A Questão de Delfos
9 Capítulo 8
Notas iniciais
–A cobra não trabalha sozinha. – disse Nico, tentando se sentar. Will o forçou a se deitar novamente.
–Não se esforce, você nos deu um grande susto.
–Você não entende Will! – falou, um pouco alterado – Píton não está agindo sozinha.
–O que você quer dizer com isso? – perguntou Annabeth. Nico pareceu surpreso ao ver Percy e Annabeth lá, mas depois percebeu ser uma M.I.
–Eu tive uma visão... Eu estava em Delfos e vi duas sombras conversando. Uma era de Píton, a outra era a de uma mulher, uma deusa-menor, segundo a cobra.
Nico então contou tudo o que tinha ouvido, Will estava pálido, não parecia ter gostado da parte de esmagá-lo até a morte. Annabeth estava raciocinando, dava para perceber o olhar concentrado, os lábios apertados e as mãos tamborilando as pernas de Percy, que estava ao seu lado. Ele parecia estar sentindo cócegas, mas não se atreveria a interromper Annabeth.
–E mais uma coisa, quase me esqueci... Estava muito frio, e um floco de neve entrou no templo e caiu em mim.
–Neve? – estranhou Reyna. – Em Delfos? Estamos no Verão na Grécia.
–Só uma coisa explica isso. – concluiu a filha de Atena. – Quione. Vamos Percy, temos que fazer uma visita a Bóreas em Quebec.
–Como se Quebec fosse aqui do lado. – resmungou o herói, saindo da imagem da M.I.
–Will, vamos procurar por Quione aqui, ela estava do lado de Gaia, mas já foi condenada pelo Conselho Olimpiano. Devia estar cumprindo a punição e não fazendo um plano para derrubar o Olimpo. Eu mando uma M.I. para vocês assim que descobrirmos alguma informação importante. E só mais uma coisa, vocês precisam achar Ilítia, só ela deve saber o paradeiro de Trofonius e só o arquiteto pode ajudá-los a encontrar a última flecha.
A imagem dos dois heróis desapareceu, deixando Will, Reyna e Nico novamente sozinhos na loja de conveniência do posto de gasolina. Nico olhou em volta.
–Ainda estamos aqui?
–Achamos melhor passar a noite aqui. Estamos perto de Corinto, não vai fazer diferença. – falou Reyna, se afastando e indo para a vitrine para vigiar.
–Você está se sentindo melhor Nico? – perguntou Will.
–Um pouco. Acho que eu só preciso dormir.
–Annabeth me contou o que eram as Pligés. Se você precisar conversar sobre alguma coisa...
–Não me diga que você também é psicólogo Solace. – Nico falou, dando um corte em Will.
–Eu só percebi que elas fizeram mais estragos internos do que externos em você. – disse sem alterar o tom de voz. – Eu sei que não sou Jason ou Percy, mas quero que você saiba que também pode confiar em mim para desabafar.
–Prefiro dormir.
Nico virou para o outro lado, ignorando tanto Will, quanto a dor no ombro, que já estava diminuindo. O filho de Apolo se levantou, um pouco magoado e foi se sentar ao lado de Reyna.
–Eu estou sem sono. – anunciou ele – Pode deixar que eu fico com o primeiro turno.
–Ok. Só há essa entrada, verifiquei os fundos e não tem outras portas. Você tem uma boa linha de tiro daqui. Caso veja alguma coisa, atire primeiro e pergunte depois. Vou me deitar, qualquer movimento suspeito me chame. O turno de vigia é de 3h.
A romana levantou e foi em direção ao corredor onde tinham se abrigado. Nico já estava dormindo profundamente. Ela tirou o saco de dormir de sua mochila e o estendeu no chão. Os músculos da semideusa suspiraram de alívio quando ela se deitou, tinha ficado sentada a madrugada inteira na Classe Econômica de um avião e depois o restante do dia caminhando sob o sol forte de Atenas, em resumo ela estava destruída.
Quando suas pálpebras começaram a pesar e seu pensamento a se dispersar pela noite, Reyna ouviu soluços abafados vindo da vitrine. Ela sentou, mesmo com seu corpo gritando em protesto. O som se tornou mais claro, Will estava chorando.
Reyna ficou em dúvida se era melhor levantar e ver o que estava acontecendo ou deixá-lo sozinho. Como Pretora sabia que um líder nunca podia demonstrar suas emoções diante dos liderados. Will talvez só estivesse precisando de um momento para extravasar a tensão da missão. Ela mesma chorava sozinha, na privacidade de seus aposentos no Acampamento Júpiter, mas na frente dos legionários ela tinha nervos de aço, diziam que ela tinha um coração de gelo.
Uma vez, antes de sumir, Jason havia flagrado um desses momentos. Ela nunca tinha se sentido tão envergonhada como naquele dia, tinha se sentido invadida. Por isso estava em dúvida se deveria checar se tudo estava bem. Entretanto ela se lembrou de como havia se sentido melhor depois que Jason sentou e conversou com ela. A Pretora levantou e retornou para o posto de observação. Will soluçava, tapando o rosto com as mãos para abafar o som, sua cabeça estava apoiada no joelho.
–Will? Está tudo bem?
Ele passou a mão rapidamente no rosto e voltou a baixar a cabeça.
–Um pouco... Eu só estou, sei lá. – olhou para fora. Já tinha anoitecido e seu rosto foi iluminado pela Lua, que brilhava forte perto do horizonte. – Estou com muitas coisas na cabeça, só isso.
Reyna sentou-se ao lado do garoto, cujos olhos ainda estavam marejados. Não o incitou a continuar, mas logo que se acomodou Will começou a falar:
–Minha responsabilidade é muito grande... Preciso ajudar meu pai, ele precisa que eu derrote Píton. Eu sonhei com ele um dia antes de Poseidon e Atena aparecerem no nosso Acampamento, que foi o mesmo dia que Rachel foi sequestrada. Apolo me disse que ele vai ser julgado pelo Conselho Olimpiano e Zeus vai pedir a expulsão dele, por tempo indeterminado.
Reyna arregalou os olhos.
–Júpiter vai pedir a expulsão de Apolo?
–Sim, e pelo que me ele me explicou, não vai ser a mesma coisa que Sr. D., Dionísio foi afastado do Olimpo, mas ainda participa das reuniões. Meu pai não vai poder nem usar seus poderes. Ele falou que se eu conseguir retomar Delfos para os Olimpianos, talvez senhor Zeus seja mais ameno na punição. E se eu falhar...
–Você não vai falhar Will, estamos juntos nessa, nós três. Se for isso que está te deixando nervoso...
–Não é só isso. – falou ele – Eu tenho medo de falhar na missão, de colocar vocês em perigo. Teve esse encontro com a minha mãe que sempre me tira do sério... Sem falar em todos os semideuses que morreram na batalha contra Gaia e que eu falhei em salvá-los. Além disso tem também... – Nico, pensou ele, mas sem falar em voz alta. Lembrou do filho de Hades, chamando por Percy enquanto cuidava dos ferimentos causados pelas Pligés. Will desejava que Nico chamasse por ele e não pelo filho de Poseidon. Mas porque isso? Seria somente para alimentar seu ego de médico? Ou talvez fosse por que, no fundo, ele tinha o mesmo desejo da mãe de ser o centro dos holofotes e nesse momento o grande herói era Percy? Will sabia que tinha uma terceira possibilidade, e que ela era a mais plausível de todas, mas não gostava de pensar nela. Ciúmes.
–E...? – perguntou Reyna, instigando o semideus a completar a frase.
–Nada de importante. – falou ele. A Pretora pareceu não acreditar.
–Já está melhor? – perguntou ela. Will abriu um sorriso.
–Acho que só preciso de um abraço.
Não era comum Reyna abraçar pessoas, mas ao contrário de Nico ela não se sentia desconfortável. Ela só não fazia isso por conta de sua posição, como Pretora ela não podia sair abraçando todo mundo, ela precisava impor respeito. Ganhar um abraço de Reyna em público era uma honra, que somente era concedido a legionários que tivessem prestado grandiosos serviços à Nova Roma e ao Acampamento Júpiter.
Ela levantou e abraçou Will.
–Obrigado Reyna. Achava que você era igual a Nico. – disse abrindo um pequeno sorriso. – Eu praticamente preciso amarrar ele para poder abraçá-lo.
–Ele gosta de você Will. – falou ela – Só não sabe demonstrar isso.
–Eu sei. – falou o filho de Apolo. Reyna se virou e voltou para o corredor onde estavam os sacos de dormir.
Will se ajeitou novamente na janela, suas costas ainda doíam. Passou novamente o relaxante muscular. Ainda não passava de meia-noite, o movimento tinha diminuído um pouco na autoestrada e nenhum carro tinha parado para abastecer no posto. Mas foi só pensar sobre isso que uma Limusine se aproximou e estacionou perto das bombas de combustível. O filho de Apolo tencionou a corda do arco e posicionou uma flecha, pensou em ir chamar Reyna, mas o vidro traseiro abaixou e uma mulher muito bonita acenou para Will e o chamou com o dedo. O semideus a reconheceu de imediato, era Afrodite.
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A viagem de Percy e Annabeth para Quebec para enfrentar Bóreas e cobrar o controle sobre Quione foi cancelada assim que contaram as notícias para Quíron e Sr. D.
–Annie Bell, eu mesmo olhei, Quione foi encarcerada junto com Bóreas. O Conselho foi bem rigoroso com os dois. Éolo e a Horae Phthinoporon que presidirão o Outono/Inverno pelas próximas Décadas.
–Eles estão no Tártaro? – perguntou Percy um pouco pálido.
–Claro que não! – riu Sr. D. – Tártaro é um caminho sem volta, Perry, só vocês e o filho do Bafo de Cadáver que conseguiram voltar de lá vivos.
–Se não é Quione que está armando contra o Olimpo? Quem estava falando com Píton no sonho de Nico?
–Quione não era a única deusa ligada ao Inverno Annabeth. – falou Quíron, sentado em sua cadeira de rodas. – Ela era a única que respondia e obedecia ao Olimpo, agora não mais também. Temos várias deusas ligadas ao inverno...
–Tem alguma que tem algum motivo para derrubar o Olimpo? Ela falou que apoiava Gaia, alguma deusa invernal a apoiou? – questionou Annabeth.
Sr. D. olhou para Quíron, travaram uma conversar silenciosa pelo olhar. Annabeth estreitou os olhos, desconfiada.
–Se for ela mesmo... – disse Sr. D, se levantando. – Preciso avisar Deméter rapidamente. Vou ao Olimpo. – anunciou, sumindo em uma nuvem de fumaça com cheiro de uvas frescas.
–O que Deméter tem haver com isso?
–Vamos confirmar primeiro, gostaria que não dissesse nada sobre o que vou falar com vocês para Will e Nico.
Os dois heróis acenaram afirmativamente com a cabeça. Quíron suspirou e começou a contar a história:
–Deméter e Poseidon tiveram um caso éons atrás, e dele nasceu um casal de gêmeos. Um deles vocês conhecem muito bem, Árion o cavalo de Hazel. A irmã dele não é muito conhecida, mas muito temida pelos Olimpianos. Despina, a deusa dos fenômenos Invernais. Deméter a abandonou assim que nasceu, porque ela estava muito preocupada em achar Perséfone, que tinha sido raptada por Hades. Foi acolhida por Anitos, uma titã. Cresceu alimentando um ódio pela mãe e pela irmã, que claramente era a preferida da deusa dos cereais. Deméter nunca procurou por Despina, esqueceu-a completamente. Até que no primeiro outono depois do acordo com Hades, Perséfone foi para o submundo e Despina tentou dar um golpe na mãe. Ela começou o inverno mais cedo, lançando uma terrível geada sobre a Grécia na época do plantio, destruindo toda a plantação que iria ser colhida no próximo verão. Ela foi controlada por Bóreas e Quione, mas mesmo assim todo o inverno ela conseguia destruir o que Perséfone e sua mãe tanto amavam, a primavera e as flores.
–Ela é poderosa o suficiente para o Olimpo temer suas ações?
–Sim, com os aliados certos ela pode fazer um estrago na natureza e assim enfraquecer o Olimpo. Ela era muito temida na Grécia antiga, não tinha medo nem de enfrentar seu pai. Lagos e lagoas congelados eram sinais de sua presença em represália a Poseidon. Se ela está reunindo os seguidores de Gaia que conseguiram escapar dos Olimpianos e diz que tem um plano sólido precisamos ficar muito atentos, Píton será só o começo. E essa bagunça que a natureza está por causa de Gaia só vai auxiliar os planos de Despina.
Annabeth e Percy suspiraram, esse tinha sido o recorde. Não tiveram nem uma semana de paz antes de a Civilização Ocidental, novamente, estar em perigo.
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Will se aproximou cauteloso do carro, um motorista saiu e abriu a porta do lado oposto ao da deusa que ainda olhava pela janela abaixada.
–Venha filho de Apolo, vamos dar uma volta. – só parecia ter sido um convite, mas Will sabia que não tinha escolha. Olhou para trás onde seus amigos dormiam, ia deixa-los sem defesa.
–Não se preocupe com eles. – disse a deusa, parecendo ler a sua mente. – Eu consigo protegê-los, estamos na área de influência de Corinto. – ela fez uma pausa dramática e completou jogando os cabelos morenos pra trás. – Eu mando nesse lugar!
Will deu a volta e entrou na limusine. Afrodite abriu um enorme sorriso, seus olhos verdes brilhavam com a fraca iluminação interna. Usava um vestido marfim, bem justo e muito bonito. O interior do carro era muito impressionante, um pequeno frigobar com champagne e água ficava logo ao lado da porta onde Will tinha entrado, todas as poltronas eram de veludo e tinha almofadas com estampas de onça, uma pequena janela entreaberta separava os dois do misterioso motorista.
–Por favor, sente-se aqui. – falou ela, indicando a poltrona em frente. O semideus sentou nervoso, os olhos azuis de Afrodite o olhavam fixamente, como se estivesse lendo uma história muito interessante. – Eros, meu filho, por gentileza, ande com o carro, mas não vá muito longe. Precisamos voltar logo.
Eros era o motorista, o deus do desejo, da paixão. Will olhou em volta procurando pelas famosas flechas do amor.
–Ele as leva junto consigo. Sempre. – respondeu a deusa do Amor. – Está procurando pelas flechas não?
Will acenou a cabeça afirmativamente.
–Por favor, fique à vontade! Só quero ter uma conversinha com você.
O garoto engoliu seco. A última coisa que ele sobre o que queria falar nos últimos dias era sua vida amorosa.
–Alguns deuses estão fazendo um complô a favor de seu pai. Todos são contra a expulsão dele do Olimpo, mas ninguém vai ter coragem para votar contra Zeus, quer dizer talvez Poseidon, já que ele sempre faz isso. Eu quero ajudar Apolo, o Olimpo ficaria muito sem graça se seu pai sair de lá, Apolo é quente. Às vezes quando Ares está de mau humor eu passo no templo... Bom isso não vem ao caso né? – Afrodite se interrompeu. – Sei que vocês procuram por Ilítia, aquela deusa fujona. Sempre escapa do Olimpo quando a situação aperta. Ela está aqui em Mégara, sugiro que procurem por ela pela manhã, antes de irem para Corinto.
Afrodite olhou para fora, a luz da Lua fez o cabelo loiro da deusa brilhar.
–Muito obrigado lady Afrodite, pelas informações.
–Não é só isso garoto, fique quieto e escute. – disse colocando o dedo indicador nos lábios de Will. – Preciso que tenham cuidado em Corinto. Eu não fui muito afetada pela esquizofrenia causada pelos lados Gregos e Romanos, já que o Amor é igual em todo o mundo. Mas eu fiquei muito atarefada cuidando do meu casal favorito e acabei se esquecendo da minha cidade. Gaia tomou Corinto e colocou um batalhão dela aqui. A cidade tem um novo/velho líder fujão que está de posse da primeira flecha, ele foi trazido através das Portas da Morte, quando descobrirem quem é seu amiguinho das sombras vai pirar.
–Por quê?
–Porque ele já fugiu umas quatro vezes dos Campos da Punição. Alecto deve estar louca para destroçá-lo dessa vez. – ela soltou uma risada antes de prender em um coque os cabelos negros como a noite.
–Mais alguma coisa, lady? – perguntou Will, cauteloso, querendo voltar logo para o posto de gasolina.
–Sobre a missão já terminei. – disse encarando o garoto, com intimidadores olhos cinzentos que lembravam muito os de Annabeth e Atena. – Agora vamos falar sobre você.
–Acho melhor não.
–Conhece amor à primeira vista? Ele existe Will, afinal fui eu quem o criou. – riu novamente. – Eu acho que você conhece ele bem não? Pode falar comigo, não tenha medo. – dois calorosos olhos castanhos claros tentavam confortar o garoto.
–Eu não sei do que a senhora está falando.
–Nós não escolhemos quem amamos.
–No momento só estou pensando em ajudar meu pai.
–Hum-hum, sei. Meu querido, não minta para mim, estou aqui para ajudar.
Ele não tinha muita certeza se Afrodite podia ajudá-lo naquele momento, ele se sentia confuso, angustiado. Não sabia como agir.
–Você tem medo do que está sentindo? Ou que talvez você esteja interpretando a situação de modo errado?
Will olhou para a deusa, Afrodite o olhava diretamente nos olhos. Ela tinha mudado novamente a aparência, agora seus olhos estavam negros, da cor de seu cabelo, da cor da noite, da mesma cor que os olhos de Nico. Ela se aproximou e sussurrou no ouvido do semideus:
– Você tem medo de perder a amizade dele?
O filho de Apolo prendeu a respiração, seu coração batia acelerado. Ele queria voltar para o posto, não... Ele queria voltar para o Acampamento e se trancar no Chalé 7. Will queria fazer toda aquela confusão, todos aqueles problemas sumirem. Ele respirou fundo e conseguiu falar:
–Eu não sei. Eu não posso pensar nisso agora.
–Precisa pensar...
–Mas a missão...
–Não me interrompa! – advertiu a deusa, o semideus sentiu o poder emanando de Afrodite. – Você precisa pensar no que você está disposto a sacrificar pelo seu pai Solace! Apolo pode ser quente, mas não sei se vale tanto assim. Você terá que fazer uma escolha, quando chegar a hora você tem que estar pronto para decidir.
O silêncio tomou conta da limusine. A deusa do Amor observou a paisagem e sem desviar o olhar das montanhas iluminadas pela Lua falou:
–Talvez seja interessante você perguntar a Pretora de Nova Roma sobre o que ela sabe sobre Nico e Percy. E se você quiser se divertir pergunte o que aconteceu na Albânia, nem nós Olimpianos conseguimos descobrir o que ocorreu lá, só sabemos que foi algo hilário.
Afrodite começou a rir e tudo brilhou. Quando conseguiu abrir os olhos novamente ele estava de volta ao posto de gasolina. Reyna estava ao seu lado.
–Já terminou seu turno. Pode ir dormir. – disse, se espreguiçando e apoiando sua lança na parede.
–Eu falei com Afrodite... – conseguiu dizer Will após alguns segundos.
–Vênus esteve aqui?
–Sim, ela me falou onde podemos encontrar Ilítia.
Will contou tudo o que Afrodite tinha falado para ele, claro que omitindo a segunda parte da conversa.
–Um “velho/novo” líder? Não entendi o que ela quis dizer com isso...
–A única coisa que ela falou foi que Nico ia pirar quando a gente descobrir quem é, porque parece que esse cara já fugiu mais de quatro vezes dos Campos da Punição.
–Só conheço uma pessoa que conseguiu essa proeza. – Reyna e Will se viraram. Nico caminhou lentamente, seu olhar estava sombrio. – Sísifo fugiu, acabei de ver isso em um sonho.
–Você sonha bastante hein, Darkboy? – Nico parecia não estar com bom humor para os apelidos de Will, pois respondeu com um rosnado:
–Eu consigo controlar meus sonhos, encontrar e achar sonhos de outros semideuses. Tenho quase as mesmas habilidades que os filhos de Hipnos. Alguma outra pergunta impertinente?
–Acho que alguém acordou de mau humor e precisa voltar para a cama. – disse Will.
–Fui levado até o mundo inferior. – continuou Nico ignorando o filho de Apolo – Meu pai e Tânatos estavam em fúria, Sísifo já enganou a Morte vezes demais e parece que ele não aprende a lição. Eles não perceberam a fuga de Sísifo, porque Gaia colocou uma outra alma para fazer a punição dele.
–Ele ficava rolando uma pedra não é isso?
–Sim. Sísifo fugiu de novo e para recuperar a flecha temos que encontrar ele e enviar aquela peste de volta para o Submundo e dessa vez a punição será o Tártaro. Pode ir deitar de novo Reyna, eu fico com esse turno. – Will ia falar alguma coisa, mas Nico o interrompeu antes de começar. – Não Solace, eu não preciso descansar, eu estou bem.
–Mas...
–Eu vou ficar esse turno de guar... – Nico se apoiou na prateleira ao seu lado, o filho de Apolo correu para segurá-lo.
–Eu acho que você precisa descansar e dormir sim. E é o que você vai fazer para a gente conseguir continuar a missão amanhã. São ordens médicas.
Reyna ficou no posto de observação enquanto os dois garotos voltaram para os sacos de dormir. Will deu um pedaço de Ambrosia para Nico.
–Agora deita e descansa.
–Você não sabe falar outra coisa? – disse Nico grosseiramente. Will o olhou como se tivesse levado um soco.
–Não estou fazendo isso por você. – respondeu Will, no mesmo tom. Claro que estava mentindo, ele se importava com o filho de Hades. Ainda mais depois do que Afrodite falou para ele. Porque as missões sempre tinham que envolver sacrifícios? Will já tinha perdido muita gente importante para ele, a perda mais dolorida fora a de seu irmão e ex-líder Michael Yew, eles eram muito próximos, principalmente por que Will era o seu segundo no comando do Chalé 7.
Nico já tinha dormindo novamente, outro garoto ficou observando sua leve respiração, a Lua brilhava forte iluminando as pálidas feições do filho de Hades. Era um rosto suave, belo, mesmo com as profundas olheiras e um hematoma na lateral do rosto, provavelmente um ferimento antigo que retornou com as Plíges. O sono não demorou a vir e Will adormeceu sentado ao lado da mochila de suprimentos.
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