A Química do Amor
10 A Viagem

Meus olhos simplesmente se arregalam de surpresa enquanto vejo Regininha, parada bem ali, ao meu lado, com a sua mala de mão e com o olhar carregado de uma ira contida. Eu simplesmente não consigo acreditar que, além de ela também estar viajando para Nova Delhi, estamos no mesmo voo e, em poltronas lado a lado, isso é coincidência demais para que seja considerado apenas mero acaso. Tudo está sincronizado demais.
Em circunstâncias normais, quais seriam as chances de eu estar lado a lado de Regininha em um voo para qualquer lugar do mundo?
Uma em um milhão! Ou talvez nem mesmo isso! Essa é que é a verdade!
Ou seja, coincidência demais para eu acreditar que foi tudo mero acaso, ainda mais se eu levar em conta que, quem fez as reservas no voo para mim foi o...
Aí está, a resposta que eu estava procurando!
Rafael!
É claro!
O filho de uma mãe o colocou propositalmente em um voo ao lado de Regininha! Isso é bem típico dele!
― O que você está fazendo aqui, Edan? – a voz completamente furiosa de Regininha me tira de meus pensamentos.
― O mesmo que você, suponho. – me vejo respondendo.
Minha resposta saiu um pouco mais áspera do que eu queria, mas, sinceramente, no momento eu não estou muito preocupado com a minha apresentação.
― E ainda por cima é rude. – vejo a irmã de meu melhor amigo reclamando.
― Mas olha só quem fala. – desta vez, eu simplesmente não consigo segurar a ironia – Faz três anos, Regininha, que tudo o que você sabe fazer é me tratar com aspereza, e, eu sequer sei o motivo para você me tratar assim.
― Olha, Edan, creio que aqui não seja o lugar certo para tratarmos de nossas desavenças pessoais. Agora, por favor, será que você poderia me dizer o que está fazendo aqui?
― Estou indo viajar.
― Sim, isso eu notei! Mas por que você está em um assento ao lado do meu?
― Isso você pode perguntar ao seu irmão, porque foi ele quem fez a minha reserva, e, se estamos os dois aqui, devo presumir que foi ele quem fez a sua reserva também. Ou por acaso eu estou enganado?
― Não, você está certo. Foi o Rafinha quem fez a minha reserva!
― Vai ficar em pé aí me encarando ou vai se sentar, Regininha?
― Eu...
Por um momento, vejo incerteza no olhar dela, o que só serve para me deixar ainda mais confuso. Definitivamente, eu não entendo esta mulher!
Uma aeromoça passa por nós, e, não consigo segurar o riso ao ver Regininha abordá-la muito provavelmente louca para não ter de passar as quatorze horas de voo ao meu lado.
― Moça. – ouço Regininha chamar a aeromoça.
― Pois não, senhorita? – fala a aeromoça, de forma gentil.
― Existe a possibilidade eu trocar de assento? Tem algum vazio o qual eu possa ocupar?
― Sinto muito, senhorita, mas o voo está lotado. Agora, peço para que a senhorita se sente, pois, iremos decolar em breve.
Ouvir as palavras da aeromoça faz com que eu simplesmente não me aguente, e, começo a dar risada feito um louco, o que só serve para enfurecer ainda mais Regininha que, se escolha, é obrigada a se sentar ao meu lado no avião.
Olho para o rosto completamente bravo dela e, a vontade de rir apenas aumenta, mas, consigo me segurar, pois, tem algo com o qual estou bem curioso e, mesmo sabendo que muito provavelmente irei levar uma patada dela, não consigo deixar de perguntar:
― O que você irá fazer em Nova Delhi?
Como eu imaginei, ela não me responde, apenas continua de cara emburrada.
― Ahá, qual é, Regininha! Temos um voo de quatorze horas pela frente, não é possível que você vá passar esse tempo todo fingindo que eu sou um completo desconhecido.
― E por que não? – ela me encara com um olhar inquisitivo – Só porque estamos viajando no mesmo voo não significa que tenhamos de conversar. É só fingir que não me conhece e o problema está resolvido!
― As coisas não são bem assim. Você é a irmã do meu melhor amigo. É simplesmente impossível eu fingir que não me conheço.
― Pois eu não me importo em fingir que você é um completo desconhecido! Agora vê se me deixa, Edan!
E, dizendo isto, ela simplesmente abre a bolsa, pega um livro e o abre, me ignorando em seguida.
Vendo que ainda tenho alguns minutos antes do voo decolar, pelo o meu telefone e resolvo mandar uma mensagem para Rafael, a fim de tirar a prova dos nove e descobrir, se ele está mesmo por trás desta "coincidência".
Abro meu WhatsApp e mando uma mensagem para Rafael, não demorando nada para que eu tenha a resposta engraçadinha dele.


As respostas dele não me surpreendem nem um pouco, visto que o conheço bem demais para saber que ele é desses. E, tal como eu suspeitava, ele fez isso de propósito, só para me deixar nessa situação.
Estou prestes a responder quando a aeromoça manda que desliguemos os celulares pois o avião irá decolar. Desligo meu celular e coloco o cinto e, em poucos minutos, o avião levanta voo.
Olho para Regininha e vejo que ela está com os olhos pregados no livro, fazendo até o impossível para não apenas me evitar, como também evitar até mesmo contato visual comigo.
Obrigado, Rafael.
Penso, irônico.
Com toda a certeza você está me fazendo um grande favor, meu amigo. Um favor enorme, diga-se de passagem.
Agora, vou ter de passar uma viagem de longas quatorze horas ao lado de uma mulher que está fazendo de tudo para me evitar.
Isso é o que eu chamo de viagem tranquila.
Só que não!
Se Rafael achou em algum momento que a irmã dele iria baixar a guarda só porque estamos no mesmo voo, eu acabo de provar que ele está muito errado!
Pois, Regininha está mais fechada do que nunca, e, os olhos claros dela mostram como ela está com raiva em ser obrigada a viajar comigo.
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