A Realeza
4 O Bilhete
Notas iniciais
Acordei com a sensação de estar sendo observado. Então me lembrei de como fui dormir ontem à noite e abro apenas meu olho esquerdo que mesmo embaçado pelo sono consegue ver a cabeleira ruiva que esta na minha frente. Sorrio e fecho os olhos novamente.
– Observando o rei dormir? — Digo rouco ainda pelo sono.
Escuto sua risada baixa e logo depois sinto seus dedos brincando em meu peito.
– Acho que admirando é melhor. – Rimos juntos. – Ou babando... – Ela completa baixinho, acho que para que eu não ouvisse. Mas eu ouvi muito bem e isso é ótimo.
Coloco meus braços atrás da cabeça e abro os olhos. Ela sorri para mim eu retribuo.
– Dormiu bem? – Pergunto.
– Sim. Eu sempre durmo bem ao seu lado. – Ela diz com um sorriso maravilhoso.
– Eu também. E o melhor é que muito em breve dormiremos todos os dias juntos e casados.
Ela sorriu.
– Sim e estaremos sempre juntos... Teremos uma linda família e...
Isso era tudo o que eu queria: uma família com America, estar com ela para sempre era ótimo. America era tão perfeita. Enquanto ela falava, eu a olhava e então ela parou e me olhou também, mas não era o olhar de sempre. Olhávamos-nos desejosos um para o outro.
Sentei-me e comecei a me aproximar dela, sentindo seu cheiro e tudo o que eu queria era sentir seu corpo no meu. Busquei seus lábios e ela fechou os olhos e suspirou, assim que nossos beijos começou meu corpo se acendeu.
Nosso beijo se tornou urgente e minhas mãos deslizavam pelo seu corpo, podia sentir toda sua pele macia e suas curvas a apertando mais contra mim enquanto minha outra mão se perdia naqueles cabelos ruivos. Fui me sentando com as costas na cabeceira da cama e puxando America junto comigo e se sentou no meu colo, meus olhos já nem se abriam mais, seus dedos se prenderam no cabelo da minha nuca e me puxavam cada vez mais para perto dela. Uma de suas mãos desceu pelo meu pescoço até meu peito e ela me arranhou ali enquanto mordia meu lábio. Desci uma alça de sua camisola e beijei seu ombro até seu pescoço dando mordidas e beijos.
Estava adorando tudo aquilo, America se entregava com tanto amor e desejo. America se afastou me olhando e tirou a outra alça de sua camisola e puxou ela por cima de sua cabeça. America estava com uma lingerie vermelha lisa e era a primeira vez que a via assim, sem uma camisola. Passei minha mão por seu corpo parando em sua cintura, olhei em seus olhos querendo uma resposta. Ela sorriu e juntou nossos lábios brevemente e depois assentiu.
Então a deitei na cama e a beijei. Cada movimento nosso parecia ensaiado, rolávamos na cama entre beijos e até mesmo pequenas risadas de America enquanto eu explorava cada pedaço novo de sua pele eu não conseguia parar, era mais forte do que tudo que eu já havia sentindo e tudo o que eu queria era mais. Queria senti-la, faze-la sentir o amor e o prazer que eu sentir naquele momento. Queria ver mais de America então me afastei dela deitei ao seu lado e ela me olhava ofegante, a pele, que sempre fora branca, agora tinha um tom avermelhado e seus cabelos se espalhavam em seu rosto: linda. Estava prestes a me permitir ver mais dela abrindo seu sutiã, quando ambos pulamos da cama com uma forte batida na porta. Suspiramos e deitamos olhando para o teto, só ai notei minha respiração completamente ofegante.
– O que é? – Eu disse um pouco rude.
– Desculpe-me Majestade, mas a família da senhorita America esta a procura dela para tomar café irem embora e... Os outros convidados também esperam. – Consegui ouvir Stavros.
America ri e esconde seu rosto no meu peito.
– Bem diga-lhes que a senhorita America veio me acordar e já estamos descendo, obrigado. – Responde depois de rir baixinho.
– Mas... – Ele tinha algo a dizer, mas naquele momento eu realmente não me importava.
– Isso é tudo Stavros. – Grito. – Já descemos.
Esperamos até ouvir os passos descerem as escadas.
– Minha mãe vai me matar! – America exclama e se levanta pegando sua camisola, eu tiro um minuto para observar. – Esquecemos completamente de nossos convidados, Maxon!
– Calma você só veio acordar o bom rei. – Eu me levanto e caminho até ela, seguro seu rosto e ela cora. – Não tem com que se preocupar. Muito em breve estaremos casados e isso será rotina. – Beijo ela e vou para o banheiro.
America ri e corre para seu quarto.
°°SKIP°°
Não nos demoramos e descemos juntos de mãos dadas até o grande salão de jantar. Mal abriram as portas e uma chuva de flashs nos cegou. Posamos para as fotos e eu me aproximei de Stavros.
– O que estão fazendo aqui tão cedo? – Digo disfarçadamente.
– Era o que eu estava tentando dizer, senhor. Estão aqui para registrar o primeiro dia da senhorita America como princesa e para a plocamação oficial do casamento de vocês.
– Hoje?! – Exclamo.
– Sim, Majestade.
– Tudo bem. Vá até meu quarto e pegue na primeira gaveta de minha mesa uma caixinha azul e traga-a aqui, por favor.
Ele se curvou e saiu apressado.
Puxei America até a mesa onde ela sentou no meu lado esquerdo, cumprimentamos a todos e começamos a comer. America estava em uma conversa com sua mãe então provavelmente não notou as olhadas que Kriss me dava. Revirei os olhos e continuei a comer, logo Stavros estava ao meu lado.
– Peguei Majestade. – Ele colocou a caixinha na minha mão.
– Obrigada. Leve os jornalistas para a sala do trono, farei o anuncio lá e logo depois iremos para a casa da senhorita America.
– Sim, senhor. – E se retirou levando, para minha felicidade, os jornalistas.
Depois que todos comeram, fomos nos despedir deles e quando Kriss chegou perto eu olhei em volta procurando America, mas ela não estava ali. Essa mulher só some quando preciso da ajuda dela. Tentei desviar de Kriss, mas era tarde demais.
– Adeus, Kriss. – Digo acenado, mantendo distancia dela.
– Nossa Maxon, é assim que vai se despedir de mim? – Ela me olha suplicante então estendo a mão para ela. – Não era disso que eu estava falando também. — E então ela me abraça forte e sussurra no meu ouvido. – Agora vai saber onde me procurar, quando America estiver por ai encontrando guardas.
E então se afastou. O que ela queria dizer com isso?
°°SKIP°°
Todos olhavam para mim em expectativa, inclusive America. Estavam apenas a família de America, Aspen, as criadas dela e Marlee. E claro, os jornalistas.
Olhei America novamente e ela riu como se soubesse do meu desconforto. Balancei a cabeça e ri também.
– Boa tarde a todos. – Disse para começar. Um couro de “boa tarde, majestade” se formou. – Bem como sabem, escolhi America para ser minha princesa. Acho que desde o dia que a vi. – Olho para ela sorrindo e seguro sua mão. – Eu já pedi sua mão em casamento e tive o prazer de ouvir um sim, mas não foi nada oficial e eu estava me recuperando de um tiro. – Alguns riram, mas quem estava no dia do ataque não. – Bem, aqui está.
Coloco minha mão no bolso e sinto a caixinha e um papel. Não me lembro de ter colocado nada no bolso, então ignoro o papel naquele momento e pego a caixinha. Ajoelho-me segurando as mãos de America, ela arregala os olhos e me olha reprovatória.
– Maxon! – Ela sussurra.
– Agora posso me ajoelhar. – Sussurro e dou de ombros. – America Singer, me daria à honra de se tornar minha esposa, minha rainha?
America limpou os olhos e sorriu.
– Sim. – Ela disse tão baixo que até eu fiquei em duvida se ela havia dito mesmo, então apertei sua mão. – Sim! – Ela exclamou alto e pulou em cima de mim me fazendo cair no chão.
Os flashes que antes podiam ser ignorados facilmente tornaram-se ensurdecedores, assim como nossos nomes para que olhemos para as câmeras. Ajudei America a se levantar e peguei sua mão direita, onde já havia o primeiro anel que eu tinha dado a ela. Coloquei o novo anel em cima do outro em seu dedo, ela poderia escolher qual iria querer usar depois, e beijei sua mão em seguida sua boca.
Apesar de todo esse circo eu estava muito feliz em poder pedir America em casamento novamente. Era como uma confirmação de que ela me amava e que ficaríamos juntos.
°°SKIP°°
Os carros saíram em comboio em direção à nova casa da família de America. Ela estava do meu lado, segurando minha mão, mas estava em uma conversa animada com May (que implorara para vir com a gente). Eu não prestava muita atenção na conversa, gostava de andar de carro e ver o país finalmente. Observava as ruas, as pessoas e fazia pequenas anotações sobre coisas que teria que ver depois novamente.
Era um bairro rico de Illéa então não havia problemas sociais. Apenas pessoas ricas andando pela rua, brincando com seus cachorros e filhos. Não havia nenhum oito ali.
Quando o povo souber que realmente vamos derrubar as castas, vai haver preconceitos? Esperava que não. Quase ouvi a voz de meu pai dizendo: “como você é ingênuo, Maxon!”. Ri para a janela, ele tinha razão.
Chegamos à casa que era realmente grande, mas grande o suficiente para a família de America. May nos levou a um pequeno tour que terminou no quarto dela, como se ali fosse o principal cômodo da casa. Gerad logo me arrastou para o quintal onde jogamos futebol (confesso que tive que aprender como era), enquanto America foi ajudar a mãe com o almoço. Gostava de pensar nela na cozinha então pedi um tempo para Gerad e fui até lá.
Ela estava com o cabelo preso num coque desarrumado e com um avental cobrindo a frente do vestido. Sorri e fui até ela, e beijei seu ombro.
– O cheiro esta maravilhoso. – Disse sorrindo.
– Que bom. Depois desse tempo no palácio, pensei que nem saberia mais o que é um tempero. – Rimos e eu a deixei.
Estava suado, amassado e sem o palito e a gravata e muito feliz ao almoçar na grande mesa ao lado deles. America realmente cozinhava muito bem e fiz questão de comentar isso durante a refeição.
Gerad chorou quando tive de deixar ele, mas parou quando prometi que voltaríamos no próximo final de semana: eu para jogar bola e America para os preparativos do casamento com sua mãe.
À volta pra casa foi agradável e dessa vez eu quem falei demais, contando a America minha feia derrota para uma criança.
Em casa, Silvia deu um jeito de levar America para o salão das Mulheres e eu consegui uma folga de Stavros para tomar um banho, ao sair do banho, encontro America sentada na minha cama, com um papel na mão.
– O que é isso, Maxon? – Ela me olha e sei que fiz besteira, mesmo que não me lembre do que havia feito. Seus olhos estão furiosos e chateados.
– Posso ver? – Peço.
– Vai me dizer que não sabe? Estava no bolso do seu palito, que por acaso você usou o dia inteiro e eu posso imaginar mil e um momentos em que você colocou a mão no bolso, inclusive para pegar a aliança! – Ela se enfurece e joga o papel na cama e sai correndo para seu quarto, batendo a porta com força.
– America, espera! Eu realmente... – Ela já havia ido.
Vou até minha cama e percebo que o papel é um bilhete. Sento-me e leio.
“Maxon, tenho saudades da gente. De nossos encontros, nossas brincadeiras e principalmente de nossos beijos. O nosso beijo na festa só me fez sentir mais saudades ainda. Sei que ira destruir isso para que America não veja, mas saiba que eu o espero. Não importa o tempo que demore para que você perceba que eu sou quem você ama, eu estarei esperando. Kriss”.
Depois havia um endereço.
Não acredito que Kriss fez isso! Agora entendo o que ela quis dizer. Joguei o papel na lixeira e comecei a passar a mão no meu cabelo. America descobriu sobre o beijo que eu até havia esquecido.
Vou até a porta de ligação entre nossos quartos que ela havia batido e começo a bater na porta.
– America, por favor, me deixe explicar! – Grito.
Conheço America, e sei que ela não vai abrir a porta, então tento abrir, mas está trancada. Saiu pelo corredor e abro a porta de seu quarto, ela não trancou essa.
Ao me ver entrar e me olha e depois esconde o rosto no travesseiro abafando um grito. Puxo a cadeira de sua escrivaninha e me sento perto da cama.
– Estou tão acostumada a usar a porta dos quartos que me esqueci de que tem uma porta no corredor. – Ela diz ainda com o rosto no travesseiro. E então ela me olha. – Só por que estava aberta, não quer dizer que você poderia entrar. Não bate mais não? Acha que só porque agora é rei pode entrar assim no quarto das pessoas e...
Dei um beijo nela e ela correspondeu me puxando para sua cama, quando lembrou que estava brava, ela me empurrou.
– Você sente isso? – Digo olhando para ela. – Esse desejo? Essa necessidade de estar ao meu lado? Como se nosso beijo fosse a coisa mais certa e maravilhosa do mundo?
– Claro! E agora estou muito brava...
Não a deixei falar novamente e a beijei, dessa vez sua reação foi mais rápida, mas ela me empurrou com menos força, apenas me afastando.
– Eu não senti nada disso quando a Kriss me beijou. – Digo antes que ela fale alguma coisa.
– Ela te beijou? Só ela? – Ela me olha desconfiada.
– Sim. Ela me chamou e então me atacou. Assim que ela encostou-se a mim eu me afastei e disse que te amava e que ela nunca mais iria fazer aquilo. Hoje na hora de ir embora, não queria me aproximar dela. Procurei até por você, mas você havia sumido, então tive que me despedir dela sozinho. Disse apenas adeus, mas ela me abraçou e deve ter colocado aquilo no meu bolso nessa hora. Realmente eu senti isso quando peguei sua aliança, mas naquele momento tinha coisas mais importantes para fazer. Não sabia que ela tinha colocado um bilhete no meu bolso e... – Passei a mão em seu rosto. – Não sabia como te contar sobre o beijo, tive medo. Desculpe-me. – Levantei seu queixo e a olhei nos olhos.
– Sua sorte, que eu te amo demais pra ficar brava com você por muito tempo! Mas estou magoada.
Ela se levantou e saiu do quarto. Suspirei e me levantei também, tinha coisas para fazer.
°°SKIP°°
Tive duas reuniões depois de minha conversa com America, então não a vi mais durante toda à tarde. Na hora do jantar, perguntei por ela para uma das criadas e ela me disse que America não iria comer. Jantei sozinho.
Subi até o quarto de America e ela não estava lá. Comecei a ficar preocupado então fui atrás dela.
Ela não estava no jardim, nem com Marlee, nem com suas criadas e também não estava com a mãe. Ela havia me deixado? Não. Eu saberia se ela tivesse saído.
Sentei em um dos sofás do corredor, pensando em onde mais ela poderia estar. Já passava da meia noite.
Então me lembrei. Corri para a biblioteca.
Ao abrir a grande porta que havia sido trancada, suspirei de alivio ao encontrar ela dormindo em um dos sofás da biblioteca, um livro sobre a barriga, os braços como travesseiro, encolhida e descalça.
Sorri e guardei o livro, então a peguei no colo e sai da biblioteca. Mandei um dos guardas avisar aos outros e as criadas que havia encontrado ela e subi para o quarto (meu quarto havia se tornado dela também).
Tirei seu vestido e a deitei na cama.
– Não me assusta assim! Nunca me deixe. – Disse baixinho enquanto tirava meu terno e deitava ao lado dela.
Ela me agarrou e resmungou algo como “meu”. Sorri e abracei-a.
– Pra sempre, seu.
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