Notas iniciais
Nesse capítulo retratei uma missão. Não sou muito boa com localidades, estão se tiver qualquer erro, me avise.

A convocação de Atena chegou como uma rajada de vento em pleno calor grego: direta, inesperada e com um toque de caos inevitável.


— Beatriz e Milo de Escorpião — leu Saga, com a voz sempre firme —, serão enviados a Asgard. É uma missão diplomática. Precisamos restaurar a aliança com Hilda e os Guerreiros Deuses.


Bea olhou para Milo. Milo olhou para Bea. E então os dois olharam para Afrodite e Camus, que também haviam sido convocados junto de outros cavaleiros para receberem outras missões.


Camus franziu o cenho.


Afrodite… apenas arregalou os olhos como se alguém estivesse soprando vento polar no ouvido dele.


— Diplomaticamente falando — sussurrou Bea para Milo —, isso vai dar o que falar.


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A viagem ao portal que os levaria até o país nórdico levou dois dias a cavalo, e Bea descobriu rapidamente duas coisas: primeiro, que Milo montava como se fosse uma extensão do próprio escorpião dourado — elegante, fluido e com uma pose irritantemente fotogênica; segundo, que ele falava muito. Muito mesmo.


— Você sabia que o vento frio de Asgard contém propriedades de regeneração? É por isso que os guerreiros parecem ter pele de comercial de hidratante. Não é natural, é cósmico. Injusto, né?


— E eu achando que meu hidratante noturno com pepino fazia milagre — respondeu Bea, rindo.


Eles chegaram à entrada do templo onde Hilda, representante de Odin, conduzia as reuniões. Milo fez as apresentações, usando seu charme costumeiro e uma diplomacia surpreendente. Bea ficou positivamente impressionada com a capacidade dele de unir firmeza e gentileza — quando queria, claro.


A reunião correu bem. A representante Hilda, uma mulher jovem de cabelos brancos, agradeceu a visita e reforçou o pacto de neutralidade e troca de informações entre os templos.


Depois da cerimônia, Milo e Bea foram a uma taberna para beber e jogar conversa fora, aproveitando mais um pouco da hospitalidade nórdica antes da viagem de volta.


— Você é bom nisso — comentou ela, sentando-se à mesa de madeira antiga. — E nem precisou seduzir ninguém. Estou orgulhosa.


— Poxa, não posso seduzir só um pouquinho?


Ela riu, e o silêncio confortável se instalou.


— Posso te contar uma coisa, Bea?


Ela assentiu, notando que o tom dele agora era diferente — mais calmo, mais... sincero.


— Todo mundo acha que sou só o escorpiano vaidoso e piadista. Mas... tem uma coisa que eu não brinco. E é isso aqui dentro — disse, tocando o próprio peito. — Tem alguém que vive aqui há um bom tempo.


Bea piscou, atenta.


— Camus?


Milo assentiu, com um sorrisinho meio sem jeito, meio melancólico.


— Acha que ele sabe?


— Eu sou geminiana, Milo. Sei farejar repressão emocional a metros de distância. E ele reprime tanto que já devia estar numa peça de teatro grego.


Ele deu uma gargalhada gostosa, aliviado.


— Obrigado, Bea. Por me ouvir. E por ser... você. Sério. Você trouxe caos pro Santuário, mas também trouxe cor. E eu precisava disso.


Ela sorriu, tocando o ombro dele com carinho.


— Sempre que precisar, estou aqui. Coração também precisa de cuidado, amigo.


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Ao voltarem ao Santuário dois dias depois, foram recebidos como heróis. Ou quase. Afrodite os aguardava no pátio de Peixes, com um buquê de rosas roxas. Camus estava perto, de braços cruzados, com expressão ainda mais gelada que o normal.


— Olha só quem voltou — disse Afrodite, voz melíflua, olhos semicerrados. — A dupla dinamicamente... questionável.


— Saudades de mim, florzinha? — retrucou Bea, descendo do cavalo com um sorriso debochado.


— Espero que a missão tenha sido... Agradável — acrescentou Camus, seco como um iceberg.


Milo levantou as sobrancelhas.


— Uau, duas recepções calorosas. Só faltou uma faixa: "bem-vindos de volta, mas estamos amargos".


Afrodite estendeu as flores para Bea.


— Trouxe isso. Não porque me importo, claro. Apenas para manter as aparências. Somos cavaleiros de ouro, afinal.


Bea pegou o buquê, cheirou com exagero e tossiu propositalmente.


— Nossa, quase me afoguei no ego da flor.


Milo se aproximou de Camus, com um leve toque no braço — que fez o cavaleiro de Aquário enrijecer como mármore.


— Está tudo bem, Camus? — perguntou ele, com um tom mais macio.


— Claro. Apenas... ocupado. Como sempre — respondeu Camus, desviando o olhar.


Bea e Afrodite se encararam por cima dos ombros dos dois.


— Está tudo bem aí atrás, professora? — perguntou Afrodite, com um ar ensaboado.


— Tudo ótimo, flor. E você? Aparentemente, o jardim ficou seco sem minha presença.


Afrodite bufou, disfarçando um incômodo real.


Camus deu um passo para trás, mas olhou discretamente para Milo, como se quisesse perguntar algo e ao mesmo tempo fugir da própria pergunta.


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Mais tarde, Bea estava no salão de Saga, tomando um chá estranho que Mu deixara para ela (“relaxante cósmico”, ele disse) e contando os detalhes da viagem.


Saga escutava em silêncio, às vezes fechando os olhos como se absorvesse cada palavra. No final, ele abriu um leve sorriso — um dos poucos que deixava escapar.


— Você está se encaixando aqui, Bea. Mas ainda carrega o mundo do qual veio.


— Eu sinto falta dele. Mas... ao mesmo tempo, aqui tem algo que me puxa. Algo além do cosmo. Pessoas. Emoções. Bagunça. Eu gosto de bagunça, Saga.


Ele assentiu, sério.


— Bagunça, quando bem conduzida, pode revelar verdades.


Ela sorriu. Estava longe de casa, mas sentia que — pela primeira vez — talvez estivesse começando a construir um lar no meio do impossível.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.