A Relíquia Perdida
10 Capítulo 9 - Empecilhos
— Não que eu esteja reclamando... – murmurou Albus de forma frustrada, soltando um longo suspiro, o moreno levantou seus olhos claros e fitou Elizabeth a sua frente, ele sorriu ao se lembrar que ela sempre o escutava, e sempre fingia entender bulhufas de qualquer coisa que ele falava – Mas você não precisa ouvir isso – disse ele se aproximando e colocando uma madeixa loira atrás de sua orelha – Vamos falar de outra coisa.
— Não, eu gosto de ouvir seus problemas – disse ela gentilmente, Albus continuou sorrindo, tentando se lembrar quem fora à última pessoa que não se importou de ouvi-lo, não conseguiu pensar em ninguém.
— É só que, James tem o papel do melhor em quadribol e descolado, o cargo de mais inteligente foi pra Rose, e ninguém consegue ter a beleza aos pés de Dominique e Fred... Roxy é a problemática, Molly e Lucy são as queridinhas, Lily e Hugo, por incrível que pareça, os mais maduros de todo o grupo e o bom... O Louis é o Louis, ninguém consegue ser tão absurdo como ele. E por mais que eu tente, eu sempre fico a sombra, não consigo alcançar nenhum deles... E bom, o fato de eu ter sido batizado de Albus Severus, significa que as pessoas querem que eu faça algo especial, certo? Mas sempre que consigo algo, alguém da minha família já conseguiu primeiro – finalizou ele encostando a cabeça na velha e suja parede de maneira da casa dos gritos, Elizabeth que até então estava com as penas sobre o colo do moreno as retirou e se ajeitou de modo a ficar sentada de frente ao garoto.
— Na verdade não – disse a garota – Você é o primeiro de sua família, e olha que ela é grande, a ir pra Sonserina, e agora eu entendo porque foi selecionado pra lá.
— Mas um motivo para eu ser o anormal da família... – disse o moreno sem ressentimentos na voz.
-Mas continua sendo um grande feito, e não me diga que você preferiria a toca de leões – supôs a loira soltando uma melodiosa risada.
— Você falou igual a Emmie – murmurou Albus, acompanhando a risada.
— Mesmo não conhecendo ninguém de sua família, com certeza lhe acho o mais descolado, inteligente, bonito, problemático e maduro – disse Elizabeth num só fôlego, contando mentalmente se falara tudo.
— Esqueceu o queridinho – apontou Albus.
— Eu sabia que faltava falar algum! – exclamou ela rindo junto com Albus.
Scorpius ainda tentava engolir o fato de que esse seria o segundo dia seguido em que Albus falhava as aulas. Levando em consideração que astronomia era apenas uma vez na semana, esse fato só piorava ainda mais a situação. Nem quando Albus pegou sarampo ele faltou às aulas. Essa Elizabeth deveria ser muito gata pra fazer isso com seu amigo, pensava o loiro, e ele esperava que ela fosse mesmo, afinal, ele estava andando meio encolhido em um apertado e escuro túnel apenas para vê-la, tinha que valer a pena. E o fato de Rose estar pisando em seus pés, em constantes intervalos de tempos não ajudava em nada.
— Cuidado Weasley! – praguejou Scorpius quando a ruiva parou abruptamente a sua frente o fazendo trombar em cima dela.
— Arrume uns óculos Malfoy...
— Esperem um minuto – disse Albus quando chegaram ao fim do túnel – Não quero que ela seja pega de surpresa, logo chamo vocês – explicou ele para Scorpius e Rose, enquanto sem esperar respostas, subia para dentro da casa dos gritos.
— Seu primo é louco – murmurou Scorpius agachando de mal jeito no chão.
— Deve ser, pra andar com você...
— Não faça de engraçadinha Rose, sabe muito bem do que estou falando.
— Sei, você está escutando? – perguntou a ruiva tentando apurar os ouvidos – Albus está conversando...
— Sozinho – completou Scorpius se levantando e tentando ouvir mais.
— Podem entrar – gritou Albus próximo a uma abertura acima do túnel, que dava direto no assoalho de segundo andar da casa dos gritos.
Albus estava sorrindo, mas o modo em como passava as mãos no cabelo, ora sim, ora não, e o fato de bater os dedos um no outro mostrava que estava nervoso.
Elizabeth Gaunt, que se encontrava aos pés da velha escada, avaliou atentamente os recém chegados. Um loiro de cabelos lisos e bagunçados, olhos acinzentados e queixo fino, caminhava mais devagar atrás, as mãos no bolso da calça e a gravata desabotoada. Era alto, e se notava um leve contorno nos seus braços por baixo do camisete. Sonserino, Elizabeth deduziu logo de cara sem ao menos ver as cores de sua gravata, expressão irônica e ao mesmo tempo atraente. Ela não precisava saber o nome. A aparência mais o anel em seu dedo com o brasão de letra “M” em formato de serpente já lhe dissera que era um Malfoy. Descendente de Abraxas, sem a mínima margem de incerteza.
A outra pessoa que vinha junto era uma garota. O uniforme perfeitamente no lugar, os cabelos ruivos eram levemente cacheados nas pontas e os olhos claros. Não era parecida com ninguém que conhecia, ou melhor, que conheceu. E o fato de usar o uniforme da Grifinória não a ajudava muito. Os olhos dessa corriam cautelosamente e curiosamente pelo lugar.
— Tudo bem – começou Albus nervosamente – Essa é Rose Weasley, e esse Scorpius Malfoy – disse ele olhando ora para Elizabeth, ora para seus melhores amigos – E pessoal essa é Elizabeth Gaunt – Albus estava divido entre a excitação, animação e nervosismos. Elizabeth ainda os analisava. Ela não fora com a cara de Rose. Scorpius fitava todo o lugar, seus olhos passavam por Lizzie sem a perceber. E nervosamente o loiro e a ruiva encaram Albus e depois trocaram um significativo olha entre si.
— Albus... – começou Rose cautelosamente andando até o primo e pegando em suas mãos – Não tem ninguém aqui além de nós – de tudo que Rose poderia dizer essa foi a ultima coisa que ele poderia imaginar. O moreno ficou sem palavras, ele olhou para Elizabeth que parada ao seu lado deu apenas um sorrisinho amarelo como se pedisse desculpas – Vamos para o castelo, você não está...
— Vocês não podem ver Elizabeth? – perguntou ele tentando digerir a informação – Mas... Mas...
— Tudo bem cara, vamos para o castelo,madame Pomfrey pode lhe ajudar...
— Não... Não – murmurou Albus andando para trás – Elizabeth, o que está acontecendo? – ele olhou suplicante para a loira. Desejando que essa explicasse que era uma brincadeira em que os três combinaram de fazer Albus de bobo.
— Eu não... Eu não sei Albus – mas na verdade ela sabia sim.
— Vem Albus – disse Rose com pena do primo o puxando pelo o braço.
— Não, vocês não a ouviram? Ela está aqui! – Rose olhou para Scorpius suplicando por ajuda, o garoto fora por trás de Albus e tentava empurrá-lo – Não, eu não vou sair! Não vou deixá-la! – e pela primeira vez em toda sua vida, Albus Potter se encontrou em total desespero.
— Tudo bem Albus, eu te encontro depois – disse Elizabeth, mais conformada do que se esperava da situação.
— Não posso te deixar Lizzie – dizia Albus em meio aos protestos.
— Eu te encontro no castelo, você saberá quando eu estiver por perto. Vá.
— Vou te esperar – disse ele fitando Elizabeth, Rose estava assustada. Albus realmente pensava que tinha alguém ali?
— Vamos logo Al, estou começando a ficar assustada.
À volta para o castelo não foi nada animadora, Albus marchava à frente, sem dirigir uma palavra ou olhar para os dois amigos. Rose não sabia o que pensar, nem o que fazer, Scorpius menos ainda. Ao entrar no castelo Rose começara a falar, mas antes que dissesse uma palavra, Albus já corria em direção as masmorras. Com um pesado suspiro a ruiva deixou-se andar até o pátio de transfiguração, e ficou lá sentada. Scorpius que tinha certeza que não era bem-vindo ao lado do amigo no presente momento, se jogou no banco ao lado dela.
— Você acha que tinha mesmo alguém lá? – perguntou Scorpius fitando a fonte que havia no pátio – Ou Al está mesmo ficando louco?
— Não é porque não vemos, que para ele não significa que seja real – respondeu a ruiva mirando o nada a sua frente.
— Você sabe que não foi isso que perguntei.
— Sinceramente? Eu não sei. Eu mentiria se dissesse que eu tenho certeza que não havia mais alguém lá. Eu meio que...
— Sentiu uma presença?
— Isso – disse Rose virando o rosto para o loiro, sobre o céu aberto do pátio, com o luar iluminado o rosto de Scorpius, Rose notara o quanto o garoto era atraente.
— Deveríamos ajudá-lo – disse ele sério, se virando para ela – Mas como? – Rose balançou a cabeça e deu de ombros, pela primeira vez na vida, Rose Weasley não sabia o que fazer.
— O primeiro de tudo seria descobrir porque raios apenas o Al a vê – Rose falava pensativa.
Depois de alguns minutos em que ambos ficaram apenas sentados em silêncio, Rose se levantou.
— É melhor irmos antes que Filch apareça.
— Vou te acompanhar até seu dormitório – disse Scorpius se levantando e colocando as mãos nos bolso como de costume – Vamos? – chamou ele ao notar que Rose continuava parada onde estava, mal sabia ele a surpresa que atacara a garota.
— Scorpius Malfoy virou cavalheiro? – perguntou Rose ao adentrarem o castelo.
— Sempre fui, mas acho que você nunca parou para notar – disse ele dando de ombros e abrindo aquele típico sorriso – Ainda está em tempo.
— Quem diria que se pode ter uma conversa agradável com um Malfoy.
— E depois nós que somos os preconceituosos? – perguntou ele se fingindo de ofendido – Tem muita coisa sobre mim que você não conhece Rose Weasley, mas se estiver disposta posso te mostrar.
— Supondo que eu esteja disposta... – disse Rose mordendo o lábio inferior.
— Então eu diria pra você me encontrar na sexta a tarde, perto do lago, as 15:00h.
— Se por algum simples acaso eu for, sem chance de isso ser um encontro, tudo bem?
— Nunca passou isso por minha cabeça – disse Scorpius rindo.
— Al? – chamou Emmie interrompendo sua leitura do livro padrão de feitiços e olhando o moreno marchando com evidente frustração, direto para o dormitório – O que há com ele? – perguntou ela se virando para Benjamim.
— Emmie, aquela sua amiga, a Meryl... Ela fala de mim? – perguntou o garoto interessado fitando uma loira de cabelos platinados que estava sentada ao lado de uma garota que era sua cópia, a diferença é que a outra, era alguns anos mais nova.
— Já esqueceu a Roxanne? – perguntou ela se levantando.
— Bom, eu não posso...
— Espere – disse ela erguendo uma das mãos – Eu lembrei que não me importo.
— Deixe de ser insuportável Emmie – respondeu o garoto se voltando para seus deveres – Aonde você vai?
— Falar com...
— Lembrei que não me importo – retrucou ele, rindo de si mesmo.
— Pois deveria, vou falar com Albus que por acaso é seu melhor amigo, e caso não tenha notado, ele não parece bem – Emmie podia ter todos os defeitos do mundo, mas a garota nunca deixara um de seus amigos se sentirem maus sozinhos. Sempre dava um jeito de ajudar quando precisava.
Rose se sentia de uma forma em que não se lembrava de sentir a muito tempo. Feliz sem motivo algum. Entrou no Salão Comunal da Grifinória e encostou-se na parte de trás do quadro da mulher gorda, com um sorriso e olhar sonhador ficou lá parada, mal se lembrava de Albus ou Elizabeth, apenas pensava em Scorpius.
— Que cara é essa priminha? – perguntou James arremessando uma almofada vermelha em Rose, que se despertou e devolveu com toda sua força a almofada.
— Cara nenhuma, ora – falou ela se recompondo e andando sem jeito até o sofá.
— Apostou que viu o Jeremy – ironizou Fred II que jogava e perdia feio uma partida de xadrez bruxo para Hugo.
— Não acredito que vai perder pra ele – disse Roxy deitada ao colo de James, rindo do irmão Fred.
— Posso ser mais novo, mas sou mais esperto que vocês todos juntos – disse Hugo terminando de dar cheque-mate em Fred – Eu só não tenho cara – disse ele encolhendo os ombros.
— Não é esperteza – disse Lily que trançava o cabelo de Molly – Quer dizer não que Hugo não seja esperto nem nada... Mas isso é apenas a comprovação da teoria que alguns bruxos tem habilidades que outros nunca vão ter. Ninguém perde para o Hugo em xadrez-bruxo, assim como ninguém supera James nas bagunças, ou assim como ninguém consegue ser mais insuportável que Victorie...
— Lily, você é um gênio! – exclamou Rose se levantando e saindo correndo em direção ao retrato da mulher gorda. Todos os presentes olharam a cena sem entender, mas afinal, quem entendia Rose?
— Bom, eu sempre digo isso – falou Hugo dando uma piscadela para Lily que ninguém mais, a não ser ela notou.
A vantagem de se dormir nas masmorras, era que os raios de sol nunca eram os culpados por te acordar. Mas isso não impedia que os roncos descontrolados de Benjamim acordassem qualquer um.
Albus abriu os olhos, cogitando ou tacar um feitiço travalingua no amigo, ou simplesmente tacar seu travesseiro, mas antes que pudesse puxar seu travesseiro notou Emmie dormindo serenamente ao seu lado. E logo se lembrou, a amiga fizera questão de passar a noite ao seu lado, conversando sobre tudo, apenas para garantir que Albus tirasse aquelas feições frustradas do rosto e risse um pouco com ela. Ele não queria, mas tinha que acordá-la. Emmie se meteria em grandes problemas se fosse pega no dormitório dos garotos.
— Psiu – chamou Albus próximo aos ouvidos da morena, mas ela apenas se virou de lado – Em, acorda.
— Ela deve tomar poção do sono, porque é impossível dormir com esse aí roncando mais que um trasgo – Albus mal notara, mas Scorpius só não estava acordado, como também terminava de se vestir – Deixe que eu acordo ela – falou o loiro terminando de amarrar sua gravata e andando até a cama de Albus
— Scorpius, não faça is... – mas já era tarde de mais para o garoto alertá-lo.
— ACORDA EMMIE ADORMECIDA! – berrou o loiro no ouvido de Emmie. A garota levantou tão bruscamente da cama que sua cabeça foi bem de encontro ao queixo de Scorpius que se ajoelhara ali do lado. Antes que Scorpius percebesse a dor, percebeu que estava posto de cabeça para baixo.
— Vai gritar assim no ouvido de sua mãe! – disse ela passando a mão na cabeça.
— Mãe! – exclamou Ben se levantando da cama num pulo, e apenas depois de ver Scorpius de cabeça para baixo do ar, Emmie com o uniforme amassado e cara de drogada e Albus com os olhos mais arregalados do que uma coruja, foi que percebeu que havia gritado e que estava em pé apenas com sua roupa de baixo. Albus teve de morder a língua para não rir do amigo que estava com uma cueca escrita em dourado O Mágico de Oz.
— Aí Merlin eu não precisava de ver isso – disse Emmie atordoada, andando em direção a porta e balançando a varinha antes de sair, fazendo com que Scorpius caísse com tudo sobre a cama de Albus.
— Quando eu tinha quatro anos fizemos uma festa surpresa para o tio Jorge – Albus estava sentado em baixo da árvore em frente o lago, com Elizabeth encostada sobre o tronco e ouvindo-o atentamente – Tio Jorge, segundo papai, era o cara mais divertido e engraçado que ele conhecia, mas depois que seu irmão Fred faleceu, ele nunca voltou a ser o mesmo. Por isso sempre que tinha oportunidade, vovó arrumava algo para animá-lo. Nesse dia era seu aniversário, ele estava deprimido, triste... James e Fred haviam começado a estourar bombinhas no gato de Rose, ele fugiu e se escondeu em cima da árvore, eu tentei tirar o gato da árvore – Albus fitava a Lula-Gigante e revia a cena claramente em sua cabeça – Eu subi, galho por galho, até conseguir chegar ao ponto mais alto e pegar o gato, e dei um paço em falso, indo direto para o chão, mas alguém me segurou. Pensei que era o tio Jorge, mas não era. Quem me segurou tinha as feições bem mais jovens e felizes. Era o tio Fred, ele olhou para dentro da janela e viu Jorge, Angelina e Fred II, juro que vi uma lágrima invisível em seu rosto. Ele me pegou ao colo e me olhando bem falou que esperava ter um sobrinho mais bonito, não a copia de Harry, depois disse para eu dar um recado ao tio Jorge. Ouvi atentamente e depois que ele se despediu corri até tio Jorge, ele me pegou ao colo e sussurrei em seu ouvido tudo que Fred me falara. Tio Jorge me colocou ao chão, e foi para seu antigo quarto. Minutos depois ele voltou, eu via que seus olhos estavam um pouco vermelhos, mas ele estava feliz. E depois disso nunca mais vimos tio Jorge se lamentando ou triste por algo.
— O que Fred lhe disse? – perguntou Elizabeth
— Para avisar ao tio Jorge que ele nunca lhe perdoaria se ele continuasse vivendo daquele modo e não fizesse jus a sua memória – depois de um tempo em silêncio Albus voltou a falar – Quando eu tinha oito anos, saímos para visitar o tumulo de meus avôs em Godoric’s Hollows. Enquanto colocávamos flores ao túmulo vi uma mulher e um homem nos observando de longe, eles sorriam, e quando perceberam que eu os via, sorriram mais ainda. Eram meus avôs. Papai pediu para eu tirar isso da cabeça, e eu tirei. E agora está acontecendo de novo. Ninguém viu Fred além de mim, ninguém viu meus avôs... E...
— E ninguém me vê além de você – concluiu Elizabeth, e finalmente Albus se virou para ela.
— E sabe o que é pior? – perguntou Albus sentindo os olhos queimarem, Elizabeth balançou a cabeça.
— O pior sou eu não conseguir tirar você de minha cabeça! Eu não consigo parar de pensar em você, e parar de pensar quando eu vou te ver novamente... Mas... Mas a qualquer hora você vai embora, porque você não é deste mundo... E... E nunca mais irei te ver... Nunca mais vou... No fundo eu sabia – agora ele não lutava mais para esconder a amargura nem a dor em suas palavras – No fundo eu sabia que nada disso era real, mas eu tinha esperanças, e agora... – ele balançou a cabeça e desviou o rosto.
— Eu queria poder dizer algo reconfortante, dizer que tudo vai ficar bem, dizer que não vou embora, mas você mesmo disse, eu não pertenço a esse mundo. Não posso lhe dizer nem prometer nada, mas... – ela sentia sua garganta apertar – Não quer dizer que isso não seja real – Albus se virou para ela, e fitando seus olhos percebeu que eles deixaram a muito de serem temerosos e infantis, agora eram astutos e intensos.
— O que te impede de ir agora Elizabeth? Tem algo a mais lhe esperando, porque você ainda não foi adiante?
— É o que eu venho me perguntando – agora foi à vez de Elizabeth desviar os olhos.
— Eu prometi lhe ajudar – falou Albus por fim – Vou descobrir o que aconteceu com você em vida, talvez depois disso você possa... Partir.
— Você não é tão parecido com seu bisavô quanto eu pensava – disse ela coçando os olhos.
— Não – Albus perguntou curioso – Sou da Sonserina...
— Não é isso – disse ela se virando para ele – Você é nobre de uma forma que Charlus nunca conseguiria ser – Albus percebeu que havia muita história por trás de suas palavras, seria interessante saber o que era, mas Elizabeth deixara escapulir uma lágrima de seus olhos, e ela chamara a atenção dele. Com o polegar Albus limpou a lágrima e sorriu para Elizabeth:
— Você me parece tão real – sussurrou ele, mais para si mesmo do que para ela, ele a tocava, ele a sentia, e ele não acreditava que não era real.
Elizabeth olhou em volta, tantas lembranças vinham em sua mente nesse momento. Fizera tantas coisas por aquele castelo, tivera tantos amigos, e agora, estavam todos mortos, assim como ela, mas diferente dela, todos tiveram uma vida.
Rose, olhando em volta para ter certeza de que Madame Pince não estava por perto, saiu sorrateiramente da Sessão Reservada, com um pesado livro nas mãos e correu para a afastada mesa no segundo andar, onde Albus estudava avidamente para os NOMs.
— Achei! – exclamou a ruiva jogando o livro na frente de Albus – Eu já suspeitava, mas agora tenho certeza...
— Certeza de que eu estou louco, ou algo do tipo?
— Algo do tipo – comentou Rose abrindo o livro, mas logo levantou os olhos e viu a cara do primo – É brincadeira – disse ela rindo – Relaxa Al, você não está louco.
— É o que eu disse, mas desde quando alguém me escuta?
— Deixa de drama – disse ela – Aqui, leia isso – indicou ela um dos enormes parágrafos. Albus leu e releu, mas não entendeu bulhufas nenhuma.
— Então... Isso quer dizer que...?
— Merlin! Como você é lento – Rose fitou o primo e começou a explicar – Lily havia comentado que certos bruxos têm uma capacidade que os outros não têm. Mas ela não sabia o quando essa capacidade era grande. Tanto no mundo trouxa, como no mundo mágico, existem pessoas que tem a capacidade de oscilar entre os mundos. Você é uma dessas pessoas.
— Certo... – disse Albus puxando o livro para si – Agora eu só tenho uma pergunta.
— O que?
— O que você disse mesmo? – Rose ouviu a pergunta e revirou os olhos.
— Albus Potter, preste atenção. Você tem a capacidade de se comunicar com pessoas desse e outro mundo, mas você não consegue isso, pois exige muita pratica e estudo. Porém, quando há alguém que já se foi e quer muito ou precisa muito de você, você consegue as vê-la. Quer dizer... Segundo o que você me contou do tio Jorge...
— Certo Rose, só vejo um porem nisso.
— O que é?
— Elizabeth não quer muito nem precisa muito de mim. É difícil explicar, mas... Eu trouxe ela sem querer... É o que ela diz.
— Acho que minha teoria é mais provável – disse Rose correndo os olhos pelo livro.
— Pode ser, mas...
— Tudo bem Al, você a encontrou pela primeira vez no castelo, não foi? – ele assentiu – Mas você já havia sentido a presença dela antes? – Albus ficou surpreso, porque nunca havia parado para pensar nisso, ele sentia a presença de Elizabeth tinha algum tempo já antes de encontrá-la.
— Na verdade sim... – falou pensativo.
— Se lembra precisamente a primeira vez?
— Claro! – exclamou ele – Na floresta proibida, quando estava cumprindo detenção – ele disse sem a mínima margem de duvidas, logo depois daquilo tivera horríveis e contínuos, e construíra uma enorme aversão ante a floresta.
— Interessante... – disse Rose fechando o livro e fitando o primo – E você fez algo lá que possa ter a chamado?
— Não... Não que eu me lembre, quer dizer, alimentei os testralios, só isso – ele de ombros
— Isso não ajuda muito – disse ela por fim se levantando – Vou almoçar, te vejo a noite.
Rose apenas conseguiu deixar Albus mais confuso do que já estava. Sem que quisesse ou pensasse no assunto, veio em sua cabeça à lembrança de uma pedra sendo tacada ao longe... Uma pedra com um desenho estranho, mas que não dava para ver com certeza o que era. Pedra não tinha desenhos, pensava Albus consigo, nunca tiveram, uma ou outra, mas... Mas e a sensação que tomara conta de si logo depois de encontrar a tal pedra?
— Você está ficando louco Albus – disse ele para si mesmo fechando seus livros e se levantando – Uma pedra nunca traria alguém que morreu há anos de volta a vida... – murmurava ele consigo mesmo, pensando e analisando cada vez mais o assunto – A não ser que seja... – Albus sentiu seu sangue gelar, e finalmente tudo fez sentido – A Pedra da Ressurreição.
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