No capitulo anterior...

A criança começou a chorar de fome e Hanabi a levou do quarto rapidamente, antes que a mãe acordasse e quisesse pega-la.

Este é o filho de Naruto. Não importa quantos filhos ele tenha, este é o seu primogênito e ele um dia terá de acertar as contas com o menino, embora seja um filho nascido do incesto e não possa subir ao trono. Mas a sorte de um jovem Hokage é inconstante. É isso! Agora, ele será o filho adotivo de Orochimaru, e teremos sempre essa arma contra o Grande Kage. E tenho certeza que quando estiver recuperada, Hinata vai ficar contente em poder deixá-lo aqui aos meus cuidados, com se fosse meu filho. Farei isso.

Capítulo III

Num dia de primavera, um ano depois da coroação de Naruto, Kushina em seu convento, estava inclinada sobre o seu bordado, tentando contar os pontos que faltava.

Sempre gostara desse trabalho, mas quando era moça, casada com Hiashi e depois com Minato, tinha muitos criados para realizarem essa tarefa para ela. As irmãs do convento sabiam apenas tecer e fiar lã e linho, havia apenas três irmãs que sabiam fazer bordados finos e entre elas, Kushina era a mais prendada.

Estava apreensiva. Naquela manhã, ao sentar-se para começar o bordado, julgara ouvir um grito, e se sobressaltou, olhando em volta. Parecia que tinha ouvido a voz de Hinata gritar “Mãe!” em agonia e desespero, no entanto, o convento estava silencioso e vazio a sua volta, e após alguns segundos de duvida, Kushina se benzeu e voltou ao trabalho.

Ainda sim... Uma pequena sensação no fundo do seu coração, na parte que Hinata ocupava, parecia estar oprimida, como se pressentisse algum perigo para a filha. “Deixe de bobagens, você renunciou à magia faz muito tempo” pensou ela com firmeza.

Há alguns meses, Tsunade enviara-lhe uma mensagem que dizia: Se Hinata estiver ai com você, diga-lhe que está tudo bem”. Kushina então ficou com o coração na mão, e respondeu que não via Hinata desde a coroação de Naruto.

Se Hinata deixara Atlântida, era porque devia ter brigado com Tsunade. Era fato inédito uma sacerdotisa jurada, do mais alto grau e ainda por cima da realeza da Ilha, sair por conta própria. Pra onde Hinata teria ido? Teria fugido com algum amante, estaria passando fome e frio? Teria ido para o reino de Hanabi? Estaria morta em qualquer lugar?

Pensou em contratar um ninja para mandar uma mensagem à Hanabi, perguntando sobre a filha, mas o inverno chegou violento, e cada dia ali representava uma batalha contra o frio, a fome, as rachaduras, a terrível umidade por todo o lado.

Certa vez, numa das raras noites tranqüilas de inverno, Kushina julgou ouvir a voz de Hinata gritar angustiada “Mãe! Mãe!” e juntava as mãos. \"Hinata sozinha, aterrorizada – Hinata à morte? Onde, ah Deus, onde?

Lembrava-se de ter gritado assim também quando Hinata nascera num inverno chuvoso. Estaria Hinata dando a luz a algum filho? Kushina se lembrava de Hanabi ter feito brincadeiras na coroação de Naruto, dizendo que Hinata estava tão caprichosa com sua comida quanto uma mulher grávida. Contra a vontade, Kushina se viu contando nos dedos; sim, se realmente fosse verdade, Hinata teria dado a luz ao seu filho no auge do inverno.

E Kushina voltava os pensamentos para a filha e sentia o quanto a tinha negligenciado para cuidar de Minato e do filho dos dois. Não era a sombria e triste Hinata da coroação, mas a menininha alegre da infância, que dormia com o irmãozinho, a cabeça loira de Naruto encostada nos cabelos escuros e finos de Hinata. Tão bonitinhos...

- Senhora, há visitas na sala exterior. Um deles é o próprio Bispo!

Kushina deixou de lado o bordado fino e os pensamentos obscuros.

- Porque o Bispo deseja me ver?

- Não sei senhora. Ele não quis falar nem à madre superiora. – respondeu a moça.

- E quem são os outros?

- Não sei senhora, mas um deles é um mago e feiticeiro, um druida!

Kushina terminou de ajeitar o véu e virou-se para a moça. Era muito maior que a maioria das mulheres, o que as deixava numa posição de inferioridade diante da força que Kushina emanava.

- Ele não é um mago, é o Grande Sannin do Fogo, meu pai, um erudito, treinado na ciência dos sábios.

A moça inclinou-se, aceitando a correção, e Kushina entrou na sala.

Viu não apenas o Sannin e o Bispo, como também um outro, que não reconheceu, nem mesmo quando se virou. Por um momento fugaz, pareceu a Kushina estar encarando o rosto de Minato.

- Gwydion! – exclamou, para logo em seguida emendar – quero dizer Naruto.

Ela teria se ajoelhado diante do Hokage, se ele não tivesse se antecipado, impedindo-a.

- Mãe, nunca se ajoelhe na minha frente, está bem? – e virando-se para o Bispo de aspecto severo, explicou – essa é minha mãe, a rainha de Minato. Mas agora ela tem uma honra superior, pois é noiva de Cristo!

Dificilmente uma noiva, pensou Kushina, apenas uma mulher que se refugiou em sua casa.

- Vamos nos sentar para conversar, sim – convidou simplesmente, fazendo um sinal para as noviças servirem o vinho.

- Obrigado mãe. E por favor, mande alguma coisa pra Sai e Neji que vieram comigo. Não permitiram que eu viajasse sem escolta. Insistem em fazer para mim o serviço dos criados, como se eu não pudesse levantar um braço sem eles, mas posso fazer tudo sozinho como qualquer samu...

- Seus companheiros terão o melhor – prometeu Kushina, pegando a mão calejada do filho e olhando-o nos olhos, tão parecidos com os de Minato.

- Como estão as coisas com você meu filho?

Olhando-o bem, teve a impressão que ele estava dez anos mais velho que o rapaz magro e comprido da coroação. Seus ombros ficaram mais largos e parecia ter crescido mais meio palmo. Havia no rosto uma cicatriz vermelha, mas já estava fechando, graças a Deus... bem nenhum guerreiro podia evitar um ou dois ferimentos.

- Como vê mãe, andei combatendo. Agora que os rebeldes recuaram, pudemos descansar melhor. Vim em missão de paz. Mas e a senhora, como está morando aqui?

- Ah, nada acontece por aqui – disse ela com um sorriso – mas recebi uma mensagem há algum tempo perguntando por Hinata. Ela está em sua corte?

Naruto balançou a cabeça negativamente.

- Hinata está na corte de Orochimaru, no Norte, Neji me contou quando o irmão dele, Sasori, veio para o sul ingressar nos meus exércitos. Disse que Hinata foi fazer companhia a Hanabi. Sasori a viu uma ou duas vezes, mas ela parecia bem e tranqüila; toca violão e canta, e ajuda Hanabi a controlar a despensa.

Uma expressão de intenso sofrimento passou pelo rosto de Naruto, o que chamou a atenção de Kushina. Apesar disso, preferiu ficar calada. Após alguns instantes, Naruto continuou, com a voz sumida, a expressão de sofrimento se agravando no rosto:

- Acredito que Sasori ficou apaixonado por ela.

- Que bom que ela está bem, eu estava preocupada com ela.

Não era aquele momento, com o Bispo presente, de perguntar se Hinata tivera um filho, nem de investigar o motivo daquela perturbação do filho. Naruto pareceu acordar de algum pensamento sombrio e voltou-se para a mãe novamente.

- Bem mãe, vim lhe falar sobre mulheres já que tocou no assunto. Parece que preciso me casar. Não tenho outro herdeiro senão Neji....

- Tome cuidado com Neji – disse Kushina – Orochimaru vem esperando todos esses anos. Não dê as costas para o filho dele.

Os olhos de Naruto chamejaram, irados.

- Nem mesmo a senhora deve falar assim de meu primo! É um dos meus companheiros jurados, quero-lhe bem como a um irmão, como ao próprio Sasuke! Eu lhe confiaria a vida e a honra!

Kushina ficou espantada com sua veemência, e deu um sorriso.

- Deve ser um desgosto para Orochimaru que o filho dele goste tanto de você, meu filho.

- Não sei o que fiz para que me queiram tanto bem, mas é isso que acontece.

- Sim – concordou Jiraya – Neji será firme e leal até a morte, Naruto, e além da morte se pudesse. Mais leal ainda do que Sasuke, Naruto, embora me custe a dizer isso.

Naruto sorriu e Kushina pensou, com uma dor no coração, que ele tinha todo o encanto de Minato e também podia inspirar grande lealdade nos seus homens. Como era parecido com o pai!

- A Sasuke eu também confiaria minha vida e minha honra.

Jiraya observou, num suspiro:

- Ah sim, pode confiar-lhe a vida, tenho certeza... Tenho certeza de que ele não falhará na hora decisiva, pois ele certamente o ama e o protegeria com sua própria vida. Pode confiar-lhe a vida sem medo, agora a honra...

- Senhores – cortou Kushina – Vamos voltar ao assunto? Falávamos de Neji e Sasori, e do casamento de Naruto...

- É uma pena – lamentou Naruto – Já que os filhos de Orochimaru gostam tanto de mim e ele com certeza está doido pra ter um herdeiro perto do trono, que tia Hanabi não tenha uma filha, para que eu pudesse ser seu genro.

- Isso seria bom – admitiu Jiraya – pois tanto você quanto Hanabi são da linhagem real de Atlântida.

O Bispo Shinzo interrompeu, amuado:

- E Hanabi não é irmã de sua mãe, alteza? Casar-se com sua prima seria quase como se fizesse amor com sua própria irmã.

Naruto estremeceu e corou até as raízes dos cabelos claros. Kushina concordou:

- Tem razão. Ainda se Hanabi tivesse uma filha, seria impossível pensar nisso.

- Seria fácil pra mim gostar de uma irmã de Neji – lamentou Naruto – A idéia de me casar com uma completa estranha não me agrada nem um pouco, e acredito que a moça não ficará muito satisfeita também.

- Isso acontece com todas as mulheres – disse Kushina, surpresa com sua firmeza – Os casamentos devem ser decididos por aqueles que têm mais sabedoria do que as moças inexperientes.

- O rei Bunko me ofereceu a filha dele, não me lembro o nome dela agora, com um dote de cem dos seus melhores homens, todos armados, e, ouça mãe, cada um deles com os cavalos que cria, pra que Sasuke os possa treinar. E se eu tivesse uma cavalaria com mais de 400 homens... bem, poderia expulsar os rebeldes de uma vez desta terra!

Kushina riu:

- Isso não me parece razão suficiente boa para se casar, filho. Os cavalos podem ser comprados, e os homens, contratados.

- Mas Bunko não quer vendê-los. Ele quer se unir por laços de parentesco ao Grande Kage. Ele não é o único, mas me ofereceu mais do que qualquer um. Na verdade, eu vim pedir um favor a senhora mãe: não quero que Bunko embrulhe a filha dele com um pacote e a mande para mim, como se fosse parte do dote de cavalos e arma, então pensei se você não poderia levar-lhe a resposta e acompanha-la até minha corte?

Kushina estava doida para respirar ares novos, mas tinha votos no convento.

- Você não poderia mandar um dos seus homens, Neji ou Sasuke, acompanha-la até sua corte?

- Neji é um safado mal-acabado, não sei se gostaria de ver minha noiva perto dele – sorriu Naruto – que seja Sasuke, então.

Jiraya, entretanto, disse num tom sombrio:

- Acho que você devia ir também, Kushina.

- Porque vovô? – perguntou Naruto – Acha meu primo tão bonito que minha noiva se apaixonaria por Sasuke e não por mim?

Jiraya apenas suspirou, e Kushina teve um mau pressentimento, respondendo rapidamente:

- Eu irei meu filho, se a abadessa me liberar das tarefas.

A abadessa não proibiria a antiga Rainha do Fogo, a mãe do Grande Kage, a comparecer ao casamento do filho. E sentiu que, depois de muitos anos como rainha, não era fácil sentar-se atrás dos muros, sem saber do que acontecia no mundo. Talvez esse fosse o destino de toda a mulher, mas Kushina o evitaria, enquanto pudesse.

Notas finais
reviews?