A Question

7 Abstinence and Prudence


Notas iniciais
Oiee! #Partiuescapardolançamentosdefacas Desculpe o atraso, pessoas!! Eu sei, demorei que nem obra do governo. Mas é que... ahhh, tanta melda começou a acontecer e deu uma vontade de quebrar uns crânios. Meu cérebro decidiu "Vamos dar um stop na produção de serotonina e endorfina! Viva a Copa!!". Para evitar mais vítimas do ciclo vicioso de "alguém diz algo, fica depressivo, não consegue pensar direito, e fala merda pra alguém que não tem nada a ver com isso", melhor se isolar até a situação se acalmar. Não que eu espere que me desculpem pela demora e se eu disser algo ofensivo à vocês, porém rezo para que este capítulo mais longo seja suficiente como um pedido por perdão. Mas vamos falar de coisa boa! Vamos falar de Calcitram B12!

Era tudo muito pacato até o tilintar das correntes ressoar pela vastidão estilhaçada. A corrente que envolvia a metade do braço da guerreira era acompanhada pelas companheiras, que tentavam envolver os outros membros e ricocheteavam e contra-atacavam a lâmina escura. Seus esforços para mover-se com mais liberdade mostravam-se inúteis diante do amontoado de objetos de metal que se colocavam na frente da espada para impedi-la de cortar o outro cordão metalino que a prendia. O cansaço era visível em seu corpo, acompanhado pelo suor frio que descia e o quente que surgia; pela respiração acelerada e descompassada, tentando recuperar o fôlego e energia, mas o oxigênio que entrava e saia rapidamente parecia queimar seus pulmões e sua garganta seca; pelos movimentos se tornando retardatários, esforçados para manter a velocidade. Para completar a fadiga, a dor dos músculos e da carne sendo apertada e dos ossos ameaçando a se quebrarem retumbava e aumentava na menor ação que envolvia seu membro amarrotado.

Dead Master, repleta de descontentamento, observava a adversária, amuada por toda sua expectativa de uma luta, não, uma batalha satisfatória, estar virando cinzas. Imaginava se Black Rock Shooter não estaria apenas fingindo, com uma armadilha bolada desde o início. Talvez a rival fosse ainda mais seva que ela mesma, e como uma aranha, deixasse que a presa caísse na arapuca, para no fim, mostrar sua malícia e poder oculto e permitir que a morte devorasse a vítima aos poucos, enquanto saboreava a visão dos últimos amedrontamentos da vida que se esvaia na sua frente.

Decidida a acabar com aquela monotonia e a tornar a situação mais violenta, estralou os dedos e, num comando, as correntes serpentearam ao longo do corpo da guerreira num piscar de olhos, prendendo-a, deixando-a com os braços e pernas separadas e com os pés a alguns centímetros do chão, atida numa cruz imaginária.

Black debatia-se, numa tentativa inútil da se soltar, mas seu corpo mal conseguia se mexer e não causava nem um ranger às correntes. As mesmas, em resposta, deslizaram e apertaram os membros da guerreira ainda mais. Vários cortes pequenos abrolharam no corpo que quase se contorcia de dor, se não estivesse tão bem amordaçado, podendo apenas estremecer. Seu pulso direito foi exclusivamente mais compresso, o que enfraqueceu a pressão que os dedos colocavam ao redor do cabo da espada, que foi puxada para o chão por uma corrente. Ainda assim, Black não manifestava nenhum vestígio do tormento que sentia em seu rosto, causando amolação a Dead Master, cuja presença parecia implicar mais do que os próprios ataques.

Dead cruzou os poucos metros que a separavam da garota amarrada, enquanto meneava a foice em seus dedos, girando-a como uma hélice, na sua frente. O “zum zum zum” emitido toda vez que a lâmina “cortava” o ar ficava mais elevado e repetitivo. Já é bem assustador ter uma lâmina girando em alta velocidade nas mãos de uma criatura austera e hábil como Dead Master, imagine isso bem pertinho do seu pescoço. Black tentava afastar sua goela da arma cortante o máximo que podia, pondo-a para trás e tentando mover seu tronco, mas o resultado foi uma Dead Master mais enfezada, ou seja, uma situação mais perigosa.

Lá estava Black Rock Shooter, rígida como uma rocha, com o suor, sabe-se lá se era por medo ou esforço físico, misturado ao sangue, desarmada, imobilizada, atrofiada. Aquela que possuía um poder insubjugável havia tornado si mesma numa carcaça fraca e arrogante, segundo a ceifadora. Mesmo acabada, e com uma foice, agora parada, sendo levemente pressionada contra sua garganta, a guerreira não desviava seu olhar da outra e não se empenhava mais para escapar.

Não havia como saber quanto tempo ficaram assim, uma encarando a outra, com a visão quase reprimida pelo escuro. Mas Dead sabia que era tempo demais, tempo demais para ficar guardando toda essa insanidade e sede por sangue, tempo demais para abafar toda sua força. Estava cansada dessa abstinência, seu corpo pedia para soltar toda sua fúria numa peleja com a boneca quebradiça à sua frente, e sua mente bárbara queria ter suas vontades sórdidas por sofrimento saciadas. Contudo, lhufas adiantaria se a rival não colaborasse contra-atacando.

Diferente de Dead, Black não conseguia mais raciocinar, não conseguia acreditar mais nos próprios pensamentos. Tudo parecia fora de si, e nada parecia vir da sua própria cabeça. Para comprovar sua teoria, o que mais doía era seu peito frio, cujo calor dissipava-se aos poucos toda vez que via sua Dead Master enfurecida, direcionando seu olhar tomado por ódio para ela. Sim, testemunhou algumas vezes sua mente chamando a rival de “minha Dead Master”, e ainda por cima, gostava do jeito que soava e repetia. Não conseguia parar de ficar lá, admirando a ceifadora e entristecendo-se pela aversão que ela tinha pela guerreira. Perguntava-se se não havia sido contagiada pelos sentimentos de Mato, ou se, ainda que fosse improvável, continuava sofrendo o controle dela neste mundo. Repudiava o que sentia e corrigia si mesma sempre que fantasiava coisas desse tipo, tentava voltar à realidade e desejava voltar ao que era antes, quando essa estranhas reações não existiam. Queria saber de onde elas surgiram, para poder arrancar o mal pela raiz.

Antes que pudesse continuar a recusa de emoções, um impacto bem na maçã direita do rosto acordou-a e sacudiu as correntes, atordoando-a por alguns segundos. Dead Master rangia os dentes com raiva. Antes que Black pudesse vê-la melhor, outro impacto atingiu-a na cintura, era forte, todavia não a ponto de quebrar-lhe as costelas, porém suficiente para que sangue fosse jorrado de seus lábios, mesclado à saliva, cuja poça aumentava graças a uma série de socos dados no seu estômago. Com o tronco encurvado pelos golpes, frio chegou ao seu rosto, agarrado e levantado por dedos metálicos que lhe arranhavam as bochechas.

Os olhos verde-âmbares, tão próximos, fitavam-na. Embora as ações fossem violentas, os olhos não eram cruéis, e sim, desesperados e abatidos, na expectativa que a rival fizesse algo, como se dissessem: “Faça algo, não aguento mais isso!”. Os olhos azul-escuros, cansados, desceram e chegaram aos lábios de Dead, pequenos e delicados, cerrados, que a tentavam de tal forma que era difícil não desejar toca-los e imaginar que sensação surgiria através do contato. A outra estava tão perto de si que podia sentir o ar, que entrava e saia fracamente do nariz, e o cheiro, doce e suave, que emanava da pele. Sua mente e corpo batalhavam com seu juízo, que dizia para não cair na tentação e continuar longe da adversária.

Era mentira dizer que não tentou ouvir a voz do juízo, mas o instinto falou mais alto. E antes que pudesse se arrepender e voltar para trás, o rosto da guerreira se aproximou da ceifadora, e Black Rock Shooter beijou Dead Master.

Notas finais
Superficial? Sim? Não? Alguém aí curte Elsanna? Novamente, desculpe a demora e caso eu tenha ofendido vocês de alguma forma. Duas semanas sem terapia dão nisso e-e.