A Rainha de Copas
14 "God save the Queen".
Os dias passaram rápido na casa de Bruce Wayne. As noites eram longas e os dias eram curtos. Por vezes, via-se numa noite fria encarando o teto, sem a mínima vontade de dormir, queria se mover queria sair dali e fazer alguma coisa, pensava em ir ao jardim, mas como poderia em meio a noite? Bruce dizia que era perigoso sair lá fora, sem contar o medo que ele tinha de que escapasse dali e fosse embora sem deixar rastros ou se fizesse muitos movimentos e acabasse por perder os bebês que carregava. Cansava de dizer a ele que estava melhor, se sentia melhor, mas ele não parecia confiante sobre isso, achava que era somente uma desculpa qualquer para se manter fora da cama.
Era certo, se aquilo não a matara, o tédio o faria a qualquer momento. Já estava próxima de seu nono mês de gravidez, e não podia mais suportar ficar dentro daquela casa, vez ou outra a única coisa que podia fazer era sentar-se em sua cadeira de rodas na cozinha e observar Alfred enquanto fazia suas tarefas comuns como o jantar. Gostava de vê-lo cozinhar, afinal, nunca tivera talento para isso, nem para tarefas domesticas. Algumas vezes o fazia comprar ingredientes e preparar um bolo para si, quando sentia desejo de comer algo. Era quase incomum aquelas sensações tão diferentes, sentimentos confusos, comuns da gravidez. Às vezes via-se chorando sem motivo algum. De certo modo, pensava em como a própria vida acabara daquele modo, presa no cômodo da casa de alguém que não conhecia, e que não sabia absolutamente nada sobre, somente sabia o básico, que era dono de uma grande empresa, e que dificilmente ficava em casa a noite, sabia que algo de estranho existia, afinal, Alfred sempre lhe dava algumas desculpas idiotas, mas nunca ousou dizer que desconfiava dele, nem tinha esse direito, afinal, Alfred sempre fora tão bom para si. E como poderia esquecer daquele cavaleiro mascarado que salvara a si quando estava a beira da morte? Aquele francês, apesar de irritante e insistente era adorável, mas não o via há muito tempo, gostaria de poder falar com ele, pelo menos mais uma vez, embora tudo parecesse tão distante do tempo antigo agora, os seis meses, haviam passado parecendo anos e era como se não houvesse mais realidade fora dali. Como Vanity estaria cuidando de sua boate? Será que estaria fazendo o trabalho certo? Não tinha noticias dela fazia muito tempo, nem dela, nem das outras meninas que trabalhavam para si, e isso era muito triste, ver um passado perdido entre cinzas de um baralho queimado. Mas nem havia chegado nos piores pensamentos ainda. Se perguntava todos os dias, todas as horas e todos os segundos se o palhaço estava bem. Como poderia? Era realmente uma imbecil. Ele havia enganado a si, quase morrera por causa dele, e ainda descobrira que ele havia matado os próprios pais, mas ainda o amava com todas as forças que tinha. Sentia dentro de si o bater de um coração ferido, mas ainda vivo, com pedaços remendados por uma antiga agulha enferrujada, e sua única função era bater por um amor que nunca teria de volta. – A senhorita está quieta hoje. Disse Alfred a observar a garota sentada sobre o sofá, a expressão triste a fitar a xícara de chá em sua mão, que repousava sobre o pequeno pires de porcelana. – Estou desolada, Alfred. – Ah, senhorita, sei como é triste ficar aqui sozinha na mansão. Ela é grande demais, às vezes passa mesmo um ar triste. Ela suspirou e esticou-se para colocar o pequeno pratinho com o chá sobre a mesa. – Não é que eu não aprecie sua companhia Alfred, não me entenda mal. É só que... Eu gostaria de ter algo mais estimulante para fazer. – Eu me lembro quando o pequeno Bruce me dizia o mesmo. — Ele falou e riu, parecendo perdido em tantas lembranças. – Ele se sentava nesse mesmo sofá, emburrado e dizia que nada do que tinha para fazer o agradava. Ela sorriu e o observou, interessada. – E por fim... O que ele fazia? – Ora senhorita Angelique, o que toda criança faz quando está entediada? – Bem... Não sei, Alfred, o que? – Eles constroem um mundo novo com coisas para fazer. Ela ponderou sobre a resposta e riu. – É, tem razão. O mordomo sorriu a ela e abaixou-se para pegar sua xícara vazia. – Mais chá, senhorita? – Não, obrigada, Alfred. Ela suspirou e levou ambas as mãos sobre a barriga volumosa sobre o casaco preto que usava, já em transição para seu nono mês de gravidez, e não teve vontade de se levantar se não havia nada para fazer. Porém antes que pudesse pensar em algo, a campainha soou num ruído incomodo pela casa. Ela fez menção de se levantar, mas o mordomo já retornava da cozinha. – Fique tranquila, eu atendo a porta. – Ta bem. – Suspirou e aguardou. Quem poderia ser a essa hora do dia? Aliás, quem não poderia ser, era isso que tinha que se perguntar. Durante a semana várias moças vinham à procura de Bruce Wayne, assim como vários executivos também, até riu consigo mesma ao se lembrar que já havia espantado uma das moças quando entrou na casa e viu a si sentada no sofá e a enorme barriga onde abrigava os próprios filhos, ela havia saído rapidinho de fato, lembrou-se de se desculpar com Bruce depois disso. Mas não era nenhum executivo, nenhuma moça apaixonada e nem algum policial, era um rapaz alto e bonito, com cabelos médios e castanhos, os olhos em um tom de castanho bem claro, encantador, e ele parecia mais lindo do que nunca, foi o que ela pensou ao vê-lo entrar pela porta carregando consigo uma caixa de presente com o enorme laço vermelho. – Angel? Ela sorriu e se levantou a recebê-lo, abraçando-o com cuidado pela barriga que impedia a si.
– Ora... Vejo que eles já estão quase nascendo. Ela riu. – É, eu... Estou entrando no nono mês agora. Desculpe, gostaria de lhe dar um abraço apertado, mas... – Não se incomode. – Ele sorriu, gentil como sempre. – Eu lhe trouxe presentes. – Presentes? Pra mim?! – Sim, é claro, e por que não? Ela sorriu e se sentou no sofá novamente, ele se sentou a seu lado, entregando-lhe a enorme caixa negra que ela recebeu animada, arrancando rapidamente o grande laço vermelho que a mantinha fechada e logo foi a vez da tampa cair ao chão. Ele sorriu, se sentia feliz com a felicidade dela, de fato era um sentimento verdadeiro, gostava da garota, ela o fazia feliz, mas nos últimos meses, algo impedia que ele pudesse ficar ao seu lado. Ela retirou da caixa as roupinhas de bebê, uma a uma, observando-as com o enorme sorriso nos lábios, de fato eram a coisa mais fofa que já havia visto em toda a sua vida, não teria tanto sucesso em escolhe-las como ele havia feito, e a maioria eram para um casal, iguais, porém com cores diferentes. – Muito obrigada! – Ela falou, sem que perdesse de seus lábios aquele pequeno brilho dos dentes brancos. – Por nada, Angel. Vejo que você está bem melhor. – É, eu estou melhorando. Ela sorriu e deixou a seu lado a caixa com as pequenas e delicadas roupas, atenciosa ao rapaz a seu lado, e ele tinha a atenção presa em seu rosto tão lindo e delicado, que parecia ter sido coberto por uma camada de pó branco e em seus lábios parecia existir o mais vermelho dos batons, mas nela não ficara feio, queria beijar aqueles lábios, queria eles para si, era como se os lábios dela o chamassem, mas conteve-se. – Bruce estava certo, afinal. Ela uniu as sobrancelhas ao ouvi-lo, sem entendê-lo. – O que? – Ah, então você não sabe? Bruce aplicou em você uma antitoxina. – Uma... Antitoxina? – Sim, ele ficou em dúvida sobre aplicar ou não, poderia lhe fazer mal, mas... Por fim, vejo que decidiu aplicá-la. Ela riu a observá-lo. – Então foi o Bruce? Ah... Que alivio. – Por que alivio? Ela parou antes que falasse algo errado e o observou. – Ah, não foi nada. – Pois bem... Você está radiante. Ele sorriu, e num gesto simples segurou a mão dela entre as próprias, ela lhe retribuiu o sorriso do melhor modo que pôde, desviando o olhar às mãos que seguravam as próprias carinhosamente, porém o sorriso sumiu aos poucos ao notar que em seu dedo anelar já existia uma aliança de prata. Ela soltou a mão dele em um gesto simples e em seus lábios o sorriso pouco decepcionado surgiu, ele não a entendeu, mas respeitou o espaço que a outra pedia. – Bem, eu... Tenho que ir. Eu passei só para vê-la, faz tempo que não venho aqui. – É... Faz um tempo mesmo. – Eu prometo que virei em breve. Gosto de falar com você, minha rainha. Ela sorriu, apenas gentilmente dessa vez e retribuiu o beijo que ele depositara em seu rosto, assistindo-o se levantar, após uma breve carícia nos próprios cabelos e seguir até a porta, saindo ao ter a porta aberta pelo mordomo. Não sabia mais o que estava acontecendo. Sentia em si um conflito interno, uma mágoa e tristeza que jamais sentira antes. O que havia feito? Havia se dedicado demais a alguém que se quer gostava dela e deixara escapar de suas mãos o bravo cavaleiro que a salvara. Como pôde ser tão idiota? Ele estava ali o tempo todo, era só chamá-lo, mas estava ocupada demais sentindo-se amargurada por alguém que nunca a quis como ele a queria. Ela permaneceu em silencio ali sentada, e sentiu a única lágrima solitária percorrer seu rosto até cruzar a linha do queixo e desaparecer. – Por que está chorando, Angel? Ela ouviu a voz que veio próxima da cozinha, era Bruce ali em pé, observando a si. Certamente ele havia entrado pela porta dos fundos. – Ah, não é nada... – Gosto dele, é um bom rapaz. – Ele falou a se sentar ao lado dela. – É, ele é... – Encontrou uma boa moça também, e acho que você já notou. Ela apenas abaixou a cabeça, em silencio. O rapaz a observou por um tempo e deslizou uma das mãos pela face dela a acariciá-la, erguendo-a em direção a ele. – Não chore, Angel. Não é bonito ver um anjo chorar. Ela sorriu apenas e secou as lágrimas com a ajuda de uma das mãos. Mesmo aquilo a deixando triste, teria que aceitar as consequências das próprias escolhas, foi assim que o palhaço a ensinara afinal, encarar tudo de frente. – Ele me disse que... Você aplicou a antitoxina em mim. Obrigada, ela realmente me ajudou muito. Bruce a observou por alguns segundos e arqueou uma das sobrancelhas em seguida. – Mas eu... Eu não apliquei a antitoxina. Eu deixei para aplicá-la logo pela manhã, mas quando cheguei você parecia bem melhor, então... Achei que havia se recuperado sozinha. Ela uniu as sobrancelhas, atônita a observá-lo. – Você... Você não... Não aplicou? – Não. Mas por que está tão surpresa? Ela manteve o olhar, não poderia olhá-lo de uma outra forma se não aquela. Algo a havia curado, mas não sabia o que era, e nem como explicar o que sentia. Queria saber o que de fato havia acontecido, queria uma explicação pela morte ter sido retirada de suas veias. Ela contou a ele, com detalhes o sonho que tivera com o palhaço, que ele havia entrado em seu quarto no meio da noite, e que havia lhe dado uma noite que nunca sonhara em ter, mas que antes de sair, havia lhe aplicado uma injeção dolorosa na perna. E aquela frase que não saia de sua cabeça, ecoou de novo “Eu a amo demais para matá-la ou vê-la morrer”. – Eu... Sei que foi só um sonho... Afinal, quando acordei a janela estava fechada e eu estava vestida como estava quando me deitei. Bruce a ouviu atônito, absorveu palavra por palavra e tentava processá-las em sua mente, não, não era possível, como poderia ser? Ele se levantou e observou um ponto qualquer da sala, inexpressivo, pensativo talvez. – Bruce? O que foi? – Ela disse a observá-lo. – Eu entrei no seu quarto de manhã. Eu fechei a janela do seu quarto, estava frio e você estava tremendo. Eu não sabia qual era o motivo de estar sem roupas, mas presumi que poderia estar incomodando você, ou algo do tipo, então a vesti novamente. Eu não fazia idéia de que... A garota o observou, extática enquanto ele falava, então... Era verdade? Quer dizer, ele esteve mesmo ali consigo naquela noite? Bruce seguiu até a cozinha, determinado e ela se levantou com pouca dificuldade pelo volume em sua barriga, seguindo-o até o outro cômodo. – Senhor, onde vai? – Disse Alfred a observá-lo. – Ao Arkham. O Coringa escapou há meses e ninguém notou. – Bruce! Deixe-me ir com você! – Não, você fica, é muito perigoso. Ela estreitou os olhos. – Eu me acho no direito de... Antes que ela pudesse terminar a frase, ele se virou a observá-la. – Angel, não quero que se machuque e nem que as crianças se machuquem, fique aqui e não faça nenhuma besteira. Alfred, preciso da sua ajuda lá embaixo. – Mas afinal, o que diabos alguém como você poderia fazer contra o Coringa? Ele vai acabar com você! – Não, não vai. – Claro que vai, você é só um milionário inútil. Ele se aproximou novamente dela e levou a mão sobre o ombro da garota, notava na face dela a expressão assustada, talvez impressionada com a própria coragem, ou talvez, achasse que tudo o que fazia era uma completa idiotice. Na verdade ela não entendia porque ele iria se arriscar por ela. – Angel... Eu sou o Batman. ♥ Ao chegar no Arkham, Bruce, que agora vestia sua roupa de morcego foi logo avisando os guardas, com um olhar severo sobre eles, afinal, era a obrigação deles saber do paradeiro de seus próprios prisioneiros. Os guardas se entreolharam, como era possível? Haviam visto o palhaço no almoço e jantar, como de costume, nada havia mudado, ele não havia saído, ou ao menos era o que pensavam. – Vocês viram algo suspeito sobre ele ao menos? – Bem... Há alguns dias atrás a Arlequina surtou. – Surtou? – Sim, ela teve um acesso de choro e queria se matar na própria cela dela, ela teve que ser presa por sua própria segurança. Ela esta mais louca do que nunca. – É claro, com o homem que ela gosta apaixonado por outra, até eu ficaria assim. – O segundo guarda falou e riu a observar o primeiro a seu lado. – Não é hora para brincadeiras! O Coringa escapou e está por aí fazendo as maldades dele. – Ora, Batman, você fala conosco como se tivesse notado antes que ele fugiu. Já fazem seis meses como falou, qual a possibilidade...
O guarda olhou para o outro que lhe retribuiu o olhar, e antes que pudesse terminar a frase, Batman havia sumido, entraria para falar com os doutores, não perderia tempo com idiotas como eles. Ao cruzar o primeiro corredor, deu sorte de encontrar uma das doutoras, e essa já era conhecida, a doutora de cabelos castanhos e óculos. Ela se assustou ao vê-lo e recuou alguns passos. – Batman! Por deus, você me assustou. O que faz aqui? – É sobre um dos prisioneiros, doutora. O Coringa escapou. – O que? Como assim escapou? – Sim, já fazem seis meses. A doutora permaneceu a observá-lo, atônita, agora tinha a resposta do porque há meses os guardas da cela dele não a deixavam vê-lo. Malditos! Deviam ter sido pagos por ele. – Você acredita em mim, não é doutora? – Sim, há meses os guardas da cela do Coringa não me deixam vê-lo. Dizem que ele está com acessos de loucura ou algo do tipo, vários doutores tentaram, mas eles chegaram até a ameaçar um deles. Mas escute o que eu digo... Ele arranjou um substituto para ficar no lugar dele, afinal, alguns médicos não falam nada porque os guardas os deixam ver o Coringa em sua cela, mesmo de longe. A expressão de Batman era fria, gostaria de entender porque nenhum medico o contatou, ou então a policia, mas nada disse, apenas deixou escapar o suspiro pesado. – Pode me levar até a cela, doutora? Ela assentiu e deixou sobre a mesa ali próxima algumas fitas com nomes dos pacientes. – Me acompanhe. Ele seguiu junto dela, todos os lances de escadas até chegar à cela onde o palhaço ficava. Tinha uma proteção extra ao contrario de todas as outras, é claro, não seriam tão bobos, afinal, se tratava do Coringa e não de algum louco qualquer. A mulher parou no corredor ao lado de onde ficava a sua cela e mostrou a ele os guardas que guardavam o local, explicando que eram eles que não a deixavam entrar e se quer ver nada por ali. Batman assentiu apenas e não pensou duas vezes antes de seguir em direção ao local. Como imaginava, os guardas se aproximaram dele e estreitaram os olhos com caras fechadas. – Não pode entrar. – E quem disse que eu pedi permissão? O morcego falou e viu um deles retirar uma arma de sua calça, ele foi rápido com o movimento a retirar a arma de sua mão e batê-la com toda a força contra a face do primeiro rapaz que caiu no chão sem mais se mover, ele retirou o pente de balas da arma e jogou-o no chão junto à arma, empurrando o segundo guarda para perto da parede até que fosse capaz de bater a cabeça dele contra o concreto, suficiente para desmaiá-lo por algumas horas, então virou-se e fez sinal para que a doutora se aproximasse. – Quando eu for embora, mande alguém buscar eles e levar de volta ao Black Gate. Ela assentiu e desviou o olhar para a porta atrás do rapaz, arqueando uma das sobrancelhas em expectativa para saber quem ali estava. Batman abriu a porta, empurrando-a e ouviu um barulho sinistro até que ela batesse contra a parede. Para sua surpresa, encontrou ali uma cena bem familiar, é claro, já havia vivido ela antes. Ali dentro havia uma mesa no centro, e o rapaz sentado jogava cartas, despreocupado enquanto o morcego adentrava a sala, acompanhado da doutora. – Muito engraçado, mas eu já passei por isso antes. Ao falar, ele ergueu o rapaz pela gola da camisa e observou o rosto dele pintado de branco, o homem que erguera parecia muito assustado com toda a situação, mas mesmo assim, ele sorriu, Batman soube na hora, era outro dos prisioneiros do Black Gate, ou um louco que fora sentenciado ao Arkham, sem duvida. – Onde está o Coringa?! Falou alto e claro, e pelo tom, o rapaz ali entre suas mãos sabia que ele não repetiria a pergunta. Ele abriu um sorriso insano em sua face, mesmo que ainda pudesse ser visto o medo em seus olhos e por fim ele levou uma das mãos ao bolso do terno roxo que usava, retirando o pequeno papel que parecia ter sido queimado, e continha uma única frase: God save the Queen. Batman o soltou no mesmo instante, deixando-o cair no chão junto à cadeira que também despencou, não se importava, afinal, tinha o olhar preso a um canto qualquer da cela. Virou-se, rápido e correu para a saída, encontrando a doutora no caminho. – Batman! O que houve? – Eu preciso ir doutora, nos falamos depois. E desapareceu antes que ela pudesse lhe perguntar mais alguma coisa. Não se lembrava quando foi a ultima vez que dirigiu tão rápido para algum lugar, o batmóvel rasgou as ruas por onde passou sem deixar nem rastros de que esteve ali, e em um segundo estava estacionado em frente à própria casa. Ele saltou do carro e correu para dentro, pulando vários degraus da escada até entrar, mesmo pela porta da frente. – Alfred! – Gritou e da cozinha veio o murmúrio que não pôde compreender. Ele correu até a cozinha e lá encontrou o mordomo preso a uma cadeira, tentando falar, porém estava com a boca coberta por uma fita que tratou de arrancar logo, junto das amarras. – Alfred, você está bem? O que aconteceu aqui? – Ora patrão... Ele mesmo veio buscá-la. Tentei impedi-lo, mas sabe que um velho como eu não pode fazer muita coisa. – Não se preocupe, Alfred, você fez um ótimo trabalho. Disse ele a se levantar e observar a janela que agora era apenas cacos no chão. – Ele estava com dois capangas, senhor. “Maldito Coringa!”, pensou, como pôde deixar tudo chegar a aquele ponto? Como pôde ser tão descuidado e deixar com que ele a levasse? Ele sabia que iria procurá-lo no Arkham, certamente ele deveria estar vigiando a casa há semanas, só aguardando uma possibilidade, uma deixa, um modo de entrar. O suspiro pesado deixou os lábios dele e observou o papel que ainda carregava em uma das mãos, amassando-o com toda a raiva que pôde entre os dedos. – Eu vou achá-la, nem que seja a ultima coisa que eu faça.
Notas finais
"Hey Doc, it's Joker again! I'll catch the thing that belongs to me.What are you saying, Joker?HAHAHA, my Angelique. She is waiting for me. But not for long..."
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