Escuto um girar de chave. Abro meus olhos devagar e vejo uma maleta branca, um copo plástico e uma garrafa de água mineral. Tudo isso em cima de uma das mesinhas de cabeceira. E em cima do meu celular, um papel dobrado. Sento-me na cama. Minha cabeça dói. Dentro do copo plástico estão os meus remédios. Abro a garrafa de água e tomo as pílulas uma a uma. Pego o papel e o desdobro. Um bilhete.

"Leah, no meio da noite me ligaram. Vou ter que ir para Miami. Talvez eu passe uma semana por lá. Quando você ler esse bilhete, eu provavelmente já estarei no jatinho. Sinta-se dona da casa. Eu vou tentar te ligar todos os dias para ver como você está. Tem comida suficiente na geladeira e nos armários, e seus remédios estão na maletinha branca. Quanto a mim, não se preocupe. Só estamos à caça de mais um serial, nada além dos padrões. Se cuida.
Ah. deixei dinheiro para você pagar a Lottie, aquela mulher da faxina, sabe? Está dentro daquele teu cofre de cachorrinho.

Ass: Spencer Reid

Não consigo conter uma risada. Ele é tão formal e ao mesmo tempo tão... íntimo. Fazem umas três semanas que estou na casa dele. Todo esse tempo ele vem sendo muito gentil comigo. Comprou remédios para mim, nos primeiros dias as unicas coisas que ele me deixou fazer sozinha foram tomar banho, me vestir e usar o banheiro. Até me levava comida na cama. Todas as noites ele vai no quarto me dar boa noite, e dá um beijo na minha testa. Ele me respeita muito, bate na porta do quarto para entrar sempre, principalmente depois de um pequenino incidente. A lembrança me faz dar uma risada. Spencer entrou no quarto para me avisar que a comida que ele tinha pedido tinha chegado no exato momento em que eu estava saindo de dentro do closet. Eu estava de sutiã e short, com a blusa que eu ia vestir nas mãos. Ele estatizou e literalmente ficou de boca aberta por uns cinco segundos. Me pediu desculpas e quase saiu voando do quarto. Depois ele ficou super sem jeito comigo, mas eu o tranquilizei.
Caio na cama. Não sei o que fazer. Combinei que ficaria aqui até acabar o julgamento de Rodrick Pierce, que será daqui a um mês, porém... sei lá. Estou muito indecisa. Quando penso em Spencer, eu começo a sorrir. Eu não posso deixar que ele se enraíze em mim. Eu tenho a tendência a me apegar fortemente nos outros, e sair machucadada depois. Mas... ele me salvou.
Levanto-me, estendo a cama, faço minha higiene. Está estranho, a casa está quieta. Normalmente por essa hora, se ele não está no escritório da BAU, está na sala tocando em um teclado que ele periodicamente monta na sala. Vai ser estranho aqui sem o Spencer. A casa é dele, então parece que eu estou literalmente de metida no espaço dos outros. Mas sei que não será problema. Esse tempo sozinha servirá para eu refletir o que irei fazer, afinal de contas.