexo, ou seu busto.
Em vez de deixar a pirata desanimada, essa demonstração de pudicícia a deixou deliciada. Ela sorriu mais uma vez para Esperanza, que deitou-se ao lado dela em sua cama.
Athena admirava aquela garota por suas crenças e tentativas de fazer o que era correto. Há muito tempo não tinha fé em mais nada, nem em si mesma. Só conhecia a lei dos mais fortes e os códigos de conduta, quando em guerra. Todos os que conhecia também pensavam assim. Era refrescante conhecer alguém diferente de toda aquela canalha pirata.
No dia seguinte, Esperanza acordou sozinha na cama. Procurou primeiro por sua túnica, e depois procurou por um local onde pudesse cuidar de sua higiene pessoal. Por fim notou que havia nova variedade de comida na mesa da cabine. Corou ao deduzir que os piratas a viram dormindo nua na cama da capitã.
Quando Athena voltou mais tarde, a convidou a visitar uma câmara holodeck. Esperanza a acompanhou, mais por ficar intimidada com o vai-vem de piratas na cabine da capitã. Nenhum deles a olhava diretamente, mas ela se sentia um espécime em exposição. Concluiu com um aperto no coração que era isso que a esperava na Velha Terra.
Logo que entraram na câmara holodeck, que reproduzia um ambiente artificial em 4D, elas se viram remetidas a um ambiente terrestre, com vulcões ativos, pterodátilos voando alto, e sequóias gigantescas. Esperanza ficou maravilhada. Todos os paraísos artificiais que já adentrara eram muito pacíficos e perfeitos, para serem confundidos com realidade. Este aqui era fantástico no que tinha de ameaçador e perigoso.
– Achei que gostaria de um pouco de sol, depois de ter ficado confinada. — Athena falou simpática.
– Gostei mesmo, obrigada.
– Este ambiente reproduz ...
– A Velha Terra em seus primórdios, eu sei. — Esperanza respondeu com um sorriso.
Esperanza chegou à beira de um lago e sentou-se no chão. Só então percebeu que estava usando outra túnica, bordada em ouro, com brocados em relêvo. Sua vestimenta era uma obra de arte.
Athena sentou-se ao lado dela. Não mais usava a armadura, mas um antiquado vestido terrestre, que cobria suas pernas, como uma túnica comprida, mas tinha uma blusa apertada por sobre o vestido, marcando seu busto.
– Nunca viu uma roupa assim, antes? Isso é chamado corselet, e compõe uma vestimenta do século XIX da Velha Terra. Eu acho muito bonita, embora frágil. — Athena quebrou o gêlo.
– Realmente é bonita, mas parece asfixiante.
– É um pouco, mas como é só uma ilusão...
– Por que me vestiu com roupas de princesa?
– Acho que combina com você.
– Obrigada! Você também é muito bonita.
– Considerando-se que meu corpo é sintético, e que posso escolher qualquer aparência que me aprouver, bem... obrigada.
– Quando chegarmos a Terra, serei vendida pelo maior preço, não é? — Esperanza perguntou com um aperto no coração.
– Assim deveria ser.
– Vai pedir resgate de Marte?
– Pft! Você sabe que eles não pagam resgate de seus sacerdotes, não sabe?
– Então... a escravidão me espera. — Esperanza falou baixando a cabeça e com lágrimas nos olhos.
– Não chore! Eu mudei de idéia.
– Realmente? Vai me libertar e às outras mulheres também?
– Não! A mudança não foi tão grande assim. — Athena riu.
– Então o que fará?
– Ficarei com você. Será minha escrava pessoal. Acredite, será melhor para você.
Esperanza olhou consternada para a outra mulher.
4.
Durante a viagem para a Terra, Esperanza e Athena conversavam frequentemente. Athena tinha curiosidade em saber sobre a vida da jovem sacerdotisa, e esta aproveitava a oportunidade para pregar sua fé. Nada influiu no destino das dezenas de famílias aprisionadas e destinadas a escravidão. Esperanza pediu e obteve permissão de falar com eles, onde tentou confortá-los, falando sobre a bem-aventurança da vida após a morte. Todos choravam muito, e alguns se rebelaram com a situação, passando a repudiar Esperanza e sua mensagem de resignação. Esperanza ficou arrasada.
– Eu soube o que aconteceu hoje na masmorra. Você se arriscou indo para lá. — Athena falou com simpatia.
– Eles estão desesperados. O que esperar de pessoas que sabem que vão sofrer amargamente no pouco tempo que têm de vida?
Athena desviou o olhar, mas não se afastou de Esperanza. Parecia esperar por algum acontecimento.
– O que ... o que eu preciso fazer ... para salvar a vida deles? — Esperanza perguntou num fio de voz.
– Pague o resgate deles: Um milhão de Parsecs.
– Eu não tenho esse dinheiro.
– É. Não tem, mas pode me pagar mais tarde. Você ficaria em dívida comigo.
– Eu ... Você ... você vai libertar os prisioneiros?
– Vou.
Esperanza se atirou nos braços de Athena e tentou abraçá-la apertado, mas é difícil fazer isso numa armadura tão resistente quanto diamante.
– Acalme-se, Sacerdotisa! Componha-se! — Athena falou séria, mas sorrindo.
Esperanza ficou envergonhada por seu arroubo, mas no íntimo estava exultante.
A Capitã dos piratas mudou o curso da viagem para a Lua. Seu imediato ficou confuso, e comentou com seus companheiros que a capitã estava com o miolo mole por causa da Sacerdotisa. Eles acompanharam irados o desenrolar dos fatos. A espaçonave pirata, usando um embaralhador de sinais para impedir que fossem identificados, fez um pouso na base lunar e liberou todos os prisioneiros, e mais alguns membros da tripulação da outra nave, que ainda estavam vivos.
Esperanza estava radiante de contentamento, até que Athena a guiou pela mão até a saída também. Ela fitou a pirata, confusa sobre o que estava acontecendo.
– Apenas vá. Minha nave já vai partir. É perigoso permanecer aqui por muito tempo. Adeus e boa sorte, Sacerdotisa. — Athena disse isso e afastou-se em direção à ponte de comando.
O instinto de Esperanza foi o de correr atrás da mulher, mas ao observar os outros piratas se aproximando de onde estava, ela teve medo e desceu a rampa correndo, em direção à sua libertação.
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