A Resistência

20 19- Nicolas: O Marechal é ameaçado


O cinto onde o projeto estava preso pesava mais do que deveria. Eu tinha certeza de que era apenas a minha mente, mas isso não fazia com que eu ficasse mais tranquilo.

_Cumpra sua parte, Alex._ Falei quando saímos da Resistência.

O que as pessoas pensavam que a gente ia fazer era arriscado. O que realmente a gente ia fazer, nem tanto.

Basicamente, o Marechal tinha um plano para acabar com os ninhos de Exodus. Era um dispositivo retangular cheio de fios e botões, que quando acionado ia causar uma explosão capaz de destruí qualquer coisa num raio de 10 metros. Hoje, íamos colocar esse dispositivo em ação, tentando destruir um dos ninhos. O que o Marechal não sabia é que eu ia levar os capangas deles para um ninho vazio, onde Alex estaria me aguardando.

_Por favor, Alex._ Pedi, mesmo ele não estando ali. _Não estrague tudo.

Finalmente, eu e os outros membros da Elite chegamos ao ninho.

_E então, Nicolas?_ Disse Paul, um dos membros da Elite.

Eu estava liderando a missão. Consegui a confiança do Marechal bem rápido, mas isso não importa. Eu respondi a Paul:

_Vamos entrar, tentar chegar ao centro do ninho. Se não tiver Exodus, não vamos ativar o dispositivo Entenderam?

Os outros cinco membros da Elite que me acompanhavam assentiram, com caretas. Claramente não gostavam de ser liderados por um garoto de 16 anos.

Entramos no ninho vazio. Andamos pelo que pareceu uma eternidade, mas foram só 10 minutos. Quando finalmente chegamos ao centro do ninho, a voz de Alex soou:

_Elite, trago um recado pra vocês.

Com um susto, os cinco membros da Elite pegaram suas armas. Eu puxei minha espada com a mão esquerda e a pistola com a mão direita.

_Alex!_ Grunhi.

_Irmão, avise ao Marechal que ele deve renunciar a liderança da Resistência em uma semana, ou haverá guerra.

Esperei.

_Do que está falando, Alex? Venha aqui e mostre-se.

A risada de Alex soou assustadora, quase como se não fosse dele.

_Os fugitivos estão se erguendo irmão, e eles querem vingança. Ou o Marechal renuncia, ou sangue será derramado. Este é o meu aviso.

Então Alex se calou, e eu sabia que a sessão havia acabado.

_Ele deve estar aqui._ Disse Paul. _Podemos ir atrás dele.

_Não!_ Falei. _Viemos aqui para cumprir uma missão, e perseguir meu irmão não faz parte da missão. Vamos voltar.

_Mas Nicolas...

_Ou talvez você queira enfrentar o Marechal, Paul._ Eu olhei pra ele, desafiador. Paul abaixou a cabeça. _Foi o que pensei. Vamos voltar.

Chegamos a Resistência com uma multidão esperando por nós. Minhas irmãs estavam no meio da multidão, e pareceram querer falar comigo. Eu fiz um sinal para que elas esperassem e subi para a sala do Marechal.

Quando terminei a história, o Marechal tomou uma expressão pensativa.

_Uma semana?_ Indagou.

_Sim, senhor.

O Marechal sorriu.

_Seu irmão é maluco, senhor Nicolas.

Era estranho ouvir aquele velho me chamando de senhor, mas deixei pra lá.

_Se ele pensa que pode nos destruir com esse exército que temos..._ Ele riu, se divertindo com a ideia de Alex e o exército dos fugitivos lutando contra o exército da Resistência.

_Senhor?_ Chamei.

_Sim?

_Como o senhor vai proceder?

Ele olhou pra mim, com um olhar curioso.

_Não vou renunciar._ Disse ele, exatamente como eu esperava. _Mande os generais e os comandantes treinarem 20% de suas tropas.

Eu franzi a testa.

_Só 20% senhor? Acha que vai ser o suficiente?

O Marechal riu de novo.

_Sim, Nicolas, acho que vai ser até mais do que suficiente. Dispensado.

Eu saí da sala do Marechal, e não pude evitar de sorrir.

_20% é?_ Eu ri. _Prepare-se para enfrentar 50%.