Notas iniciais
Um pequeno resumo do que aconteceu na minha vida nesse momento em que sumi - Loucura do TCC (fiz um doc sobre Stark Wars), me formei, comecei em um emprego (que tinha um ambiente bem tóxico que me fez ficar péssima), sai de lá e entrei em um novo que agora está bem legal (e comecei a me adaptar com o ritmo). Agora que as coisas estão voltando a normalidade, vou me esforçar para voltar a fazer o que eu mais gosto no mundo, que é escrever.

Eu nunca escrevi nada desse gênero - terror - então eu estou um pouco nervosa para como vai sair. Espero que vocês gostem :D

Tudo o que vemos ou parecemos não passa de um sonho dentro de um sonho.

— Edgar Allan Poe



Jeyne era sortuda. Ou pelo menos, era isso que as outras pessoas lhe diziam. Seu pai era um empregado fiel dos Stark, tendo sido o valete pessoal do próprio Lorde Stark por vários anos, até ser promovido para mordomo. Sua mãe trabalhou por muito tempo como ajudante de cozinha, até se tornar cozinheira chefe. O Lorde e a Lady eram gentis e permitiram que ela tivesse aulas com os tutores junto com suas filhas, Sansa e Arya. Nunca se deu muito bem com Arya, mas ela e Sansa tornaram-se melhores amigas, viviam grudadas e com o tempo, Jeyne passou a ser companheira de cama da jovem Lady e servir como um tipo de dama de companhia.

Sendo assim, Lady Stark lhe presenteou com roupas novas e as vezes, Sansa lhe dava algumas que ela não queria mais. Jeyne tinha apenas que fazer sempre companhia para a menina e ajuda-la quando era necessário. Não era nenhum sacrifício, dormir em uma cama confortável, usar roupas bonitas e as vezes comer na mesa com os senhores da casa.

Tudo era como um sonho, caso ignorasse algumas coisas estranhas que aconteciam vez ou outra. A grande casa dos Stark, assim como a maior parte das casas da nobreza, tinha um nome. Chamava-se Winterfell. O lugar era bastante antigo, então era normal que houvesse barulhos estranhos e lugares assustadores; coisas estranhas aconteciam, mas Jeyne aprendeu que tudo não passava de um truque da sua cabeça. Contudo, desde que ela tinha sido posta para dormir com Sansa, tudo tinha ficado pior.

Primeiro, ela descobriu que sua amiga sofria de terríveis pesadelos. Quando não tomava o seu chá, Sansa acordava aos gritos, esperneando na cama, como se estivesse sendo atacada. Depois, começou a perceber que haviam arranhões estranhos na pele dela, arranhões que não estavam ali antes delas dormirem. Imaginava que podia ter sido um dos cachorros da família, às vezes, os animais ficavam agitados durante a noite. Era a explicação mais lógica, apesar das marcas não parecerem em nada com as de um cachorro.

Por fim, Jeyne começou a ouvir os sussurros. Inicialmente, ele não parecia estar falando com ela e sim com alguém ao seu lado, Sansa. As vezes ele a chamava para a floresta, prometia mil presentes caso ela fosse, outras vezes, especialmente quando Sansa tinha ido dormir com raiva de alguém, ele dizia coisas cruéis e falava sobre vingança. Jeyne insistiu, para si mesma, que aquilo era um truque da sua mente, um tipo de pesadelo que se repetia todas as noites.

Foi então, que em uma noite, a voz falou com ela.

Era como se alguém estivesse encima dela, com a boca colada em seu ouvido, ela até mesmo foi capaz de sentir o seu hálito. Jeyne, Jeyne, Jeyne, Jeyne, Jeyne. Inicialmente, ela não foi capaz de abrir os olhos, estava aterrorizada. É só um sonho, insistiu para si mesma. Jeyne, linda Jeyne, venha até mim, eu tenho mil presentes para te dar. E então ela sentiu uma mão... Uma mão que parecia pertencer a um homem, mas com algo afiado que pressionava sua pele. Ela não gritou, mas abriu os olhos e sentou-se de supetão. Além de Sansa adormecida ao seu lado, não conseguiu perceber mais ninguém.

O silêncio havia voltado de forma quase opressora. Seu coração foi desacelerando aos poucos. Não havia ninguém ali, tinha sido apenas um pesadelo. Apenas um pesadelo..., mas então ela sentiu uma mão pousar no seu ombro e a mesma voz sussurrar atrás dela, linda Jeyne, me diga uma palavra que rima com dor.

Ela soltou um grito e pulou da cama. Sansa remexeu-se, mas não acordou. Não havia ninguém, absolutamente ninguém, mas ela estava acordada e completamente lúcida. Ainda tremendo, ela saiu do quarto, precisa de ar fresco, precisa se acalmar.

Isso não existe. Assombrações são apenas histórias para assustar criancinhas.

Os portões da varanda estavam apertos e lá embaixo ela viu o glorioso jardim dos fundos. A luz do luar lhe proporcionou calma, o ar fresco encheu seus pulmões e Jeyne foi capaz de respirar calmamente.

— Poole?

Dessa vez ela foi capaz de conter o grito. Era uma voz masculina, mas conhecida para Jeyne. A menina olhou para o lado e viu Theon Greyjoy sentado no parapeito, bebendo o que parecia ser uma garrafa de vinho surrupiada da adega. Theon, assim como ela, não era um Stark, mas fora criado como um. Ele era o protegido do Lorde, tinha um título de nobreza para chamar de seu e uma herança que o esperava assim que seu velho pai batesse as botas. Contudo, ele não era muito melhor que ela, podia ser um herdeiro nobre, mas sua família era falida e tudo o que ele receberia era uma casa caindo aos pedaços e um punhado de dinheiro que não serviria nem para ajeitar a propriedade.

— Que olhar é esse? Parece que viu um fantasma. — Ele riu, mas então o riso morreu, como se de algum modo, pudesse ver através dela. — Você viu?

— Fantasmas não existem. — Respondeu.

— Você ouviu? — Ele insistiu.

O seu olhar foi toda a resposta que ele precisou.

Theon a encarou pelo que pareceu uma eternidade e então, por fim, disse com um tom que ela nunca tinha visto ele usar:

— Ignore-os, pequena Jeyne, ignore-os e você vai ficar bem.

Notas finais
O que vocês acharam? Já tenho alguns acontecimentos programados na minha cabeça - algumas mortes também ahahaha.

Obrigada por ler :)

Beijos ;*