A Química do Amor
8 Preparativos Para a Viagem

A semana se passou rapidamente, e, hoje a noite eu irei partir para Nova Delhi. Graças a Rafael, já estou com as reservas do voo e do hotel e, tudo o que tenho de me preocupar é em estudar para a apresentação sobre o aquecimento global.
É claro que eu gostaria muito que Rafael fosse comigo para esta conferência, a fim de apresentarmos este trabalho juntos, mas, já que infelizmente as circunstâncias atuais não permitem isso, e, infelizmente, terei de apresentar o trabalho sozinho, mas, deixarei bem claro que Rafael é tão autor deste trabalho quanto eu.
Ainda com meu notebook ligado, repasso os últimos slades, estudando mais um pouco, tudo para que a minha apresentação seja perfeita quando ouço a campainha de minha cobertura tocar.
Imediatamente me levanto da poltrona em que estou sentado, coloco o notebook em cima dela, e, caminho até a porta, atendendo no mesmo instante e, dando de cara com meu pai, Paollo Vasconcellos, um homem com seus setenta anos de idade e um dos advogados mais famosos do país.
― Que surpresa, pai! – falo ao mesmo tempo em que o abraço.
Meu pai retribui o abraço, e, logo abro passagem para que ele possa entrar, o que ele faz imediatamente.
Caminhamos até a sala e nos sentamos nos sofás, um de frente para o outro.
― A que devo a honra de sua visita, pai? – pergunto, de forma casual.
― Vim apenas me despedir de você, filho. – meu pai responde, de forma descontraída – Infelizmente não poderei te levar ao aeroporto a noite, então vim mais cedo para lhe desejar uma boa viagem.
― Obrigado, pai.
― Não há o que agradecer, filho. Tudo pronto para a apresentação?
― Sim. Já está tudo nos conformes.
― Isso é ótimo. Tenho certeza de que irá arrasar, como sempre.
― Eu agradeço o elogio, mas, o senhor bem sabe que o trabalho não é só meu, e, lamento muito Rafael não poder ir comigo para apresentarmos juntos no congresso.
― Será o primeiro trabalho que vocês não apresentam juntos, não é mesmo?
― Infelizmente, sim, pai. Mas, Rafael sabe que será creditado em tudo.
― Falando nele, alguma previsão de quando ele sairá do hospital?
― A última notícia que tive é de que ele receberá alta neste final de semana.
― Com toda a certeza, e, quando eu voltar da Índia, ele já estará em casa.
Eu e meu pai continuamos conversando, sigo até a adega e sirvo tequila para nós dois. A conversa soa agradável, pois, ao contrário de minha mãe, com quem a minha relação sempre foi muito difícil, eu e meu pai sempre nos demos muito bem.
Conversamos por mais ou menos uma hora, de forma super descontraída, rimos e falamos besteira, como filho e pai amigos que somos, até que meu pai vai embora, me deixando sozinho para que eu possa terminar de arrumar minhas malas para a viagem.
Sigo até o meu closet e pego as roupas necessárias para uma viagem de cinco dias, coloco tudo em uma mala, em seguida desligo o meu notebook e o coloco em minha bolsa de vigem.
Vou então para o banheiro, onde tomo um rápido banho, pois, eu quero dar uma passada no hospital para ver Rafael antes do meu voo, visto uma camisa social de manga longa azul marinho, uma calça social preta e sapatos de couro pretos. Penteio meus cabelos rapidamente, coloco um perfume, pego minha mala e a bolsa com meu notebook e deixo a minha cobertura, trancando a porta em seguida. Chamo o elevador e não demora muito para que ele chegue ao meu andar, aperto o botão da garagem e espero pacientemente até que ele chegue a seu destino, onde, desligo o alarme do carro, abro a porta e coloca as malas no banco de trás, para então me sentar no banco do motorista, colocar a chave na ignição e ligar o carro.
Felizmente não pego nenhum engarrafamento e, rapidamente chego ao hospital, onde encontro uma vaga vazia, estaciono e sigo direto para a recepção, onde deixo um documento de identificação para pegar o crachá de visitante e assim seguir diretamente para o quarto de Rafael na clínica neurológica, onde o encontro com uma moça loira de cabelos ondulados que vão até a altura de seus ombros, ela veste um jaleco, o que me faz imaginar que seja da equipe de médicos que tem cuidado de Rafael.
― Edan! – ouço Rafael me chamar – Que bom que veio, meu amigo. Deixa eu te apresentar, essa aqui é a Doutora Thalia Medeiros, ela é a minha fisioterapeuta.
Sorrio para ela de forma cordial, ao mesmo tempo em que estendo a minha mão para cumprimenta-la.
― É um prazer conhece-la, doutora. – eu digo.
― O prazer é meu, senhor Vasconcellos. – ela me responde, ao mesmo tempo em que aperta a minha mão, devolvendo o cumprimento – Rafael me falou de você. Agora se vocês me dão licença, vou me retirar. Rafael, amanhã eu volto para mais uma sessão.
Vejo ela deixar o quarto e, então, Rafael me encara com aquele olhar sacana dele, para então dizer:
― Uma tremenda gata, não é mesmo?
― Você não tem jeito. – não consigo deixar de sorrir.
― Qual é o problema? Posso estar paraplégico, mas eu ainda não sou cego, e, ao contrário de você, que só tem olhos para a minha irmã, eu estou aberto a todas as possibilidades.
― A fisioterapeuta? – arqueio uma sobrancelha.
― E por que não? Se ela me quiser eu é que não vou deixar passar a oportunidade.
Começamos a rir de forma descontrolada e, por vários minutos simplesmente não conseguimos parar de rir, e, quando finalmente conseguimos parar de ar risada, Rafael me encara para então dizer:
― Veio se despedir antes da viagem?
― Sim, e também dizer que lamento muito você não poder vir comigo. Você sabe que era para apresentarmos este trabalho juntos.
― Sei sim. Mas, na próxima vamos apresentar juntos. E, não se preocupe, tenho a impressão de que você vai aproveitar muito esta viagem sem mim.
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