A Resistência
23 22- Alex: Estamos sozinhos
Nicolas, Julia e Kamila me ajudaram a manter o exército em posição até o momento em que chegamos na sede. Depois, mandei Jack Hord (um dos caras que conheci com os fugitivos) apresentar a sede aos resistentes.
Julia e Kamila se viraram pra mim, com as sobrancelhas erguidas.
_Podem nos explicar o que aconteceu na última semana?_ Perguntou Kamila, no seu tom irritante.
Eu e Nicolas suspiramos e começamos a explicar. Basicamente, o plano era fazer Nicolas ganhar a confiança do Marechal ao salvar o mesmo da minha tentativa de assassinato (de mentirinha, claro). Na nossa primeira patrulha, havíamos encontrado o grupo de pessoas que foram expulsas da Resistência (a maioria Lecionadores, mas outros eram apenas soldados que tentaram denunciar o Marechal). Eles tentavam começar o plano de revolução, com a ajuda de algumas pessoas de dentro da Resistência, mas era difícil, pois muitas pessoas tinham medo de ser expulsas também. Quando Nicolas entrou na Elite, e começou a tentar recrutar pessoas para o plano, os resistentes perderam o medo.
_Tá, mas por que não contaram pra gente?_ Perguntou Julia, com as sobrancelhas arqueadas. _Por que nos deixar de fora do plano?
_Pra proteger vocês._ Eu disse. _Fazer parte do plano era, e ainda é, um risco.
_Eu quase fui pego._ Disse Nicolas, olhando para o nada. _Duas vezes, eu quase fui pego.
_Se o Marechal descobrisse Nicolas, ele iria atrás de vocês._ Falei.
Elas se entreolharam, e pareceram convencidas.
_É bom ver vocês de novo._ Disse Kamila.
Eu sorri.
_Depois eu que sou o frouxo.
Nós quatro rimos, e por um minuto, nada daquilo pareceu real. Mas de repente, o sorriso de Julia desapareceu, nos trazendo de volta à realidade.
_O que vamos fazer? Quer dizer, depois que o papai voltar?
Eu percebi que ela fez certo esforço pra dizer “depois que” e não “se”.
_Temos a vantagem numérica._ Falei. _Nos dois lados, são 800 pessoas no total. Com todos os membros que pudemos reunir temos 500 pessoas, e dessas 500, 200 ficaram na defesa. Vamos torcer para que essa vantagem numérica se mantenha.
Na distância, o combate podia ser ouvido.
_É._ Concordou Kamila. _Vamos mesmo.
Eu olhei para a sede.
_Já volto._ Avisei.
Fui em direção a Jack e Ruth (uma garota que naquele momento era pra mim o que Lívia era pra Nicolas).
Jack tinha olhos verdes e cabelo preto. Tinha 17 anos de idade, mas parecia bem mais novo. E quando eu digo bem mais novo, eu quero dizer que o cara parecia ter 12 anos. Apesar disso, ele tinha quase tanta maturidade quanto meu pai. Ele era um Lecionador.
Ruth era uma soldada, com cabelos ruivos e olhos cinza. A primeira vez que a vi eu fiquei paralisado e falei algo muito inteligente do tipo: “Hã,dar”. Ia completar 16 anos dali a duas semanas, e era a garota mais linda que já vira.
Ao me ver, Ruth foi ao meu encontro e me abraçou.
_Você foi bem lá.
Eu ri.
_Eu sou demais.
Ela me deu um tapa, mas sorriu.
Jack se aproximou. Ao lado dele, estava Nora. Nora não era muito de lutar, mas não porque não sabia. Ela era uma ótima espadachim, e devia ver a mira dela. Você não gostaria de entrar na frente dela em meio a uma guerra. Nora me dirigiu apenas um sorriso.
_Estamos organizados?_ Indaguei.
Ele deu de ombros.
_Tanto quanto poderíamos estar com 300 pessoas num lugar como esse.
A sede não era o tipo de lugar espaçoso. Eu estava prestes a perguntar algo a mais pra ele, quando Julia me chamou.
_Eles voltaram!
Eu quase a corrigi, dizendo que eles nunca estiveram ali pra voltar, mas me detive ao ver que meu pai e Hansome não estavam à vista. Era Renne quem liderava o grupo.
_O que houve?_ Perguntei.
_Conseguimos nos organizar bem, eles tiveram 100 baixas.
_E nós?_ Perguntou Nicolas. _E quanto ao meu pai e Lívia?_ Ele esticava o pescoço, mas eu tive um mau pressentimento.
_50 baixas do nosso lado. E..._ Sua voz falhou. _Entre essas baixas estavam... o General Linz e Lívia.
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