A Queda do Olimpo
2 Capítulo 2 - Derretendo o teto do Chalé 11
Notas iniciais
Quíron não sabia como aquelas garotas conseguiram chegar sozinhas ao acampamento, elas disseram que um homem deixou cair a pasta com o panfleto do lugar e elas foram até lá— não contaram a parte que fugiram do OIJE—. Ele queria conversar mais com as garotas, mas o acampamento estava um caos, alguma coisa estava acontecendo, no próximo dia ele teria uma reunião com os deuses no Olimpo para saber o que estava acontecendo, os sátiros abandonaram o acampamento há dois meses feito loucos dizendo apenas "é o fim, é o fim, acabou"— por isso acharam estranho as garotas chegarem ali sem nenhuma ajuda aparente—, monstros tentaram invadir o acampamento e alguns semideuses sumiram recentemente. Tudo o que conseguiu fazer foi perguntar o nome das garotas, elas responderam apenas "Paola e Rebeca", ele assentiu. Chamou Yarley, filho de Hermes, e pediu a ele que arrumasse lugar para as garotas no chalé dele.
—Eu sou Yarley...
—Filho de Hermes.—Confirmou Paola, antes que ele terminasse. O garoto olhou pra ela meio confuso.
—É, acho que é isso.
—Eu sou a Paola—sorriu ela—, essa é minha irmã, Rebeca.— Rebeca assentiu.
—Então, é por aqui.—Disse o filho de Hermes guindo-as para a parte mais baixa do bosque. Elas ficaram encantadas e um tanto curiosas com os chalés e todos aqueles jovens num lugar só. Elas tinham muitas perguntas à fazer, mas acharam que aquele garoto não teria resposta pra tudo.
Chegaram à um chalé de madeira de cor clara com um caduceu de ouro em cima da porta, parecia minúsculo por fora, aparentemente 5mX5m, mas quando entraram pareceu aumentar pelo menos uns 40 metros de profundidade e 30 de largura, era imenso por dentro, ficaram confusas com isso, havia pelo menos 40 pessoas naquele chalé e um monte de tralha ao fundo.
—Parecia pequeno, sabe... Por fora...—Paola comentou, olhando para Yarley.
—Os deuses nos deram uma mãozinha com isso.—Ele disse.
—Então, a gente simplesmente chega, somos completas estranhas, vocês ficam falando em deuses, tem um cara meio-humano-meio-cavalo lá em cima, nos dão abrigo, assim, do nada? Sem nenhuma explicação? Eu estou totalmente perdida, o que está acontecendo?— Perguntou Rebeca ao garoto, que a olhava arqueando as sobrancelhas.
—Ninguém explicou à vocês nada ainda?
—Não!
—Eu não sou a melhor pessoa pra explicar nada disso, mas fiquem tranquilas, acho que sei de alguém que pode ajudar vocês mais do que eu. Eu já volto.— Ele saiu correndo pelo bosque. As irmãs se encararam por um tempo.
—Acho que a gente se meteu numa fria, Pah.— Rebeca se jogou numa cama qualquer.
—Eu não sei, isso aqui me lembra muito meus sonhos. Tem algo aqui, acho que é o nosso destino.
—São só sonhos.
—Você realmente não acha que tem alguma coisa de especial aqui?
—Talvez.
—Becky, nós tivemos sonhos iguais, sobre alguma coisa que me lembra aqui, eu sei que também te lembra algo.
—Nós somos gêmeas, acontece esse negócio de sonhos iguais, é normal.
—Eu tenho certeza de que há algo especial aqui, eu sei que você sabe disso, não tente mentir pra mim, olha nos meus olhos e diz que isso não é verdade, Rebeca!—Paola puxou a irmã, que ficou sentada, elas estavam com seus rostos à poucos centímetros de distância e olhavam fixamente nós olhos uma da outra. Fath, filha de Atena entrou no quarto com Yarley atrás dela. Uma coisa que nunca havia acontecido antes, aconteceu.
Estabeleceu-se uma conexão entre as duas garotas e algo desconhecido, uma luz forte prateada saia dos olhos das garotas que estavam paralisadas e a luz subia, atravessou o teto do chalé 11, derretendo-o e subindo aos céus.
—Isso vai dar um prejuízo!—Comentou Yarley, boquiaberto.
Todos do chalé olhavam assutados e curiosos para as irmãs, a luz era forte demais, todo o acampamento reuniu-se em volta do chalé, tentando ver pelas janelas o que estava acontecendo, ninguém ousou chegar perto das garotas, a não ser Quíron, que veio correndo do lago ver o que estava acontecendo.
Enquanto todo o acampamento se reunia em volta do chalé, as respostas que as garotas queriam, mas nem chegaram a perguntar vieram a elas. Elas estão num acampamento para semideuses, filhos de humanos com deuses olimpianos, a mãe delas é Atena, o pai, não lhes foi revelado por segurança— disse a voz—, o Olimpo está em queda, elas precisam reunir os melhores campistas de cada chalé, elas quem terão que escolher quem levar, até o fim da semana, no sábado. Elas tem apenas 3 dias. É uma missão, que decidirá o destino do mundo, no entanto, só será revelada exatamente qual é a missão no sábado, quando os 16 campistas se reunirem com os deuses no Olimpo. Cabia a elas decidir aceitar ou declinar a missão.
A luz foi se apagando, elas continuaram se olhando, mas não por causa da ligação, já havia se acabado, estavam se olhando pois estavam tentando entender o que foi aquilo. O acampamento todo estava em silêncio.
—Não vamos fazer isso.— Disse Rebeca, balançando a cabeça.
—Isso o quê?— Perguntou uma garota, que Rebeca não conseguiu ver quem era.
—Becky, acho melhor a gente falar disso em outro lugar.
—O que é que é "isso"?— A garota voltou a perguntar, agora se aproximando mais— Tem a ver com tudo o que está acontecendo, né?— Uma garota alta de cabelos curtos entrou pela porta, quase empurrando Fath.— Você pode ter acabado de chegar, garota, mas saiba que a vida de todo mundo aqui pode estar em risco por causa "disso".— Ela falou encarando Rebeca.
—Fagali, calma.— Fath disse com a mão sobre o ombro da garota, tentando acalmá-la.
—Já chega, eu vou embora.— Rebeca levantou, mas Paola a segurou.
—Não se pode fugir do destino, garota.— Disse Fagali, afrontando-a.
—Becky, talvez seja pra isso acontecer mesmo, por favor, não vá.—Pediu Paula.
—Desculpe...— Ela se soltou da irmã e continuou andando.
—Você vai mesmo me deixar aqui? Não esquece que só estamos aqui por sua causa. Você não pode começar um jogo e logo em seguida desligá-lo só porque ele parece complicado, é covardia.— Rebeca parou, se virou pra irmã, todo o pessoal estava assistindo a cena ainda.
—Me dá um tempo, então, ok? Talvez eu só precise pensar um pouco.— Ela saiu do quarto, abriram o caminho para ela passar, ninguém ousou falar nada até ela se afastar.
Rebeca foi em direção ao lago enquanto Paola tentava contar a Quíron e todo o acampamento o que havia acontecido. Rebeca se sentou no gramado e ficou pensando em tudo o que aconteceu. Cerca de cinco minutos depois, uma garota baixinha e ruiva chegou perto da garota sentada próxima ao lago.
—Soube que ganhei uma meia irmã.— Rebeca enxugou as lágrimas rapidamente, odiava que a vissem chorando.
—O quê?
—Eu também sou filha de Atena. Eu sou Heloisa Regi.— A garota não sorriu, apenas olhou para Rebeca com curiosidade.— Posso me sentar contigo?
—Acho que sim... Quero dizer, claro...
Heloisa se sentou e começou a dizer:
—Não querendo ser intrometida nem nada, mas é que eu consigo reconhecer uma irmã de longe, e quando olho pra você e pra sua irmã, não é exatamente uma filha de Atena que eu vejo, quero dizer, tem algo de diferente em vocês.
—Como assim?
—Por serem filhas de Atena e hora parecerem filhas da deusa da sabedoria e hora serem... Bom, às vezes parecem que vocês tem algo a mais, mas não é a mesma coisa que há de diferente em vocês, tipo, como se tivessem personalidades muito distintas. E por vocês serem tão iguais e tão diferentes ao mesmo tempo que eu fico até confusa em como explicar o que eu quero dizer. Olha, eu não sei como, mas eu sei que você está confusa com tudo isso, mas relaxa, as respostas só aparecem na hora certa.
—Heloisa!— Gritou Fath— Precisamos da sua ajuda aqui!
—Acho que eu preciso ir. Mais tarde a gente se fala, ok? Pode deixar que eu arrumo uma cama pra você no nosso chalé.— Talvez aquilo tenha sido um sorriso, ou talvez Heloisa apenas tenha prensado seus lábios um contra o outro, é só que, no geral, filhos de Atena não costumam sorrir por qualquer coisa.
Rebeca subiu aos chalés novamente, Paola e pelo menos 30 campistas ainda estavam no Chalé 11 conversando, Rebeca entrou no Chalé, convicta de algo.
—Quer saber? Que seja, vamos fazer logo isso, e nunca mais me chame covarde, Pah.
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