A Queda - Inquebráveis
2 O meu maior medo.
Notas iniciais
2015 — Dias atuais.
Levei minha mochila para os meus ombros e desci as escadas correndo. Eu estava atrasada para a escola e sabia que Sarah iria reclamar se eu me atrase e acabaria que eu não ganharia carona para ir para a escola.
Cheguei na cozinha correndo e catei uma maçã, já correndo para a garagem, onde encontrei minhas duas irmãs já dentro do carro me esperando. Pulei para dentro de carro e suspirei, alivia por não ter perdido a carona.
– Se você se atrasasse mais um segundo eu juro que te deixava para trás. — Disse minha irmã mais velha, Sarah, sorrindo ironicamente. Retribui com uma careta e dei uma mordida na maçã.
– Acabei dormindo um pouco de mais. — Falei com a boca cheia.
– Também, dorme mais que a cama. — Sue, a irmã do meio falou em tom irônico, recebendo um olhar de reprovação de Sarah.
– Quer que eu comece a te acordar? — Sarah perguntou tirando o carro da garagem e pegando a principal em direção a cidade.
– Seria uma boa. — Me estiquei no banco de trás do carro, sentindo todos os meus músculos reclamarem.
– Eu ainda não entendo o motivo de mamãe e papai continuarem morando nesse lugar no fim do mundo. — Bufou Sue, que lixava as unhas no banco da frente.
– Não temos dinheiro para comprar uma casa na cidade, Sue. — Sarah explicou pela vigésima vez naquele mês.
– É só eles venderem a nossa casa. — Ela deu de ombro, fiquei observando enquanto comia minha maçã.
– Eles já tentaram, mas ninguém compra. — Eu e Sarah falamos juntas.
Eu e Sue temos dois anos e meio de diferença de idade, mas muitas vezes as pessoas acham que eu sou mais velha que ela, ela é uma daquelas adolescentes que pensa apenas em comprar roupas e acessórios e ir para festas. Já eu e Sarah temos cinco anos de diferença, ela já é a irmã responsável, sempre pensa muito nas consequências antes de fazer alguma coisa, ela está na faculdade, cursando medicina veterinária, com bolsa claro. Meus pais não são pobre, mas não somos uma família rica. A nossa casa foi herança do meu avô por parte do pai, infelizmente nunca o conheci.
Há dois anos eu perdi o meu irmão, ele nasceu e ficou dois meses na incubadora, mas acabou morrendo. Depois disso mamãe entrou em depressão e está internada após tentar se matar, já papai vive viajando a negócio, ao qual nenhuma de nós três sabe do que se trata, ele diz que é confidencial. Sue já chegou a perguntar para ele se ele estava trabalhando para o FBI.
– Busco vocês no almoço. — Sarah falou parando o carro em frente a escola. Saltei do carro e caminhei em direção ao meu armário, sendo seguida por Sue, que tinha o armário ao lado do meu.
– Sté... — Falou Sue, ela sempre me chamou assim. Mamãe diz que é porque desde pequena ela não conseguia pronunciar o meu nome, por isso ela o abreviava. — Faz três dias que o papai não liga, você acha que ele está bem? — Ela perguntou triste, senti meu coração apertar. Sue sempre foi muito apegada com papai, assim como Sarah era com a mamãe, doía ver as duas sofrendo. Quando tudo começou eu via as duas sofrendo e me sentia péssima por estar calma, por aceitar. Eu nunca fui apegada com o papai e com a mamãe, mesmo os amando muito.
– Talvez ele esteja voltando e quer nos fazer uma surpresa. — Enfiei o rosto dentro do armário, tentando não deixar claro que eu estava mentindo.
– É... — Ela ficou em silêncio. — Talvez você tenha razão. — Ela fechou o seu armário e eu escutei seus passos se afastando, também fechei o meu armário e encostei minha testa nele, suspirando.
– Seria uma cena linda te ver chorando. — Rebecca apareceu com seu grupinho de galinhas. Fechei os olhos, segurando a vontade de arrancar seus cabelos e me virei, saindo dali.
Sue era a garota mais papular da escola, assim uma grande atenção caia sobre mim também, já que sou sua irmã, e isso causa muita inveja em Rebecca, já que ela sempre quis ser popular, mas infelizmente minha irmã rouba seu "altar" a muitos anos.
– Jurei que você avançaria nela ali mesmo. — Erin, minha melhor amiga apareceu ao meu lado.
– Eu também jurei. — Falei sorrindo para ela.
– Mas e então, sei que voltamos agora de um feriado... — Ela deu um sorriso meigo, que só ela tinha. — Mas está afim de ir no mini cassino do Jô? — Ela bateu palminhas e eu abri levemente a boca, indignada.
– Como assim, Erin? — Parei no meio do corredor, me virando para ela. — Aquele é o pior lugar da cidade! — Cruzei os braços, em sinal de que queria explicações.
– Tem um garoto. — Ela falou calmamente. Mas é claro, quando se tratava de Erin querer sair sempre tinha um garoto. — Ele falou que sempre está lá jogando sinuca e disse para levar alguma amiga pois ele tem alguns amigos lá. — Ela encolheu os ombros, sorrindo.
– Não. — Eu disse e caminhei para a sala de aula, me acomodando em uma cadeira e Erin se sentou na cadeira ao meu lado.
– Só hoje, vai... — Ela falou me dando um sorriso meigo.
– Você já notou que fala isso a seis anos, quando você ficou a escondida pela primeira vez com Luka? Quando você tinha dez anos? — Dei um sorriso de lado, lembrando daquele pequeno fato.
– Oh meu Deus! — Ela praticamente gritou. — Não me lembre daquilo, ele era meu primo! — Ela fez uma careta e eu a acompanhei ao recordar daquilo.
– Foi nojento! — Falamos juntas e começamos a rir. O sinal tocou e não demorou muito para o professor entrar na sala, nos saudando com um "Olá pessoal", como ele sempre fazia. Primeira aula biologia, o que era uma maravilha, já que estamos aprendendo sobre os órgãos dos sapos, o que significava que em breve vamos abrir um.
– Isso é mais nojento ainda. — Erin sussurrou para mim enquanto olhava apara os slides onde aparecia os sapos abertos. Olhei para o lado, onde senti alguem me olhando e vi Dilan sorrindo, retribui o sorriso. — O que é isso? — Erin olhou dele para mim e eu chutei a sua perna.
– Não é nada. — Falei voltando a olhar os slides.
– Vocês estão se pegando? — Ela perguntou com a voz fina.
– Não! — Bem que eu queria, pensei.
– Ele parece querer, não para de te comer com os olhos. — Ela deu um sorriso sacana.
– Erin! — A repreendi enquanto sentia minhas bochechas corarem. Eu sempre fui apaixonada por Dilan, sabe aqueles garotos populares que fazem parte do time da escola? Então, ele fazia parte desse time. Clichê, certo? Certo.
– Stephanie e Erin, querem vir aqui explicar por mim? — O professor perguntou, me fazendo corar mais ainda.
– Na verdade, eu quero. — Falou Erin, se levantando da cadeira, antes de o professor protestar ela já estava na frente da sala. Abri a boca totalmente chocada. — Esse é o sapo. — Erin apontou para o slide, onde tinha uma foto de um sapo, todos riram. — E eu apenas quero dizer que não faz diferença nenhuma na nossa vida saber onde fica os órgãos deles. — Ela sorrio, fazendo uma reverencia como se estivesse agradecendo enquanto a sala explodia em palmas.
– Já chega! — O professor gritou. — Já para fora. — Ele apontou para a porta e ela saiu sem reclamar. Bufei, querendo mata-la por me deixar sozinha na sala.
Saí da sala com a minha mochila e a de Erin assim que o sinal soou, avisando o termino da aula. Caminhei até a quadra de esportes e a encontrei sentada nas arquibancadas. Joguei a mochila nela e caminhei para os vestiários. Totalmente irritada.
– Ei, o que aconteceu esquentadinha? — Ela perguntou enquanto me seguida para os vestiários.
– Por sua causa agora a Chloe é a minha companheira de laboratório de Bilogia. — Bufei totalmente frustrada. Abri meu armário e tirei a roupa de educação física.
– Chloe Wilton? — Erin perguntou arregalando os olhos.
Chloe era a garota mais desinteressada do mundo. Ela vivia em festa, já havia pego todos os garotos da cidade e usava drogas. Em resumo, ninguém andava com ela. Apenas o pessoal do mini cassino do Jô. Não que ela fosse feia. Na verdade, ela era linda, dava um banho em várias garotas da escola, mas ela se meteu em um mundo errado.
– Essa mesma. — Tirei a minha blusa e coloquei a camiseta para exercícios e assim fiz com o resto das roupas, até que o vestiário ficou cheio. Guardei minhas coisas e caminhei para a quadra, vendo que o professor já estava no meio da mesma, organizando os alunos.
– Hoje vocês irão dar quinze voltas na quadra. — Assim que terminou de falar soou o apito, fazendo todos começarem a correr.
– Mas então, você não vai hoje no Jô comigo? — Erin perguntou enquanto completávamos a segunda volta.
– Não, não creio que Sarah me deixará ir. — Falei me concentrando para não tropeçar nos meus próprios pés.
– Talvez ela e Sue possam ir junto. — Franzi a testa, pensando se daria certo e acabei soltando uma risada ao pensar nas duas no mini cassino.
– Sue? No Jô? — Parei um pouco para pensar. — Não acho que seja compatível. — Erin e eu rimos.
– Você tem razão. — Continuamos correndo e na décima volta eu já sentia minhas pernas doendo. Mas me forcei a continuar no mesmo ritmo.
– Corram! — O treinador gritou, nos fazendo acelerar o passo. Minha visão começou a ficar turva, por isso parei e coloquei as mãos no joelho, me obrigando a puxar o ar para os meus pulmões. Eu já tive asma quando pequena, mas o médico disse que misteriosamente ela sumiu, não podia ser possível estar voltando. Coloquei a mão no peito, sentindo a falta do ar.
– Stephanie, você está bem? — Dylan perguntou me segurando pela cintura. Abri a boca para responder, mas não saia nenhum som.
– Parem de drama, continuem a correr! — O técnico gritou no meu ouvido.
– Não é brincadeira seu idiota! — Erin gritou mais alto. Comecei a ficar nervosa por não conseguir falar e então tudo escureceu.
Abri meus olhos devagar escutando conversas ao meu redor. Assim que minha visão voltou ao normal vi Sue e Sarah conversando com o médico da escola. Escutei algo como asma e ter voltado. Ele passou uma caixinha para Sarah e então se retirou, as duas se viraram para mim e sorriram de lado.
– Vamos para casa? — Sarah perguntou, me ajudando a levantar.
– O que eu tenho? — Perguntei sentindo minha cabeça explodir. Eu sabia a respostas, mas queria ter certeza de que eu escutei certo.
– Conversamos em casa, ou até mesmo no carro. — Sue falou me tirando da cama. Peguei as minhas coisas e caminhei atrás delas para o carro. Cortamos alguns corredores da escola até chegar no estacionamento. Entramos no Polo que minha irmã ganhou do meu pai e então ela seguiu dirigindo para a nossa casa.
– Já pode me contar? — Falei calma enquanto digitava uma mensagem para Erin, explicando que estava indo para casa.
– Sua asma voltou. — Sue falou de uma vez.
– Sue! — Sarah a repreendeu. — O médico disse que você não poderá mais se esforçar para fazer exercícios. — Sarah continuou explicando. — E vai ter que usar isso. — Sue me jogou uma caixinha, dentro continha uma bombinha, era usado apenas por pessoas que tinham ataques forte de asma.
– Voltou pior, não é mesmo? — Falei olhando para a caixinha.
– Sim, voltou. — Sarah entrou na rua cercada por arvores que dava para a entrada da nossa casa. Ela estacionou o carro na garagem e eu saltei do carro, entrando em casa e seguindo para o meu quarto. Peguei o meu celular e disquei o numero da Erin.
– Fale menina! Está melhor? — Suspirei, eu não queria falar disso.
– Ainda está de pé ir para o Jô? — Perguntei me jogando na cama e tirando meus sapatos.
– Claro! Te busco as 19 horas, baby! — Ela soltou uma risadinha e então eu desliguei. Olhei no relógio e marcava 12:30h. Eu estava morta da fome, por isso me levantei e fui para a cozinha, Sarah preparava alguma coisa no fogão enquanto Sue fazia a salada.
– Pode fazer o suco? — Sarah apontou para algumas mangas em cima do balcão, elas amavam suco de manga natural.
Assim que terminamos tudo, arrumamos a mesa e nos sentamos para comer. O almoço foi em um completo silêncio, apenas se escutava o bater do garfo no prato. Terminamos de comer e fomos lavar a louça, Sarah lavava, Sue secava e eu guardava. Esse era o bom de sermos em três, sempre dividimos os afazeres, nisso sempre éramos unidas.
– Meninas, vou ir visitar a mamãe hoje, querem ir comigo? — Sarah perguntou enquanto íamos para os nossos quartos. Eu e Sue nos olhamos, provavelmente ela também se lembrava da última vez que fomos. Ela teve um surto e só se acalmo quando saímos do quarto.
– Estou bem, vou sair com Erin hoje. — Encolhi os ombros em pedido de desculpas.
– Tenho uns trabalhos da escola para fazer, fica pra próxima. — Sue também se desculpou com o olhar. Sarah balançou a cabeça positivamente.
– Tudo bem, bons estudos Sue e Stephanie, onde você vai? — Sarah apertou os olhos, tentando ver se eu mentia.
– Vou na casa dela e lá nós vamos decidir. — Olhei para o chão, tentando não demonstrar que estava mentindo.
– Você está mentindo. — Ela falou devagar, me analisando. Senti minhas bochechas ficarem vermelhas.
– Não estou. — Bufei, tentando disfarçar meu desconforto.
– Por favor, não faça nada de errado. — Ela se virou e entrou no seu quarto. Olhei para o Sue, senti as palmas das minhas mãos suadas.
– Você não sabe mentir. — Falou Sue, soltando uma risada.
– Já to sabendo. — Revirei os olhos e fui para o meu quarto.
– Espero do fundo do meu coração que eu não me arrependa. — Falei para Erin assim que ela parou o carro na frente do mini cassino. Ele tinha uma placa que piscava "Jô", a fila para entrar estava enorme, tinha vários drogados na fila que jogavam cantadas baratas para as garotas que passavam. Três seguranças enormes tomavam conta da porta e o galpão precisava de um pintura nova. Fiz uma careta para o local.
– Você não vai. — Ela sorrio e me puxou para a porta, sem enfrentar a fila.
– Aonde as mocinhas pensam que vão? — O segurança barrou a nossa entrada com o braço.
– Entrar? — Erin falou sínica e o segurança soltou uma gargalhada.
– Elas estão comigo. — Uma voz soou de dentro do galpão. O segurança liberou a nossa passagem na hora. — Chegou cedo. — Falou o garoto assim que Erin o alcançou.
– Não gosto de me atrasar. — Erin sorrio para ele e minha vontade foi de gargalhar. Erin sempre se atrasava.
– Olá, sou Mason. — Ele esticou a mão para mim e eu a apertei.
– Sou, Stephanie. — Sorri para ele, mas ele não retribuiu.
– Venham, o pessoal está lá em baixo, jogando. — Ele saiu andando abraçado com Erin e eu fui os seguindo, alguns caras tentaram passar a mão em mim, mas eu desviava e os xingava. Várias pessoas se pegavam nos cantos não tão escuro, algumas fumavam e bebiam e outras já vomitavam, e olha que nem era tão tarde para já estarem nesse ponto. Uma música de rock soava nos auto falantes e algumas pessoas dançavam ao ritmo da música. Outras pessoas faziam suas apostas nos jogos, até que finalmente Mason parou.
Olhei para o pessoal que estava em torno da mesa de sinuca. Eram dois garotos e uma garota. A garota era magra, baixa e tinha cabelos loiros e longos. Um dos garotos tinha cabelos negros e olhos azuis, enquanto o outro tinha cabelos castanho claro e olhos verdes. Eles pararam de jogar e olharam para nós.
– Olá. — Falou a garota, dando um sorriso incrivelmente simpático.
– Sou Erin. — Erin sorrio para ela, as duas eram bem parecidas em algumas coisas. As duas tinham olhos azuis e cabelos loiros. A única diferença é que o de Erin era curto e o da outra garota era comprido.
– Sou Tracy. — Falou a garota e então ela me olhou.
– Sou Stephanie. — Falei dando um aceno com a cabeça.
– Está afim de jogar Stephanie? — O garoto de olhos verdes me perguntou sorrindo. Olhei para os lados e senti o garoto dos olhos azuis me observando, seus olhos pareciam me queimar.
– Eu... — Cocei a nuca, procurando as palavras novamente no meu cérebro. — Não sei jogar. — Encolhi os ombros, porque eu me sentia tão patética?
– Eu até te ensinaria, mas estou afim de tirar um dinheiro de Alexander. — Após falar isso, o garoto de olhos azuis bufo, ele era Alexander.
– Aposto 10 pratas no Nicholas. — Mason sorrio e os dois fizeram um cumprimento com as mãos.
– Aposto cem no Alexander. — Tracy falou dando pulinhos.
– Fechado! — Mason sorrio. — E ai, Erin, aposta em quem? — Ela olhou para minha amiga, que ficou observando um tempo Nicholas e Alexander, como se tentasse adivinhar quem era o bom.
– Aposto no Nicholas. — Ela falou sorrindo enquanto Tracy bufava.
– Vai apostar em quem Stephanie? — Tracy falou sorrindo para mim. Olhei para Nicholas e depois para Alexander, todos os dois esperavam a minha resposta. Fiquei hipnotizada pelos olhos azuis de Alexander.
– Alexander. — Falei automaticamente. Vi a sombra de um sorriso aparecer em seu rosto e o gritinho de Tracy me despertou.
– Vamos lá Alexander! — Ela começou a torcer por ele. Eles começaram a fazer as jogadas até que sobrou apenas a bola oito. Nicholas jogou e errou feio o buraco. Alexander deu um sorriso vitorioso e jogou a bola, ela bateu no canto da mesa e foi direto para o buraco do outro lado da mesa.
– Não! — Mason choramingou, tirou cem reais da carteira e entregou para Tracy.
– Alexander nunca me decepciona. — Ela sorrio para ele e o abraçou.
Estávamos todos sentados na mesa conversando, até que Erin e Mason saíram para dançar e quando vi, havia sobrado apenas eu e Alexander na mesa. Ele não tentou puxar assunto comigo e muito menos eu com ele. Por isso fiquei olhando ao redor procurando por Erin, estava afim de ir para casa. Era quase duas horas da manhã e Sarah iria me matar se eu demorasse mais um pouco para chegar em casa.
– Você parece estar preocupada. — Me virei para olhar para Alexander, ele havia mesmo acabado de falar comigo? Sua voz é linda. Eu acabei sorrindo com os meus pensamentos. — O que é engraçado? — Ele franziu a testa.
– É, nada... — Pigarreei. — Minha irmã deve estar preocupada comigo e Erin não aparece. — Suspirei. Olhando novamente a hora.
– Eu posso leva-la e você manda uma mensagem para Erin explicando que teve que ir embora. — Ele deu de ombro, tomando outro gole de seu Whisky.
– Estou bem. — Não gostava nem um pouco de ganhar carona de um quase estranho.
– Não vou fazer nada do que você não queira. — Ele falou calmamente. E eu suspirei, irritada. "Se você não aparecer em casa em 15 minutos, eu juro que vou atrás de ti com a policia!" Li e reli a mensagem de Sarah várias vezes, até que me levantei da cadeira e saí do mini cassino. — Aonde você vai? — Escutei a voz dele atrás de mim.
– Para casa. — Revirei os olhos sem que ele visse. Parei na calçada e esperei por algum taxi, mas não apareceu nenhum. Sarah vai me matar!
Comecei a andar na direção da minha casa, levarei no minimo uns 45 minutos de pé para a minha casa. Mas seria melhor do que nada. Uma BMW preta parou do meu lado, começando a andar devagar. Senti um arrepio percorrer a minha espinha. Eu seria mesmo sequestrada? O vidro do carro desceu e a imagem de Alexander dirigindo o carro fez uma onda de alivio atravessar o meu corpo.
– Se eu fosse você entraria no carro. — Ele falou parando o carro quando parei de andar.
– E por que eu entraria no carro de um desconhecido? — Bufei, me abaixando para tirar os meus saltos.
– Porque você tem menos de dez minutos para chegar em casa. — Me virei para ele, abri a boca e fechei várias vezes.
– Como você...? — Não consegui completar a frase, pois ele levantou o meu celular para que eu conseguisse ver da onde ele havia tirado aquela conclusão. Caminhei para o lado do carona e entrei no carro, colocando o cinto logo em seguida, vendo ele acelerar o carro ao máximo, em poucos minutos ele havia estacionado o carro em frente a porta de entrada principal da minha casa, aonde estava minhas duas irmãs paradas olhando para o carro.
– Está entregue. — Ele colocou o celular em cima do meu colo.
– Obrigada. — Falei sorrindo.
– Talvez eu mereça um beijo. — Ele deu um sorriso irônico.
– Nem ferrando, idiota. — Bufei saindo do carro. Ele abaixo o vidro do carro e cumprimentou minhas irmãs, logo em seguida saiu da frente da casa, seguindo caminho para a cidade novamente.
– Quem é ele? — Sue perguntou com os olhos brilhando.
– Alexander. — Falei simplesmente e subi as escadas para a porta principal, abri a mesma e segui para as escadas que davam para o segundo andar.
– Por que chegou tão tarde? — Sarah perguntou me seguindo escada acima.
– Erin sumiu e não tinha como eu chegar mais cedo. — Falei sem olhar para ela. Eu estava com raiva, frustrada? Eu não sabia o motivo desses sentimentos. Eu queria que ele me beijasse? Não! Eu havia acabo de conhece-lo, isso não podia ser possível!
Entrei no meu quarto e comecei a catar minhas roupas para tomar um banho relaxante. Sarah se encostou no batente da porta e ficou me observando. Ela parecia querer contar alguma coisa, não dei muita importância para isso. Deixei ela ali e segui para o banheiro, tomei um banho gelado, alias, a temperatura havia subido muito. Me enrolei na toalha e segui para o banheiro, vendo minha irmã mais velha sentada na minha cama.
– Desabafa. — Falei indo para o meu guarda-roupa de onde tirei meu pijama curto, peguei minhas roupas intimas e comecei a me trocar, eu realmente não me importava de me trocar na frente das minhas irmãs.
– Mamãe pioro. — Ela começou, sua voz ficou fraca. Ela não gostava de se sentir vulnerável. Sarah sempre foi a irmã mais forte, ela sempre se fazia de forte, mesmo quando tudo estava desmoronando. — O médico disse que ela vai precisar passar um tempo em casa, para ver se ela melhora na nossa presença. — Sarah deixou uma lagrima rolar.
– Ela precisa do papai, não de nós. — Terminei de me trocar e me sentei ao seu lado da cama, segurando suas mãos.
– Eu sei, já liguei para o papai, mas ele não atende. — Ela fungou, tentando segurar as lagrimas.
Um grito no andar de baixo me fez saltar da cama. Era Sue, eu e Sarah nos levantamos em um pulo e corremos para o andar de baixo, fui em direção a sala, mas ela não estava lá, comecei a vasculhar a casa toda e Sue não estava em nenhum lugar.
– Sarah, liga para a polícia! — Falei já entrando em desespero. Sarah pegou o fixo e ligou para a polícia. Em alguns minutos a polícia estava batendo em nossa porta.
– Senhoritas. — Disse o policial, entrando em nossa casa. Ele estava acompanhado de mais dois policias. Enquanto ele nos fazia perguntas os outros dois policias inspecionavam a casa.
– E então ligamos para vocês. — Concluiu Sarah. Deixando algumas lagrimas já caírem.
– E como vocês sabem que ela não fugiu? — Perguntou um dos policias.
– Tenho certeza de que aquele grito foi de desespero. — Falei o encarando. O que ele achava? Que estávamos brincando?
– Aonde estão seus pais? — Perguntou o policial que estava sentado a nossa frente.
– Papai está viajando a negócios e mamãe está internada. — Sarah falou enquanto estralava seus dedos, sempre que estava nervosa ela fazia isso.
– Sem sinal de arrombamento. — Falou o terceiro policial, descendo as escadas.
– Sarah, Stephanie... — Me virei abruptamente, vendo minha irmã entrar pela porta dos fundos da casa.
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