A Revolta das Máquinas
7 07 - Planos Ocultos
Ele atravessou a rua que dava direto para os dormitórios e seguiu seu rumo. Sua dor e cabeça agora estava mais forte, latejava como se tivesse colocado sua cabeça dentro de uma bateria.
Ele tentou relembrar o caminho que fazia até o dormitório.
— Boa noite, soldado! — saldou algum outro soldado.
O garoto retribuiu, mas retomou seu caminho o mais depressa possível.
Assim que chegou a seu dormitório, onde todos os estavam dormindo, ele despejou todas as pílulas no banheiro e analisou o local a procura de espiões.
Logo depois colocou seu pijama e foi direto na cama cozinha.
A garota parecia dormir como um anjo, havia um leve sorriso na sua boca, o que indicava que estava em um sono bom.
— L. — balançou o ombro da garota — Você pode falar comigo?
— Eu tenho uma segunda opção? — ela falou ainda com os olhos fechados.
— É urgente!
— Tá legal!- ela levantou a cabeça do travesseiro, que parecia estar grudado a seu rosto, e sentou na beirada ao alcance do garoto. — Do que se trata?
O menino retirou o frasco de pílulas vazio do bolso e mostrou a garota.
— Eu sei que foi você que contou ai general. — A garota pegou o frasco da mão de M e analisou-o.
— Desculpa, mas tive que contar. — ela retirou seu frasco de remédio de algum lugar da cama e mostrou ao M — É obrigatório todos tomaram suas doses todas as manhãs.
— E se não tomássemos?! — seus olhos se arregalaram com a possibilidade.
— Isso pode trazer efeitos negativos ao seu desempenho nos exames. — ela chegou mais próximo do garoto — Você quase foi reprovado por isso. Por favor apenas continue tomando seus remédios... amanhã nos pediremos mais ai general e tudo estará resolvido.
M tomou seu frasco da mão da garota e virou-se de lado tentando evitar contato visual.
— Pensei que você poderia me ajudar... mas vejo que você faz parte desse bando de idiotas também.
A garota levantou de sua cama e deu-lhe um soco.
— Nunca mais me chame de idiota. Seu bocó. — ela apontou seu dedo indicador no rosto do garoto e depois riu.
Os dois riram em conjunto, fazendo o maior esforço para não acordarem os outros membros da equipe.
Ela deitou na mesma cama ao seu lado, um de frente para o outro e ficaram se olhando por um bom tempo.
— Você é nosso líder, Marcus. — ela interrompeu o silêncio. — precisa de cuidar, e com isso me refiro as pílulas.
— Já basta desta história.
— Ok então. Do que iremos falar então?
Marcus olhou ao redor para conferir se todos ainda estavam dormindo. Estava tudo limpo.
— Você vai comigo amanhã? — ele arqueou as sobrancelhas.
— Já falamos disso e você sabe que eu acho um pouco ariscado.
— Ah qual é. Onde está aquela Lisa que eu conheci há algumas semanas? A aventureira e destemida que não aguentava mais viver nesse lugar?
A garota olhou para cima em busca de reposta. Ela também não sabia como havia se tornado aquela certinha.
— Talvez você tenha razão sobre as pílulas. Talvez elas mudem mesmo as pessoas.
— Vem comigo. — Marcus implorou — não sei se consigo ir sozinho, mas com você ainda tenho coragem.
— Assim eu me apaixono. — a garota sorriu. — não gosto de homens pegajosos.
Os dois se olharam por mais alguns minutos. Olhos de Marcus imploravam para que a L fosse com ele.
— Por favor.
Ela olhou fixamente para ele do jeito mais incrível do mundo e disse:
— Convença-me!
Marcus analisou seu olhar cor de mel e sua boca tão macia e não pensou duas vezes e a beijou.
— E então? — ele perguntou após o beijo
— Confesso que esperava mais. — disse a garota sarcástica.
— Você é péssima. — disse o garoto.
— Organize motivos para que eu vá com você.
Ele levantou de sua cama e foi até seu armário sem fazer barulho. Retirou um papel amassado de uma das prateleiras e entregou a L.
— É por isso que quero fugir.
Lisa abriu o papel e viu o que havia nela.
O homem abria um sorriso alegre e descontraído, sua face velha entregava quantos anos havia vivido, ao seu lado uma linda mulher, também sorridente, abraçava o marido com vontade e parecia seu momento mais feliz. Logo abaixo um garoto com o rosto amarrado e com os braços cruzados pousava ao lado de seu irmão, aquele Era Marcus.
Era uma fotografia.
— Eu ainda creio que minha família pode estar lá fora. Me esperando. Esse é o motivo de minha fuga — Ele analisou o olhar da garota para a foto — Você não acha que a sua também pode estar viva? Não tem vontade de vê-la?
O silêncio veio de novo, desta vez era perturbador.
— Amanhã de manhã você me passa todo o plano. Então durante a missão nós fugimos. — ela levantou a foi para a sua cama.
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