A Queda do Olimpo

1 Capítulo 1 - Quem somos nós?


Notas iniciais
Onde tudo começou. ♥

Largadas desde seus 7 anos em um orfanato segurança média, Paola e Rebeca Consilium não sabem como foram parar lá, não lembram de nada antes do dia em que chegaram no orfanato, lembram apenas de terem adentrado os enormes portões pretos do OIJE— Orfanado Infanto-Juvenil Estadual—, portando mochilas de rodinha amarela e preta, respectivamente, a antiga diretora do orfanato levando-as para a sala dela.

—Vocês sabem seus nomes?— Havia perguntado a diretora. As meninas não responderam, apenas a encararam amistosamente, um pouco assustadas.— Você se chama Paola Consilium— disse ela olhando para a de cabelos mais ondulados—, e você— olhando para a de cabelo mais lisos—, Rebeca Consilium— as garotas assentiram.

—Por que a gente tá aqui?— perguntou Rebeca.

—Isso é tudo o que posso dizer a vocês, meninas. Me desculpem. —A diretora, tinha olhos calorosos e olhava fixamente para o chão agora, parecia triste.

Uma monitora do orfanato apareceu em seguida na porta e levou as garotas ao dormitório. Nunca mais viram a diretora, ninguém sabe porque ela abandonou a diretoria do orfanato, outra mulher ficou na direção da OIJE, mas ela não tinha nada para dizer às meninas.

XXX

—BECKY!!!— Gritou Paola pulando sobre a irmã, ainda sonolenta— ACORDE! HOJE NÓS TEMOS EXCURSÃO PARA O MEMORIAL DA AMÉRICA LATINA! VAMOS, LEVANTE.

Rebeca sorriu, quase imperceptivelmente para a irmã.

—Finalmente um tempo fora dessa prisão.

Paola, sempre radiante, alegre, conversativa, vestiu um shorts verde água, uma regata branca e um Vans Old School.

Rebeca, quieta, sombria, misteriosa, vestiu jeans preto, camiseta cinza e um Vans igual ao de sua irmã.

Havia um ônibus a espera dos jovens do orfanato, elas chegaram na hora, entrando no ônibus e se sentando pelos bancos do meio do ônibus. As outras crianças chegaram atrasadas, como sempre.

O ônibus seguiu seu trajeto, as garotas levavam livros escondidos ao passeio, uma das monitoras viu e os pegou.

—Olha, não é culpa minha se você quer descontar na gente sua raiva por causa do seu namorado que terminou contigo ontem— disse Rebeca, revirando os olhos, desprezando a monitora.

—C... Como... Como você sab... NÃO, meu namorado não terminou comigo ontem!— Disse ela, olhando para os lados, nervosa.

—Não minta pra si mesma.

A monitora saiu andando para o fundo do ônibus furiosamente, jogando os livros no chão.

—Como você sabia disso?— Perguntou Paola, curiosa.

—Pah, é que nem você quando fala sobre a matéria antes do professor explicar, eu só sei...— Rebeca se vira pra janela.

O ônibus chegou, elas desceram junto aos outros órfãos. Elas olharam em volta, analisando o local.

—Eu queria dar o o fora desse orfanato...— Confessou Pah.

—Deveríamos ir.

—Não tem como.

—Essa pode ser nossa chance.

Elas se olharam nos olhos.

—Mas a gente não tem nada— Lamentou Paola.

—Nós temos a chance de dar o fora dessa vida enjauladas com um monte de gente infeliz, acho que é o suficiente.

—Mas pra onde vamos?

—Pra onde o vento levar.— Rebeca respondeu, arqueando a sobrancelha direita, puxando a irmã pelo braço.

Elas saíram, e, aparentemente, ninguém percebeu. Elas saíram na avenida do Memorial e seguiram as placas que diziam Barra Funda.

—Ouvi dizer que a Barra Funda é uma estação de ônibus, trem ou algo assim.— Disse Rebeca.

—Becky, eu estou com medo.— Disse Paola, ainda correndo de mãos dadas à irmã.

—É, eu também, mas não temos nada a perder, não é mesmo?— Paola assentiu.

Elas subiram as escadas da estação e pararam na frente das catracas.

—Acho que a gente vai precisar de um desses cartões para entrar.

—Mas não temos, acho que vamos ter que dar outro jeito.—Ela pensou um pouco.— Já sei, tá vendo ali do lado dos banheiros, aquela mureta? Nós vamos pular.— Rebeca disse confiante.

—MAS TEM UM VÃO ENORME ALI NO MEIO, E SE A GENTE CAIR?

—Não vamos.— Respondeu com um ar de desafio.

As irmãs pularam a mureta, não caíram, aparentemente ninguém as viu fazendo isso.

—Pra onde acha que devemos ir, Pah?

—Que tal...— Opinou ela olhando para um mapa cheio de linhas coloridas— Sé?

—É pode ser.

Elas entraram num dos vagões, quietas, observando.

—É escuro aqui...— Comentou Paola.

—É, eu adorei.— Sorriu a garota sombria.

Chegaram à Sé, desembarcaram e ficaram paradas no meio daquele fluxo de pessoas que esbarravam nelas constantemente. Resolveram encostar numa parede próximo à uma placa indicando "Jabaquara", pensando pra onde ir. Elas sabiam que não podiam ficar vagando por aí para sempre, precisavam se estabilizar em algum lugar logo.

Um homem apressado passou por elas tão rápido que não tiveram tempo de olhar em seu rosto, ele deixou cair uma pequena pasta transparente com um papel laranja. Paola pegou a pasta, tentou ir atrás do homem mas já era tarde, ela o perdeu de vista. Ela leu a o papel.

"Acampamento Meio-Sangue

Para jovens perdidos, com dúvidas sobre seus pais, sobre quem são e possíveis poderes, nós estamos esperando por vocês!

*É um lugar beneficente, não há custos.

**Se você está lendo isso, é bom vir logo, conselho de amigo mesmo.

***Oferecemos abrigo e talvez até respostas.

Endereço:Avenida Pedro Álvares Cabral — Vila Mariana, São Paulo — SP"

—Becky... Olha isso...— Rebeca pegou o papel e o leu.

—Eu não confio muito nisso, não... Pode ser armação, sei lá.

—Como você mesma disse, não temos nada a perder!— Retrucou, com brilho nos olhos.— Isso pode ser um sinal.

—OK, vamos lá.— Cedeu a irmã.

XXX

Elas foram até a estação Vila Mariana, da linha azul, como indicava o papel, pediram informação de como chegar o parque para algumas pessoas, Paola usou um pouco de sua simpatia e conseguiu com que ela e sua irmã pegassem um ônibus que levou-as direto ao parque sem pagar, o motorista deixou com que as garotas entrassem pela porta de trás do ônibus. Chegaram ao parque, entraram pelo portão três.

Perguntaram onde fica o acampamento para algumas pessoas que disseram que não havia nenhum acampamento no parque.

—Deixa pra lá, Pah, vai ver é engano.

—Vamos tentar só mais um pouquinho, Becky, por favor.

Elas viram uma garota de óculos e coroa de flores lilás com uma camiseta laranja igual ao panfleto, ela estava plantando alguma coisa no bosque, que atrás dela estava deserto.

—Ei, garota!— Chamou Becky. A menina olhou mas não respondeu, Rebeca se aproximou.— Sabe onde fica isso?

A garota ficou boquiaberta.

—Mas nós não temos nenhum panfleto... O que...

—Sabe ou não?— Insistiu. Paola se aproximou delas.

—Ah, minha Deméter!— a garota sorriu— Eu sou a Ju Saraiva, quem são vocês?

—Eu sou a Rebeca e essa é minha irmã, Paola...

—Semideusas? Duas? De uma vez?— as irmãs pareciam não entender o que ela queria dizer.— Venham comigo!— Saraiva puxou as garotas pela mão, o bosque, que antes parecia vazio ganhou vida ao passarem por uma árvore grande, chalés temáticos e dezenas de jovens com camisetas laranjas escrito Acampamento-Meio Sangue apareceram do nada.—Quíron, Quíron, veja, novatas!— Ela gritava para um cavalo-humano (um centauro?) que estava a poucos metros de distância, o centauro olhou boquiaberto para elas.— Sejam bem-vindas ao Acampamento Meio-Sangue!

Notas finais
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