A Reencarnação
1 Capítulo Único
Notas iniciais
-Hades, já se decidiu? O que fará? Pergunta Perséfone.
-Sim, me decidi. Eu irei fazer aquilo. Responde o deus do Submundo.
-Você sabe que nós vamos nos separar, não é?
-Na verdade não. Você pode permanecer aqui, ou, ficar junto com sua mãe Deméter onde ela vive, até eu voltar com o meu corpo renovado.
A deusa menor assente e diz:
-Eu irei. Liberte-me. Por favor. Eu estarei disposta a comer a semente novamente quando você voltar. Eu juro pelo rio Estige.
Hades se prepara. Coloca seu dedo indicador direito na testa de Perséfone, fazendo sair um brilho, que vai se transformando em uma pequena semente de romã. O deus do Submundo libera um pequeno riso e diz:
-Está livre. Vá. Eu a encontrarei em torno de alguns anos.
Quando Perséfone desaparece, Hades também surge em outro lugar. Uma pequena cidade localizada na Europa, onde tinha um menino, um recém-nascido, que, por Apolo, ele teve uma profecia dizendo que Hades doaria sua alma para o menino, para ter a reencarnação de Hades num corpo mais jovem e forte. O deus do Submundo assim que recebeu a profecia, se preparou para localizar onde o menino mora, quem era, sua aparência, e seu nome.
Ele chega numa pequena cabana, onde não tinha ninguém além de algo empacotado. Era o bebê, que dormia profundamente. Hades olha para o recém-nascido e fala:
-Olá, Fenrir. Seu destino não será como todas as outras pessoas previram para você. Você será minha reencarnação.
O deus do Submundo toca com dois dedos esquerdos na sua própria testa e dois dedos da mão direita na testa do bebê, algo cinza sai do corpo do Deus e vai diretamente para a testa do menino. Então, depois de rápidos três segundos, não tinha mais nada no local. Só o bebê. Agora com um colar com um pingente de um círculo semelhante a um anel. Aquele garoto, quando crescesse, não sabia o que lhe aguardava. O que se pode fazer? Aquilo era o destino. Aquele menino era a reencarnação de Hades.
Fim do Prólogo
Introdução
No auge do sécolo dezoito, em uma pequena cidade na Europa, numa manhã ensolarada, havia um menino. Um garoto muito gentil e que gostava de ajudar. Ele era um garoto de treze anos de idade, era magro, alto para a idade, sempre vestia trajes brancos com botas mais escuras. Este menino se chamava Fenrir. O garoto tinha cabelos loiros, olhos extremamente cinzas, com feições suaves. Era uma pessoa calma. Ele tinha um colar. Um colar com um pequeno pingente de algo semelhante à um anel.
Um dia, o garoto estava andando para uma pequena loja, vestindo sua roupa de sempre. Trajes brancos com bota escura. Ele rapidamente chega na loja que ele queria. Ele iria comprar um pouco de comida para ele e sua família. Paga para um homem que só dava para ver até sua cintura. O homem tinha cabelos e olhos extremamente negros, e não era magro, mas também não era gordo. Quando Fenrir comprou os alimentos, este homem fez uma reverência muito formal para o garoto. E essa reverência só fazem para os imperadores. Fenrir olhou desconfiado, mas não ligou para isso. Pegou uma maçã verde, deu uma mordida e saiu andando de volta para casa.
-Mãe, cheguei! –Exclama Fenrir, já com a maçã terminada.
-Comprou as frutas e verduras, filho? –Pergunta Jane. Ela era a mãe do garoto. Esta tinha olhos negros, e cabelos loiros. Fenrir só puxou a cor dos cabelos. Os olhos cinzas originam do pai dele, Noah.
-Sim, tudinho. Maçã, banana, laranja, limão, tomate, alface e cenoura. Tudo aqui. –Responde o garoto com um belo sorriso no rosto.
-Muito obrigada, filho.
-De nada. Sempre à disposição para ajudar. –Responde o menino ainda com o sorriso estampado.
A hora do almoço foi calma, quase não pronunciavam uma palavra. O pai de Fenrir, Noah, estava voltando agora de uma caçada de um lobo.
-Não conseguimos, querida. Milho novamente para o jantar. –Diz o pai do menino. Ele era bastante alto e forte, com cabelos negros e olhos cinzas.
-Ainda bem. Não sei para quê ficar matando animais e comê-los. Mesmo eles nos matando também, não merecem ser mortos. Eles só nos machucam por conta que querem se defender. Eu preferia sempre milho do que comer animais no jantar. –Diz Fenrir com um ar de simplicidade.
-Filho, existem certas coisas que você ainda não entende. Não fale coisas que você não sabe...
-Mas eu sei...
-Chega! Por favor. –Diz o pai num ar sério.
Silêncio.
Quando o almoço acabou, Fenrir foi passear por uma floresta que tinha perto da cidade, onde andava tranquilamente ao som dos pássaros, o som de outras aves...
-Ah não! –O menino corre até um filhote de lobo ferido em uma das patas traseiras. O lobo parecia chorar, e, Fenrir, com pena, segurou o filhote e ficou alisando ele um pouco. –Você vai ficar bem. Só...
-Ei, moleque! Solta o lobo idiota! Quero jantar ele hoje! Saia daqui!
-Não, não o mate! Ele não faz nada de errado! Só se defende! Por favor, não! –Grita Fenrir. O homem, que vestia um traje feito só com pele de animais, e com um chapéu de texugo, chega bem perto do menino, e dá um imenso tapa nele, o fazendo cair e sair lágrimas de seus olhos.
-Bebê, não chora não, “menininha”. Isso vai passar. Eu nem ligo se eu for matar um simples filhote. Eu nem ligo se matasse todos os lobos do mundo! Agora, vou apreciar minha refeição! Primeiro...
Um imenso barulho de tiro. E o último ruído de um pequeno lobo.
Fenrir ficou encostado em uma árvore até o anoitecer, ainda triste por conta do pobre lobo.
-Isso vai ter troco, meu mestre. –O menino olha para cima e ver uma mulher simplesmente linda. Ela tinha cabelos e olhos extremamente negros que reluziam à roxo. –Pode acreditar.
-Q-quem é você? –Pergunta o loiro. –E por que está me chamando de “mestre”?
-Tudo à seu tempo, grande lorde. Tudo à seu tempo. Quem imaginaria que o antigo mestre reencarnaria num corpo tão delicado e gentil... Ai, ai... Mestre, aqui é minha deixa, creio que nos encontraremos em breve em outro lugar agora. Ah, o meu nome eu digo. Eu me chamo Pandora. –A mulher dá um sorriso e vai embora. Quando Pandora estava longe o bastante de algum perigo para Fenrir, o garoto vai embora.
ACAMPAMENTO MEIO – SANGUE
Numa imensa cidade na Europa, na parte mais afastada dela – Que no caso é em uma floresta – Existia algo fora do comum, que ninguem imaginava haver algo assim no mundo. Era um Acampamento. Mas, não era um Acampamento normal, era um lugar onde existiam Semideuses e criaturas mágicas. Sim, isso existe no mundo. O local era imenso, você acharia que nem era um Acampamento comum só de olhar. Na entrada, tem um imenso arco, ou um semi-círculo se preferir dizer assim, com uma escrita no topo dizendo “Acampamento Meio – Sangue”. Lá não existia tantas proteções assim, só existia uma: era uma barreira que não permitia monstros ou humanos entrarem no local. Quando o Semideus, Deus, ou Criatura Mágica entra, ele passa por um pequeno corredor feito de folhas de plantas de quase todas as cores, e finalmente quando sai disso, pode ver o gigante Acampamento, que no final dele, no horizonte, existe uma bela praia, que à sua esquerda, tem um lago, localizado na parte mais clara da grande floresta, que fica à esquerda do imenso campos de morangos e do bosque. Quase que no centro, indo um pouco mais para a esquerda, tem uma imensa casa. No centro do Acampamento, tem uma área onde só têm pequenos palácios, ou melhor, onde têm chalés. Todos com o nome de cada Deus ou Deusa. Do lado direito dos chalés, existe o anfiteatro, o salão de artes e ofícios, e uma parede de escalada imensa. Perto do anfiteatro, tem arena e outro local que é a personificação do Coliseu, na Roma.
-Ikaro, saia logo do banheiro, você vai se atrasar para a aula de esgrima. O professor Trevor não vai gostar, por ser filho de Ares, ele vai te dar uma bronca daquelas! –Disse um dos irmãos do Semideus chamado Ikaro. O chalé de Hermes, era o chalé mais... feio e simples, por ser mais desgastado, coisas espalhadas por todo o canto, camas grudadas na parde, ou no teto. Vai saber como filhos de Hermes são capazes de fazer isso. Ikaro, o Semideus denominado filho de Hermes mais recente, sai do banheiro pronto. Seus cabelos moreno escuro, sempre no estilo rebelde, seus olhos verdes hipnotizantes não estavam muito à vista por conta do cabelo. O garoto tinha uma pele muito branca, e era muito feliz, mesmo com o seu passado brutal e aterrorizante.
Ele era uma criança muito feliz, com seus pais adotivos, mas, no dia em que o seu pai arranjou encrenca com um soldado, ele foi morto brutalmente, sendo decapitado pela espada do soldado, e após a morte dele, sua mãe tentou fazer algo contra o guerreiro, que a matou no mesmo instante. E antes que pudesse matar o garoto, ele tinha fugido. O Semideus viveu sempre na base de refúgios, fugas e roubos. Sempre maltratado, pois muitos guardas as vezes conseguiam achá-lo, e o torturavam até a hora que o Semideus não agüentava mais. Tudo isso quando o pobre garoto tinha simplesmente sete anos de idade. Quando saiu da vida de miséria, que foi no dia que chegou um Sátiro para resgatá-lo, ele nunca mais mostrou sinal de tristeza, o que é muito estranho. Mas todos que o conheciam sabiam que ele guardava uma dor imensa no peito, mas nunca demonstrava.
Quando finalmente saíram do chalé, andaram sob o Sol escaldante até a personificação do Coliseu, o lugar que Ikaro menos gostava, e sim, por conta do Coliseu ser na Roma, Ikaro odiava. Sim, ele nasceu na Roma. O Semideus vestia um traje que dava para ver facilmente por conta da pequena armadura que o cobria. Quando todos pegaram suas espadas, e foram para o centro do local, Trevor, o filho de Ares que ensinava esgrima, possuía cabelos que iam até cinco centímetros abaixo do pescoço. Cabelos castanhos. Seus olhos tinha um tom de marrom, mas quando o olho brilhava com o auxílio do Sol, parecia que eram vermelhos. Seu porte físico simplesmente era invejoso para quase todos os homens, por conta que possui músculos muito grandes, que não precisa nem fazer tanto esforço para mostrá-los, é um homem alto, que possui em torno de dezoito ou dezenove anos.
-Que bom que chegaram na hora. Hoje, na aula, todos formarão pares e os pares lutarão um contra o outro.
Ikaro escolhe um cara um pouco mais alto que ele, que era um filho de, por azar, Atena. Ikaro era muito ágil, mas, quando lutava contra filhos de Atena, era como se fosse um bebê ainda descobrindo o controle das próprias mãos. Segundo ele “Parece que eles são sobrenaturais e preveem nossos ataques! Atena, desculpe-me por isso.”.
Ikaro, como sempre (quando era contra filhos de Atena), perdeu. Mas não ligou muito para isso, dessa vez ele quase ganha. [i]Quase[/i].
No lago, remava – ou melhor, tentava – num pequeno bote uma menina de cabelos loiros e olhos totalmente cinzas. Ela se chamava Hannah e era filha de Atena. Um garoto meio que rebelde, com cabelos negros e olhos azul-piscina observava e dizia:
-Hannah... Eu acho que isso...
-Cala a boca! Estou tentando o máximo possível, Nathaniel! – Após a resposta, o filho de Netuno resolve ficar calado. Para ser sincero, naquele Acampamento não tinha divisão de romanos e gregos. Até certos Semideuses que nasceram na Roma – como Ikaro – pode ser Semideus grego, assim como Semideuses que nasceram na Grécia podem ser romanos, dependendo de onde o deus está localizado e qual forma – romana ou grega – ele ou ela esteja. Nathaniel ficou observando a menina tentar se esforçar, e jurou ter ouvido a loira cochichar “[i]Eu sou filha de Atena e não desistirei[/i]”. Sendo isso ou não, Nath (como gosta de ser chamado) ficou se esforçando pra não rir.
-Hannah! –Nathaniel tomou um susto quando Quiron apareceu no local a procura da Semideusa. E então, a filha de Atena, também tomou susto, e quase cai do bote. Quiron, o Centauro chamou-a para ir à Casa Grande, lá, ela encontra Ikaro sentado numa cadeira de madeira desgastada.
-Ikaro.
-Hannah. –Se cumprimentaram, e Quiron falou logo:
-Eu recebi uma mensagem de Hermes, que Zeus pediu para ele entregar, que Perséfone falou à Zeus. Meio confuso, eu admito, mas enfim... Hades está se... Formando. Ele trocou de corpo. O verdadeiro corpo de Hades não existe mais, o que prevalece é a sua alma, no corpo de um menino. A alma está presa num colar que ele tinha, e, quando o colar se quebrar – que será na hora certa – a alma de Hades será libertada e o novo imperador dos mortos irá surgir. Um corpo mais novo e jovem. Já sabemos, sim, quem é o paradeiro. Ele se chama Fenrir. Mora à pouco tempo daqui. Uma carruagem vai levá-los para lá. Mas não é mágica, são cavalos normais que Nathaniel providenciou. Bom... O quanto antes vocês protejam o menino e o tragam para cá, é melhor.
-Quiron – começou Ikaro -, uma pequena dúvida: Qual a razão de nós trazermos ele para cá?
-Idiota... –Hanna profanou. – Eu já li muito sobre isso, significa que... Por exemplo... Como ele tem a alma de Hades, ele já possui certos poderes, pois a cada pouco tempo, o objeto que guarda a alma, transporta-a de muito em muito tempo para dentro do corpo do Fenrir. Assim, ele com certeza possui muitos poderes de Hades, e, na hora que ele tiver a alma completa no corpo, ele vai ficar descontrolado, até se acostumar. Bom, é isso que fontes confiáveis falam. Já li de formas diferentes, mas isso é a mais provável.
-Muito bem, Hannah. –Quiron falou. –E ele vai vir aqui para nós falarmos para ele o que aconteceu, e tudo o que vai acontecer, e como controlar os poderes. Ele é como vocês, mas... Desde que nasceu, tem mais deus no corpo do que humano.
Os dois Semideuses já estavam com as coisas arrumadas e com a carruagem preparada e já estavam nela, quando Nathaniel falou algo em romano que fizeram os cavalos correrem.
Eles estavam numa pequena vila onde fazendeiros olhavam-nos e cochichavam uns para os outros. A viagem já tinha durado cerca de três horas, e eles resolveram parar descansar naquele mesmo lugar. Foram acolhidos numa pequena casa de descanso, e se alimentaram, dormiram e alimentaram os cavalos.
Quando finalmente terminaram, voltaram à viagem.
Passaram dias – cerca de uma semana – quando eles estavam na cidade onde Fenrir morava. As únicas informações eram o nome dele e o colar que ele usava era um colar com um pingente parecido com um anel no pescoço. E mais nada. Eles acabaram de atravessar a floresta e então deixaram lá os cavalos. Foram andando, e, não foi muito difícil acharem o menino. Ele estava comprando certos produtos quando avistou os Semideuses. Ikaro chegou e falou:
-É... Você é o Fenrir?
-Sim, eu sou. E vocês?
-Eu sou Ikaro, esta é a Hannah. E... Bem, você precisa ir con... –O filho de Hermes ouviu um estrondo, e gritos. Quando se deram conta, sangue jorrou nos três e viram diversas pessoas sendo mortas por um monstro. E a tal criatura era um Minotauro. Ikaro e Hannah sacaram as armas – o filho de Hermes uma espada e a filha de Atena uma besta. Os dois lutaram bravamente contra o Minotauro, mas não estavam conseguindo, o monstro estava muito descontrolado. Parecia que ele queria proteger algo. Ou [i]alguém[/i]. Ikaro e Hannah estavam caídos no chão, e o Minotauro foi atacar Fenrir, quando, misteriosamente, o monstro parou, e fez uma espécie de reverência. E os dois Semideuses perceberam, que antes os olhos do menino eram cinza, agora estavam mais negros do que a escuridão infinita.
- Vges éxo̱! – Exclama Fenrir. Aquilo indicava que seus poderes estavam já começando a se descontrolar, e a alma estava cada vez mais perto de entrar do corpo do menino. O Minotauro foi absorvido por uma esfera negra e então desapareceu. Fenrir desmaiou.
Fenrir acorda sentindo um cheiro insuportável de carniça, e quando se dá conta, Ikaro e Hannah estavam parados olhando para a carruagem e os cavalos mortos. Deve ter ouvindo algo saindo da boca de Hannah, como “Ele deve ter começado vindo por aqui. Acho que nos tinha perseguido, e então atacou.”. Quando os dois Semideuses se deram conta de que o menino estava acordado, o filho de Hermes se pronunciou:
-Então... Temos que ir.
-Tem que ser tão direto? Não explicamos nada à ele e você já que ir embora? –Hannah fala.
-Ei, ei, ei! Explicar o quê? – O garoto pergunta. Hannah e Ikaro suspiram e então explicaram tudo para ele. Tudo e com todos os detalhes. Seus poderes, o Acampamento, mais Deus do que humano... Ferir simplesmente não sabia o que dizer. Estava muito chocado. Simplesmente não sabia o que dizer ou fazer. Quando percebeu – o que demorou um pouco – que sua boca estava aberta, fechou-a rapidamente.
-E-e-então... Hades está no meu corpo...
-Bom, quase. Ele está entrando no seu corpo, esse seu colar é que está com a alma dele. Responda algo, só para ver se está certo... Você já teve vontade de tirar esse colar? –Hannah perguntou.
Nesse momento, Fenrir se deu conta que [i]nunca[/i] quis tirar esse colar do pescoço dele.
-Não. –Respondeu. Hannah cochichou um “Imaginava” e então falou:
-Fenrir, nós temos que ir. Você realmente precisa treinar para quando você se tornar Hades, você saber controlar seus poderes perfeitamente.
-Não, eu não posso... É... Meus pais, meus amigos... Simplesmente eu não posso fazer isso. –Fenrir já estava se distanciando dos dois, quando Ikaro corre e o segura.
-Fenrir, vamos, por favor. É a escolha certa. Temos que ir.
-Como você prova isso? –Perguntou Fenrir.
-Quando você se tornar o Imperador dos Mortos, seus poderes irão ficar descontrolados, e você irá matar todos na sua frente, até se acostumar com seus poderes. E eu tenho certeza que seus pais irão morrer, e os seus amigos também. E então, qual é a escolha certa à se fazer? –Ikaro pergunta.
-Como você pensou nisso? –Hannah perguntou num tom surpreso. Antes do Semideus falar, Fenrir disse:
-Eu vou... Mas, eu não preciso pegar algumas coisas? Roupas ou algo assim?
-Eu te empresto. –Ikaro disse. Fenrir não sorriu, nem demonstrou nada. Só fungou uma vez, e foi andando melancolicamente em direção à floresta, com a cabeça baixa. “Espero isso valer a pena.”
Passaram-se dias. Muitos dias. Muitos dias [i]mesmo[/i] por conta que no ataque do Minotauro, os cavalos morreram. E desde esses dias, Fenrir, Ikaro e Hannah viraram grandes amigos. Cerca de no décimo dia, eles estavam quase na metade do caminho, quando duas harpias apareceram. Ikaro e Hannah conseguiram matar com certas dificuldades.
Num outro dia, quando eles atravessavam uma floresta, Fenrir ouviu passos atrás deles, e Ikaro, como era filho de Hermes, não deixou de notar. Os dois olharam para trás, e Hannah acompanhou.
-E-eu já vi você! –Fenrir exclama quando vê uma mulher com cabelos e olhos negros reluzentes a roxo. –Você é a Pandora!
-Como é? –Hannah exclama. –Ela foi a pessoa que abriu a caixa que contém todos os males dentro? E a primeira mulher criada? Como você está ainda viva?!
-Virei serva de Hades, tola. E até hoje estou aqui, jovem e bela.
-Mas, Hades desapareceu! –Falou Hannah sem pensar. [i]Sem pensar.[/i] Pandora moveu sua cabeça em direção à Fenrir e disse:
-Você tem certeza, filha de Atena? –Hannah ficou calada e então perguntou:
-O que está fazendo aqui, e o que quer?
-Vim só dá uma olhada no meu mestre, e fazer isso...
Ela estava indo em direção ao Fenrir, mas a filha de Atena sacou sua espada, na mesma hora Pandora criou uma lança negra na mão e fez um movimento simples enquanto andava com sua lança e desarmou Hannah. Quando chegou na frente de Fenrir, ela tocou com uma mão na testa do garoto, e outra no colar. Instantaneamente seus olhos ficaram negros e ele gritou de dor. Alguma coisa roxa saia do colar e ia para a sua cabeça. Era a alma de Hades. Cinco segundos depois, ela parou aquele processo e falou:
-Só acelerei um pouco para a alma entrar no corpo desta criança.
Fenrir estava respirando muito rápido, e, quando seus olhos voltaram ao normal, ele ficou mais branco do que já era. Mais... Pálido. E desmaiou.
Quando acordou, estavam numa pequena vila. A mesma que Ikaro e Hannah pararam pela primeira vez. Fenrir olhou para os dois, e, instantaneamente falou:
-Obrigado. Obrigado aos dois por me ajudarem tanto. Eu entendo sua preocupação e a pressa de chegar lá, mas... Se não funcionar, eu... Tenho medo do que vai acontecer com vocês.
Os dois tomaram um susto, e então o filho de Hermes falou:
-Vai dar certo. Bom, parece que temos cerca de seis horas até chegarmos ao Acampamento, então temos grande certeza que irá funcionar.
-Certo. –Responde Fenrir, com um sorriso.
Faltando cerca de vinte minutos para eles voltarem, eles escutaram barulhos e viram vultos por todos os lados. Estava ficando tensos, e nesse momento, aparece cerca de cinco cães infernais, o Minotauro novamente (vai saber como ele se regenerou tão facilmente), três Harpias, as Benevolentes e mais alguns monstros terríveis para lutar contra os Semideuses.
-Ah não! Não! Não! –Hannah grita, enquanto luta com alguns bichos. Ikaro também luta. E Fenrir estava bastante assustado com o que acontecia. Estava com lágrimas nos olhos, pensando se aquele seria o fim dos dois melhores amigos que ele já possuiu em toda a sua vida. Tudo o que eles passaram juntos, salvando a vida do menino, fazendo tudo o que conseguia. Estava muito triste, mas também estava irritado. Colocou as duas mãos em cima da cabeça, apertando seus cabelos, e começou a se agachar, e gritou. Rapidamente, diversos chicotes grandes e grossos de sombras apareceram em sua volta. E quando se diz que é alto, é simplesmente alto mesmo. Imagine isso chegando até quase 10000 metros acima. Ele estava descontrolado. Ikaro e Hannah – e até os monstros – pararam para ver, perceberam que a cada vez que as sombras ficavam mais grossas, seu colar ia se enferrujando, e seus cabelos, que antes loiros, agora escureciam, e tinha um tom negro.
- Παρεμ! – Exclamou Fenrir. Sua pele estava simplesmente a coisa mais pálida do mundo, seus cabelos estavam altamente negros e bagunçados, como se flutuassem, seus olhos ainda estavam acinzentados, mas a parte branca do olho estava negra. E então, sua íris ficou altamente negra também, e quando esse processo acabou, a parte branca do olho voltou a ser... Branca. Mas seus olhos agora possuíam certas características pela sua cor negra: Solidão, tristeza, ódio, vingança e amizade. Todos os monstros ficaram junto do Fenrir, que... Agora não era mais Fenrir. Era Hades. Uma aura negra, reluzindo também à roxo o cobriu e o fez flutuar. Sua roupa foi trocada rapidamente por um manto negro e com ombreiras grandes negras e douradas. Ele deu um suspiro, e, seus chicotes que, ainda enlouqueciam no ar, ficaram quietos. E então Hades falou:
-Como é bom voltar à ser um Deus. Eu me sinto muito bem. E vocês dizendo que eu não ia controlar meus poderes. Mas aqui estou. Agora... Falando a grande verdade. Eu odeio gente, odeio todos nesse mundo, além de minha esposa e servos, mas, eu agradeço aos dois. Vocês me ensinaram muitas coisas enquanto eu estava naquele corpo frágil e jovem. Eu aprendi a como é proteger, aprendi como é compartilhar certas coisas, e, a mais importante, vocês me ensinaram a amizade. A verdadeira forma de fazer as duas primeiras coisas que eu citei. Eu tenho certeza de que, quando eu virasse Hades sem vocês terem me achado, eu sairia por aí matando à tudo e todos, uma coisa que eu não vou me importar quando acontecer, mas, eu vou me importar, sim, com os dois. Mais uma vez, eu agradeço bastante por vocês, e eu acho que vocês conseguiram me tornar uma nova pessoa, digo, um novo Deus. – Neste tom leve, ele passou para um tom altamente seco e vingativo: — Agora você! –Aparecera uma alma com simplesmente quase toda a cabeça furada e um braço solto. –Você vai pagar pelo que fez quando eu estava no corpo do garoto. Você vai pagar por ter matado aquele pequeno filhote de lobo, caçador! – De repente, um belo filhote de lobo, bom, uma alma do animal, aparece e fica no ombro esquerdo de Hades. – O que acha de um novo símbolo para mim? Esse lobo será um novo. Enfim, você, caçador inútil, irá sofrer eternamente no Tártaro, e apodrecer lá! Nem meu escárnio de deus da morte é o suficiente para você. –A alma desapareceu, e, só pôde ouvir um grito. – Voltando para vocês, Semideuses. Obrigado mais uma vez, e, lembrem-se: a morte sempre é a salvação. Se aceitarem vir. E se não aceitarem, eu os esperarei até chegar a hora. Lembrem que essas palavras, bom, parte delas, veio do Fenrir, não do Hades. Eu sempre terei essas duas partes no meu corpo, pois vocês não viram nada sair do meu corpo além das sombras. Adeus, amigos.
E a última coisa que Ikaro e Hannah puderam ver foi algo que Hades nunca tinha feito, e possivelmente nunca mais fará: uma lágrima escorreu dos seus olhos.
Fim
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