A Rosa Branca
9 O início da batalha
Genkai e Yukina cuidaram da nova detetive adormecida quando Kurama chegou ao templo.
Sabia que ela estava bem, mas não tinha vontade de voltar para casa. Deu uma volta pelo jardim e percebeu o quanto estava cansado. Havia sido uma noite muito longa.
Notou o tom avermelhado do céu na linha do horizonte. O dia começava a surgir glorioso. Percebeu um vulto conhecido:
––Hiei? Você não deveria estar no mundo das trevas?––perguntou o ruivo.
––Algumas pessoas foram selecionadas para vir ao mundo dos homens para procurar pelos três demônios que pretendem ameaçar a paz por aqui.
––É verdade, como infligiram a lei serão caçados a mando do mundo das trevas––pensou alto.
––Parece que você encontrou com um deles hoje.
––Kuno?
––Sim.
––Ele não é grande coisa.
Hiei riu. Era grande coisa, mas o difícil era ver o youko esquentado a ponto de conseguir aumentar tanto o seu poder.
––Na próxima vez que encontrar com ele, se estiver de cabeça fria, vai ter uma surpresa.
Kurama ficou surpreso, não havia percebido a presença de Hiei próximo a ele em nenhum instante. Teria ele assistido o momento em que se vingava torturando o demônio?
––E ela?––perguntou, encarando a porta que levava ao quarto em que a garota estava.
––É a nova detetive-em-treinamento do mundo espiritual.
––Uhn... Então o mundo espiritual está recrutando mais detetives. Talvez eles não tenham acreditado na paz dos próximos três anos.
––Três anos passam rápido––argumentou Kurama, dando de ombros, com o seu rotineiro sorriso gentil.
Hiei desapareceu no ar, com seus passos rápidos. Era possível ver os flashs dos seus movimentos, indo para longe dali.
Genkai abriu a porta do dojo e saiu para o jardim:
––Kurama. Botan foi chamar os outros, então é melhor que você fique por aqui mesmo.
––Encontraram alguma coisa?
––Não, mas parece que Koenma descobriu uma forma de localizar os demônios.
oOoOo
Abriu os olhos lentamente e focou o teto. O olhar zeloso de uma garota de cabelos esverdeados chamou sua atenção.
––Bom dia!––desejou Yukina, exibindo um sorriso meigo ao perceber que a garota havia acordado.
Sassame se sentou. Estava vestida com uma camisola branca e comprida. Tateou o seu rosto em busca de cortes, mas seus dedos apenas encontraram uma pele uniforme e macia. Olhou os seus pulsos e não viu mais as marcas que havia feito em si mesma quando tentou se libertar. Seus cabelos deslizaram pelos ombros, eles não eram mais vermelhos.
––Onde eu estou?––perguntou ela, notando a arquitetura tradicional.
––No templo da mestra Genkai. O senhor Kurama trouxe você.
––Ah. É mesmo...––murmurou recordando-se da breve conversa que tiveram dentro do túnel.––E cadê ele?
––Saiu há pouco tempo junto com o Sr. Kazuma, o Sr. Yusuke e o Sr. Hiei.
––Ah, eu não conheço nenhum deles.
Ambas voltaram a sua atenção para a mestra que entrou repentinamente no quarto:
––Ah, que bom, vejo que acordou––disse observando Sassame.
––Er... Oi.
––Eu sou Genkai. Kurama teve que sair em uma missão, não sabemos quanto tempo vai demorar. Então, enquanto isso, eu fiquei encarregada de cuidar do seu treinamento. Vista-se, depois do café da manhã, vamos começar o treinamento.
E assim, a mestra deixou o quarto.
Sassame se sentia estranhamente confortável e segura naquele novo ambiente. Ainda um pouco abalada com os últimos acontecimentos, decidiu que o ideal para si era continuar treinando, como a mestra sugeriu. Ela precisava ser forte se queria lidar com toda a nova realidade que via diante dos seus olhos.
oOoOo
––É isso aí, rapaziada––parou Yusuke, repentinamente.
Ele segurava o aparelho-de-localização-de-almas-do-mundo-espiritual, o mais novo apetrecho inventado. Havia um selinho “Versão Beta” no topo da telinha, que o ex-detetive tentou retirar quando o recebeu de Botan, mas acabou soltando uma cola melequenta que fez questão de escorrer pelo visor. Resultado: visão turva e selo ainda preso.
––Eles estão por aqui––avisou Yusuke.––Mas estão meio separados. Está cada um para um canto.
––Vamos nos separar e acabar logo com isso––murmurou Hiei.
O ex-detetive acenou afirmativamente com a cabeça e informou as coordenadas de cada um.
Estavam em quatro para derrotar três inimigos, Yusuke pensou em deixar o aparelho com um deles para que, caso alguém estivesse com problemas, a pessoa que aguardava iria até o local para dar um apoio. Havia essa possibilidade já que o aparelho mostrava, através de números, a quantidade de energia atual de cada pessoa com poder sobrenatural representada na tela.
Mas, antes que desse a sua idéia, viu um poder novo vindo muito rapidamente na direção deles:
––Vem alguém aí!––informou.
Logo, um demônio feio e pouco agressivo se aproximou:
––Hiei, novas ordens––informou ele.
Hiei reconheceu o demônio, trabalhou com ele durante o tempo que capturava humanos que caiam acidentalmente no mundo das trevas e os mandava de volta para o seu mundo original. O demônio de fogo apenas encarou o demônio esperando que ele explicasse.
Já acostumado com a falta de simpatia de Hiei, foi em frente:
––Alguns seres das trevas souberam sobre os planos dos três poderes que vieram para cá. Estão passando pelo buraco que liga os dois mundos para se unir a eles.
––Mas, que idiotas––murmurou Hiei.
––E mais essa agora!––reclamou o ex-detetive.
––Derrotem eles, eu vou para a passagem que leva ao mundo das trevas matar todo mundo que quiser passar––decidiu o baixinho demônio de fogo se afastando junto com o mensageiro.
––Vamos nessa então!––falou Yusuke. Os três concordaram e começaram a correr para suas respectivas coordenadas.
O inimigo de Kuwabara estava mais próximo, não demorou para chegar a um pequeno playground.
Passou pelo escorrega e balanços. Aparentemente não havia ninguém ali.
“Droga, o desgraçado deve ter fugido...”, reclamou consigo mesmo.
––Então é esse tipo de LIXO que o mundo espiritual dispõe para proteger o mundo dos homens?––murmurou uma voz vinda em meio as árvores.
Kuwabara se virou para encarar o inimigo.
––Ora, essa. Você vai ver o que o “lixo” vai fazer com a tua cara!––berrou avançando, mas duas correntes fortes o amarraram. Ele percebeu: de alguma forma, as correntes que prendiam o banquinho do balanço se desprenderam e foram até ele, envolvendo-o.
––Hihihi, parece que você está meio preso... Lixo...
O homem se aproximou. Suas roupas eram bem comuns, apenas uma calça marrom e uma camisa azul claro. Usava óculos redondos e tinha cabelos lisos muito finos e compridos. Os olhos estreitos expressavam diversão e uma leve ponta de desinteresse.
Levantou a mão direita e começou a fecha-la aos poucos. Kuwabara gritou, as correntes o apertavam cada vez mais, quase quebrando os seus ossos.
Quando o homem estava com as mãos quase fechadas. O humano de forte sensibilidade espiritual parou de gritar.
––Ah, mas já morreu?––reclamou o demônio.
Mas, ao invés do silêncio lhe responder, apenas uma risada um pouco debochada vinha do corpo quieto do rapaz.
––É com esse poder que você pretendia dominar o mundo dos humanos?––perguntou se levantando, usando somente as pernas. Não queria mostrar tão rapidamente o seu trunfo.
––Mas, o que?––disse surpreso o demônio. Ele fez o mesmo movimento com a mão. Depois usou as duas. Parecia que as correntes não eram o suficiente para esmagar o corpo do rapaz.
Num grito de fúria, ele tentou novamente, usando toda a sua força. As correntes não agüentaram a pressão e racharam. O demônio admirou, espantado, o “escudo” que envolvia o corpo de Kuwabara. Era a sua espada espiritual que se enrolou e penetrou em baixo das correntes, protegendo-o delas. A espada se desenrolou e voltou para as mãos do seu dono.
––Hehehe––riu Kuwabara em tom de triunfo.––Agora está na hora de voltar chorando para o lugar de onde você veio, seu maldito.
O demônio deu um passo para trás:
––E-espere! Vamos conversar! Os outros estavam me forçando! Eu não queria...!
Mas, Kuwabara interrompeu as desculpas do demônio com um soco rápido e certeiro que fez com que caísse inerte.
Três pessoas do esquadrão especial de defesa do mundo espiritual apareceram.
––Peguem ele––ordenou o chefe.
A moça loira e o narigudo, dois de seus subordinados, pegaram o demônio.
––O nome dele é Linro Zanaka. Bom trabalho––continuou falando.
––Mas, o que é que você está falando aí, heim? Vocês são muito folgado pro meu gosto. Onde estavam enquanto eu estava lutando?––falou Kuwabara.
––Nós já vamos agora. A nossa missão é apenas levar os criminosos para serem julgados.
––Pois já vai tarde.
Kuwabara tinha mais do que motivos para não gostar daqueles subordinados do grande rei Enma. Tentaram executar o seu amigo Yusuke sem um julgamento antes dele renascer como criatura maligna. E Urameshi voltou como sempre foi, provando que Enma e o esquadrão estavam errados em sua decisão.
Assim que os três foram embora carregando o demônio desacordado, Kazuma correu na direção em que acreditava que Yusuke estava indo.
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