A Queda de Um Semideus

2 Minha escola desaba


Notas iniciais
Boa leitura!

Não sabia o que dizer. Rachel era a minha amiga mais recente, mesmo assim tinha apreço por ela. Impossível imaginá-la em leito de hospital cercada por tubos, com fios espalhados em seu corpo, verificando sua pulsação, batimentos do coração, controlando sua respiração. E pior de tudo inconsciente.

— Mas o que aconteceu? Onde ela esta? Ela esta bem? – jorrei perguntas nela.O sangue subia na minha cabeça achei que fosse explodir.

— Calma, calma – pediu gentilmente — sente-se – obedeci – aparentemente ela foi agredida por uma do gangue, esta se recuperando no hospital “Lionel Buchier”.

— Eu vou agora pra lá – fui me movendo em direção a porta, Thalia me segurou pelo braço.

— Não! As visitas só começam amanhã, não adianta insistir, será barrado, falo por experiência própria.

Fitei seus olhos azuis e me convenci de que ela tinha razão. O sentimento de culpa pairava na minha mente. Minha garganta, com uma grande bola de frustrações, queria expeli-la de qualquer modo.

— Que droga! – abaixei a cabeça e comecei a passar uma das mãos no cabelo.

— Calma – Thalia sobrepôs a mão nas minhas costas – ela vai ficar bem, amanhã depois da escola você irá vê-la.

Tomei um choque de realidade.

— Ai meus deuses! A escola, havia esquecido. Como vou prestar atenção em alguma coisa sabendo que Rachel esta hospitalizada.

— Percy, você tem que ser forte.

Silêncio.

— É o que eu mais tenho feito – confessei — porém sei que tem razão.– bati as mãos nas coxas e levantei animado – bom e ai alguma novidade?

— Na verdade não é uma novidade e sim uma decepção – ela ficou parada no parapeito da janela.

— Decepção? – fiquei atrás dela.

— Sabe, no próximo verão talvez apareça alguns dos meus irmãos, no chalé de Zeus e...- ela baixou os olhos — eu não vou estar lá para vê-los,não estou me queixando das caçadoras elas são a minha família – se corrigiu rapidamente- entretanto, ver pessoas que tem meu sangue deve ser “diferente”.

— Ei! – exclamei — você pode ir visitá-los

— Exato. “Visitar” — seus olhos azuis se perdiam nas construções verticais.

— Thalia – ela se virou – tenho certeza que quando seus irmãos souberem que você é uma caçadora ficarão orgulhosos, e não duvido nada que algumas de suas irmãs queiram ser igual a você.

Ela me abraçou. Corei imediatamente.

— Obrigado, sabia que não estava errada.

— Sobre o que? – Thalia nunca admitia quando estava errada. Na verdade discutíamos muito por causa disso. Deve ser genético, Zeus e Poseidon brigam constantemente.Porém me surpreendi com sua resposta.

— Para escolher como meu melhor amigo – socou meu ombro levemente. Thalia se dava bem com todas as pessoas, o que me deixou ainda mais admirado foi que mesmo com as caçadoras por perto, logo eu era considero seu melhor amigo. Por fim, falei constrangido e meio tolo.

— Vindo de você, é uma honra. – fiz reverencia.

Thalia sorriu.

— Bom herói – curvou a coluna se espreguiçando — tenho que ir, missões me aguardam.

Conduzi-a até a porta, fiquei do lado dentro aguardando juntamente com ela o elevador chegar no andar. Quando as portas de metal se abriram, chamei-a. Minha amiga olhou curiosa para escutar o que tinha a dizer.

— Faço questão de contar a seus irmãos a heroína que eles têm na família.

Ela fechou os olhos agradecida, sorriu de um modo maroto e sumiu na caixa quadrada com o destino ao térreo.

O dia passou como um raio de luz, minha mãe passara a tarde inteira me mostrando as fotos de quando eu era bebê. Contava travessuras que fazia, quando aprendi a falar, andar, coisas de mãe. Em pensar que naquela época meu maior problema era ir ao banheiro sozinho. Agora tenho que preocupar com ataques de monstros alucinados. De certa forma isso se tornou parte da minha rotina. Mesmo não tendo feito nada o dia inteiro, estava exausto, caminhei para o quarto e me afundei no travesseiro.

Sonhei que estava no Acampamento meio – sangue.Quíron recebia vários adolescentes, provavelmente os novos semideuses. Grover o ajudava. Mais ao longe na fogueira, avistei um menino de mais ou menos treze anos, remexendo a lenha que cremava. Quíron o chamou e quando virou o reconheci.Nico di Angelo.

— Nico você pode ajudar o Grover com os novatos, por favor? – perguntou o centauro.

— Claro – disse prestativo — mas antes queria te perguntar uma coisa. – pareceu sem jeito em falar.

— Diga. – disse Quíron.

— Quando o Percy vem pra cá?

— Você sente muita falta dele não é mesmo?

— Bom...sim... depois morte da Bianca ele é como um irmão para mim.

— E pensar que você desejoumatá-lo – ele pôs a mão em seu ombro.

Nico deu um meio sorriso.

— Estava cego pelo ódio – jogou um pedregulho nas chamas — mas tudo isso me fez pensar em uma coisa e agora eu tenho certeza.

— E eu posso saber o que é?

Nico sorriu.Uma cena bem rara pode-se dizer, por um momento vi o menino que conhecerá a 6 anos,feliz,ativo.Este me enchia de perguntas, confesso que nos começo fora meio irritante, contudo como tempo ele amadureceu.

— Percy é um herói,e mais do que tudo ele é o meu herói.

Groover o chamou e ele saiu correndo em sua direção.

Acho que fora o primeiro sonho tranquilo que eu tivera. Me senti até constrangido em saber que eu era exemplo para alguém, e ainda mais sabendo que esse alguém era Nico.O menino que tentara me matar agora me tinha como modelo.

Meu primeiro dia de aula.Mamãe estava muito animada e Paul também,não tinha lembranças muito boas da escola, entretanto anciava em conhecer a minha sala.Minha mãe parou o carro e Paul e eu saímos.

— Até mais tarde filho – se despedia.

— Tchau mãe – acenei.

— Muito bem Percy – Paul ajeitou o terno, e seu lenço de bolso — vou te mostrar a sua sala.

— Obrigado Paul.

Por uns instantes fitei a parte frontal do colégio,da última vez que estive ali encontrei Rachel, duas empousas nos atacaram e mais uma vez tive que fugir sem dar explicações.Eu não procuro por confusões são elas que me acham!

Assim que entramos uma moça ruiva, como cabelo batendo no ombro, olhos cor de mel, lábios carnudos e avermelhados quando nos avistou sorriu delicadamente e nos cumprimentou.

— Bom dia Paul! – disse a bela moça.

— Bom dia Ana – ele apontou pra mim- este é Percy meu enteado.

— Prazer – estendi a mão.

— Muito prazer Percy – suas mãos gélidas retribuía o cumprimento — você deve estar procurando a sua sala não é mesmo?

— É – admiti — estou meio perdido.

— Sendo assim, siga-me – indicou com o dedo indicador.

Fitei Paul.

— Pode ir,nos encontramos no intervalo.

Assenti e segui Ana.Subimos uma escada caracol feita de bronze e seguimos em um corredor comprido.Na parede do lado direito havia vários quadros de turmas que passaram por ali,pude ver em uma delas Paul quando jovem,mais ou menos com 14 anos.Sempre com seu jeito tímido e ao mesmo tempo seguro de si.Paramos em frente a uma porta de madeira clara.

— Chegamos – anunciou ela.

— Ah sim obrigado.

— Percy,já sabe como funciona o intervalo? – Tentei parecer o mais convincente o possível, todavia Ana me olhou desconfiada.

— Na verdade não – admiti.

Ela esboçou um sorriso.

— São 50 minutos, você pode fazer o que quiser na ala de recreação temos: pinbolling, ping pong, e também a piscina.

— Eu posso usar a piscina? – perguntei surpreso.

— Claro. Agora eu tenho que ir,boa aula. – a moça saiu delicadamente corredor a fundo.

— Obrigado – esperei até ver a ponta de seu salto alto sumir na esquina do corredor.

Muito bem ali estava eu. Na frente da porta da minha sala, sem ter a coragem de abri-la.Estava nervoso,sempre foi difícil pra mim encarar um novo colégio.Já deveria ter me acostumado contando que sou expulso de uma todo ano, mas não.Girei a maçaneta e entrei. A claridade fizeram meus olhos atrofiarem, logo em seguida avistei uma mulher escrevendo em uma quadro negro, a professora. Tinha cabelos loiros preso a um coque alto, não devia aparentar mais que 30 anos, quando notou minha presença fez um sinal para que adentra-se.

— Olá querido. Pode entrar tem um lugar bem ali. – apontou a uma mesa perto da janela de vidro.

Assenti. Enquanto andava escutei alguns murmúrios.Reconheci vagamente reclamações de meninos time de football, pois possuíam casacos com o nome do time,estes me olharam com indiferença me deu até vontade de dizer “Que foi perdeu alguma coisa em mim?”.

Quando me sentei um grupo de seis garotas começaram a cochichar, algumas delas piscaram para mim não entendi por que. Tentei desviar daqueles olhares intimidadores, mas era quase impossível. Agradeci aos deuses quando a professora pigarreou e se dirigiu a sala, fazendo que toda a atenção saísse de mim.

— Você deve ser – olhou na lista – Perseu Jackson.

— Sim – confirmei — pode me chamar de Percy se quiser.

— Muito bem Percy. Seja bem-vindo.

— Obrigado.

A aula correu bem, fiz uma grande esforço para fingir que estava entendendo. Com a dislexia só conseguia distinguir algumas palavras com muita dificuldade. A segunda aula foi de geometria tinha certeza que se Annabeth estive ali ficaria fascinada, enquanto eu ficaria por ela.Senti um aperto em meu peito, queria que ela estivesse ali ao ,eu lado, com seu sorriso perfeito, se cabelo sedoso.

Finalmente o sinal do intervalo soou.

Quando sai da sala,os atletas me cercaram, formando um circulo.

— Mal chegou e já quer roubar nosso posto novato.

Este era alto, musculoso, cabelo preto com fios desalinhados, vestindo um grande casaco nas cores amarela e vermelha na altura do coração com as letras “WH”. Ao seu lado dois outros alunos de mesma estatura, a única coisa que os diferenciava era a cor do cabelo, um loiro e o outro ruivo, contudo tão asquerosos quanto o primeiro.

— Do que esta falando? – me fiz de ignorante

— Vi o jeito que as lideres de torcida ti olharam na sala – apontou mais a frente para o grupo de garotas que caminhavam para o pátio

Revirei os olhos, típico de cara inseguro, intimida os outros pra ter sucesso com as garotas. Fiquei em silencio e me virei pra continuar o caminho .Porém o moreno me encurralou na parede, seu hálito de vodka me dava náuseas.

— Não vire as costas pra mim – bradou revoltado.

— Pelo que eu saiba – continuei no mesmo tom de voz – não há regra alguma em relação a isso.

— ARRR SEU... – tomou distancia com o braço e fechou o punho.

Quíron me proibia de usar minhas habilidades em casos assim. Seguindo suas instruções apenas desviei a cabeça do golpe. Fazendo o brutamonte depositar toda a sua força na parede maciça.Rapidamente ele se recuperou, reclamando de dor, mas com sede de continuar a briga. Segui meus instintos, ao meu lado havia um bebedouro prateado, concentrei um pouco da minha força no objeto e um jato de água foi lançado no rosto do atleta, ele tentava proteger a face com as mãos, falho, cada vez que ele se mexia engolia mais água. Rendido, caiu de joelhos no chão, eu me curvei.

— Pelo visto, nem a água consegue tirar essa sua cara feia – sorri divertidamente – veja pelo lado bom, no Halloween não terá que se preocupar em comprar uma mascara.

Apertei o passo e segui corredor a frente, deixando todos os presentes com uma reação de incredulidade.O que posso fazer se as peças daquele troço soltaram?

Meu primeiro dia e já recebo uma ameaça, me pergunto como serão os outros.

Segui as placas na parede que indicavam a piscina, a água me acalmava por completo. Pra minha sorte não havia ninguém lá. Me troquei no vestiário e dei um mergulho é como se minha mente tivesse se esvaziado por completo. Assentei no chão e ali permaneci. Podia ficar o tempo que fosse imerso na água já que sou filho de Poseidon, respirar não era um problema.

Olhei para cima e vi uma imagem retorcida de uma menina, ela fitava a água com curiosidade, impulsionando os pés do chão voltei a superfície. Pisquei algumas vezes pra me livrar da visão embaçada, quando se tornou nítida observei a garota.

Tinha cabelos castanhos escuros na altura dos ombros, olhos verdes, devia ter uns treze anos. Ela estava ajoelhada no ladrilho molhado, seu uniforme fora molhado pela água, contudo a menina nem parecia se importar.

— Como você conseguiu ficar nove minutos ai embaixo? – perguntou ela estreitando os olhos.

Paralisei. Me esquecera completamente que um humano não conseguiria ficar tanto tempo submerso na água. Várias coisas passaram pela minha mente, a única saída que achei foi:

— Hã, é prática

Ela sorriu.

— Qual é o seu nome? – sua voz era tão suave como uma brisa.

— Percy Jackson – nadei até a borda – e o seu?

— Miley River – respondeu risonha.

— Então Miley...o que te traz aqui? – puxei assunto.

— Promete que não conta a ninguém – ela deu um meio sorriso.

— Minha boca é um tumulo.

— Estou me escondendo – remexia a água os dedos.

Pelo menos nisso tínhamos uma coisa em comum. Apesar de eu não querer passar a minha vida inteira me escondendo de todos, parece que você não pode viver tranquilamente.

— Se escondendo de quem?

— Das lideres de torcida. – apertou a barra da saia

— Elas não me parecem más pessoas – firmei a mão na borda e sentei ao lado dela – pelo menos não na sala de aula.

— Você não as conhecem! – aumentou o tom de voz depois que notou o que tinha feito desviou o olhar e fitou a água – elas são cruéis, derrubam meus livros, jogam bolinhas de papel, ,resumindo me humilham.

— E o que você faz? – meu sangue ferveu, como minha mãe sempre me diz “As aparências enganam”

— Nada.Tenho medo delas.

Os humanos são uma coisa muito engraçada. Matam, humilham pessoas da sua própria espécie. Sabia como Miley se sentia e posso afirmar que não das sensações mais agradáveis viver com medo.

— Não se preocupe Miley, se elas mexerem com você de novo pode me chamar.

Ela pareceu surpreendida.

— C-como? Ajudaria um estranho?

— Estranho? – olhei ao meu redor — Não vejo estranho algum aqui só Miley River e eu.

Ela sorriu, percebi que a tristeza em seu rosto saíra por completo.

— Você é muito legal Percy Jackson.

Sem dúvida a situação era bem estranha. Eu não tinha o costume de conversar tanto com desconhecido, e muito menos oferecer proteção.

— Ei Miley! – uma grito feminino ecoou o lugar.

Nos viramos e vimos o grupo das lideres de torcida.Levantei e Miley fez o mesmo tirando o fato de ter se escondido atrás de mim.

— Algum problema? – perguntei desconfiado.

— Não com você Percy – houve uma mudança de voz brusca passando a um tom angelical. – e sim com essa aberração.

— Agora lindinho, saia daí por favor – uma loira falou.

— Percy não... – murmurou Miley

— Ei, elas não vou encostar em você – falei confiante.

— Percy rápido! – ordenou a primeira.

— Desculpe,qual é o seu nome? – me dirigi a do cabelo castanho

— Brigith.

— Então Bright,porque você quer a Miley?

— Ela é uma aberração e deve ficar longe de gente como nós.

— Lamento não vou permitir que façam mal a ela.

— Percy pense bem – disse a loira – não vale a pena se sacrificar por uma coisa dessas.

— Deixa Percy...- choramingou Miley

— Não! – disse eu – bem meninas repito... nela vocês não vão encostar.

— Então teremos que tira-la a força. – arqueou a sobrancelha.

Antes que elas pudessem nos alcançar o prédio tremeluziu e as meninas correram gritando histericamente.Eu fiquei ali analisando a situação enquanto Miley apertava a minha mão como se fosse quebrar os meus dedos.

— Vai desabar! – gritou ela.

— Fiquei aqui! – ordenei – vou pegar as minhas coisas.

Corri até o vestiário e me troquei rapidamente,pus a mão no bolso do casaco e encontrei Contracorrente.Voltei e vi Miley no chão com as mãos sobre a cabeça.

— Vamos! –puxei seu pulso e saímos correndo.

Chegando no saguão do terceiro andar o tremor parou,a escola se encontrava vazia.Uma figura estranha surgiu das sombras.

— Perssseu Jackssson – disse uma voz.

— Percy... – sussurou Miley.

— Fique atrás de mim – saquei Contracorrente.

— Minha irmã agora pode ssser vingada.

A figura se tornara nítida era uma empousa, a perna esquerda marrom e peluda com casco de burro,a direita tem o formato de uma perna humana mais é feita de bronze.

— Percy o que é aquilo? Ela tem uma perna de bronze? – antes de pronunciar a ultima palavra ela engoliu seco. Descobri que Miley podia ver através da névoa assim como Rachel.

— Uma empousa. – respondi com desdém

— Kelly vai ficar muito agradecida por levar para casa a cabeça de Percy Jackssson.

Ela avançou em nós,empurrei Miley para o lado e comecei a lutar com Contracorrente.Tentei um golpe pela direita,mas a empousa desviou com facilidade,tentou cravar suas garras em meu peito,defendi com a espada.Ela me pressionou no chão fazendo com que a minha coluna se escorasse no chão.

— PERCY! – gritou Miley.

— Esse é o fim herói. – seu hálito era detestável,meus olhos até arderam.

— Só se for pra você!

Eu a impulsionei tão forte para cima que ela caiu no chão,escutei um gemido e antes que pudesse levantar cravei Contracorrente em seu peito.Soltou um rugido de dor e logo depois se desfez em pó.

O prédio voltara a tremer, blocos e pilastras caiam a minha volta.

— Miley corre! — ordenei

Segurei novamente o seu pulso e corri.Subimos as escadas até a cobertura, a porta de aço estava trancada com um cadeado com um só golpe quebre- o ao meio.

— Percy nós vamos morrer! – Miley estava em prantos.

— Não! Segure-se em mim.

Meus olhos procuravam alguma saída, qualquer uma. No céu avistei um conhecido.Blackjack meu pégaso ele pousou no cimento rústico, balançando a crina escura e brilhante.

“E ai chefe?”

— Olá amigão! Nos leve daqui rápido!

“Subão!”

— Miley você primeiro – coloquei-a na garupa.

“Bem-vinda a bordo senhorita”

Subi em suas costas e voamos dali.Tudo que pude assistir foi o prédio se desfazendo por inteiro.Estudantes a sua volta incrédulos,mesmo de longe enxerguei Brigith e suas amigas cheias de pó,isso me divertiu e percebi que a Miley também.

— Tomem essa suas desclassificadas – apontava – nem o prédio queria desabar com vocês lá dentro!

“Gostei dela”

- Ele gostou de você – disse eu.

— Também gostei de você alasão – ela fez carinho em sua crina.

“Alasão? Gosto dela ainda mais agora”

— Só você mesmo Blackjack.

“Então chefe,pra onde?”

— Vamos deixar a Srta.River em casa e depois vamos para o acampamento meio-sangue.

— Acampamento meio-sangue? – Miley perguntou.

— É um acampamento para pessoas especiais... – minha língua se enrolava com as explicações.

— Especial como? – disse ela.

Troquei olhares com Blackjack,senti que devia contar a verdade a Miley.

— Para semi-deuses...

— Aqueles que são filhos de um deus com um mortal?

— Exatamente.

— Mas porque você iria para um lugar desses? – Ela riu – só se você fosse um... – me fitou.

Assenti.

— Ah não acredito! Você é um semi-deus! – cobria a boca com as mãos.

— Pode parecer estranho...só que essa é a verdade.

— E quem é o deus seu pai ou sua mãe?

— Meu pai.

— Quem ele é?

— Hã..Poseidon.

Silencio.Miley ficara estática apenas me encarando com os olhos verdes arregalados.

— S-seu pai é...é...Poseidon? – gaguejava de nervoso.

— Sim.

— Que demais!

— É mais não é tão fácil ser um semi-deus,você vive lutando,sempre esta vuneravel,monstros ti atacam.

— Como o da escola?

Assenti. Fiquei muito surpreso, se fosse outra pessoa teria me chamado de louco, insano, ou até mesmo dizendo que estaria delirando. Talvez não tenha sido tão difícil afinal, ela voava em um pégaso!

— Blackjack,onde esta indo? Temos que deixar Miley em casa.

“ Desculpe chefe mas,Quíron pediu que a levasse, quer falar com ela”

- Para quê?

“Não sei,só recebi ordens”

— Miley hã...você terá que ir para o Acampamento comigo.

— Ok.

— Como assim? Seus pais ficarão preocupados.

— Meu pai...morreu e minha mãe esta viajando a negócios.

Se fosse em outras circuntancias eu não aceitaria. Porém deixa-la sozinha era pior ainda.

— Sendo assim...vamos amigão para o acampamento!

E sumimos nas nuvens.

Subimos a colina e ficamos ao lado do pinheiro de Thalia,esperando Quíron.Até avistar um centauro branco,barburdo com um grande sorriso no rosto.

— Percy – ele me abraçou.

— Oi Quíron.

Nos separamos.

— Esta é Miley River,Miley este é Quíron instrutor do acampamento.

— Muito prazer querida.

— O prazer é meu e UAUU você é uma centauro!

— Sim – ele deu uma voltinha mostrando todo seu esplendor – desculpe, pedi a Blackjack que a trouxesse.

— Não entendi o que quer dela? – perguntei.

— Miley você pode pegar aquela pedra ali por favor – ele apontou para uma que estava a uns 6 metros a frente.

Não sabia o que estava fazendo,pelas regras ela seria barrada.

— Claro. – foi animada cumprir a tarefa.

Fiquei chocado.Miley conseguiu entrar no território facilmente, abaixou formalmente, retirou a pedra do solo e em seguida marchou de volta a nós.

— Quíron porque permitiu a entrada dela? – cruzei os braços.

Miley ficou ao meu lado.

— Eu não permiti – anunciou.

Pelas regras,os mortais só podem entrar em acampamento se forem convocados por alguém de dentro. Virei com uma expressão surpresa e confusa.

— Então quer dizer...

— Sim Percy – bateu os cascos na grama lisa – Miley é uma semi-deusa.