A Reconquista de Fiore
1 Capítulo 1 - Recomeço
Notas iniciais
Capítulo 1 — Recomeço
Era um cenário de guerra.
Lucy Heartfilia, a única integrante da família real ainda viva, chorava arduamente sentada no chão de seu quarto.
Toda a sua família havia sido assassinada durante uma tradicional festa de gala no palácio. Como era pequena, a criança de sete anos conseguiu fugir da chacina sem ser percebida e achou que seu quarto poderia ser um bom esconderijo.
Ouvindo passos dos radicais, a criança entrou em desespero, percebendo que seu destino seria o mesmo que de seus pais, Layla e Jude. Fechou os olhos e abraçou os joelhos esperando o pior, quando ouviu o ranger da porta. Forçou mais seus pequenos olhos chocolates quando sentiu uma mão encostar em seu ombro.
-Ei, vossa alteza. – disse uma voz infantil, fazendo a menina levantar a cabeça e olhar para o menino que estava falando com ela – Venha comigo rápido, vou te levar para fora daqui antes que te peguem.
Lucy enxugou as lágrimas, segurou a mão do menino de cabelos cor-de-rosa, e entrou em uma porta secreta que o mesmo havia usado para entrar no quarto.
Após sair do castelo com a roupa de uma criada, que por sua vez havia ficado gigante em Lucy, a loira seguiu pela cidade sem rumo, em meio ao caos causado pelos radicais. Quando ouviu um dos cidadãos dizer para todos fugirem pois havia uma bomba ali, a menina desesperou-se e correu o mais rápido possível, conseguindo alcançar o trem que estava saindo da estação, porém, ao pular para tentar alcançar uma senhora que havia estendido a mão para ela, Lucy caiu nos trilhos,batendo a cabeça e, por fim, desmaiando.
Dez anos depois.
Lucy, uma menina doce e inteligente que havia sido criada em um orfanato de freiras. Diz ela, que não se lembra de nada antes de acordar na enfermaria do orfanato, apenas seu primeiro nome, pois usava um medalhão com ele gravado. Tinha longos cabelos louros e grandes olhos cor e chocolate. A jovem passou a última década esperando ansiosamente seu aniversário de dezoito anos. Tal data seria o dia que deixaria o orfanato e sairia em busca de sua família, mesmo não fazendo ideia de onde iniciar a busca.
Este dia era hoje.
A jovem maltrapilha, com uma mochila remendada verde musgo e seus cabelos presos em uma touca preta saia pelo grande portão de grades enferrujadas. Ao virar-se para trás e olhar o grande prédio em ruínas, despediu-se silenciosamente de sua infância triste e de seus poucos amigos que ainda residiam ali. Em seus pensamentos, era naquele momento que sua vida começava.
Virou-se para a estrada de terra batida com resquícios da neve que começava a cair e apertou o passo, a cidade não era distante dali.
Com ruas de paralelepípedo sujas e militares por todas as partes, a cidade de Magnólia estava destruída pela guerra civil. Com um certo medo e muito frio, Lucy seguia pelas ruas estreitas à procura de trocados ou abrigo, pois já estava anoitecendo.
Um homem fardado, com sobretudo marrom surrado, usando um chapéu com o brasão do exército nacional e botas pretas pouco abaixo do joelho andava em sua direção quando a parou.
—Com licença, senhorita, o que faz a essa hora na rua? Vá para casa antes que esfrie mais. – disse o homem, ríspido.
—Desculpe senhor, mas não tenho para onde ir. – respondeu Lucy de cabeça baixa, procurando evitar o bater de dentes.
—Como não tem? –perguntou o rapaz, num tom mais brando.
—É que hoje é meu aniversário de dezoito anos, não posso mais ficar no orfanato onde vivia.
—Entendo. – afirmou o homem tentando decifrar se a menina dizia a verdade. Optando por confiar em sua palavra, continuou falando. — Nesse caso, siga-me. Tenho um lugar para você. – falou estendendo a mão.
Lucy segurou a mão do homem, que a guiou para um Ford T, carro mais moderno da época, 1919.
—A propósito, meu nome é Natsu Dragneel. – disse o rapaz tirando o chapéu, revelando fios cor-de-rosa. – Qual é o seu?
—Lucy. Achei que militares só poderiam ter a cabeça raspada. –riu a menina.
—Aí é que está menina Lucy, não sou militar. Sou de um grupo da resistência, vou te levar para nossa base, o chefe vai saber cuidar de você.
—Ai meu deus, você é louco! – exclamou Lucy — Como você pode levar uma completa estranha para a base do seu grupo? E se eu fosse de um grupo rival ou sei lá?
—Se você fosse, certamente não teria dito isso. – riu Natsu – Um de nossos maiores objetivos é reunir um exército gigante que, junto com outros grupos do nosso lado, vai derrotar os militares e fazer Fiore voltar a ser o reino que era. Além do mais, não poderia deixar uma pessoa nesse frio, seria covardia.
A menina ruborizou com a última afirmação de Natsu.
Em poucos minutos, a dupla chegou à base da Fairy Tail, um dos maiores grupos da resistência contra o governo militar ditatorial que se instalou logo após o assassinato de toda a família real de Fiore. Tal base localizava-se no porão do antigo castelo, que toda a população acreditava estar fechado desde a instauração do Novo Governo.
Natsu estacionou o carro em uma trilha da floresta atrás do castelo, pegou uma bolsa verde musgo com alça de couro marrom e saltou do veículo. Eles andaram até uma porta de madeira no muro de pedras coberto por cimbalárias, o jovem de cabelo rosa bateu três vezes e um homem moreno e alto, também fardado, abriu a porta.
—Natsu. – falou o jovem, sério.
—Gray! –exclamou Natsu – O que faz aqui? Achei que agora fosse o turno da Erza, eu preciso falar com ela.
—Ela saiu em missão e eu estou cobrindo. Deve estar aí daqui a pouco. Quem é ela? – peguntou o rapaz, apontando para a loira.
—O nome dela é Lucy, ela vai ficar com a gente. Sobre isso que eu queria conversar com a Erza, ver onde ela pode ficar. – respondeu Natsu, puxando a menina pelas mãos para dentro do castelo.
—Você me parece familiar, já nos encontramos em algum lugar? – questionou Gray.
—Não, nunca vim para a cidade, sempre fiquei dentro do orfanato. – afirmou Lucy, olhando ao redor, explorando com os olhos.
Natsu e Lucy adentraram no jardim mal cuidado com enormes árvores que, nitidamente, não eram podadas há muitos anos. Depois de poucos passos, o jovem puxou para o lado algumas cimbalárias, revelando uma porta de ferro com uma espécie de identificador no lugar da tranca. Em um simples estalo de dedos, chamas formaram-se na mão do homem, assustando Lucy.
—Você é um mago? Achei que eram apenas mitos. – disse a garota, surpresa.
—Como assim? Você nunca viu um mago? Todos aqui são magos Lucy, imaginei que você também era. – falou Natsu, aproximando a mão do identificador, o que fez a porta se abrir.
—Nunca vi nada parecido, as freiras do orfanato nos diziam que vocês não eram reais.
—Então elas mentiram, todas elas. Na verdade eu ouvi dizer que só 10% das pessoas do mundo não possuem magia. Essas no caso, podem implantar lacrimas especiais que as dão poderes, mas nunca vi nada parecido.
—Entendo. – suspirou a menina, claramente decepcionada.
— Não fica triste não, é possível que você tenha algum poder, com certeza a Levy pode te ajudar nisso, ela sabe tudo.
— Claro. –sorriu fraco.
A dupla entrou em um extenso corredor escuro, a única iluminação era o fogo do rapaz. Ele a guiou por um labirinto e parou em frente de outra porta de ferro. Esta possuia um identificador diferente. Natsu tirou o sobretudo, revelando usar uma camiseta preta e, também, uma tatuagem vermelha no braço direito. Após prensar a tatuagem sobre o identificador, a porta se abriu. Finalmente estavam em Fairy Tail.
Natsu, ao puxar Lucy para dentro do imenso salão iluminado, cheio de mesas e cadeiras, com muitas pessoas e uma enorme bandeira marrom com a mesma figura da tatuagem do rosado, a menina se sentiu em casa. Um estranho calor em seu coração surgiu ao ver o rapaz sorrindo para ela e dizendo:
—Bem vinda ao lar Lucy.
Sua vida estava recomeçando.
Notas finais
Big Beijão.
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