A Reabilitação Eficaz De Sanji
1 A reabilitação eficaz de Sanji
O bando do Chapéu de palha já estava pronto para içar velas e seguir em direção ao Novo Mundo. Todos, exceto Sanji, estavam muito animados com a viagem. Fizeram amizades inesquecíveis na ilha dos Homens Peixes, e prometeram retornar assim que pudessem, para um novo banquete.
Zoro estava escorado, de braços cruzados, observando a forma ridícula como Sanji chorava feito uma criança desmamada — berrando na verdade, era muito medonho —, despedindo-se das adoráveis Sereias, a que ele tanto sonhou conhecer.
Franky preparava a partida, checando o revestimento do Sunny. Luffy, Broke e Usopp dançavam e cantavam para os novos amigos, como um presente de despedida, envergonhando Nami, enquanto Robin sorria. Chopper estava guardando com cuidado o sangue que havia coletado dos habitantes da ilha, para que, se por ventura precisassem, não ficariam na mão. Já que Sanji ainda estava muito sensível a beleza feminina. Nunca se sabe.
— Vamos parar com essa palhaçada cook? Sobe logo no navio. — Zoro chutou a ponta da bota na madeira do navio e gritou para Sanji entrar logo e enfim partirem para novas aventuras.
— Não! Eu vou ficar aqui com essas lindas sereias, meu sonho finalmente se realizou, e não vai ser um dragão marinho idiota que vai mudar minha ideia. — Sanji estava cercado por sereias, e mesmo que o sangue não jorrasse de suas narinas, agora ele passou a ter ataques de pedra. Para despetrificar era muito trabalhoso para o médico do bando.
Zoro não aguentou mais e rosnou. — Se você não entrar agora, eu vou deixá-lo para trás.
— Mas foi o que eu disse. Não vou. — Sanji esbravejou, e os dois se olharam furiosos.
— Sanji! — Nami apareceu de repente, usando uma saia verde amarrada na cintura, presente de Robin. Mas mantendo o biquíni, agora azul clarinho. — Entra logo no Sunny. Esta na hora de partir.
— Sim!!!! Já estou indo Nami-san. — O cozinheiro voou para dentro do navio, mandando beijos para as sereias que ficaram para trás. Muito tristes por sinal, elas adoraram o cozinheiro.
Mas, nenhuma sereia mandava em Sanji como a navegadora do bando.
Zoro queria socá-lo, mas preferiu não dizer nada.
Robin estava dando os últimos toques em um de seus desenhos feitos na ilha. Nami se aproximou e encostou o queixo no ombro dela.
— Está lindo esse coral, Robin. Vai ser um desafio criar o mapa dessa ilha, mas depois de tantas ilhas em formas de nuvem, acho que eu consigo qualquer coisa. — Ela sorriu amavelmente para a arqueóloga, e no minuto seguinte ordenou, com um olhar mortal, que todos fossem trabalhar para deixar o navio pronto para a partida.
A despedida foi difícil mas alegre, eles finalmente deixaram a ilha, seguindo caminho para a próxima aventura. Luffy estava muito entusiasmado. Assim como todos.
Nami permanecia cautelosa, porque ainda estavam no fundo do mar, e aprendeu a não subestimar nenhum peixe, não importando seu tamanho.
Algum tempo depois, o capitão perguntou para a navegadora a direção que estavam indo.
— Não sei ao certo. — Todos pararam e olharam para ela.
— Algum problema? — Perguntou Robin, deixando sua prancheta de desenhos de lado.
— O Log esta maluco.
— Como assim? — Sanji se aproximou, logo depois todos os outros vieram e rodearam a navegadora, observando o log pose preso ao pulso dela. — Ele esta sacudindo para dois lados.
— Sim. Está assim há algum tempinho. Eu achei que não era nada demais, só que agora estou preocupada. Temos que escolher um lado para ir.
Todos ficaram em silêncio. Pensativos numa solução para aquele problema. Ou pelo menos até Luffy chorar por comida para Sanji.
— Idiota! Vamos escolher primeiro o lado que o navio vai seguir. — O cozinheiro reclamou.
— Olha quem fala, você queria ficar para trás, não devia ter direito a decidir nada.
— Marimo idiota.
— Cozinheiro inútil.
— Parem de brigar os dois! — Nami apartou a briga, e caminhou direto para Robin. — Já viu isso alguma vez?
— Na verdade sim. — Robin disse tranquilamente. — Tenho um livro que pode explicar o que esta acontecendo. — A arqueóloga foi em busca de um de seus livros. Nami caminhou atrás dela. — Aqui! Talvez seja isso que esteja acontecendo.
— Duas ilhas com polaridades iguais? Isso pode explicar o porque do log pose ficar assim. Mas, como podemos escolher que lado ir? Teremos que ir para as duas ilhas?
— Primeiro escolhemos uma, quem sabe a direção do log não muda?
— Sim. Mas precisamos saber qual ilha ir.
***
O bando foi reunido no convés do navio. Nami explicou a situação, porém, quase ninguém prestou atenção. Ela passou a mão na testa e suspirou. Pediu mais atenção e foi direto ao ponto. Finalmente eles entenderam. Era apenas uma votação. Ir para a ilha da direita ou da esquerda.
— Direita. — Franky fez sua voz de robô.
— Esquerda. — Robin deu seu voto.
— Direita. — Luffy gritou.
— Pra frente.
— Esquerda. — Sanji tragou o cigarro e olhou feio para Zoro, após ouvir a resposta dele. — Marimo idiota.
— Espera, eu posso mudar meu voto? — Luffy coçou a cabeça. — Qual a ilha mais perigosa?
— Não sei, Luffy. Essas ilhas são novidades para nós.
Finalmente o navio emergiu, e o revestimento já não era mais necessário. Sanji ainda estava desolado, sentindo saudades das sereias. E a cada lembrança ele se transformava em pedra.
— Sanji, Sanji. — Chopper corria na direção dele, com um martelinho na mão.
— Hey! Nami. Já decidiu para que lado vamos?
— Luffy, você é o capitão. Tem que decidir.
— Certo. Vamos para lá. — Luffy aponto na direção em que grandes nuvens negras tomavam conta do céu. Usopp arregalou os olhos junto com Chopper e se abraçaram pedindo piedade para que o capitão mudasse de ideia. — Acho que la deve ter muita aventura.
Luffy animou-se, e deu a direção Nami. Ela ficou satisfeita, porque finalmente tinha um caminho a seguir. Deixou tudo pronto nas mãos de Franky, enquanto ia relaxar tomando um banho que Robin havia preparado há alguns minutos.
Zoro pescou um peixe gigantesco para o jantar, e jogou-o dentro do aquário. Foi depois na cozinha, para avisar ao cozinheiro que o jantar já estava esperando por ele. Mas Zoro encontrou um Sanji consternado. Cortando os legumes e as verduras como se fosse um verdadeiro sacrifício.
— Quando é que você vai parar de choramingar? — O espadachim colocou suas espadas sobre a mesa e sentou na cadeira.
— Seu parvo. Não vê que foi a melhor experiência da minha vida? Como pode ser tão insensível com aquelas lindas sereias. — Os olhos dele estavam em formato de coração, Zoro olhou-o com zombaria, fazendo um barulho com a boca. — Espero que nenhum de seus sonhos se realizem.
Zoro tirou os pés de cima da mesa, e pegou as espadas, saindo da cozinha, sem dizer mais nada. Sanji acendeu um cigarro. Falou demais, sabia disso, mas o que estava feito, já estava feito. Ele se virou e voltou a preparar o jantar, logo depois foi em busca do peixe que havia pedido para pescarem, que no caso foi Zoro quem pescou.
Quando tudo estava pronto, ele chamou primeiro Nami e Robin, convidando-as para tomar um aperitivo antes do jantar. Depois, chamou os outros, que invadiram a cozinha. O jantar foi servido como nos velhos tempos: muito falatório, muita risada, e briga pelo ultimo pedaço de peixe.
— Precisa de ajuda para lavar os pratos, Sanji? — Robin se ofereceu.
— Jamais, não me perdoaria se você estragasse suas lindas unhas. — Sanji ordenou que alguns dos rapazes lavasse a louça com ele, mas quando olhou, não havia mais ninguém na cozinha, senão ele e Zoro. — Você?
— Se não quer ajuda, então faça tudo sozinho. — Ele já estava de saída quando Sanji deu de ombros e pediu para ele ficar.
Os dois arrumaram toda a cozinha em silêncio. Um silêncio perturbado para ambos até.
Quando terminou, Sanji preparou um café, serviu numa xícara e sentou-se na cadeira, relaxando o corpo. Estava um pouco cansado, mas um café e um cigarro, resolveriam tudo naquele instante. Ele assoprou a fumaça, de olhos fechados, e quando os abriu, Zoro ainda estava lá, parado como um poste.
— Vai ficar ai me olhando como se eu fosse um prêmio a ser conquistado?
— Você não esta valendo tanto. — Zoro virou o rosto. — Devia ter ficado na ilha com as sereias.
— Afinal... — Sanji levantou-se e aproximou de Zoro. — O que você tem contra as sereias? Elas são lindas, doces, amáveis. Um sonho.
— Está me assustando com essa cara de tarado. Sai pra lá. — Zoro afastou-se. — Se gosta tanto delas, devia ter ficado lá mesmo. — Zoro deixou a cozinha em seguida.
— Esse marimo idiota, o que ele tá querendo? — Sanji terminou de tomar seu café, e fumar o cigarro, levando duas xícaras de café bem quentinho para Nami e Robin.
Elas já estavam no quarto, Sanji bateu na porta e Nami abriu. Ainda bem que ela estava vestida com um casaco, porque começou a fazer frio, assim o cozinheiro não virou uma estátua de pedra. A reabilitação planejada estava funcionando. A navegadora agradeceu as xícaras de café, pegou das mão dele a bandeja, e fechou a porta antes que Sanji pudesse dizer algum elogio constrangedor.
— Toma. — Nami entregou uma das xícaras para Robin. — Então, continua me contando o que aconteceu nesses dois anos. Você deve no mínimo ter mais coisas para contar do que qualquer um aqui.
Robin sorriu. Ela possuía muita coisa importante para contar mesmo.
— Eu fiz algumas anotações durante esses anos. — Ela pegou um caderno, de dentro da bolsa e entregou a Nami, que sentou-se animada na cama, com as pernas cruzadas, segurando o livro, e tentando equilibrar a xícara na outra mão, conforme folheava as páginas.
— Durante esses dois anos eu também aprendi muita coisa. — Nami estava lendo atenta, e comentando os assuntos anotados por Robin. — Fico imaginando o que aconteceu com os outros. Todos estão muito fortes. Mas Sanji me preocupa.
— É. Talvez não tenha sido fácil para ele passar esses dois anos naquela ilha. — Robin lia um livro que Nami trouxera de Wheteria.
A navegadora piscou os olhos. Não entendendo nada do que a arqueóloga dissera.
— Que tipo de ilha ele estava? — Perguntou, fechando o caderno de anotações, e sentando ao lado de Robin na outra cama. — E como você sabe?
— Eu fui informada a ilha onde cada um ficou. — Ela continuava lendo bem calma. Nami abriu a boca, pronta para protestar. M
— Robin! Você sabia onde eu estava e não me mandou nenhuma mensagem? Tem ideia do quão preocupada fiquei? Claro que você sabe se virar muito bem sozinha, mas mesmo assim. Eu morri de preocupação. Poderia ter mandado um cartão postal da praia que estava. Um sinal, um colar de pérolas. Qualquer coisa. — ela estava extremamente enfurecida, apesar de não transparecer com a habitual cara demoníaca que fazia com os outros.
— Se eu tivesse feito isso, talvez você não se concentraria o suficiente para aprender tudo o que aprendeu. Iria querer me visitar, ou juntar todos antes da hora.
Nami cruzou os braços, emburrada.
— Não é justo. Você sabia onde estávamos e não fez contato.
— Me desculpe, Nami. Fiz pensando em seu próprio bem. — Ela abraçou a navegadora, e beijou-a no rosto. — Sabia que todos estavam bem, por isso não fiz nada. Se precisassem de ajuda, com certeza eu teria feito algum contato.
Nami tentou se manter firme, mas não foi por muito tempo. Ela desculpou Robin. No fundo, talvez faria a mesma coisa.
— Agora me conta. Que tipo de ilha Sanji estava?
Robin levou as mãos a boca, e deu uma risadinha. Nami estava muito curiosa, e não aguentava tanto suspense. A arqueóloga contou o local que Sanji passou os dois últimos anos, e a navegadora rolou na cama, rindo.
— Jura? Jura mesmo? Coitadinho do Sanji, por isso ele está agindo desse jeito — eEla continuou rindo.
— Nami, não vá fazer nada contra ele, já deve ter sofrido demais.
— Eu? Jamais faria algo para prejudicá-lo. — Os olhos de Nami denunciavam o contrário. Robin já estava quase, quase, se arrependendo de ter contado para ela.
Na manhã seguinte, as nuvens carregadas se dissiparam, o dia estava ensolarado, um calor extremo e abafado. Todos já haviam acordado e tomado o café da manhã. Nami desapareceu por alguns minutos e quando retornou, estava pronta para um banho de sol. Deitou na espreguiçadeira, e chamou Sanji.
— Me traz algo bem gelado para beber?
— Sim, Nami-sa... — Sanji sentiu o coração parar ao ver a navegadora deitada de biquíni na espreguiçadeira. Depois braços, pernas e todo o corpo se transformou em pedra. Chopper saiu correndo para ajudá-lo.
Robin, ao lado dela, riu baixinho.
— Como você é malvada.
— Eu não fiz nada. — Nami piscou para a arqueóloga, e recolocou os óculos escuros.
Zoro girou os olhos com a cena. Ele pediu para Chopper deixar com ele, porque ia dar um jeito no cozinheiro de uma vez por todas, então ele pararia com aquela frescura.
— Mas, Zoro, o Sanji está muito debilitado. Pobrezinho. — O médico estava em prantos, mas Zoro não ligou para isso. Pegou a estátua de Sanji, e levou para a cozinha.
— Você é mesmo um idiota. — Zoro falou, tinha quase certeza de que de alguma forma Sanji poderia ouvi-lo. — Já era um idiota, agora piorou. — Ele olhou o maço de cigarros de Sanji em cima da mesa, e pegou-o e jogou fora. Ele nunca gostou mesmo daquele vício.
Zoro teve dois anos para treinar, além disso, ele teve dois anos para poder pensar muito. E não conseguia admitir que sentia falta daquele cozinheiro pervertido. Pelo menos não até agora. Ele olhou bem no fundo dos olhos de pedra de Sanji, aproximando-se o máximo possível, podia sentir até uma respiração fraca vindo da estátua, ou era sua imaginação falando mais alto.
— Eu te odeio. — Ele não ia conseguir falar o contrário. Não em voz alta.
Usoop, Luffy e Chopper entraram na cozinha, fazendo uma algazarra. Chopper gritou.
— Ele ainda é uma pedra. Zoro! Você disse que ia dar um jeito.
— É? Hmm.
Usopp pegou uma ferramenta dentro do bolso lateral da calça e ajudou Chopper a quebrar a pedra em volta de Sanji. Luffy só ria, achando engraçado a forma que o cozinheiro estava, lembrando-se de que ainda queria comprar uma estátua de bronze bem grande.
Quando Sanji voltou ao normal, ele queria correr para fora da cozinha, e levar o suco que Nami pediu.
— Nem pensar. — Chopper transformou-se. Ficou enorme, impedindo a passagem dele. — Se você for lá fora, vai morrer. Nami e Robin estão tomando banho de sol.
Sanji estava obstinado a morrer em nome de sua paixão pelas mulheres. Ele tentou tirar Chopper do lugar, enquanto Usopp o segurava pela ponta da camisa.
— Larguem ele, deixa que vire pedra para sempre. — Zoro abriu a porta, mas Sanji não saiu, ele procurou os cigarros dentro dos bolsos da calça e da camisa, e não achou nada. Respirou fundo, e soltou o ar pela boca. Luffy quebrou o silêncio perguntando quando iria estar pronto o lanche antes do almoço.
— Porque vocês não vão pescar alguma coisa, e encher aquele aquário de peixes? Precisamos abastecê-lo.
— Ok! — Eles concordaram e saíram correndo para fora. Sanji calmamente fechou a porta da cozinha, e foi até uma das gavetas do armário, tirando de lá um novo maço de cigarros, acendendo um.
— Nos últimos dois anos eu passei por muitas coisas.
— Eu também passei. — Zoro disse.
— Deixa eu terminar de falar antes? — Sanji bufou irritado. — Eu estava no inferno, fugia todos os dias de demônios terríveis. — Zoro imaginou se Sanji estava numa ilha perigosa com babuínos ou outros tipos de animais selvagens que também lutavam. — Mas eu consegui fugir deles, todos os dias.
— Ótimo. Então o que aconteceu lá para te deixar desse jeito?
— Esses demônios, eles, eles... — Sanji sentia o peito doer cada vez que lembrava. Era tortuoso. — Não importa. O que eu quero dizer é que, eu estava fugindo não de vários demônios, mas apenas de um único.
— Eu não entendi. Era um ou mais que um.
— Cala a boca Zoro! Deixa eu terminar. — Sanji respirou pausadamente. — Como é que vou explicar isso para você. — Ele massageou a testa.
— Está me chamando de burro?
— Sim.
— Você que não sabe explicar, e eu que sou burro?
Eles se encararam e grunhiram como dois cães raivosos. Sanji foi o primeiro a relaxar, deu de ombros e logo depois Zoro fez o mesmo.
— Eu fugi da verdade. É isso que eu tenho a dizer.
— E que verdade é essa? — Zoro virou-se, encarando as costas de Sanji, que virou-se num instante.
— Se você está esperando que eu vou falar o que você quer ouvir, está muito enganado. Seu marimo lerdo. — O cozinheiro ficou vermelho.
Zoro sorriu, ouvindo as desculpas de Sanji.
— Certo, mas ainda não explicou porque está agindo como um idiota toda vez que vê uma mulher. — Zoro provocou-o, com outra risada sarcástica.
Sanji enfureceu-se e esperneou, gesticulando com os braços, detalhando exatamente que tipo de inferno que ele foi obrigado a viver. Zoro não conteve o riso. Ele gargalhou colocando as mãos na barriga. Sanji o olhou com desprezo, e mandou que parasse, mas Zoro não parou.
— Acho que agora eu entendo porque você está desse jeito. — O espadachim procurou algo para beber, porque sentia a garganta seca depois de tanto rir. — E então, o que era mesmo aquilo de que você fugia?
— Vai se ferrar, nunca mais conto nada para você. — Sanji foi até a geladeira, e destravou o cadeado para pegar alguns ingredientes pro lanche do bando. Ele colocou tudo dentro da pia para lavar bem e depois cortar. Zoro apareceu logo atrás dele, chegando de mansinho, sem deixá-lo perceber a aproximação. — O que está fazendo?
— Quero saber se não vai fugir de mim. Como fez com seus novos amigos. — Ele abriu um sorriso, encantador por sinal. Sanji engoliu em seco e trincou os dentes. Estava sendo testado e não ia cair nessa.
— Sai de perto, senão eu te dou um chute na bunda.
— Se quisesse já teria feito. — Ele continuou a sorrir. Sanji sentiu o coração bater forte, mas dessa vez nada de virar pedra, ao contrário, sentia-se mais vivo do que nunca. Só um pouco nervoso.
Zoro levou uma das mãos até a nuca do cozinheiro e afagou as pontas dos cabelos loiros, puxando-o para mais perto, e finalmente capturar os lábios dele com um beijo rápido. Afastou-se logo em seguida, quando ouviu uma algazarra se aproximando.
— A gente termina o assunto depois. — Falou baixo, deixando o cozinheiro em paz para preparar o lanche do bando.
Sanji demorou um pouco para voltar em si, e quando isso aconteceu, brigou com todos que estavam atacando ainda a comida que ainda não estava preparada, mas não demorou muito para que ele aprontasse tudo e em minutos, a comida já havia desaparecido da mesa.
Quando arrumou tudo, e deixou o almoço adiantado, para não ter surpresas, Sanji caminhou pelo navio procurando por uma certa pessoa. Ele passou pelas garotas, oferecendo algo para elas beberem, e dessa vez nada de ataques de pedra. Nami tirou os óculos, para ter certeza de que se tratava mesmo de Sanji. Ela olhou para Robin, que balançou os ombros sem entender nada também.
O cozinheiro encontrou o que procurava. Zoro estava erguendo um peso gigantesco, nada modesto, vestindo apenas a calça. Sanji evitou contato visual, e se aproximou, olhando apenas para o mar.
— Já com saudades de mim? — Zoro provocou.
— Eu vou embora.
— Relaxa, eu já estou terminando. — Ele continuou os mesmo movimentos por mais meia hora. E Sanji ficou lá parado, sem olhar para Zoro. — Pronto, deu para esquentar um pouco, depois eu começo pra valer.
— Você não mudou nada.
— Mudei sim. Estou mais forte, não percebeu?
— É, tá tão forte que até perdeu o pescoço. — Sanji tragou um novo cigarro.
— E você vai acabar morrendo nessa fumaça.
Sanji nem se deu ao trabalho de responder aquela provocação. Ele sentiu a aproximação de Zoro, e não impediu dele abraçá-lo na cintura, e procurar aconchego no ombro do loiro, deitando a cabeça.
— Vai continuar fugindo?
— Não.
— Ótimo.
É, até que não era tão mal assim ficar.
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