A Roda do Destino

1 Único - A Roda do Destino


Notas iniciais
Capítulo inspirado na trilha sonora "Red Warrior" do filme "O Último Samurai", pra quem quiser ir carregando: http://www.youtube.com/watch?v=2eouUdcgXBE

Japão, final do século XV.

O forte odor de sangue humano não intimidava mais a Taki, não após anos de treinamento com o seu antigo mestre. Ela sabia que precisava manter o sangue frio para alcançar suas metas. O objetivo era claro. Destruir Soul Edge e evitar que outras almas menos avisadas acabem comprometendo suas vidas igual no dia que vira Toki dominado pelo poder malígno.

– “Eu jamais permitirei que isso aconteça de novo! Soul Edge é um veneno nas almas e precisa ser detido o quanto antes!” – Percebeu uma energia malígna crescer a cada passo avançado, eliminando quem cruzasse seu caminho – “Ele está perto.”

Ao notar milhares de homens desfalecidos, provavelmente fascinados pelo poder da maldição, a caçadora aproximou-se cautelosamente do alvo, ensaiando retirar sua adaga da bainha.

– Eu acredito que um guerreiro do seu nível não precisa depender do poder de uma espada – Disse sorrindo.

– Você de novo? – Mitsurugi encarou a mulher.

– Passe para cá agora! – Retirou sua Rekki-Maru e começou a desferir uma sequência de ataques.

– Se quer tanto, venha pegar à força! – Bloqueou os golpes e contra-atacou usando seu katana, descontando sua ira e repulsa acumulada pela kunoichi nos longos anos disputando pelos mesmos princípios.

– Quanta teimosia! – Pegou sua Mekki-Maru e desferiu golpes rápidos, intercalando as duas adagas.

Uma força densa e poderosa, proveniente do Soul Edge escondido no hakama do homem jogou a ninja para trás. Ela impulsionou a tempo seu corpo à frente, evitando a queda brusca.

O espadachim parecia perder a razão aos poucos. Seus olhos não cintilavam o brilho anterior e sua mente possivelmente começava a ficar obstruído de trevas.

– Esqueça! Ele já escolheu o dono! – À medida que a energia escura envolvia o bushi, suas gargalhadas foram substituídas por gritos de dor e desespero – O que é isso? Está escuro aqui... muito escuro...

Uma chance. A caçadora tinha uma única chance e não podia cometer nenhuma falha. Acalmou sua mente agitada, entrando em estado meditativo. Lançou seu Mekki-Maru e acertou o mal pela raiz numa mira certeira, provocando o desmaio do samurai. Deixou escapar um suspiro aliviado e carregou o desfalecido nos ombros, sumindo ambos no horizonte.

Doce veneno.

Mitsurugi escutou um som de metal sendo batido em outro metal e abriu suas pálpebras. Observou aquele teto estranho e lembrou-se imediatamente dos acontecimentos mais recentes. Pôs a mão na saia e tremeu nervoso, percebendo que seu Soul Edge havia desaparecido.

– Aquela desgraçada! – Ensaiou levantar-se, mas o efeito de um forte torpor e o corpo desobedeceu seus comandos. Segurou-se na parede e ficou em pé a muito custo.

Caminhou pelo estreito corredor quando encontrou Taki afiando compenetrada uma adaga vinculada ao Soul Calibur. A mulher sorria satisfeita, notando a fraca presença do seu rival. Um prazer era ver aquele prepotente chamado Mitsurugi Heishiro tão fraquejado e indefeso.

– O que me diz eu estrear essa maravilha abrindo a sua cabeça anencéfala? – Gracejou num tom irônico e arremessou a arma contra seu hóspede, errando a mira de propósito.

A mão grande apertou a adaga fincada ao seu lado e puxou jogando num canto qualquer. Ela não conseguia parar de sorrir observando o temido guerreiro reduzido a um frangalho nervoso, por limitar-se a gritar ameaças sem fundamento.

– Cadê o meu Soul Edge? – Gritou furioso, voltando a se levantar.

– Vejo que eu preciso explicar sua posição – Recolheu sua adaga jogada – Você se encontra no meu território e ali fora está repleto de Fu-Ma ninjas. Eles não seriam páreos se estivesse em condições normais – agachou-se à altura do intruso – agora acabado desse jeito seria morto.

– Então por que salvou um inimigo? – Fez a pergunta que não queria calar, colocando os argumentos da kunouchi goela abaixo.

Taki tentava não pensar o que a impulsionara salvar um inimigo seu e da clã inteira. No fundo, sabia que agira movida por sentimentalismos. Vira seu mestre engolido pelo Soul Edge e sentira na obrigação de reagir, arriscar e salvar quem fosse que fosse a vítima.

Um silêncio tomou aquele ambiente, mais precisamente entre eles. A caçadora afastou-se do bushi enfaixado e parou a um palmo da fornalha, observando a chama queimar o resto dos carvões.

– Porque a sua morte a céu aberto poderia me trazer futuros problemas – Acrescentou mais combustível, aumentando o fogo – Agora pegue a sua bendita espada – Indicou com a cabeça o katana encostado nos fundos – e desapareça daqui anencéfalo!

Heishiro andou cambaleante mirando sua Shishi-Oh e acabou tropeçando nos próprios pés, agarrando sem querer a kunoichi por trás, que estremecia ante o toque inesperado dos braços fortes. Ele aproveitou o acaso e sussurrou em seus ouvidos num tom sensual: – Eu vou perguntar de novo: Por que me trouxe aqui?

Aquilo certamente era a chance dos deuses para corrigir o erro de tê-lo trazido no vilarejo dos Fu-Mas ao invés de tê-lo matado a sangue frio. O plano era simples. Seduziria o homem no seu quarto e o mataria envenenado. Afinal, além de ser veterana nas técnicas de selamento dos demônios, forjamento de armas, Taki também era especializada na arte da sedução.

– Quer mesmo saber? – Virou-se de frente e perguntou numa voz carregada de erotismo – Venha comigo que eu lhe mostrarei a verdade – Mordiscou o pescoço arrancando um gemido e ofereceu-se de apoio pros braços musculosos.

– Eu mal posso esperar – Correu seu olhar pela kunoichi, como se olhasse um objeto extremamente cobiçado.

Ajudou ele a caminhar e levou-o de volta ao quarto que ficara hospedado. Soltou seus cabelos negros dando um ar de safada, arrancou sua máscara fora e empurrou o dono hipnotizado pela sua beleza, massageando o peitoral talhado em músculos de bushi com calcanhar.

Atirou seu peso em cima do abdômen e passou a torturá-lo de prazer, roçando, chupando, sugando o pescoço do homem enquanto metia uma mão na nuca e outra por dentro da saia, apertando o membro enrijecido. Mesmo que não passasse de mais uma vítima de suas técnicas mortíferas, no fundo estava adorando apreciar aquele maldito samurai submisso aos seus toques, tremendo, gemendo e contorcendo de desejo. Quem imaginaria que Mitsurugi Heishiro morreria de uma forma tão ridícula?

– Mas já está desse jeito? – Falou por fim, sabendo que logo o efeito do veneno tomaria conta das veias do miserável.

Ao sentir-se provocado, o espadachim mencionou se levantar quando notou que o prazer deu lugar ao cansaço e a dor. Tudo foi rápido demais. Num segundo a boca ganhou um tom esverdeado e a pele empalideceu. Esquecera que ninjas não eram confiáveis e entendera tarde demais que fora enganado. Nem teve tempo de falar algo, a escuridão chegou antes.

Nesse momento, um leve vazio cutucou a alma da caçadora de demônios. Ela ignorou suas emoções, o que acostumara a fazer desde que entrara nesse caminho de ninja e arrastou o corpo inerte no lado de fora, carregando o defunto para fora da vila e largando na névoa florestal.

Os próximos dias passaram sem grandes tumultos. Nesse intervalo, Taki vinculara o Mekki-Maru ao Soul Edge obtido através do falecido samurai. Apesar da aparente calmaria, uma inquietação cutucava seu espírito. Sua intuição bem conhecia aquela ansiedade e sabia que algo estaria prestes a acontecer.

E naquela manhã gelada, batidas incessantes na porta desconcertou a sua meditação matinal. Seguiu apressada e encontrou um mensageiro gravemente ferido e quase inconsciente.

– Fomos... invadidos... – O mensageiro balbulciou essas falas e desmaiou em seguida.

O responsável era desconhecido. Quem invadiria uma vila oculta aos olhos nus? Nem as máximas autoridades do país sabiam a localização do Fu-Ma no Sato, mesmo desconfiando da sua existência em algum canto do Japão. Na verdade, temiam e não faziam questão. Também pudera, a região era infestada de armadilhas perigosas e ninguém em mente e corpo são tentaria aproximar-se dali.

A mulher passeou seus olhos curiosos e atentos nas redondezas, vendo que as casas ainda não foram atingidas. Deixou escapar um sorriso de canto, tomada por um contentamento inexplicável.

– Ótimo – Admirou sua arma – Estrearei a minha Mekki-Maru evoluída nesse tal invasor.

Saiu da zona habitada e correu desviando das arapucas esparramadas. Entrou na vasta floresta, seguindo seu instinto. Ao escutar gritos, escondeu-se nas árvores, ocultando inclusive o ki. Aquela presença forte, intensa e explosiva cortando os shinobis numa força incomum. Aquilo não era uma ilusão de ótica!

– “Não pode ser. Ele está morto!” – Pensou surpresa.

A destreza e a resistência do espadachim era desumana. Os cabelos presos num rabo de cavalo, ombros avantajados e corpo cheio de cicatrizes metido numa ombreira de lado único eram suas marcas registradas. O rosto de traços másculos e olhos negros pareciam mais vivos que nunca.

Não era à toa que ele era diferente de qualquer outro bushi. Mitsurugi Heishiro era e sempre seria o único.

Cuspiu no moribundo e pisoteou sua cabeça, chutando o corpo imóvel perto dos outros cadáveres.

De repente, dois Fu-Ma ninjas surgiram por entre os galhos num ataque surpresa e cairam atingidos. Ficaram aterrorizados e começaram a recuar sentados, batendo seus traseiros nos bambus. No ato que a Shishi-Oh foi levantada ao céu, uma bomba salvou a pele dos acuados. Como se já soubesse quem salvara os shinobis, o homem não se surpreendeu ao perceber a nova sombra surgir no meio da fumaça.

– Até que enfim você apareceu – Tirou as agulhas guardadas no hakama e atirou na cara da kunoichi – Achou que ia morrer com isso vadia?

– Eu lhe subestimei confesso – Colocou a mão nas bainhas, retirando as duas lâminas.

– Aonde está o meu Soul Edge? – Correu desferindo um golpe potente, sendo bloqueado pelas duas adagas.

– Não vê que está logo na sua frente anencéfalo? – Sorriu debochado e revidou com uma sequência de combo intercalado de cortes e chutes tranquilamente defendidos.

Um enfrentando o outro olho no olho, dente por dente e braço no braço, num choque de forças destrutivas que sacudiam o solo, transformando a floresta num cenário de batalha. Ninguém queria ceder.

Num lado, a caçadora de demônios que fora a discípula favorita de Toki, um exímio caçador e um respeitado líder do clã Fu-Ma e no outro o samurai andarilho, reconhecido pelo poderoso senhor das conquistas Uesugi Kenshin como grandioso guerreiro. Ali a regra era única. Vencer ou perder. Nada de meio termos.

Tanto o bushi quanto a kunoichi ficaram cada vez mais concentrados, quebrando as defesas e intensificando os ataques. Uma sincronia perfeita entre a velocidade e a força. Leveza e rigidez. Inteligência e ignorância.

Assim a árdua batalha se estendeu horas a fio e os primeiros sinais de esgotamento ficaram evidentes em ambos. Difícil era definir o vencedor, justamente por ser um duelo tão balanceado. Um precisaria apelar mais, caso contrário o combate continuaria a perdurar e nunca teria fim.

O metal das adagas e do katana se cruzando pela milésima vez. Homem contra mulher. Orgulho contra orgulho. Naquele momento tão crucial, um mínimo de descuido poderia colocar tudo a perder.

Heishiro forçou mais e mais a Shishi-Oh e finalmente desarmou a inimiga, que deixou a máscara facial cair, revelando sua beleza de feições marcantes.

– Devolva logo! – Imaginou uma chama escura, concentrou-se todos os seus desejos, receios e ânsias nessa imagem até sentir a mente totalmente vazia e liberou a carga psíquica na espada, brandindo a técnica Amakagura.

– Se eu dissesse que não tem mais volta... O que faria? – Escapou do poderoso golpe com certa dificuldade, apanhando as armas caídas – Ou acaso essa ira tem outro motivo? – Pulou bem alto, descarregando toda a energia concentrada.

– Eu odeio que me façam de otário! – Afrontou as investidas aéreas, batendo lâmina contra lâmina.

– Não está acostumado com mulheres espertas? Ou acham que homens são a cabeça do Universo? – Recuou alguns passos, pressentindo que não aguentaria muito tempo segurando o impacto das forças.

– Cala essa boca! – Desarmou as adagas e acuou a Fu-Ma ninja no chão, ficando por cima do corpo altamente desejável.

Vencedor definido.

Um encarando intensamente o outro, num encontro de olhares que tremiam as almas. As respirações acelerando junto com os batimentos cardíacos e a adrenalina correndo solta nas veias, sentiram-se ambos cutucados nos segredos mais profundos.

Nada impediria Mitsurugi Heishiro satisfazer seus desejos desta vez com a maldita kunoichi que não saia da cabeça. Nada! Muito menos agulhas, dardos ou qualquer coisa que aparecesse na sua frente. E não esperou um segundo mais.

Segurou-a firme na nuca e tomou a boca de uma só vez, enquanto subia seus dedos, desatando o nó do rabo num movimento único. Queria vê-la livre o mais rápido possível das amarras que prendiam aqueles longos cabelos assim como do orgulho que a impedia entregar os pontos. E então espremeu brutalmente a mulher nas folhas caídas de bambu, forçando a lingua naqueles lábios esquivos, num ato de domínio, mostrando quem comandava a situação.

Taki tentava a todo custo não ceder as investidas do homem, afinal, não era qualquer um, era seu inimigo mortal, seu rival na busca de Soul Edge e continuaria a ser pela eternidade. Quis fugir, matar e enterrar seus pensamentos mais ínfimos que nutria por aquele insolente. Achou melhor ter morrido, ao invés de estar sendo torturada... de prazer.

A consciência da kunoichi se perdia pouco a pouco naquela boca perfeita invadindo a sua e o corpo a desobedecia lentamente naqueles braços fortes enroscando nos seus. Ninguém despertara tantas sensações únicas. O sexo jamais passou de um mero instrumento para arrancar informações confidenciais ou pertences importantes. Agora estava ali fazendo papel inverso, custando a não rebolar, gemer e tremer debaixo daquele que quase matou a agulhadas.

Era uma tortura sem fim. Quanto mais a caçadora negava seus anseios, mais intensificavam as arremetidas e ela sabia que quando os olhares se chocarem de novo, estaria completamente perdida neles. “Não... Eu não posso...” Ela protestava de forma desesperada, lutando contra o próprio corpo prestes a entrar em ebulição, enquanto sentia a boca faminta correr por entre seu queixo e pescoço, em fortes mordidas, a deixando marcada de chupões. Aquelas seriam as primeiras marcas... de muitas que estariam por vir.

– Pare... pare... – Uma súplica imprópria demais pra quem estava espremida no chão, ofegando por ele.

– Quer mesmo que eu pare? – Encarou seu olhar no olhar dela, esperando uma sentença que não viria por meio de palavras.

Sentiu o último fio da razão desmoronar e puxou-o pelos cabelos negros, pressionando sua boca na dele como resposta, beijando num misto de paixão e raiva, quase que descontrolada, mostrando seu lado vulnerável ocultado na máscara de fria caçadora de demônios. E naquele instante, a atração que acumulara muitos anos por ele caiu por terra, virando refém da sua luxúria.

As bocas se entreabriram numa sincronia perfeita, explorando-se cheio de fome, cheio de pressa. Um explorando o outro a céu aberto, diante de quem quisesse ver. O impossível estava acontecendo num lugar mais improvável ainda: No território dos Fu-Ma ninjas. E o que importa? Não existia espaço pra razão, mandamentos e honras. Oras, se fosse necessário, matariam o imbecil que cruzasse seus caminhos.

Inconsequentes.

Eles continuaram a se explorarem com frenesi, e vez ou outra, as mãos apressadas da Taki enroscavam nos ombros largos na intenção de livrá-los das pesadas ombreiras além das outras peças que revestiam o restante do corpo, mas os braços ligeiros sempre a impedia de seguir em frente. Queria torturá-la assim como fora torturado por ela naquele quarto e mostrar quem era o verdadeiro mestre na arte da sedução.

Arrancou todas as partes de metal que cobriam a mulher, fazendo-a lamber a grama, e deslizou o zíper abaixo do colo. Subiu uma mão nos seios sem permitir que a shinobi encarasse seus olhos descarados e meteu a outra na intimidade, e mordeu os ombros expostos, amando escutar os gemidos incontidos que ela dava a cada remetida sua. As pernas se abriam, a cada estocada, impulsionando Mitsurugi a forçar seus dedos, em movimentos cada vez mais rápidos e intensos naquela cavidade tão convidativa.

– Ahh... continua... vai insolente... – Sentia algo diferente de tudo que experimentara na vida e ele continuava a estocá-la forte, vendo que ela não aguentaria muito tempo.

– Eu ainda vou fazê-la implorar por mim... – Tirou a mão do clítoris e fez encará-la de frente. Tragaria todo o prazer na garganta.

Afundou a cabeça no meio daquelas pernas submissas, mordendo-lhe o sexo, lambendo. E ela gemeu mais alto, travando suas unhas nos cabelos do samurai, tremendo e gozando deliciosamente na boca do Heishiro, que sorria vitorioso. Uma doce vingança. A caçadora jamais tivera um orgasmo tão perfeito. Nem Toki conseguira despertar tantos prazeres delirantes quando tirara sua virgindade. Fizera mecanicamente, sem sentimentos. O que diria seu mestre se a flagrasse entregando-se a um inimigo da clã?

A kunoichi aproveitou o estado de delírio do homem e ficou por cima da tez marcada por cicatrizes compridas e assimétricas que ganhara nas infindáveis batalhas. Era a sua vez de revidar e dar-lhe prazer. Livrou-o de todos os empecilhos que encobriam seu corpo, no mesmo desejo de vê-lo completamente despido. E prendeu-o segurando nos pulsos e roçou de leve a sua cavidade na extensão dos testículos, calando seus protestos. Largou os punhos e deslizou seus dedos no membro rijo, iniciando um sobe e desce torturante. Um desafio, e Mitsurugi não queria perder. Com as mãos livres, forçou Taki descer de si e ficou de quatro nela, prendendo-a pelos braços, forçando-se dentro dela, que gemeu extasiada.

– Acho que ia ser como daquela vez?

Deslizou a boca no pescoço ao ventre, enquanto estocava mais forte, em movimentos rápidos. Sabia que a mulher iria gozar logo, então obrigou-a encarar o chão e penetrou-a por trás masturbando o sexo molhado ao mesmo tempo, aumentando a velocidade e a força, sem dar chances pra ela fugir. Faria, fosse o que fosse, a audaciosa clamar seu nome, num grito que a floresta inteira pudesse ouvir. Fez a encarar nos olhos e violou seu desejo inchado na intimidade apertada, cavalgando célere, a penetrando, gemendo e tremendo junto.

– Ahhh... Heishiro... vai... continua... não pára... – Taki sentiu um líquido quente rasgar dentro de si.

E ele continuou a penetrar fundo, num vai e vem alucinante, despejando outro jato poderoso de volúpia que alojou violento no sexo molhado.

Um caiu ofegante em cima do outro, suados e saciados, entregando-se ao cansaço daquela experiência tão fogosa e única. Os dois ficaram deitados, recompondo o fôlego perdido.

Atração irresistível.

Vestiram-se rapidamente, como se quisessem evitar um novo contato explosivo. Taki não resistiu o silêncio e apanhou sua Rekki-Maru esquecida no chão, agarrando-o pelos ombros, apontando a lâmina na altura do pescoço de Mitsurugi.

– Não vejo utilidade nenhuma do Soul Edge parar nas mãos de um caipira como você – Aproximou os rostos, resistindo a ânsia de beijá-lo.

– E eu acho mais fácil você falar que quer outra vez ao invés de me provocar... – Sussurrou nos ouvidos, provocativo.

E a invasão de um nukenin fora o suficiente para quebrar o clima entre eles, e a shinobi mostrou seus dotes e brandiu a adaga sobre o estraga-prazeres numa mira certeira, atingindo o infeliz, que caía desvanecido. A caçadora saiu de perto do hálito quente que ecoava em sua boca para recolher seu Rekki-Maru.

– Agora esqueça o que aconteceu aqui e desapareça da minha frente antes que eu mude de idéia – Amou observá-lo morder a isca e chutar o intruso que cruzara seus caminhos e roubar-lhe um tórrido beijo. Caira na própria armadilha.

Ali mesmo na relva, onde tudo começara, amaram-se até o entardecer em intensas gargalhadas, gemidos e chupões. Um gozando no outro, naquela disputa sem perdedores e vencedores. Taki nunca se sentira tão fraca e desejada. Por breve momento pensara que não viveria sem o bushi enroscando no seu corpo e na sua alma, autoritário. Aquilo realmente era muito pior que alucinógenas manejadas pela kunoichi para derrocar inimigos. Estava refém da droga mais poderosa que fazia qualquer objetivo parecer menos importante: nos braços do Mitsurugi Heishiro.

Taki livrou-se cautelosamente do braço jogado sob suas costas, saindo debaixo do samurai nu que dormia sereno ao lado. Em meio segundo, estava vestida e pronta para retornar a vila oculta dos Fu-Mas.

– Vê-se não morre – A shinobi ajustou os braceletes, recolhendo seu disfarce – Apesar que esse daí nem serviria de comida pros peixes... – Correu seu olhar malicioso nele e encaixou a máscara no rosto.

Hesitou deixá-lo indefeso, sem armaduras. Aquietou-se ao lembrar que não lidava com nenhum samurai ordinário, era ele que sobrevivera as agulhadas mortais. Mesmo assim temia nunca mais poder sentir a pele arder no calor daquele corpo tão viril. Então ela resolveu permanecer nas redondezas de vigília, mantendo certa distância. Não tardou a ouvir a voz sonolenta do maldito, que não protestou o sumiço seu. Era esperado que desaparecesse sem deixar rastros. Se permanecesse, não resistiria áquela voz sensualmente rouca.

– Tch... Aquela vadia se escondeu de novo... – Amarrou a faixa do hakama e ajustou as enormes ombreiras, amarrando os cabelos no prendedor – Eu sei que está por perto, por isso apenas escute com atenção: Você ainda vai pedir para ser minha mulher e implorar por mim todas as noites!

– “Hum... ou seja, aparecer agora não vai ser uma boa idéia” – Sorriu cheio de malícia e desapareceu na imensidão dos bambus com um brilho diferente em seu rosto, ignorando o som dos metais invadir seus ouvidos.

Ali naquela floresta, um samurai e uma kunoichi se tornaram além de rivais e inimigos mortais. Afinal, Mitsurugi Heishiro fora o único capaz de invadir a alma da caçadora de demônios.

Não se sabe o que o destino reservara aos dois. Mas eles sempre se desejariam cada vez mais... sempre mais. Sabiam que ninguém acalmaria seus corações inquietos. As chamas de desejo da Taki, somente Mitsurugi poderiam saciar.

FIM

Notas finais
Não tive como postar em cima das versões antigas (mas não deletei para preservar os comentários) porque tirei muitas "incoerências" e acabou ficando tudo num capítulo só. Espero que tenham gostado. Se leu, não esqueçam de deixar um comentário, faz um bem DANADO pros escritores! ;*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!