Notas iniciais
Então, para quem ainda acompanha, aqui está mais um. Espero que gostem!

Maio, 1979

Os enjoos matinais começaram pouco depois do funeral, não que lhes tivesse depositado muita importância, demasiado ocupada nas suas tarefas de servir o Lord, e passar informações a Dumbledore.

Era demasiado cansativo ser agente duplo.

Quando as tonturas começaram, ficou preocupada e o teste, comprado numa farmácia muggle, para não levantar suspeitas, confirmou-o. Estava grávida. O choro abateu-se sobre si rapidamente, incerta sobre o destino da criança que ia trazer ao mundo, com apenas uma certeza.

O pai só poderia ser Sirius, afinal, ela e Regulus não tinham relações fazia vários meses antes da sua morte. Estava perdida se descobrissem.

X-x-X

As notícias do massacre McKinnon deixaram-na abalada.

Não gostava de Marlene, era um facto, mas mesmo assim, não desejava a sua morte. Principalmente não depois de ouvir o relato alegre dos Devoradores que tinham concretizado a proeza de torturar a sua família.

Incapaz de resistir aos seus impulsos, aparatou na frente da casa de Sirius, imaginando como ele se sentia. Bateu à porta. Uma. Duas. Três vezes, antes que ele finalmente abrisse.

Os olhos vermelhos e o rosto inchado eram sinais que tinha estado a chorar, a assim que a viu, puxou-a para dentro com violência, atirando-a ao chão – Eu devia torturar-te – Gritou, furioso – Deves sentir-te orgulhosa por destruir os outros, por ser uma Devoradora da Morte – Continuou, ignorando o seu olhar de choque perante a sua fúria – DEVIAS PASSAR PELO QUE MARLENE PASSOU.

Helena levanta-se e beija-o, querendo calá-lo, enquanto chora.

Sirius desaba nos seus braços, inconsolável, e mais tarde, abraçada a ele, ela sente um peso enorme no coração por ser incapaz de lhe dizer que está grávida e que ele seria pai.

Junho, 1979

– Estou grávida de três meses.

A sala mergulha no silêncio. Os seus pais, demasiado incrédulos, fitam-se um ao outro, mas não falam. Walburga, contudo, parece radiante com a ideia de ser avó, contando a todos as façanhas de Regulus quando era criança.

Helena humedece os lábios.

Deixa-os pensar que é filho do Regulus, assim não haverá problema. Diz a si mesma.

Voldemort levanta-se, aproximando-se perigosamente dela, e por momentos, Helena pensa em tirar a varinha, só por precaução. Ele toca-lhe nos seus cabelos, com um sorriso monstruoso a adornar-lhe os lábios de cobra.

– Fico feliz com o nascimento de uma criança puro-sangue.

Ela sorriu, forçadamente, enquanto ao fundo da sala Walburga Black debatia possíveis nomes de criança com Morgana.

Julho, 1979

As reuniões de Devoradores começavam a tornarem-se ainda mais cansativas à medida que avança na gravidez. Ninguém diz nada que realmente importe e todos se querem destacar perante o Lord. Os seus pais são os que mais lhe beijam os pés, disponibilizando sempre a sua casa para as reuniões.

Helena estava prestes a bocejar quando Severus aparatou na sala.

– Acabei de ouvir uma conversa entre Sybill Trelawney e Albus Dumbledore – Começou, e Helena remexeu-se na cadeira ao ouvir o nome do diretor de Hogwarts – Ela profetizou a vinda de uma criança que nascerá em Julho do próximo ano, e que será capaz de destruí-lo, meu Lord.

Os olhos de Voldemort arregalaram-se perante a notícia, antes de desaparatar.

Setembro, 1979

Helena soprou o chá, achando-o demasiado quente. À sua frente, Lilian e James trocavam olhares cheios de significado, lançando alguns, ocasionalmente, à sua barriga de seis meses, a dúvida estampada nas suas faces.

Sabia o que eles queriam perguntar. Com um suspiro, pousou a chávena á sua frente e cruzou as mãos sobre o colo – O pai é o Regulus, sei que é essa a vossa dúvida – Disse, mexendo nervosamente os dedos. Lilian olhou-a desconfiada, afinal, James era o melhor amigo de Sirius e na certa ambos sabiam da relação atribulada que mantinha com o Black meses atrás.

– Não te vamos julgar – Começou James, fazendo uma pausa — Se o Regulus não for o pai – Pronunciou, ajeitando os óculos num gesto que demonstrava o seu desconforto.

– Mas é – As palavras pareciam queimar a sua língua, apanhando-a na mentira – Gostava de saber se aceitam ser os padrinhos.

Lilian olhou para James com os olhos a brilhar, e este encolheu os ombros, sorrindo – Por mim tudo bem – Disse, perante o olhar da esposa. A ruiva olhou para Helena e aproximou-se, segurando-lhe as mãos.

– Essa criança vai ser muito mimada pelos padrinhos! – Exclamou, com um largo sorriso no rosto. Helena retribuiu, não deixando de se sentir mal por lhes mentir à cerca da paternidade.

X-x-X

Helena soltou um suspiro cansado, entrando na casa dos Black.

Nunca, em plena consciência, tinha sonhado em entrar ali novamente, mas com o seu estado de gravidez a progredir, Walburga praticamente a forçara a mudar-se para lá, querendo acompanhar de perto as mudanças do seu corpo. Parecia ridículo a seu ver, mas a mulher insistira tanto que fora incapaz de lhe negar esse pedido.

Novembro, 1979

A mão sobre a sua boca impediu-a de gritar.

Debateu-se, tentando em vão soltar-se do seu agressor – Tem calma – Pediu-lhe. Helena parou de se mexer, reconhecendo a voz de imediato. Oh céus, pensou, estou perdida. Ele tirou a mão, sentando-se ao seu lado na cama e soltou um suspiro – Porque não me disseste que estavas grávida? Porque não me procuraste?

Helena espetou as unhas nas mãos, fechando-as com força e sentindo os olhos arderem.

– Não és o pai – Murmurou.

Sirius segurou-lhe o rosto, forçando-a a olhá-lo nos olhos – Não quero que me mintas, não o suporto – Disse. A loira mordeu o lábio, antes de desabar completamente, deixando as lágrimas banharem-lhe a face. Sirius puxou-a para si, abraçando-a com carinho e afagando-lhe os cabelos.

– Eu procurei-te – Começou por dizer, soluçando – Mas a Marlene tinha acabado de morrer.

– E eu tratei-te mal – Terminou de dizer por ela – Desculpa – Pediu, ao fim de alguns minutos em silêncio – Mas esse bebé é tanto teu quanto meu, eu quero assumir.

– Não! – Exclamou alto, arrependendo-se de seguida. As coisas ficariam feias caso Kreacher ou Walburga acordassem e o encontrassem ali – Por favor não – Suplicou, olhando-o desesperada – Voldemort irá matar-nos aos dois pela minha traição.

– Helena... – A voz dele demonstrava alguma dor com o pedido, mas ela não fraquejou.

– Por favor, Sirius, é mais seguro se pensarem que o pai é o Regulus.

Ele soltou um suspiro antes de responder – Tudo bem, mas só por agora.

– Precisas de ir embora – Disse-lhe – Não te podem apanhar aqui.

23 Dezembro, 1979

Helena segurou a pequena nos braços, mal contendo a emoção.

Elladora Black nascera de madrugada e ela já a amava mais que tudo no mundo. A menina tinha os cabelos negros do pai e os olhos cinza típicos de recém-nascidos, mas que no fundo, Helena sabia que não iriam mudar.

– É tão bonita – Comentou Lily, espreitando e puxando James consigo – Olha a nossa afilhada James, não é linda?

Ele sorriu para a esposa, olhando para a bebé – É demasiado parecida com a anta do pai, mas puxou a beleza da mãe – Brincou e Helena olhou para ele assustada. Sirius devia-lhe ter contado a verdade. Lilian colocou a mão sobre a de Helena.

– Sabes que podes confiar em nós.

X-x-X

Uma semana mais tarde estava sentada no sofá dos Black, agradecendo aos céus por Walburga ter saído de casa e levado Kreacher consigo, dessa forma tinham alguma privacidade. Sirius estava sentado á sua frente, perdido numa crise de nervos e repetia a mesma conversa vezes e vezes sem conta.

– Precisamos fugir os três. A Lily e o James já se esconderam, ela está grávida – Confidenciou – O filho deve nascer em Julho – Ah, estava explicado. A profecia. Helena soltou um suspiro, sentindo-se cansada.

– Não posso fugir Sirius, e muito menos levarás a Ella contigo. Não devias passar-me essas informações, além de que todos acreditam que ela é filha do Regulus, estamos as duas seguras – Pronunciou, calmamente. Ele pareceu entrar em choque e levantou-se, furioso.

– Porque és uma Devoradora da Morte! TU PREFERES-OS SEMPRE A ELES! – Gritou, lançando os braços ao ar. Helena encolheu-se no sofá, espreitando na direção do carrinho e esperando que a filha continuasse a dormir.

– Por favor, vai embora – Pediu incapaz de discutir, mas isso só o provocou mais e por momentos temeu que ele lhe fizesse alguma coisa e então... Ele desaparatou.

Helena deixou cair o rosto sobre as mãos, chorando como uma criança. É melhor assim. Disse a si mesma, embora insegura. O melhor era continuar a servir os dois lados, a melhor forma de os proteger seria passando informações a Dumbledore.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.