A Roleta Russa

1 A Roleta Russa (parte 1)


Notas iniciais
*Em breve será postado a parte 2; *Por favor, deixe seu comentário e críticas respeitosas e construtivas; *Sua interação será importante para que eu prossiga.

O terno era um tanto brilhante e elegante. Ele passava a mão por todo o paletó, acariciando-o e ajeitando-o. Era de longe mal visto naquele lugar. Em todo instante de sua caminhada acenava e sorria discretamente para alguns convidados, uns correspondiam, outros ignoravam ou observavam com repulsa. Continuou andando pelo salão com passos firmes, ligeiros e postura ereta. O garçom passava com rapidez à sua frente quando ele puxou ligeiramente, e com destreza, uma longa e fina taça de Laurent-Perrier. Joe e Meyer observavam de longe, com os olhares fixos, a aproximação de Pierre. Ele continuava a andar, esperando que aqueles a sua frente abrissem espaço para sua passagem. Percebia-se sua rigidez e confiança nas passadas firmes que dava no salão. Deu uma rápida olhada em seu Rolex e passou sua mão esquerda lentamente e suavemente sobre seus cabelos, penteando-os para trás. Perante a mesa, onde estava a dupla que pretendia se encontrar, estendeu a mão, não obtendo resposta, recuo-a vergonhosamente e abaixou a cabeça. Joe apontou para ele com um gesto pedindo-o para sentar, enquanto Meyer olhava para a esquerda com os braços estendidos sobre a poltrona e as pernas cruzadas.

Eu estava do outro lado do salão, esperando apenas o sinal para que começasse a realizar meus serviços. Vez ou outra me encontrava distraído com uma ou outra dama a dançar pelo salão, esbeltas, elegantes, acompanhadas dos "homens das canetas", de altos cargos, salários mais que satisfatórios, mas incapazes de puxar um gatilho para cumprir suas tarefas finais. Por esse motivo usavam homens como eu. Tinha que manter o foco, tentando olhar disfarçadamente de cima os três. O Barman perguntou: "senhor?" e com um leve espanto me virei para trás, ele encheu meu copo com whisky (pelo sabor era escocês). Agradeci estendendo meu copo, logo se virou junto comigo e, quando voltei meu olhar para o foco da noite, percebi que não estavam mais lá. Foram apenas poucos segundos, mas o suficiente para perdê-los de vista.

Imediatamente vesti meu blaser e ainda desengonçado, desci pelas escadas em desespero. Cheguei no térreo, olhei para os lados e não avistei nenhum deles. Correndo e empurrando todos na festa, me dirigi para porta dos fundos, em direção ao beco, pensando que talvez a dupla tenha levado Pierre para um lugar mais tranquilo. De longe o avistei. Estava de costas olhando para o alto. Mesmo em uma longa distância percebi que ele segurava uma pistola colt 1911, com um belo silenciador na ponta. Obviamente não teria escutado o barulho dos tiros, pelo som silenciado da pistola e o barulho dentro da casa de festas . Saquei meu revólver apontando para ele, mas sem chamar sua atenção. Me questionava o que havia acontecido com meus companheiros que estavam ali, estirados no chão, extremamente imóveis, em extensas poças de sangue. Estavam mortos. Por que teriam eles baixado tanto a guarda perante um obstáculo astucioso como Pierre? Qualquer erro que tenham cometido, por menor que fosse, lhes custou a vida.

Com certeza não percebeu a minha presença atrás dele. Sem baixar a guarda, aguardei poucos segundos, e assim que guardou sua arma na cintura eu anunciei minha chegada. "Pare! Se você se mexer eu atiro!". Pierre olhou para mim com um ar de piedade e pôs as mãos na cabeça. Me aproximei dele e dei um chute potente em seu rosto. Sarcasticamente eu disse "Agora vamos brincar de roleta russa".

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.