A Queda de Sílicia
2 Capítulo 2 - Mas não será hoje
Notas iniciais
A união do clã de Sílicia com a da Kalavera foi algo que nunca imaginaria ver, ambas as líderes eram rivais, desde o nascimento das duas. Sílicia queria acabar com todo aquele ódio que criaram, mas Kalavera não aceitava, ela não queria paz, queria a guerra mas ambas sabiam se os dois clãs lutassem haveria muitas mortes, possivelmente os dois clãs não sobreviveriam ao grande combate, Kalavera então sugeriu que somente as duas lutassem, assim só morreria uma delas e seus clãs não sofreriam, Sílicia aceitou o termo do combate.
Os preparativos foram feitos, as duas líderes se fortaleceram, seus clãs cresceram para dar suporte magico a elas, feitiços nunca usados foram pronunciados. O dia marcado chegou, os clãs ficaram observando de longe, feitiços voam, magicas inimagináveis eram criadas. Minutos se passavam e a tensão aumentava as duas mostrava o mesmo nível de poder e inteligência. Ambas pararam e trocaram algumas palavras, Kalavera estava muito confiante de sua vitória, sabia que não podia ser derrotada, aquela bruxa jamais chegaria ao seu nível e mostraria isso a ela. Sílicia sabia o que estava por vir, sua magia estava enfraquecendo, não podia mais se fortalecer com a magia de seu clã, afinal a luta era dela, mas sabia que não seria ela que daria o ultimo golpe, então se preparou, segurou no cabo da espada que carregava em suas costas e a puxou, sua ultima magia naquele mundo, seria pronunciada como seu ultimo desejo.
Quando a magia lhe acertou, desejou que nunca tivesse colocado ela naquela situação, mas segredos deveriam ser mantidos, pelo bem de todas as bruxas.
Sílicia foi derrotada, o que sobrou dela voou com o sopro do vento, Kalavera gritou em vitória, seu clã a clamou. Os membros do clã de Sílicia gritaram em negação pela morte de sua líder, mas nada podiam fazer. Em meio a sua vitória Kalavera se pronunciou.
– Vocês perderam sua líder, mas não chorem, suas lagrimas a desonra, ela lutou bravamente, eu admito, não esperava que ela durasse tanto. Em troca da bravura dela manterei minha palavra, não machucarei nenhum membro do clã dela, outra bruxa não faria o mesmo. – disse sorrindo, em quanto observava multidão de bruxos – Agora que estão sem um líder, sem alguém para seguir, eu sugiro que se unem a mim – seus olhos brilhavam com a possibilidade – Terão minha proteção como tiveram com Sílicia, serão mais fortes e juntos poderemos destruir aqueles que acham que podem ditar regras para nós.
Muitos estavam perdidos e inconsoláveis pela morte de Sílicia, mas as palavras de Kalavera prometiam um futuro sem regras e opressão, era tentador, uns resistiram e foram embora sem olhar para trás. Os que ficaram tentados pelas suas palavras se uniram a ela e rejeitaram todos os laços anteriores e seguiram em frente. Um dos quais que não foi abalado pelas palavras daquela bruxa fez um pronunciamento em resposta daqueles que jamais se uniriam a ela.
– Nosso clã não é protegido por um líder, mas sim guiado, nos fomos a força de Sílicia e seremos à força de sua sucessora, a sua prometida! – disse Dimitri, o bruxo mais fiel daquele clã, ninguém conseguiu o fazer trair Sílicia.
– Tolo, sua líder caiu e você cairá no mesmo chão que ela – ameaçou Kalavera em fúria.
– Esta traindo suas próprias palavras, Kalavera – interviu Evelyn, o medo passeava por todo seu corpo, mas não iria deixar que uma afronta daquelas passasse despercebido – Você mesmo disse que não tocaria ninguém do clã de Sílicia, ou era só uma mentira? – o medo era evidente para si, mas os outros viam determinação e coragem, era a imagem que queria passar.
– Você é muito audaciosa menina, seu dia esta para chegar – ameaçou.
– Mas não será hoje.
***
Andava de um lado para o outro, dentro do seu quarto, em um hotel no centro da cidade, era noite, um pouco do vento entrava pela janela aberta, era refrescante. Evelyn parou de andar, já estava tonta, sentou na ponta da cama e ficou encarando a carta em suas mãos, não sabia o que fazer, tinha lido cada palavra que tinha sido escrita, vários detalhes confirmava sua autenticidade, mas ainda era difícil de acreditar, se fosse outra pessoa que tivesse lhe entregado aquela carta iria duvidar das palavras até a sua morte, mas tinha sido Dimitri o braço direito de Sílicia, ele jamais faria isso com ela e nem usaria a imagem dela dessa forma, a carta era verídica não podia negar. Leu a carta novamente.
Cara Evelyn,
Sei que jamais esperaria uma carta minha, principalmente depois da minha morte, instrui Dimitri a lhe entregar esta carta caso eu não sobrevivesse ao confronto com a Kalavera. Normalmente quando um de nós morre deixamos antecipadamente nossos últimos desejos em uma carta que é entregue a alguém de nossa confiança, para que o mesmo entregue as pessoas desejadas, muitos conhecem isso como um testamento, os mortais usam essa tática para deixar algo aos seus herdeiros e foi esse o meu objetivo quando escrevi essa carta, talvez você não se lembre do dia que foi acolhida pelo clã, mas tente se lembrar, os detalhes são importantes! Depois que se lembrar, volte a terminar de ler essa carta.
Espero que tenha se lembrado, por você compartilhar o mesmo sangue que eu, você tem o direito de assumir a liderança do clã, pelo meio da nossa magia, em seus sonhos eu irei instrui-la para podermos fazer o ritual de passagem. A sobrevivência do clã depende de você, Kalavera tentará recrutar meus filhos, os beijados pela magia, você precisa salva-los! Com o meu primeiro desejo, quero que você assuma seu lugar de direito na liderança do clã e o segundo e ultimo desejo mate Kalavera.
Com amor Sílicia, sua mãe.
Ps: A chave que lhe foi dada levará ao meu cofre.
– Maravilha sou líder do clã Elke e vou ser caçada pelo nosso maior inimigo, o clã Rowena, liderado por Kalavera. Como se não fosse o suficiente um maldito de um traidor lançou uma maldição em mim! – disse Evelyn sarcástica – O que eu faço?
Andou até o banheiro do quarto e olhou para o espelho, afastou a blusa para olhar melhor o seu pescoço, suas veias estavam bem escuras.
– Isso é mal, muito mal.
I see a red door and
I want to paint it black
No colors anymore
I want them to turn black
Seu celular vibrava em quanto tocava uma musica dos The Rolling Stones, pegou o celular do bolso e viu o numero da Chloe, nunca ficou tão feliz com uma chamada antes.
– Chloe? – chamou esperançosa
– Oi, soube do que aconteceu com Sílicia – começou Chloe – Você esta bem?
– A metade do clã virou um bando de renegados e agora estão com a Rowena, eu não poderia estar melhor – ironizou.
– Ual, não precisava tanto! – disse chateada
– Estou com sérios problemas, esses mesmos renegados estão me caçando! – disse deixando o banheiro e voltando para a janela, fechando as cortinas.
– Isso é mal – disse Chloe
– Muito mal – concordou – Se não pudesse ficar pior um deles me acertou com alguma coisa – disse se lembrando das veias negras. – Eu acho que fui amaldiçoada.
– Ual, isso é muito ruim – disse Chloe preocupada – Onde você esta?
– No hotel de sempre e no mesmo quarto – respondeu, quando sentiu uma tontura forte, apoiou-se na janela – Venha rápido, preciso da sua ajuda – disse Evelyn, sentindo mas uma tontura, que a levou ao chão.
– Evelyn? – chamou Chloe preocupada – Evelyn!
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