-Comer, comer, voar, voar, tudo para poder se salvar. Olha que melodia bonita, finalmente eu compus algo que preste. De acordo com os humanos deve ser umas três horas da tarde, maldito sol, por que não consigo olhar diretamente para ti? Ai meu olho.

“Chega de voar, preciso descansar, é, rimou. Rumo ao prédio de vários metros que eu passo a minha tarde. Ah, eu já estou nele, que burrico. Ei, um humano, sai do meu lugar. Bicho burro.”

Esqueci que não posso falar, então tenho de pensar, concentra, concentra, ok, estou pensando. Humanos são realmente problemáticos, por que este ser está olhando para o céu, já faz quarenta segundos. Nem eu consigo ficar tanto tempo. O que será que ele pretende fazer, se jogar?

- Ei! Eu não tinha visto você aí. – Eu não sou tão pequena assim, além de ser idiota é cego, se chegar perto eu te mato. — Pequena pomba – Não, grande pato, é óbvio que sou um pombo, o que queria? Um jacaré? Uma borboleta? Um bule? — realmente quer ver este acontecimento? – Olha filho, a esta altura da minha vida eu já não recuso mais nada, então, quando o show começa? — Como se você pudesse me entender. – Se eu falasse contigo tu realmente iria estranhar, sou um bicho esperto, só escuto. — Até algum dia. – Defina dia pra mim?

Pé esquerdo na frente, ele realmente vai se jogar. Corpo ereto, camisa cinza, calça jeans, mochila da Basílio, ele é da alta sociedade, por que vai acabar com a vida? Nem eu, que vivo em média dezesseis anos, tenho coragem de pensar em me matar. E lá vai ele.

- Preciso ver o estrago. É, deve ter doído, sangue pra todo lado. Bom, foi um prazer conversar contigo, até mais ver.

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