A SAGA DE ZEUS - O DESPERTAR

1 Capítulo I: O Castigo Divino


No princípio, existia apenas o Caos, o Nada primordial, um vazio profundo, silencioso e sem forma. Um silêncio absoluto que parecia pulsar como se o próprio universo ainda não tivesse respirado. Desse abismo, manifestou-se a Grande Vontade, energia absoluta da Suprema Virtude, a essência do Nono Sentido. Um clarão invisível atravessou o vazio, e o despertar dessa Vontade desencadeou o Big Bang, a explosão cósmica que preencheu o universo com o Cosmo, força vital de toda a criação, vibrando em ondas que rasgavam o tecido do nada.

Dessa energia primordial emergiram as primeiras entidades materializadas, os Deuses Primordiais: Gaia, a encarnação da Terra, sólida e fértil, e Urano, a manifestação do Céu, vasto e impassível. Sua união gerou os Titãs, seres de poder colossal, cuja presença fazia o próprio espaço tremer e a luz se curvar. Mas Urano, temeroso de sua própria prole, aprisionou os filhos mais poderosos — os Ciclopes e os Hecatônquiros — no Tártaro, nas profundezas de Gaia, onde a escuridão era espessa e os gritos ecoavam como trovões em um abismo infinito.

A Terra, sofrendo sob a tirania do Céu, forjou o Adamantino e deu à luz Cronos, que, empunhando uma foice de luz fria, castrou o próprio pai, separando Céu e Terra, inaugurando a Era de Ouro dos Titãs. Mas Cronos, temendo a profecia que o destronaria, devorava seus filhos ao nascer. Somente Zeus foi salvo por Réia, que o escondeu em segredo, permitindo que crescesse dominando o Cosmo primordial, absorvendo o poder dos ancestrais sem ser detectado.

Quando adulto, Zeus retornou ao Olimpo. Com um rugido que sacudiu as estrelas, forçou Cronos a regurgitar seus irmãos e liderou a Titanomaquia, guerra de dez anos contra os Titãs. O estrondo dos golpes ressoava como trovões, as nuvens de poeira cósmica iluminadas por flashes de Cosmo. Os Deuses Olímpicos prevaleceram, lançando os Titãs de volta ao Tártaro e estabelecendo a nova ordem do universo.

I. O Triunfo de Zeus e a Estrutura da Existência

Após selar Cronos e os Titãs, Zeus ergueu-se no Olimpo e organizou o universo. Com o nascimento de sua filha Athena, definiu os Reinos:

Céus: Governado pelo Panteão Olímpico, com palácios que cintilavam como estrelas. Terra: Protegida por Athena e os humanos, onde a vida florescia em contraste com o caos primordial. Mares: Concedido a Poseidon, onde as ondas rugiam e a água refletia o Cosmo dos deuses. Submundo: Concedido a Hades, onde a escuridão era quase sólida, e a brisa carregava o frio da eternidade.

Para manter a estabilidade, criou o Eixo Cósmico, pilar que assegurava o fluxo do tempo e a integridade da criação. Hades isolou-se em seu domínio, não sendo considerado residente do Olimpo. Assim, o ciclo cósmico perfeito foi selado.

Os deuses olímpicos vivem no Reino dos Céus em formas humanas perfeitas, imortais, refletindo a crença de que evoluíram para divindades por mérito ou nascimento divino. Suas presenças irradiavam Cosmo, e o ar parecia vibrar com sua autoridade silenciosa.


II. Da Gigantomaquia ao Sacrifício Final

A ascensão de Zeus foi seguida pela Gigantomaquia, guerra iniciada por Gaia para vingar os Titãs aprisionados. O Destino decretou: apenas o ataque conjunto de deus e mortal poderia derrotar os Gigantes. Zeus e Athena recrutaram Héracles, cuja força permitiu aprisionar os Gigantes no Tártaro.

As batalhas eram épicos de luz e sombra, com o chão tremendo sob passos de titãs e o ar incendiado pelo Cosmo concentrado. O cheiro do ferro, da terra e da energia era sufocante, tornando cada instante de combate quase tangível.

Esgotado pelas guerras e pela criação do Eixo Cósmico, Zeus entrou em Sono Divino, selado por um Selo Cósmico. Na ausência do pai, Apolo e Ártemis tornaram-se executores da Lei Olímpica, mantendo a ordem com olhos frios e vigilantes.

III. As Guerras Santas e a Criação dos Cavaleiros

Designada protetora da Terra, Athena enfrentou Poseidon. Para detê-lo, ordenou a forja de 88 Armaduras (12 de Ouro, 24 de Prata, 48 de Bronze), criando seu exército de Cavaleiros. A guerra terminou com Poseidon selado em uma ânfora, sua voz ainda ecoando como trovão preso.

A cada 250 anos surgiam novas guerras: a sangrenta guerra contra Ares, e a Última Grande Guerra Santa, em 1743, contra Hades, deixando vivos apenas Shion e Dohko, guardiões do selo e do Misopetha-Menos.

O universo parecia prender a respiração em cada batalha, o Cosmo dos deuses e dos cavaleiros iluminando o céu e a terra em cores que nenhum olho humano poderia compreender.

Apesar da magnitude dessas Guerras Santas, o Grande Selo Cósmico que mantinha Zeus em Sono Divino permanecia intacto. Para Zeus, o eterno ciclo de conflito de Athena era a Prova Suprema da dignidade humana. Sua ausência silenciosa não era omissão, mas fé na resiliência da Terra e de seus protetores.

Desesperada, Athena (Saori Kido) e Shun buscaram ajuda no Olimpo. Saori confrontou o Deus Primordial do Tempo, Chronos, implorando para ser enviada ao passado (1743) para evitar o ferimento de Seiya. Chronos concedeu 3 dias para a Deusa no passado e sua ida desencadeou várias lutas entre cavaleiros e espectros de Hades, que havia reencarnado. Asclépio escapou do Tártaro e possuiu o corpo de Odisseu de Serpentário, o lendário 13° Cavaleiro de Ouro de Athena. A intenção era acabar com a vida da Athena (Saori Kido) vinda do futuro para que a Athena da época pudesse então reencarnar. Saori revelou a Odisseu de Serpentário sua intenção de cometer suicídio para salvar Seiya, declarando os Cavaleiros como seus amigos, não servos. O suicídio de Athena no passado acionou a salvação no presente: o Cosmo da corrente de flores no pulso de Seiya impediu a espada de atingir seu coração, e os Cavaleiros usaram suas últimas forças para trazer Saori de volta e remover a espada, salvando Seiya.

A crise culminou no confronto com Ártemis, que proferiu a sentença contra Os atos de Athena e seus cavaleiros. Então surge Apolo. O Deus do Sol criticou a insolência humana e deu um castigo maior a Athena e seus cavaleiros. Em um ato transcendental, Saori abdicou de sua divindade, pedindo para se tornar humana e absorver a punição. Apolo enviou Saori e Seiya de volta à Terra com suas memórias apagadas. A trama de Hécate e Chronos, o Deus Primordial do Tempo, foi bem sucedida.

O Santuário desmoronou, mas o Testamento de Aiolos permaneceu.

Um tempo se passou e o Santuário jazia em silêncio, uma cicatriz cósmica do conflito contra o tempo. Athena e seus cavaleiros haviam retornado, mas a vitória teve um preço: todas as memórias foram apagadas. Eles haviam esquecido não apenas as grandes batalhas, mas suas próprias identidades. Todos acordaram espalhados pelo mundo sem saber quem eram e onde estavam. A paz que agora pairava em todo mundo era frágil e ilusória tecida pelos deuses.


IV. A Ira de Apolo

No Olimpo, no templo dourado, a fúria de Apolo queimava, tão intensa que parecia ofuscar sua própria luz. Ao lado, Ártemis observava com serenidade, mas cada gesto carregava preocupação.

— Perdoar? A deusa da guerra implorou e humilhou-se por um mortal! — rugiu Apolo, a voz reverberando pelas paredes douradas. — A afronta daquele mortal é uma ferida em minha honra. Apenas o silêncio não é suficiente!

— Irmão, o castigo já foi deferido e o juramento a Zeus já foi feito. Não podemos mais agir contra Athena ou os Cavaleiros — disse Ártemis, calma, mas firme.

— A punição não precisa ser um ato de guerra. A dor que causaram deve ser eterna. Como fazer a alma daquele mortal sofrer sem quebrar meu juramento? — replicou Apolo.

— Apolo, ela já está pagando pelo esquecimento! Não acha que é suficiente? — insistiu Ártemis.

— Não é Athena que me enfurece, mas a audácia daquele mortal de me desafiar! — respondeu Apolo. — Ela o defendeu, e nosso pai aprovou o castigo! Ela escolheu os humanos… eu não posso aceitar isso!

Ártemis se afastou, murmurando: “Eu não te entendo, irmão.”

Apolo pensou: “Você nunca entenderia.”


V. Hécate e o Selo

Hécate, agora jovem e poderosa, surgiu com astúcia e malícia:

— A vingança não precisa de espada. Basta uma semente. Você não pode dar nova punição, mas pode transferir a dor de Athena para Seiya — disse Hécate.

— Hécate, você conhece forças ocultas. Quero fazer aquele insolente sofrer! — disse Apolo, olhos frios.

— UM SELO! O Elmo de Hades, nos aposentos de Zeus, será a âncora da dor de Athena, aprisionando Seiya eternamente. — Hécate sorriu cruelmente.

— Para completar minha justiça, levaremos o Elmo ao Santuário. Hades terá motivo para nova guerra santa e, sem Pégaso, será fácil conquistar a humanidade. — Apolo planejava sua vingança.

— Mas Hades está em sono profundo e o Submundo em caos. Apenas Perséfone mantém alguma ordem — acrescentou Hécate.

— Como fazer a alma daquele mortal sofrer sem que Zeus possa desfazer? Chame Perséfone! — ordenou Apolo.


VI. Perséfone

Uma energia fria se manifestou, e Perséfone surgiu, carregando o peso do Submundo, o ar em torno dela congelando e fazendo o Cosmo dos deuses vibrar:

— Apolo, Hécate me contou seus planos. Zeus já estabeleceu a paz. Ou deseja vingança?

— Perséfone, sua presença é bem-vinda. Busco punição que transcenda a morte. A dor causada a minha irmã deve ser eterna, e o selo, irremovível mesmo por Zeus.

— Você não precisa de poder, mas de algo que transcenda o poder. Zeus governa o cosmos, mas existem forças primordiais que ele não ousa tocar. Combine sua fúria com esta força, e a maldição será irremovível — disse Perséfone.

— Que forças seriam essas? — perguntou Apolo.

— O Oblivium! Não é um lugar, mas o núcleo do esquecimento, essência do nada. Apenas uma jornada pelo Submundo e pelos segredos da magia negra pode conectá-lo. Apenas o vazio pode conter o vazio — explicou Hécate.

Apolo absorveu cada palavra. O Oblivium inflamou sua ira e ambição. Não se tratava apenas de punir um mortal, mas de se tornar senhor do espaço-tempo.

— Pense bem, Perséfone. A dor de Athena será amarrada a Seiya. Quando Hades despertar, encontrará uma deusa frágil, sem exército, sem seu maior guerreiro. A vitória de Hades será iminente!

Perséfone sorriu friamente: — Serei leal a Hades no despertar… temos um acordo.

— E eu tecerei o feitiço! — disse Hécate. — O Elmo será a falsa garantia de poder a Athena. Enquanto Seiya estiver preso à dor eterna, Athena não terá forças. Hades será o vencedor.

Apolo sorriu. O acordo estava selado. A união do sol, da magia das sombras e da frieza do Submundo criaria uma punição eterna, essencial para um plano maior.


VII. A Maldição de Seiya

No Santuário em ruínas, Seiya encontrou Saori. Ao devolver seu chapéu, sentiu déjà vu. Fragmentos de memória o chamavam. Diante do Testamento de Aiolos, leu:

— “Aos jovens que aqui chegarem, confio Athena aos seus cuidados.”

Uma luz cegante o atingiu. Apolo se materializou, transbordando fúria:

— A insolência dos mortais não tem limites! Você se atreveu a desafiar os deuses! Pois eu farei você se lembrar!

Seiya mergulhou em lembranças: dor das batalhas, sacrifício dos amigos, luta com Poseidon, derrota de Hades. Tentou queimar seu Cosmo. Nada aconteceu.

— Queimando seu Cosmo? Tolo! — gargalhou Apolo. — Você está preso a uma maldição. O Elmo de Hades é a âncora, e a dor de Athena, sua sentença. Vivo, mas moribundo.

Seiya caiu inconsciente, mergulhando em pesadelos eternos, enquanto sua dor ecoava por toda a humanidade.


VIII. O Chamado de Athena

Saori partia do Santuário, com dor e lágrimas, sem entender o motivo. Ao se virar, sentiu o eco da dor de Seiya, e um chamado ancestral a guiou de volta. Em frente ao Testamento, ouviu vozes de Cavaleiros sacrificados no passado:

Máscara da Morte: “A vida de um humano vale menos que um deus… Mas… a sua vida vale mais…”

Afrodite: “O que é a beleza… sem sacrifício… para protegê-la…”

Camus: “O sacrifício… é o ensinamento final… a um cavaleiro…”

Shura: “A espada… é para a justiça… e a justiça… está com você…”

Saga: “A luz… sempre vence as trevas… E eu… sou a sua luz…”

Dohko: “Lutaremos quantas guerras forem necessárias…”

Em seguida, ela ouviu os cavaleiros que sempre estiveram ao seu lado, clamando por ela:

Ikki: “Eu sou uma fênix… e me sacrifico… pela deusa e pela paz…”

Shun: “Pela paz na Terra… e pela nossa deusa…”

Hyoga: “Nunca se esqueça… de sua missão de proteger a deusa…”

Shiryu: “Eu me sacrifico… para dar luz a todos…”

Seiya: “Eu vou até os confins do universo… para salvá-la…”

Por fim, uma voz ecoou com força maior: Aiolos de Sagitário:

— Athena… viva… por favor… viva!