A Resistência

19 18- Kamila: Nicolas ganha uma missão


Voltamos ao prédio na hora do almoço. Assim que entramos no refeitório, todos os olhos se voltaram para nós. Eu procurei a mesa onde Lívia (como Alex a chamara mesmo? Hansome?) e Renne estavam. Fui me sentar junto a eles. Não esperei que Julia me seguisse, mas ela seguiu.

_E aí?_ Perguntou Lívia, com certa preocupação na voz. Não, preocupação não. Expectativa.

_E que... bem, ele diz que achou um lugar onde ficar._ Informei. _Disse para sermos boazinhas com Nicolas._ Franzi a testa. Havia colocado um ênfase quase maldoso quando falei “boazinhas”.

Renne bufou.

_Seu irmão confia demais nas pessoas.

Eu olhei pra ele.

_Você está certíssimo.

_Ele é bondoso._ Disse Lívia, balançando o braço de Renne. _É diferente. Nicolas só estava... assustado.

Franzi a testa, perguntando-me por que ela defendia Nicolas. Resolvi não perguntar isso a ela em voz alta.

Julia parecia estar a quilômetros de distância dali.

_Temos que bolar um plano para tirar Alex dessa.

Nós olhamos pra ela.

_Seu irmão não ia querer isso._ Disse Lívia.

Os olhos de Julia pareceram faiscar.

_Você não sabe nada sobre ele!_ Exclamou. _Você não pode...

Renne segurou sua mão.

_Julia, fica calma. Hansome infelizmente tem razão, Alex não ia querer que vocês bolassem um plano para ajuda-lo.

_O cabeça-dura._ Resmunguei. Renne me ignorou.

_Bones é forte._ Declarou. Eu me perguntei por que o apelido de Alex era “Bones”. _Vai sair dessa.

Julia pareceu ter sido convencida. Ela e Renne ficaram se encarando por alguns segundos, até que um alvoroço veio do salão principal. Sai do refeitório, acompanhada por Julia e algumas outras pessoas curiosas. Lívia e Renne, por algum motivo, ficaram.

O motivo do alvoroço era que um bando de membros da Elite estava saindo para uma expedição. Nicolas estava entre eles. Sem pensar muito, fui até ele, para perguntar o que estava acontecendo.

_Lembra daquele dia, na masmorras?_ Perguntou-me.

Assenti.

_O Marechal descobriu que os Exodus não resistem muito bem ao fogo. Ele criou uma espécie de bomba incendiária que é capaz de destruir um ninho deles inteiro. Vamos começar a limpar esses ninhos, para que Aeon consiga ser livre e pacífica.

Ele falou aquilo quase que mecanicamente. Eu pude ver que ele estava pálido, e pude ver resquícios de medo na sua expressão.

_Por que está fazendo isso Nicolas?_ Perguntei. _Por que fez tudo isso?

Percebi que havia desespero em minha voz. Nicolas olhou pra mim, mas sua expressão não era distinguível. Ele parecia olhar através de mim, e não pra mim, e ele não tinha emoção alguma estampada no rosto.

Eu o abracei.

_Volte vivo.

Ele assentiu, e saiu junto com a Elite. Eu fiquei ali, vendo meu outro irmão saindo da Resistência.