A RUNA BRANCA DE ODIN
4 CAPÍTULO TRÊS – Ao encontro do destino
Notas iniciais

Pandora voltou ao grande salão. Homens e mulheres continuavam bebendo noite adentro, as piadas ficaram mais maliciosas e o clima sensual foi tirando alguns de cena. O calor aumentou no ambiente que rescendia a carne assada, hidromel e suor masculino.
Sentindo os efeitos da bebida, ela decidiu se retirar. Quando deixara os aposentos de seu irmão, esperava que a festa já estivesse acabando, mas Shina, apesar de ter bebido tanto quanto o homem que derrotara na queda de braço, ainda estava animada. E, antes que ela viesse tentar levá-la para a cama, era melhor ir se deitar e evitar constrangimentos.
– Inferno... – murmurou ela ao sentir uma onda de tontura.
– O hidromel do jarl é forte. Até mesmo eu já sinto ter que parar. – falou Radamanthys, ao seu lado.
Pandora levou um susto. Não o tinha visto e pensara que ele já tinha se recolhido.
– Bem, acho que vou me recolher. Boa noite. – disse ela tentando parecer normal.
No entanto, quando ela deu um passo, tropeçou em um dos pés avantajados de um guerreiro e Radamanthys a segurou pela cintura, impedindo-a de cair. O ato a fez encará-lo com agressividade nos olhos violáceos.
– Não preciso de ajuda. – falou ríspida.
– Perdão, não quis ofendê-la. – disse Radamanthys se afastando.
Por causa da luz tremeluzente das tochas que iluminavam o salão, o rosto de Radamanthys adquiriu uma sobriedade que acentuava a intensidade daqueles olhos dourados. O coração dela deu um salto indesejado.
– Eu... Bem, obrigada pela ajuda, mas prefiro que não aja comigo como se eu fosse... se eu fosse... – as palavras faltavam, enquanto o salão parecia girar.
– Frágil? – completou Radamanthys.
– Sim, isso. Eu não sou frágil, eu sou tão forte quanto você.
– Eu sei e admiro a sua coragem. – respondeu ele fitando-a bem dentro dos olhos.
– Escute... E escute bem, sei que lhe devo a vida, mas eu não me deixo seduzir por elogios e não vou para a cama com homem nenhum, portanto, não se iluda.
– Eu jamais me iludo senhora. Sei o meu lugar. E quanto à dívida, desde que seu irmão nos aceitou em seu clã, eu a considerei paga, eu jamais exigiria que me oferecesse o corpo como pagamento. Com licença. – falou o guerreiro dando as costas e deixando Pandora com uma sensação antagônica de alívio, mas também de decepção.
Shina observou a cena de longe com certa melancolia. Sentia atração por Pandora e tentava convencê-la a dar-lhe uma chance. Mas, notara que havia algo entre a Valquíria e Radamanthys. Assim como o irmão, Pandora resistia, mas a paixão contida entre os dois logo pediria passagem... Insistir seria inútil, seu lado guerreiro sabia quando a batalha estava perdida e também respeitar as escolhas alheias.
Olhando para a caneca vazia, Shina a estendeu à guerreira ao seu lado. Elgiva sorriu e a encheu com mais hidromel. As duas se olharam e Elgiva colocou a mão sobre a coxa grossa da líder, numa leve e insinuante carícia. Shina entornou o hidromel num só gole e puxou a guerreira de encontro a si. Elgiva riu. Só se vive uma vez! Pensou Shina e seus lábios desfrutaram da boca ansiosa da guerreira com gosto.
Naquela noite, Minos não dormiu de imediato. Ainda estava sob o efeito do que havia acontecido com Hades. Agora, ele e seus irmãos ocupavam um quarto com mais dois homens, privilégio concedido pelo jarl e que os colocavam, definitivamente, como integrantes do clã e como homens da sua confiança.
Seus olhos estavam adaptados à escuridão e ele percebeu quando seus irmãos adentraram o quarto e deitaram nos colchões. Os outros dois homens não haviam voltado. Decerto estavam se divertindo com os visitantes.
Ouviu o suspiro de seu irmão mais velho e, em seguida, da Aiacos. Não tinha agradecido à ajuda providencial que o livrara da agressão de Lune. Porém, quando tentou fazê-lo, ouviu a respiração pesada e um ronco baixo. Ambos estavam dormindo. Melhor assim.
Revirando-se de um lado para outro, Minos não conseguiu dormir. Já não ouvia os gritos e risadas, então escorregou para fora do colchão. Pegou um cobertor, e deixou o aposento em silêncio, pensando onde poderia ir. Mesmo no escuro, com todos dormindo, ainda havia poucos lugares onde poderia ficar sozinho. Talvez a praia ou até mesmo a pedra onde sentara com Alone.
Caminhou até o lago onde presenciara a cena com Hades nu. Fechou os olhos e praguejou contra a excitação que seu corpo teimava em sentir quando se lembrava do que ambos haviam feito. O beijo violento e profundo mexera consigo, assim como as carícias ousadas do jarl.
Estendeu o cobertor e deitou-se na relva úmida pelo orvalho sem se importar, seu corpo estava febril, o desejo parecia uma segunda pele cobrindo-o com uma ânsia que ele jamais havia experimentado.
Olhando para o céu, pensou em sua vida e nas experiências que tivera, até então. Antes da loucura de seu pai, sua vida se reduzia a reagir contra as regras e tentar ser o que desejava, mesmo que não fosse o esperado. Agora se sentia útil e também podia desenvolver suas habilidades. No entanto, junto com tudo isso vinha essa história com Hades.
Enquanto pensava, Minos sentiu o solo tremer. Alguém vinha em sua direção. Não trouxera nenhuma vela, não precisava de iluminação para encontrar o caminho, mas agora não conseguia reconhecer quem estava vindo.
Continuou no chão e estendeu a mão para pegar uma pedra. Se fosse Lune, novamente, iria enfrentá-lo.
Os passos estancaram. Minos refletiu que estava com a vantagem de não poder ser visto naquele ângulo. Apertou a pedra em sua mão e se levantou rapidamente, investindo contra a silhueta que invadia aquele espaço. Os dois foram ao chão, porém, mesmo tendo conseguido desequilibrar o invasor, sentiu seu pulso ser segurado com força, forçando-o a erguer o braço para cima, enquanto era puxado para junto do corpo forte.
– Que diabos está fazendo?! — a voz grave de Hades cortou a noite.
Pressionado à estrutura musculosa, com os lábios firmes contra o rosto áspero, Minos estremeceu de surpresa e... desejo. Primeiro sentiu o cheiro daquela pele, em seguida, uma contração no estômago.
– E-Eu estava aqui sozinho. Como eu poderia saber que era você?
Hades continuou segurando-o. Não conseguira dormir e resolvera andar um pouco. Talvez nadar no lago frio, porque somente o balde com água gelada não havia arrefecido seu desejo. Não esperava encontrar a razão do seu desvario ali.
Minos fitou-o, com um misto de surpresa e constrangimento. A presença do jarl mexia com a sua cabeça e com o seu corpo. Sua mente dizia que negasse qualquer envolvimento com aquele homem, mas suas emoções o levavam a fazer outra. Era uma luta que ficara mais clara, depois que ele permitira aquela intimidade.
– Não vai me soltar? – perguntou o jovem.
Hades estava com o corpo colado ao de Minos, sentindo o calor da respiração do jovem e tão surpreso quanto ele. Faltavam-lhe as palavras, porque, pela primeira vez, suas atitudes estavam sendo impulsivas e isso nunca acontecera.
Os dois ficaram um tempo assim, somente sentindo o calor um do outro, os lábios muito próximos, sem finalizar o que ambos ansiavam em fazer. Junto daquele jovem rebelde, Hades pensara em soltá-lo e se afastar. Pela sua cabeça se passara uma série de razões para fazê-lo, mas seu corpo exigia que acabasse com aquela tensão.
Eu nunca desejei ninguém desta forma... Sua mente gritou ao sentir Minos roçar os lábios em sua boca.
Sem pensar mais em nada, Hades entreabriu mais os lábios e passou a língua pela parte superior da boca de Minos, percorrendo com avidez aquela cavidade úmida e quente, tomando-a de vez. O jovem correspondeu e, mais uma vez, o beijo se tornou profundo, íntimo, urgente... Os dois se permitiram comungar da saliva, do gosto, da sensação inebriante das línguas buscando-se entre gemidos e ofegos.
As mãos de Hades se moveram e enquanto uma passava pelos cabelos fartos, a outra deslizava pela lateral do corpo, sentindo os contornos do corpo esguio de Minos.
Tudo ficou quente para o jovem, seu corpo parecia entrar em combustão, sentindo a excitação começar a tomá-lo de assalto. Ele estava confuso, mas ainda assim, deixou-se conduzir pela vontade de sentir todas aquelas emoções.
Hades percebeu um cobertor sobre o chão e tomou aquilo como uma providência do destino. Deitou-se sobre Minos, olhando-o com ardor, mesmo não tendo uma visão clara do rosto belo e desafiador. Minos abriu suas pernas acomodando-o entre elas e sentindo a mão forte e quente subir em um toque intenso, enquanto o beijo se aprofundava ainda mais.
A língua do jarl se movia de um lado para o outro, sedenta e voraz, aprofundando aquela carícia que o subjugava de um jeito inédito. Suas mãos pararam entre os cabelos de Minos, segurando-os, movendo-os conforme sua vontade, adorando o sabor daquela boca e da saliva que já trocavam de forma alucinante. Separou os lábios suavemente, indo até o rosto corado e o pescoço alvo, beijando e sugando ali.
– Você tem gosto de tempestade... – Murmurou baixinho, mordiscando o lóbulo da orelha de Minos, perfazendo o contorno com a língua e fazendo-o gemer.
Não havia muita claridade, a escuridão da noite era quebrada, apenas pela luz fraca da lua. Minos se permitia beijar aquele homem com a mesma vontade ao ouvir as palavras ditas entre gemidos e carícias. Podia ser algo insano, mas o jarl passava a ser o objeto desesperado de seu desejo, confundindo suas emoções e superando a razão. Nunca se sentira assim tão desatinado para vivenciar o sexo. Hades estava descortinando um mundo novo e prazeroso, não só em seu corpo, mas em camadas mais profundas que o faziam esquecer-se de tudo e só desejá-lo, enlouquecidamente.
Moveu as pernas e tocou nas de Hades, a boca se aprofundava e ofegava baixinho. Percorria a língua acariciando a dele, os dedos entrando pela camisa justa, subindo-a, até tocar o corpo bem feito. Deslizou sua mão para as nádegas do jarl, apertando-as, puxando a barra da calça para baixo, querendo sentir o corpo nu sobre o seu. Quando conseguiu puxar um pouco daquela peça, enfiou a mão de um modo desajeitado a fim de tocar-lhe o membro e sentir a rigidez pulsante e reveladora do desejo.
– Gosto da sua boca... — murmurou num tom rouco, voltando a beijá-lo, enquanto movia suas pernas, buscando mais contato, remexendo-se do jeito que podia para aplacar o fogo que o tomava como uma febre.
Hades levou a mão à nuca de Minos, enquanto a sua boca se ocupava em morder e sugar, tornando o beijo mais intenso. Inspirou o ar e sentiu a respiração de jovem tocar-lhe o rosto. Moveu mais a mão subindo o quanto conseguia da camisa.
Teria de afastar as bocas e assim o fez. Ergueu o corpo para livrar-se das roupas, tanto as de Minos, quanto às próprias. No entanto, para a sua surpresa, o jovem tomou a iniciativa traçando um caminho de saliva e leves mordidas, até alcançar-lhe o mamilo, colocando-o na boca e sugando ali.
Num primeiro momento, Hades estancou, ele não costumava ter amantes ativos, gostava deles submissos aos seus desejos e eles raramente o tocavam ou tomavam a iniciativa. Mas, com Minos, sentia o próprio corpo arder e tudo que o jovem fazia, mesmo de forma desajeitada, chegava aos seus sentidos com uma consistência erótica que até então não havia experimentado com outros...
Minos agarrou o membro do jarl e começou a acariciá-lo, sentindo-o ficar ainda mais duro em sua mão, esfregando a cabeça no seu próprio falo e sua coxa para continuar a apertar e mover, puxando a pele, sentindo-o em si... Aos poucos ia guiando aquele membro para o meio das suas pernas, enquanto sua boca se afundava no beijo.
Hades notou a ansiedade dele e se limitou a um olhar carregado de desejo, tomando-lhe a boca e o beijando lenta e tortuosamente. Mordeu o lábio inferior de Minos ao ter as mãos dele sobre seu membro e o agarrou pelos quadris, puxando-o para si e soltando... Moveu o corpo simulando a penetração, mas não o invadindo. As bocas se afastaram e Hades abaixou-se, tocando com os lábios, o tórax alvo de Minos, aspirando-lhe o cheiro e marcando-o ali. Aproveitou-se da posição e o segurou pela coxa, passando por cima de si e fazendo com que fechasse as pernas e ficasse de lado.
Ergueu-se murmurando em seu ouvido:
– Eu quero você.
A fala, simplesmente, escapara de seus lábios, como se tentasse esclarecer os próprios sentimentos. Voltou a segurar a cintura dele e a virá-lo, deixando os olhos vagarem pelas costas e o colocando de bruços. O corpo reduziu a distância e os dedos percorreram as nádegas macias dele, apertando-as enquanto a boca tocava as primeiras vértebras, mordendo ali.
Minos estava imerso naquela voragem, pensando no que Hades dissera e, ao mesmo tempo, arfando ao ser virado de costas. Instintivamente, ergueu levemente o quadril deixando a bunda encostar-se ao membro do outro.
– Eu também quero você... – murmurou, puxando o braço do jarl, passando a boca pela musculatura, cheirando e mordendo.
– Então você será meu... – sussurrou Hades, ajeitando-se sobre Minos, posicionando o membro de volta, entre as nádegas que tinha dispostas.
No momento em que os lábios de Hades alcançaram mais da pele, distribuindo longos beijos pelas vértebras, forçou a entrada do falo que pulsava, afundando-o no espaço que se contraiu com a invasão.
Minos apertou os olhos e deixou escapar um gemido baixo e rascante de dor. Seu corpo queria, mas ainda assim a situação era nova e dolorosa até que se acostumasse. Por alguns segundos, pensou no quê Hades faria se soubesse que ele era virgem, que ao possuí-lo seria seu primeiro amante. Não queria que ele parasse ou desistisse, então tentou relaxar e suportar a dor.
Sentindo a resistência, os lábios de Hades deixaram escapar um ofego deliciado. Mexeu os quadris e pressionou, novamente, contra aquela entrada. A pressão era uma barreira a ser transposta e foi movendo-se devagar, sentindo o calor úmido do corpo de Minos. Deixou um dos braços esticados e a outra mão segurou com força a cintura estreita.
Hades já sentia o suor brotando em seu corpo, a cada movimento o calor dominava sua pele e seus sentidos, tornando o ar mais carregado de energia sexual. Possuir Minos daquele jeito o excitava de um jeito novo e estranho. Era diferente do sexo que havia tido com Lune e até mesmo das relações que tivera com os inúmeros amantes ao longo dos seus 30 anos.
Aspirou o ar próximo da pele dele e afundou mais do membro, movendo-se com um pouco mais de facilidade. Os gemidos de Minos eram longos e dolorosos, não havia sido uma penetração fácil e ele chegou a se questionar se o jovem tinha experiência.
Minos sentiu seu corpo ser atravessado pela dor, mas ainda assim afastou mais as pernas e inclinou-se mais, inspirando o ar de forma entrecortada, enquanto era arremessado para frente e puxado para trás pela mão forte que prendia sua cintura.
Fechando os olhos e cerrando os dentes, o jovem deixou que seus gemidos escapassem pela garganta a cada tranco, concentrando-se naquele homem, no cheiro exótico que ele exalava, além de sentir os dedos longos e grossos lhe apertarem a carne.
Pensar em Hades fazia tudo mudar... Seu corpo experimentava dor e prazer, mas também uma conexão profunda e visceral, algo que nunca imaginara ser assim.
A mão livre do jarl foi até o sexo de Minos, apertando-o e voltando a massagear, fazendo com que o jovem sentisse o prazer emanar dentro do desconforto da penetração. Aos poucos, Minos se contorcia, fechando a sua entrada, envolvendo ainda mais aquele falo, pressionando, deixando o caminho mais estreito e mais prazeroso para Hades.
As ondas do clímax começaram a sobrepujar a dor e, finalmente, Minos perdeu o controle... A cada estocada forte, sentia choques de prazer irradiando pelo seu corpo e isso resultava em uma ânsia enlouquecedora que arrancava gemidos entrecortados de seus lábios e o fazia arquear o corpo.
O falo de Hades era dominado pelos músculos que ora o apertavam mais, ora relaxavam respondendo a cada mergulho que dava ali. A glande enviava ondas de prazer para o corpo todo e pulsava como se o membro adquirisse vida própria. A pele transpirava e Hades movia os quadris com força, adentrando fundo, tomando posse de Minos.
O jarl fechou os olhos erguendo a cabeça e mantendo os dedos pressionados naquele corpo... Era esplêndida e inexplicável a sensação de ter Minos daquela maneira. Alongava-se no movimento de penetração, entrava e saía, não tirando o membro todo, pronto para voltar e arrancar mais gemidos do jovem. Esboçou um sorriso em meio aos ofegos que os lábios de Minos soltaram, sussurrando seu nome.
– Foder você me enlouquece... – disse Hades e era estranho para si falar aquelas coisas, mas sua mente podia sentir o prazer do corpo e não conseguia deter as palavras que escapavam cada vez que o corpo do jovem se contraía sob o seu.
Arranhou a coxa de Minos e percorreu a parte interna, apertando-a, enquanto acelerava mais e mais as estocadas. Em resposta às palavras e carícias, Minos gozou intensamente, seu primeiro orgasmo deixando marcas do seu prazer no cobertor manchado de terra e orvalho. Um grito contido escapou do fundo de sua garganta e sua cabeça estendeu-se para trás, enquanto todo seu corpo era contraído até o menor nervo.
Seguido ao choque orgástico, o torpor o arrebatou, fazendo-o ficar relaxado. Não caiu direto no chão, porque ainda sentia Hades dentro de si e as mãos dele em seu corpo, fortes e quentes o segurando.
Ao ouvir e sentir o orgasmo de Minos, a forma com que o corpo dele estremecera e se contraíra com o clímax fez com que Hades gozasse também, grunhindo rouco e inundando- o com seu sêmen, sentindo os espasmos do prazer sacudirem seu corpo com tanta força que lhe faltou o ar e seus olhos se fecharam com força.
Reabriu os olhos com a respiração acelerada e os batimentos descompassados. Continuou segurando Minos e aos poucos saiu de dentro dele. Suspirou profundamente reorganizando a agitação do corpo, enquanto se deixava levar pela sensação do gozo.
Minos arfava, o rosto corado, os lábios avermelhados e úmidos.
– Por Odin... Isso é forte... não imaginava que fosse assim, tão... bom. — murmurou o jovem fechando os olhos e cedendo ao entorpecimento, após o orgasmo.
Hades apoiou-se no cotovelo e contemplou o jovem sob aquela luz escassa com o cenho franzido. Suas suspeitas haviam se confirmado, Minos era virgem e, no entanto, lhe dera um prazer diferente, mais intenso e brutalmente íntimo.
Alheio às conjecturas do jarl, Minos ressonava num sono imediato, o corpo totalmente relaxado, o sêmen cobrindo seu corpo e escorrendo por entre as suas pernas.
Hades tocou nos cabelos platinados que agora estavam em total desalinho. Nunca possuíra ou gostara de amantes inexperientes ou virgens, mas com Minos compreendeu que as regras que estabelecera para si não tinham efeito ou significado. Seu olhar vagou pelo corpo esguio do jovem. Sentia-se saciado e para o inferno com as consequências. Vestiu as roupas e tocou o ombro de Minos.
– Acorde, não podemos ficar ao relento.
Minos abriu os olhos devagar. Estava meio zonzo, entorpecido. Obedeceu a ordem como se estivesse dentro de um sonho e caminhou ao lado de Hades, enquanto ele o cobria com alguma coisa.
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Os primeiros pássaros começaram a cantar, anunciando o romper da aurora. Minos abriu os olhos com o coração acelerado e se viu num quarto estranho. O fogo ardia em uma grande lareira, havia um tapete no chão e ele estava em uma cama ampla, coberto por uma manta com uma intrincada trama de preto e vermelho. Uma mesa e uma resistente cadeira feita de carvalho completavam a mobília.
Que quarto é esse? Indagou Minos, mentalmente, enquanto movia o corpo dolorido e ainda coberto dos vestígios do sexo que fizera.
Hades entrou, respondendo a pergunta silenciosa que Minos acabara de fazer a si mesmo e fazendo outra, em alto e bom tom.
– Eu o trouxe para o meu quarto. Por que não disse que era virgem?
– Teria mudado alguma coisa? – rebateu Minos se levantando da cama.
O jarl fitou-o bem no fundo dos olhos. Não havia arrependimento, hesitação ou vergonha. Minos se entregara por vontade própria, assim como ele o tomara por vontade própria, também. Teria evitado fodê-lo se soubesse da sua condição? Talvez... No entanto, já estava feito. Como uma flecha lançada na imensidão, ele não podia voltar atrás.
– Trouxe dois baldes com água quente. Ali no canto tem uma tina. Pode se lavar. – falou Hades.
Minos franziu o cenho, mas ao olhar-se, constatou que seu corpo ainda exibia vestígios da noite anterior, enquanto Hades estava vestido e limpo.
– Obrigado. – disse, simplesmente.
Hades fez um movimento de cabeça e deixou-o ali com aquele estranho “clima” pairando entre os dois.
Banhando-se, Minos estremeceu com a forma como todo o seu corpo protestava contra os movimentos, a água quente lavando a viscosidade da semente de Hades e da sua própria. Milhares de dúvidas povoando a sua mente. O que aconteceria daqui para frente? Será que Hades gostara do sexo tanto quanto ele? Será que percebera sua inexperiência?
Fechando os olhos, Minos respirou fundo. Uma onda de luxúria atiçou seu corpo dolorido, lembrando-se da forma como Hades o havia tocado, mordido e, finalmente, possuído. Nunca imaginara que uma dor pudesse ser prazerosa e que o despertasse para uma necessidade física e emocional com tanta violência, ao ponto de ele esquecer os avisos que a razão lhe enviava.
Sorriu e se espreguiçou, controlando suas emoções. Secou o corpo e viu que havia roupas limpas que deviam ser de Hades. Os dois possuíam a mesma estrutura, embora o jarl tivesse o físico mais desenvolvido por ser um guerreiro há mais tempo.
Pegou a camisa de lã, encostando-a no nariz. A peça cheirava a sabão com ervas, assim como a calça, sinal que tinha sido recém-lavada. Era estranho e, ao mesmo tempo, tão bom se sentir lúcido, desperto, como se tivesse amadurecido em poucas horas. Também era estranho aquele calor em seu peito, uma mistura de sentimentos que não ousava desvendar. Havia feito sexo e só. Nada de expectativas!
Ingrid entrou no quarto, sua expressão estava séria, mas logo ela abriu um sorriso malicioso.
– O jarl quer que você desça para o desjejum.
– Tem muita gente acordada? – indagou Minos.
– Não, a maioria ainda está roncando. Mas, seus irmãos já estão de pé, assim como a senhora Shina e alguns dos seus guerreiros.
Minos entendeu a mensagem oculta naquela resposta. Seus irmãos e Shina saberiam que havia acontecido algo entre ele e Hades.
Ingrid continuou:
– Não sou de me meter na vida dos outros, mas, aconselho a você ficar de olhos bem abertos. O jarl é um homem de desejos fortes e não esconde isso, mas seu coração jamais foi tocado. Todos que foram seus amantes nunca reclamaram do sexo e tiveram muito prazer, mas nenhum permaneceu em sua vida. Lune, agora, é passado, mas você também o será.
Minos suspirou.
– Eu sei.
– Agora, desça. O jarl não gosta de esperar.
Quando Minos entrou no salão principal, todos pararam de conversar, momentaneamente. Hades estava sentado na grande mesa e tinha Alone, ao seu lado. O menino sorriu quando avistou Minos, enquanto o jarl, apenas o fitou com uma expressão neutra.
– Bom dia. – disse Minos.
– Bom dia! – respondeu Alone.
– Sente-se. – falou Hades.
Minos obedeceu, sentindo certo incômodo ao sentar. No entanto, o desconforto maior foi notar o modo desinteressado como Hades continuava retribuindo o seu olhar. Perguntou-se como alguém tão intenso no sexo podia ser tão frio, poucas horas depois. Mas, ao mesmo tempo, esperava aquela atitude. Hades não era afeito à paixão. Seria um erro achar-se importante na vida do jarl, apenas por ter se entregado a ele. Eram homens, haviam feito sexo e só.
Seus irmãos e os homens mais próximos de Hades estavam nas mesas, bebendo cerveja escura com pães assados e carne que sobrara da noite anterior. Radamanthys elevou a cabeça e o fitou. Aiacos estava entretido conversando e parou quando notou Lune olhando a cena com tanta raiva que seu rosto estava crispado.
– Gostaria que você ensinasse Alone a ler e escrever. – disse Hades cortando o pão e recheando-o com uma porção de carne fria.
– Eu? Vou ter que deixar a carpintaria? – questionou Minos.
– Você tem instrução e eu quero que Alone aprenda. Eu o ensinaria se não tivesse que embarcar daqui a alguns dias. Não será preciso que deixe a carpintaria, apenas que utilize uma parte do seu tempo. – respondeu Hades.
Alone sorriu, os olhos brilhando. Minos sorriu também, apesar da recepção decepcionante, gostava do menino e exercitar a leitura era algo que também apreciava. Além disso, poderia continuar com seus projetos e a carpintaria.
Hades comeu pouco e em silêncio. Parecia estar pensando em algo que só dizia respeito a si. Depois, levantou-se da mesa, deixando-os sozinhos. Quando ele sinalizou para Lune e este sorriu, deixando o salão ao seu lado, Minos sentiu um aperto no estômago.
– Não gosto daquele homem. – disse Alone, fazendo Minos fitá-lo.
Minos franziu o cenho, obrigando-se a recuperar o controle. Colocou um pedaço de pão na boca, mas ao engolir, lhe pareceu ter comido uma pedra.
– Por que não gosta dele? – perguntou deixando o restante do pão no prato.
– Quando ele fica com o meu pai, eu nunca posso chegar perto. – respondeu o menino.
– Bem, seu pai tem ficado ao seu lado agora, não é? O que acha de começarmos as lições na terceira hora? – falou Minos mudando de assunto.
– Certo! Você me ensina a ler e a escrever e eu mostro o que aprendi com a adaga.
Minos assentiu com a cabeça. Nesse meio tempo, Radamanthys se aproximou da mesa, interrompendo a conversa. Seu rosto expressava preocupação.
– Quero falar com você.
– Senta aí. – disse Minos.
– Lá fora.
Já prevendo do que se tratava, Minos obedeceu. Deixou o salão e caminhou ao lado do irmão. Nunca, nem mesmo quando era pequeno, ele havia baixado os olhos para alguém. Havia sempre um tom de desafio nas profundezas violáceas e um orgulho na forma com que posicionava o corpo. No entanto, ao encarar o irmão mais velho, Minos quase desviou. Podia sentir a reprovação no brilho dourado dos olhos do irmão e o amava muito para decepcioná-lo, mais uma vez.
– Você e o jarl... Você quis? – perguntou Radamanthys.
– Sim, eu quis. – respondeu Minos.
– Estamos há pouco tempo aqui, mas já sabemos como as coisas funcionam. Ele o usará e quando se cansar, tomará outro. Hades não tem relacionamentos duradouros. Tem consciência disso?
– Tenho. Todos já se encarregaram de me dizer a mesma coisa. Até parece que eu sou uma donzela que vai chorar até morrer, porque Hades me desvirginou. Eu quis fazer sexo, Radamanthys. Foi apenas um momento, não tenho planos de me tornar amante dele. – disse Minos tentando manter a sua postura habitual.
– Não?
– Não.
– Fico mais aliviado. Não entendo muito bem essa preferência por homens, mas se quiser um amante, é melhor relacionar-se com outro. Essa sua passionalidade não vai casar muito bem com a frieza de Hades. Tem muitos, por aqui que dividem o mesmo interesse que você e Aiacos.
Minos tentou sorrir e aparentar que estava tudo bem, que não se importava se Hades o tinha fodido, apenas por um desejo momentâneo. Ao vê-lo sair com Lune sentiu o peso da inexperiência e certa mágoa por Hades fazê-lo, logo depois do que haviam feito. Por um instante, achara que ele tinha sentido tanto prazer quanto ele, mas ficara óbvio que Hades preferia amantes que sabiam o que fazer e que, ao mesmo tempo, se submetessem aos seus desejos e ordens. Definitivamente, não era o seu caso.
– Bem, já que está tudo esclarecido, vou trabalhar. – disse Minos com um sorriso tenso.
Radamanthys assentiu e deixou o irmão caçula. Estava indo à casa do ferreiro quando encontrou Pandora no caminho. Cumprimentou-a com um gesto respeitoso de cabeça e seguiu em frente. Entretanto, nem bem dera alguns passos, ela o chamou:
– Preciso de um guerreiro para treinar. Gostaria de fazê-lo?
Ele sorriu, antes de se virar e responder, sério.
– Será uma honra.
– Esteja no campo de treinamento daqui a uma hora. – disse ela.
O guerreiro assentiu e continuou o seu caminho. Quando ele sumiu da sua vista, Pandora mordeu o lábio. O que dera em sua cabeça para fazer tal convite?
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Um vento frio, acompanhado de nuvens espessas ocultou o sol. À beira do rochedo, Lune olhou para o mar revolto. Os barcos, firmemente amarrados ondulavam como se fossem folhas secas sob as águas. Hades estava ao seu lado, o rosto belo e grave. As palavras que ele disse pareciam tão cortantes quanto o ar gelado.
– Fomos amantes pelo tempo certo. Você é um dos meus melhores homens e sempre terá um lugar ao meu lado.
As lágrimas escorriam pelo rosto alvo. Lune sempre fora submisso, mas desde que notara o interesse de Hades por Minos, uma ira construiu-se dentro dele, fazendo-o ferver de ódio e ciúme.
– Vai me trocar pelo filho de um traidor? Ele é melhor do que eu, na cama?
Hades fitou o jovem com um olhar implacável.
– Não é do seu interesse, nem sua função questionar meus desejos e vontade. Eu o avisei, desde o início, que nossa relação duraria o tempo que tivesse de durar.
– Ele vai traí-lo, como o pai dele fez.
– Tudo o que havia para ser dito, já foi. Pode voltar aos seus afazeres. – cortou Hades, encerrando a conversa.
Lune limpou o rosto com as costas da mão e olhou para o jarl. Não havia nenhuma emoção estampada no rosto viril. Ele o estava dispensando depois de tudo que tinham vivenciado por meses. Sabia que um dia ele o faria, mas não esperava que fosse tão cedo.
Hades deu as costas, deixando-o ali. Lune ficou olhando para baixo, onde o mar revolto deixava um rastro de espuma e rugia, como se o estivesse chamando. Pensou em deixar-se cair em meio ao redemoinho, acabar com tudo, sumir... Não, não seria covarde. Sonhava em ir para o Valhala e, para isso, deveria morrer em combate, não desse modo.
– Não faça isso.
A voz grave e aveludada o fez virar-se. Mais uma vez, Lune se viu aprisionado aos olhos de Aiacos e à mão forte que o segurou, tirando-o da beira do rochedo.
– O que você está fazendo aqui? Me deixa em paz!
– Estou impedindo que faça uma besteira! Eu não compreendo você. É tão... tão belo... Pode ter quem quiser.
– Não, não posso! Seu irmão tirou o jarl de mim! Mas, não vou ser covarde e perder meu lugar na mesa de Odin por causa dele.
– Tirou? Todos dizem que o jarl não fica com um amante por muito tempo. Por que se sujeitar a uma relação com os dias contados?
O jovem não respondeu, o peso da verdade dita atingindo-o como um golpe de espada. Aiacos se aproximou e abraçou-o, o trazendo para junto de si. Suas mãos fortes foram subindo devagar, sentindo a pele macia, o quadril esguio... Estreitou-o ainda mais nos braços e beijou sua orelha.
– Você é belo e valente demais para chorar por quem não o merece. – disse o guerreiro e havia uma sinceridade profunda no tom de voz.
Lune não reagiu, entregou-se às carícias como se elas fossem um bálsamo para a sua dor e, quando Aiacos segurou seu rosto entre as mãos, entreabriu os lábios e permitiu que ele o beijasse. O beijo iniciou suave até tornar-se ardente e possessivo. As línguas se tocaram e Lune percebeu o quanto desejava sentir-se assim, desejado, cuidado, amado...
Ofegantes, os dois afastaram as bocas. Lune olhou para aquele homem dourado, alto, forte e bonito que o olhava com devoção. Ele não era como os outros vikings que tomavam o que queriam, agindo de forma selvagem. Aiacos era um guerreiro, mas ainda assim, possuía uma civilidade e ternura que jamais haviam sido dispensadas a si.
Os olhos de Aiacos fixaram-se no rosto alvo, os olhos violáceos avermelhados, os lábios delicados entreabertos... Por Odin, ele seria capaz de matar para ter Lune.
– Pode não me querer como eu o quero, mas nunca duvide do seu valor. Ninguém tem o poder de nos fazer menores se não permitirmos. Boa noite.
Com os olhos fechados, Lune sentiu quando Aiacos roçou os lábios nos seus e se afastou, embora estivesse muito excitado. O guerreiro se despediu com a respiração ofegante e continuou andando a passos largos em direção ao salão, disposto a beber uma caneca de hidromel e esquecer seu desejo pelo belo guerreiro.
Lune hesitou por alguns segundos, antes de correr atrás de Aiacos e segurá-lo pelo braço. Aiacos fitou-o com o cenho franzido. Lune ergueu o queixo, o brilho em seus olhos não mais por causa das lágrimas. O silêncio pairou entre eles, ao mesmo tempo estático e vibrante. Lune estendeu a mão para receber a de Aiacos na sua. E, quando o guerreiro apertou-lhe os dedos, ele apenas disse:
– Vem...
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