A Rainha de Copas

18 No topo de Gotham.


– Rainha, bom ver que chegou cedo.
A voz veio de suas costas, doce e suave, mas assustadora, ela nem precisou se virar para saber de quem se tratava.
– Coringa... – Ela falou baixo e virou-se em direção a ele, seu vestido preto e comprido cobria todo seu belo corpo e somente se fazia visível uma das pernas em uma abertura que o vestido fazia na altura das coxas.
– Está muito bonita, espero que tenha gostado do vestido.
– Sim, ele é lindo. – Ela sorriu, visualizando o vestido em seu próprio corpo por um pequeno tempo. – Bem, o que fazemos aqui a essa hora da noite?
– Eu apenas a trouxe para jantar.
Ela arqueou uma das sobrancelhas. Jantar? Estavam no topo de um prédio, na cobertura. Suspirou, “tinha que ser o Coringa”, pensou e pela primeira vez na noite ele sorriu para ela.
– Venha comigo.
Ela assentiu e o acompanhou até a mesa posta por ele ali mesmo no alto do prédio, sentando-se numa das cadeiras que o outro havia puxado para si.
– Espero que goste da comida também.
Ela observou a comida, pouco desconfiada, afinal, era o Coringa e por fim o viu experimentar um pouco do macarrão feito. Ela sorriu, mais tranquila e experimentou igualmente, bebendo um gole do vinho servido por ele logo em seguida.
– Eu sei que não me trouxe aqui só pra jantar, me diga, qual é o problema?
Não há nenhum problema, minha querida. – Ele sorriu novamente.
– E então?
– Gostaria de lhe pedir uma coisa.
Ela sorriu com grandes expectativas, será que ele finalmente ia fazer O pedido? Aquele que tanto esperava... Não sabia. Ele retribuiu o sorriso e aproximou a cadeira pouco mais da mesa.
–Agora que está mais velha, vejo que amadureceu muito. Então... – Ele fez uma pausa, os olhos da garota brilhavam. – Gostaria de ser minha cúmplice e me ajudar na destruição de Gotham?
O sorriso dela sumiu no mesmo instante e continuou a observá-lo apenas.
– O que?
– É, é uma decisão muito grande a tomar.
– Você me deu um vestido, fez um jantar e me trouxe aqui... Pra perguntar isso?
– Ora, me preocupei em fazer toda essa chatice por você. O que foi?
– Eu esperava... Outra coisa.
Ela desviou o olhar e suspirou, sentia como se ele estivesse tão perto, e tão distante de si ao mesmo tempo. Levantou-se e virou-se a seguir o caminho a porta de saída do local, porém, o outro foi mais rápido e segurou-lhe braço antes que pudesse tocar a maçaneta. Ele a puxou, seguindo em silêncio em direção a ponta do local, deixando-a ver a rua lá embaixo, tão alto que ela pôde sentir o arrepio percorrer a espinha.
– O que... O que vai fazer?
Ele levou ambos os braços ao redor da cintura dela e a abraçou, aproveitando que os cabelos da outra estavam jogados de um lado apenas e lhe distribuiu beijos pelo pescoço, mantendo o sorriso malicioso nos lábios ao fim de cada um deles.
– Me diga, bonequinha... O que você vê?
Ela uniu as sobrancelhas, não queria admitir, mas sentia-se tão segura em seus braços.
– Bem... Toda Gotham.
Ele riu, mesmo baixo.
– Sim, Gotham. Tudo que você vê pode ser seu, se aceitar. Eu te levarei comigo pra conhecer cada canto dessa cidade, e levaremos todos eles a ruína. Eu posso te dar tudo o que você quiser...
Ele deu um passo à frente e ela se assustou, fechando os olhos, porém não recuou. Ele por fim, parou antes que pudessem correr o risco de cair de uma altura tão alta.
– E se você cair, eu também caio.
As mãos dele percorreram todo o corpo da outra até lhe alcançar o queixo, virando-lhe a face em direção a dele e lhe beijou os lábios num selo breve, mordendo-lhe o lábio inferior a fazê-la gemer de dor, ah e como ele se arrepiara com o gemido vindo dela.
– O que me diz?
– Eu... Eu aceito.




Angelique passou pela porta de cabeça baixa, carregava com as duas mãos a bagagem pesada, não só de roupas, mas também de sentimentos. Estava exausta, queria se deitar em sua cama novamente e poder descansar sabendo que o amanha seria um dia melhor,sabendo que amanha ele estaria de volta com um sorriso no rosto, e que os problemas iam desaparecer, mas agora, já não era tão simples assim... Nada era.
As garotas logo encobriram ela de perguntas,tantos meses fora sem dar satisfações deixou até a própria Vanity preocupada, mesmo que atendesse sempre as ligações dela. Vanity aproximou-se da garota, dando-lhe um longo abraço e afastou as outras, ela olhou a ruiva nos olhos por alguns segundos e então soube de tudo. Sem precisar de perguntas, palavras a mais, sabia que as noticias do jornal sobre o desaparecimento do palhaço tinha a ver com aquela expressão tão seca, e já sabia também onde estavam as crianças.
A ruiva desceu as escadas em silêncio, não havia dito uma palavra desde que entrou, e nem diria. O corredor de seu quarto agora estava vazio, não havia mais sinal das gêmeas ali em pé, ninguém mais para guardar seus segredos. Não havia mais segredos.
O quarto estava impecavelmente limpo, como sempre fora. As malas ela largou no chão, depois arrumaria, mas agora não importava. De seus olhos ela retirou os óculos escuros e deixou na cômoda, deitando-se na cama logo em seguida. Xeque mate, pensou. Mas ainda estava longe de acabar.
Ela manteve os olhos fechados, algum tic tac chato de um relógio ecoava pelo quarto, talvez por ali houvesse algum relógio, ou talvez um coelho segurando um relógio, correndo para dentro de uma toca, é, estava atrasado para a festa da rainha, a festa de boas vindas de volta ao mundo podre que ela chamava de país das maravilhas. É, com Alice não era muito diferente.
Por que tinha que ser tão difícil? O que havia feito de errado? Onde tinha errado? Era uma rainha de copas sem um rei, embora sempre houvesse preferido o bobo da corte. Mas agora gostaria de lhe cortar a cabeça por si própria. Sentir a faca deslizando por aquela pele branca e impecável que ele tinha, ou quem sabe os lábios... Não, a faca, tinha que se concentrar na faca, ou tentar. Ela balançou a cabeça, tentando se livrar dos pensamentos que tinha, não conseguia cogitar a ideia de matá-lo, quando pensava na ideia de uma faca, preferia pensar nele deslizando ela pelo próprio corpo numa ameaça muda, causando buracos na pele, e na alma. De fato, ela nunca havia sido muito correta, e tinha quase certeza de que era completamente louca, mas de uma coisa sabia, loucura era a melhor maravilha do mundo.
Em sua mente, se passavam flashes, lembranças há muito esquecidas, talvez até pudesse ouvi-lo chamar o próprio nome num sussurro, senti-lo retirar as próprias roupas, peça por peça que acabavam amassadas no chão do quarto, rasgadas, sem vida. Ela apertou o lençol entre os dedos e mordeu o lábio inferior, algo pulsava no corpo dela, algo além da raiva... Desejo, loucura. Maldito seja. O que era tudo isso? Era realmente amor, ou só a loucura a envolvendo como um véu obscuro, impedindo-a de visualizar a razão? Não... Não! Iria matá-lo se pudesse, iria esfaqueá-lo, arrancar os pedaços dele como fez consigo, estraçalhar o coração dele, queimá-lo e guardar sua cabeça na coleção. Maldito seja, e repetia “Maldito seja!”.
Ela se levantou e via seus movimentos lentos, como em um filme, ela abriu o armário e de lá retirou todas as roupas dele, puxando-as a arrancá-las dos cabides e as jogou no chão, na gaveta ao lado da cama ela pegou a faca ali deixada e ajoelhou-se, pegando roupa por roupa e retalhando em mil pedaços que caíram como tiras pelo quarto, como pedaços de memórias, agora estavam todas jogadas no chão. Ela apertou a faca entre os dedos, sentindo o sangue que escorria por seu pulso, sujando suas roupas, as suas e as dele, e nunca uma memória chegou a ser tão próxima, mas de seu rosto, as lágrimas escorriam como sangue, manchando seu rosto e seu orgulho.
Ela finalmente viu o fim.


Os passos na escada foram encobertos pelo barulho que fazia nas ruas, ela quase corria a carregar consigo a bolsa em uma das mãos, o salto de cor preta batia no chão num barulho seco até que enfim alcançou a porta da mansão Wayne. A campainha soou alta, mas abafada do lado de fora da casa, e como de costume, quem a atendeu foi Alfred, que abriu um enorme sorriso ao ver que se tratava da ruiva.
– Senhorita Angelique! Entre, o que faz por aqui essa hora?
– Olá Alfred, eu vim ver o Bruce. Ele está?
– Ah sim, ele está. A senhorita gostaria de um chá?
– Não, não Alfred, vou ser rápida, tenho que pegar o avião.
– Avião? Para onde a senhorita vai?
– Eu vim me despedir, Alfred... Estou voltando para Paris.
Ele pareceu extático por alguns momentos.
– A senhorita vai nos deixar? Ora, Bruce não ficará nada feliz com isso.
– Eu sei, Alfred... Mas... Já está na hora de seguir em frente, e aqui... Não me vejo feliz.
– Bem, se a senhorita prefere assim, quem somos nós para impedi-la?
Ela sorriu.
– Ele está no quarto, no andar superior. Eu vou chamá-lo.
– Não, Alfred... Não será necessário, eu vou até lá.
Ele assentiu e deu espaço para que a garota seguisse em direção à escada. Angelique deslizou pela escada com seu vestido preto e curto, na altura das coxas, não estava de fato feliz, mas
parecia deslumbrante como sempre fora, talvez o brilho estivesse de volta.
Ao adentrar o quarto, ela tentou abrir o melhor sorriso que pôde, mas o que encontrou de fato não era o que esperava. Bruce estava sentado em frente à sua escrivaninha, em mãos um mapa da cidade com diversos pontos marcados com caneta vermelha em alguns x, excluindo vários lugares. Nas paredes, tinham fotos do palhaço, fotos próprias e alguns jornais da policia, que alegavam ter visto Coringa andando pelas redondezas, todos mentirosos. Algumas pessoas por anos deram depoimentos, sem realmente ter visto, tentando ganhar fama e dinheiro com a recompensa que a policia de Gotham estava oferecendo pela cabeça do palhaço e os filhos da garota vivos.
– Bruce? – Ela falou baixo, caminhando para dentro do quarto.
Ele se virou num sobressalto e a observou. Ele parecia acabado, como se um caminhão houvesse passado por cima de seu corpo.
– Angel... Faz tempo que não aparece aqui.
– De fato... O que aconteceu? Por deus, você está horrível, está parecendo um bêbado. E cheira como um também.
Ele ergueu a garrafa de vodka que estava ao lado do móvel.
– Achei que não bebesse.
– E eu não bebo.
Ela permaneceu em silencio, tentando buscar informações, tentando entender e por fim suspirou.
– Bruce... Eu estou indo embora.
– Indo embora pra onde?
– Pra França.
– O que? Você não pode ir! – Ele disse a se levantar.
– Bruce... Já chega disso tudo... Já chega.
– Você tem que esperar! Eu prometi a você. Eu prometi que iria achá-los. Eu vou, confie em mim.
– Bruce, por favor, pare. Eu não tenho mais esperanças...
– Toda a policia está atrás dele, nós vamos achá-lo, eu sei que sim! Eu estou bem perto... Uma mulher disse que o viu passando na rua...
– Já faz seis anos!
Ela gritou, e o silencio se fez presente no local.
– Já faz seis anos, Bruce... Seis... Malditos... Anos. Eu não aguento mais. Não aguento mais me olhar no espelho e ver que sou a imagem cuspida e escarrada dele. Não aguento mais a dor que venho carregando nesse tempo todo... Já chega.
–Angel... Você não pode ir agora.
– Eu estou indo. Passei apenas para me despedir. Adeus, Bruce.
Ele a observou e por fim segurou a mão dela.
– Não! Por favor...Fique... Fique só mais uma noite. Só mais uma.
– E por que eu deveria?
– Porque amanhã eu vou ver a Arlequina no hospital.
– E... Por que isso deveria ser importante?
– Ela tem que saber onde o Coringa está.
– Bruce, se eu não sei...
– Por favor, Angel... Só essa noite. Se não for relevante o que ela disser, eu mesmo levo você ao aeroporto e não insisto mais. Nunca mais.
Ela ponderou por alguns segundos em silencio, observando um ponto qualquer do quarto e por fim suspirou.
– Certo, mas quero o meu quarto antigo.
– É todo seu.
– Ótimo, agora vem, vou te dar um banho, fazer sua barba, e cortar esse cabelo. Está parecendo um profeta. – Ela riu.
– Isso foi uma piada?
– Cuidado, Bruce, você acaba de deixar cair seu senso de humor.


– O que você tem aí?
– Ah, não... Não vou falar.
– Vai, eu desisto mesmo, não vou ganhar de você, foi idiotice achar que conseguia. – Ele suspirou.
– Um Flush. – Ela riu e colocou as cartas na mesa, todas de copas.
– É, eu teria perdido. Você e essas malditas cartas, quantas vezes tirou só cartas de copas?
– Não sei, mas deve ser o meu destino mesmo.
Ele jogou as cartas sobre a mesa e bufou, ela riu e tirou mais uma carta do baralho, erguendo-a próxima a face e sorriu a ele, mostrando a rainha de copas.
– Certo, como eu venci... Eu escolho suas calças.
Ele arqueou uma das sobrancelhas.
– Brincadeira. – Ela riu.
Ele riu igualmente e pegou uma das cartas do baralho, observando o Coringa e permaneceu em silêncio, porém disfarçou a manter o sorriso ainda em sua face.
– Tenho um bom pressentimento sobre amanhã. Eu vou descobrir algo.
– Não vá com tantas expectativas Bruce... Não acho que a Arlequina vai dizer alguma coisa.
– Ela não está mais como antes. Já faz seis anos que não fala com o amado pudinzinho dela. Ela já teve dois ataques e já tentou se matar duas vezes.
– Tsc... Cachorro de bêbado.
– O que?
– Cachorro de bêbado. Sabe? Quando você chuta e ele volta depois de pouco tempo. É ela.
– Ah, entendi.
– Ela se deixa levar muito fácil pelas coisas, não sei como se formou e virou doutora do Arkham.
– Eu me pergunto isso todos os dias. – Ele falou a observar as cartas.
– Enfim, quero ir com você amanha até o Arkham.
– Não. Você vai ficar em casa.
– Ah, qual é Bruce?
– Não e não. Lá é muito perigoso.
– Quem vê pensa que não estive lá antes.
– Angel, não insista, não vou te expor a isso.
– Ah certo, e vai me deixar aqui de novo? Sozinha com o Alfred a mercê dos capangas do Coringa?
– Ninguém mais viu o Coringa.
– Você o conhece! Veio até pessoalmente me buscar.
Bruce permaneceu algum tempo em silencio e logo desviou o olhar a ela.
– Eu ganhei o jogo... – Ela fez bico. – Três vezes.
– Tá, tá bem, mas vai fazer o que eu mandar.
– Okay. – Ela sorriu. – Quer jogar de novo?
– Não, estou com sono.
– Sei... Está é com medo de perder de novo.
– Quem disse?
– Está sim que eu sei!

A luz do dia iluminou todo o pequeno quarto do Arkham, mas não vinha de nenhuma janela, vinha do interruptor no centro do teto. Não havia janelas na sala onde a garota estava dormindo há dias, ou talvez anos, ela havia perdido a conta depois de tanto tempo, não fazia diferença afinal. As roupas vermelhas e pretas, haviam sido substituídas por roupas brancas e sua maquiagem havia sumido da face, já não existia mais esperança de um amanha, era como se tudo se reduzisse naquela pequena cela acolchoada e as refeições trazidas em horários certos por um medico acompanhado por dois guardas. As câmeras monitoravam o quarto vinte e quatro horas por dia, os guardas não deixavam passar um movimento, isso é porque a loira já havia tentado se matar duas vezes nos últimos anos, então todos os médicos concordaram que ela não era muito confiável de ser deixada sozinha. Além de ficar em observação, ainda haviam retirado do quarto qualquer tipo de coisa com que ela pudesse se machucar. No geral, o tédio a consumia, e não podia pensar num modo mais lento de morrer do que aquele. Era o pior tipo de tortura, estar presa numa cela, sem poder fazer nada o dia todo, só pensar em como seu amado havia traído a sua confiança e ficado com outra garota.
As batidas contra a porta foram firmes, à uma hora dessas, ela não imaginava quem poderia ser, mas de qualquer maneira, não tinha um relógio, então dormia como se fosse duas da manha, e devia ser. O médico adentrou o local acompanhado da estranha figura, que a loira já estava acostumada a ver, mas era a ultima pessoa que imaginava que poderia entrar por sua porta num momento como aquele. O Batman.
O médico ajudou-a a se levantar e ela resmungou, odiava que a tratassem como uma inválida, sabia onde a cadeira ficava e até lá seguiu, sentando-se em frente ao morcego.
– Harley Quinnzel.
– O que é, B-man?
– Vejo que está terrível. Suas olheiras estão quase no queixo.
– Isso não é problema seu! – Ela falou, emburrada.
– Acho bom colaborar, eu não vou voltar aqui de novo, e qualquer colaboração sua será importante para achar o Coringa.
– A essa altura, depois de seis longos anos mofando nessa cela, já perdi a esperança de que ele volte pra me ver.
Batman permaneceu a observá-la em silencio por um instante, pensativo.
– Não tem nem ideia de onde ele pode estar?
Ela estreitou os olhos, virando a cara ainda a manter o semblante emburrado.
– Por favor. – Falou Batman, observando o guarda. – Pode nos deixar a sós por um instante?
O rapaz assentiu e levantou-se, dirigindo-se para a porta.
– Arlequina, por favor. Coopere.
– E porque eu ajudaria você a pegar o meu Coringa? Já não é obvio que eu não iria querer isso?
– É, mas se eu o trouxer de volta pra cá, poderá vê-lo de novo.
Ela o observou por alguns segundos e por fim franziu o cenho, a expressão de raiva sumindo aos poucos.
– Bem, se não vai me falar então eu vou embora. – Ele fez menção de se levantar e a loira segurou o braço dele.
– Não! Espere... Eu... Eu só quero o meu Coringa de volta... Batman... – Ela disse e as lágrimas rolaram pela sua face.
Batman a observou com o típico olhar severo.
– Então diga.
– Ele... Ele não me disse pra onde ia. Ele me disse que iria embora por muito, muito tempo, e que eu não dissesse a ninguém os planos dele, que ele ia me recompensar, mas já faz seis anos... E eu não o vi mais. – Ela deu uma pausa para um soluço em meio ao choro. – Ele... Ele não vai mais voltar...
– Ele não te disse nada? Nem uma pista? Um lugar? Uma frase?
– Ele... Ele me disse “Não se preocupe, enquanto você estiver aqui eu vou estar longe, e enquanto todos estiverem me procurando, eu vou estar olhando para eles do topo de Gotham”.
Batman ficou em silencio novamente, os pensamentos dele alcançavam outro lugar, se perguntava coisas, tentava resolver enigmas em sua própria cabeça, mas nada, nem uma pista de algum lugar. Sem isso era difícil, precisava de um ponto de partida, e agora tinha, topo de Gotham, procuraria em lugares altos, mas por onde começar?
Na sala do guarda, Angelique assistia a cena com atenção, a face estava quase colada à tela, ouvindo cada palavra que se desfazia em algo detalhado em sua mente, era vital ser atenciosa a cada detalhe, mas o impacto de sua ultima fala a atingiu como uma bomba, como pode ser tão idiota? Perdeu a conta de quantas vezes perguntou isso a si mesma. O topo de Gotham! É claro! Então era isso o tempo todo. Poderia ter ido procurar ele no local, mas achou que era obvio demais, e esse era o ponto, Coringa sabia que era obvio demais, e por isso foi pra lá. Era a chance que tinha, e teria que correr.
Batman saiu da sala, agora decidido, tinha um lugar para começar as buscas, e iria correndo dizer sua ideia para Angelique, porém quando voltou até a sala do guarda, encontrou a cadeira dela vazia.
– Onde ela está?
– Ela saiu correndo, tentei impedi-la, mas ela se desvencilhou e não disse nada.
Batman estreitou os olhos ao rapaz, furioso.
– Eu te disse pra cuidar dela!
– D-Desculpe... – Ele tremeu. – Eu não pude.
Batman saiu como um vulto da sala do rapaz, rápido e preciso, correu para o portão da frente, e empurrou todos que tentaram impedi-lo de chegar até lá. Tinha que achar a garota. No ultimo portão ele se deu de frente com a rua pouco movimentada da madrugada, em plenas duas da manhã, a rua estava deserta, e não havia nem sinal da garota, talvez ela soubesse onde o palhaço estava, mas por que não havia contado a si? Como pôde pensar que agindo sozinha conseguiria vencê-lo? Droga, Angelique! Droga...

Notas finais
Muitas, muitas divisões de cenas...