De uma carícia cálida

E um sorriso acanhado

Do olhar formou crisálida

De amor arrebatado.

De acorde acariciado,

Velhos deuses sabidos

Zelo mútuo votado

A curar males idos.

Irmandade jurada

Vexada por lascívia,

Por ninguém abalada

Colo quente, mão forte

A sarar minha dor

Salvou-me de minha morte

E a Amei com mais ardor

Pendurada por cânhamo

Balançou febril no abismo.

Em sol menor te chamo,

Em dor tremo qual sismo.

Prendem me vis grilhões:

Orgulho, honra e dever.

Freando minhas paixões,

Afligindo meu viver.

Ai de mim, amor meu!

Minhas dores são tétricas

Meu prazer anoiteceu

Em verso sem métrica

Choras por mim criança,

Lamentas minha sina

Juras por mim vingança

De dragoa divina.

Ai de mim, meu amor!

Bem sabes sou covarde.

De mim não guardes rancor,

Pois vergonha em mim arde.

Pois ouvi em meu cárcere,

Que trazes freio atado,

Tal qual escravo púbere

Por diversão espancado.

Pelas esquinas pranteia,

Enquanto louvas o algoz.

Pela vida serpeia

A chilrear sua voz.

Ai de mim, tolo e fraco!

Ai de mim que te amo!

Afundada em Baco,

Presa tal qual o gamo

Como anseio por sonhar

Embalado por tua música

Melodias de ninar;

Luxúria cinestésica

Rouba-me de mim mesmo

Parte minhas correntes!

Salva-me desse ermo,

Com teus seios me sustentes.

Levai me para o norte,

Em tuas asas ardentes,

Terra do bordo forte

E das noites luzentes.

Envolve me em teu laço,

E beija-me em meu sono.

Aninha-me em teu regaço

Do inverno ao outono.

Notas finais
Obrigado por ter lido!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!