\"E no fim, eles descobrem que não falharam, mas que cumpriram o que lhes foi dado para fazer.\" por Gwenhwyfar

A Rainha do Fogo

Segunda Temporada – continuação de Senhora da Magia

Capitulo I

Sakura, filha do rei Bunko, estava sentada no alto do muro do jardim e observava os cavalos no cercado lá embaixo. Apesar de sua madastra Shizune insistir para ela sair do castelo e olhar o treinamento de perto, Sakura sentia um imenso pavor de toda aquela imensidão do céu e da terra... Só de olhar para o horizonte nu, suas mãos começavam a suar, e sentia aquele pânico avassalador fechar-lhe a garganta.

Só ali, atrás daquela velha muralha, ela se sentia protegida. “Mas protegida de que menina?” perguntava-lhe sempre uma Shizune exasperada, mas Sakura não conseguia explicar. Como explicar a sensata e pratica Shizune que aquele véu azul imenso sobre sua cabeça e a vastidão do terreno é que lhe davam medo?

Só no convento a haviam compreendido. Ah, o querido convento, se ela pudesse passaria a vida inteira em Glastonbury, mas Sakura já era uma mulher e precisava ajudar a madrasta com os filhos pequenos.

Os homens lá embaixo tinham vindo a mando do Grande Kage do fogo Naruto negociar o tributo que o rei Bunko teria de pagar. Estavam fazendo uma demonstração do poderio da cavalaria do Hokage, mas os olhos verdes da moça seguiam a investida de apenas um dos cavaleiros.

Seu corpo esguio, envolto num manto escuro, movimentava-se agilmente, os cabelos negros escondendo parte dos olhos. Sakura percebeu o porquê dos rebeldes o chamarem Flecha da Escuridão. O moço era comparado aos centauros, seres fantásticos da mitologia grega, metade homens, metade cavalos, tanto era sua habilidade em conduzir o animal.

Sasuke finalmente conseguira laçar o cavalo que queria. Os homens fora do cercado e até mesmo seu pai gritaram uma advertência e Sakura quase gritou também: aquele cavalo negro não era montado nem mesmo por seu pai, já havia matado inúmeros amansadores, era completamente rebelde. Sasuke, no entanto, esperou o cavalo se aproximar numa velocidade incrível e de um salto conseguiu subir na cela do animal e dali do castelo, Sakura pode ouvir sua voz risonha:

- De que adianta dominar um cavalo que pode ser montado por uma menina, com uma corda de palha? Quero que vocês vejam, se eu colocar essa rédea assim, posso controlar qualquer cavalo...

E com destreza conseguiu colocar a rédea no garanhão indócil. Com as botas, bateu no flanco do animal que empinou as patas dianteiras, relinchando furiosamente, e Sakura ficou observando, boquiaberta, ele inclinar-se para frente, obrigando o garanhão a baixar as patas e a sujeitar-se. O cavalo começou a correr novamente e Sasuke puxou a rédea com força, segurando o cavalo com firmeza. O garanhão tentava escapar com movimentos laterais e Sasuke, o rosto vermelho, puxou três Kunais presas por um fio quase invisível.

- Agora prestem atenção – gritou, enquanto o cavalo andava de um lado para o outro, indócil – Suponhamos que aquele saco de palha seja um daqueles rebeldes estúpidos que ficam parados no campo de batalha...

Alguns homens riram, a tensão e expectativa eram palpáveis no ar. Sasuke deixou o cavalo correr, lançando-se sobre o gramado. Os outros cavalos se espalharam quando ele se aproximou do saco e passou reto. Os homens de Bunko que começaram a rir congelaram ao ver o saco, aparentemente intacto, de repente sair arrastado, preso em volta pela corda. Sasuke deu um puxão violento e as kunais se juntaram, fazendo a parte de cima do saco rasgar-se totalmente.

Um arrepio percorreu todos e até Sakura, ao longe, sentiu parte daquela emoção. Imagine o que aquele ataque faria à cabeça de um homem... Sasuke voltou o enorme cavalo negro e puxou a espada da bainha, circulando o saco despedaçado, e avançou para o grupo no cercado, que recuou diante da “fera negra”. Sasuke deteve o animal com perfeição na frente do rei e desmontou, curvando-se num cumprimento.

- Senhor! Peço permissão para treinar seus cavalos sob o nome de Naruto, Hokage do Fogo, para nossa próxima batalha contra os rebeldes em suna.

- Eu não jurei fidelidade a Naruto – exclamou o pai de Sakura – Minato era diferente, já era um samurai experiente...

- Ainda pensa assim depois das batalhas que ele venceu? – retrucou Sasuke – Naruto conserva o trono a mais de um ano, e quer o senhor tenha jurado fidelidade ou não, em toda a batalha que ele trava com os rebeldes são as suas terra também que ele está protegendo. Cavalos são ainda pouco o que nós pedimos.

Bunko fez um aceno com a cabeça.

- Aqui não é o melhor lugar para tratarmos disso. Vamos até a minha casa e poderemos tomar alguma coisa enquanto discutimos. Quanto a esse cavalo, sir Sasuke, pode considerá-lo seu como presente do reino de Bunko.

Sasuke curvou-se novamente.

- Agradeço senhor – e Sakura pôde ver o brilho de alegria nos seus olhos escuros. Ficou imaginando quantos anos ele tinha.

De um pulo, saltou o muro do jardim e entrou correndo na cozinha, onde Shizune dirigia o jantar para os homens do Grande Kage.

- Shizune, meu pai está chegando com sir Sasuke, o representante do Hokage, vão querer tomar alguma coisa enquanto negociam.

Shizune olhou para a moça surpresa. Sakura não costumava tomar atitudes quando seu pai recebia visitas.

- Obrigada Sakura. Vá se arrumar e você poderá servir sir Sasuke, estou muito ocupada aqui na cozinha.

Sakura correu para o quarto e trancou a porta. Aproximou-se do enorme espelho e lentamente tirou a faixa do kimono, deixando-o cair no chão. Se algum rapaz estivesse passando ali por acaso, e olhasse pela janela, certamente se apaixonaria imediatamente. Sakura era uma beleza estonteante, excitante, venerável. Seu corpo branco brilhava com a luz do sol, os seios médios empinados e rosados, os pelos púbicos de um rosa muito claro.

Vestiu um kimono verde água, porque era a cor que mais realçava sua beleza e destacava seus olhos. Desfez a trança e deixou as belas madeixas caírem, onduladas nas pontas, e pôs alguns anéis de donzela nos dedos esguios.

Sabendo então como desagradava o pai mostrar seu rosto a um estranho, vestiu um véu verde transparente e finalizou com a pequena coroa de princesa. Pegou uma bacia de prata pura e encheu de água da chaleira, depois jogou pétalas de rosas e entrou na sala no momento que seu pai e Sasuke chegavam. Ofereceu a bacia ao seu pai primeiro e ao se virar para Sasuke, o moço sorriu abertamente e ela sentiu que fora reconhecida.

- Não nos encontramos antes na Ilha de Glastonbury, senhora?

- Conhece a minha filha, sir Sasuke? – perguntou o rei Bunko, franzindo a testa.

Com a voz mais humilde possível – pois sabia que falar com igualdade a seu pai o irritava – Sakura respondeu:

- Ele me ajudou a encontrar o convento quando me perdi, meu pai.

O Rei Bunko sorriu:

- Minha querida cabecinha de vento, você se perde se der um passo pra fora de casa. Bem sir Sasuke, o que acha dos meus cavalos?

- Já lhe disse que são bons senhor. Temos cavalos vindos de um país distante chamado Espanha, que são rápidos e corajosos mas não em numero suficiente. O senhor tem aqui a maior cavalaria do país e se permitir que eu os treine, o senhor poderá montá-los na próxima batalha...

- Não – disse o pai – Estou velho e cansado, não quero saber de mais guerras. Minhas mulheres só me deram meninas doentias como filhos e quando a mais velha delas se casar, o marido é quem defenderá esse reino. Diga ao seu rei que venha até aqui e examinaremos o assunto.

Sasuke disse secamente:

- Sou primo e amigo do Grande Kage, mas nem mesmo eu lhe digo o que ele deve fazer.

- Então diga a ele que venha ver um velho que não pode mais fazer viagens longas – disse o rei aborrecido — E poderemos discutir a questão dos meus cavalos.

- É claro, senhor – respondeu Sasuke formalmente.

- Agora chega desse assunto. Filha sirva-nos um pouco de sake. – pediu o rei e Sakura aproximou-se timidamente, corando ao encarar os olhos escuros do moço.

- Agora pode ir minha filha.

Reconhecendo que fora dispensada, Sakura saiu para o jardim e novamente subiu no muro, atenta à movimentação fora do castelo. Quando ouviu que fossem preparar o cavalo de sir Sasuke, tremeu com sua ousadia. Tirou a coroa e arrancou o véu, deixando-o cair para o jardim interno. Ajeitou como pode os cabelos, pos o decote do vestido mais para baixo e beliscou as duas bochechas, para que ganhassem uma cor avermelhada.

Observou o cavalo de Sasuke ser deixado na porta do castelo, junto com o garanhão negro. Sakura então, viu Sasuke sair e montar o cavalo e num ato de valentia que não era sua característica, pulou o muro para o outro lado. Tremeu então: será que ele a acharia muito atirada? Mordeu os lábios, para ter o mesmo efeito das maçãs, e foi se postar embaixo da arvore.

Sasuke a viu sob o grande carvalho e sorriu, e aquele sorriso dominou o coração da princesa.

- O senhor não tem medo desse cavalo grande e rebelde?

Sasuke sacudiu negativamente a cabeça e disse jovialmente.

- Minha senhora, acho que ainda não nasceu um único cavalo que eu não possa dominar.

E Sakura, baixando a voz, perguntou quase num murmúrio:

- É verdade que você controla esses cavalos com o poder da sua magia?

Sasuke deitou a cabeça para trás numa sonora gargalhada.

- Não senhora. Eu apenas sei como a cabeça desses bichos funciona. – e num tom mais zombeteiro – Será que pareço feiticeiro para a senhora?

- Mas... Dizem que o senhor descende do povo das Fadas?

O riso de Sasuke tornou-se mais grave.

- É verdade, minha mãe é do velho sangue das Fadas, o povo que governou essas terras antes do homem. Ela é sacerdotisa em Atlântida e uma mulher muito sábia.

- Eu sei que o senhor não falaria mal de sua mãe – continuou Sakura mais confiante – mas as irmãs do convento de Glastonbury disseram que as feiticeiras de Atlântida eram bruxas malignas...

Ele sacudiu a cabeça, agora sério:

- Não é verdade. Conheço pouco minha mãe porque fui criado em outro lugar, mas ela é uma mulher muito boa, que ajudou Naruto a subir ao trono e lhe entregou aquela espada lendária. Isso lhe parece ruim? E quanto a ser feiticeira, só os ignorantes falam dessa maneira. É bom que uma mulher seja sábia.

Sakura corou ante a resposta do moço e baixou a cabeça.

- Eu não sou sábia. Sou muito idiota, aprendi a cozinhar e fiar com dificuldade e só a alguns anos atrás que consegui que meu pai me deixasse aprender a ler e a escrever. Não sou uma boa dona de casa.

- Para mim isso seria um mistério maior ainda do que o treinamento dos cavalos, que a senhora considera feitiçaria. – disse o moço cortesamente, com seu grande sorriso. Inclinou-se então sobre sua montaria e tocou levemente o rosto de Sakura com a mão – Se Deus permitir e os rebeldes não voltarem a atacar nossa fronteira, voltarei com o Grande Kage e a verei novamente. Reze por mim, minha senhora.

E virando o cavalo, bateu as botas no flanco do animal fazendo-o empinar, ao mesmo tempo em que tirava o chapéu negro para a princesa.

Sakura ficou olhando-o sumir, o coração batendo forte. Ele voltaria para vê-la, ele queria voltar. E seu pai disse que ela deveria se casar logo com alguém que pudesse comandar seus homens e seus cavalos contra os rebeldes; e quem melhor do que o primo do Grande Kage, o capitão da cavalaria real? Estaria o pai pensando em casá-la com Sasuke? A moça corou de satisfação e entrou no castelo.

- Tem uma habilidade notável com os cavalos esse Sasuke, mas bonito demais para ser alguma coisa mais que isso. – comentou seu pai.

E Sakura exclamou surpresa com sua ousadia:

- Se o Hokage fez dele capitão da cavalaria, ele deve ser o melhor dos guerreiros!

Bunko deu de ombro.

- Ele é primo do rei, dificilmente ficaria sem um posto nos seus exércitos. Será que ele tentou conquistar seu coração ou – o olhar do pai fez Sakura tremer de medo – sua virgindade?

- Ele é um homem decente – respondeu ela, aborrecida com seu medo – e o que disse pra mim poderia ter sido dito na sua frente, pai.

- Bem, não ponha idéias nessa sua cabeça de vento – retrucou Bunko mal humorado – você pode olhar para coisas melhores do que esse bastardo. Porque casar-se com o capitão do Hokage? Se tudo correr como eu planejei você se casará com o próprio Grande Rei.

Sakura recuou, dizendo:

- Eu teria medo de ser Grande Rainha.

- Você tem medo de quaquer coisa – disse o pai com brutalidade – É por isso que precisa de um homem pra tomar conta de você, e o Rei é melhor que o capitão do Rei!

Viu a filha tremula de medo e disse-lhe calmamente:

- Vamos menina, não chore. Sei o que é melhor pra você, tem que confiar em mim. É pra isso que estou aqui, pra cuidar do seu futuro e lhe conseguir um bom marido que cuide da minha pequena e linda cabeçinha de vento.

Se ele estivesse zangado com ela, Sakura poderia ter continuado na rebelião. Mas como vou me queixar de um pai que só quer o meu bem?, pensou desanimada.

Notas finais
N/A: Bom, eu nao ia continuar essa fic, mas quem pode lutar contra o poder da criatividade? A fic que eu queria escrever não consigo mais ter ideias, essa daqui já tem 4 capitulos prontos uú Espero que gostem e mandem reviews o