A Queda De Camelot
7 Capítulo 7
Lancelot despertou quando, por acidente, Excalibur lhe cortou a mão e, sabendo o que aquela espada ao seu lado significava, Beijou Guinivere, tão linda em seu sono profundo e se foi, sem ao menos despedir-se.
A rainha acordou mais tarde e viu excalibur, e gotas de sangue na cama. Não sabia o quanto, mas Artur havia machucado seu amante. Foi imediatamente atrás de um dos dois.
O rei olhava pela janela, apoiado no peitoril, onde havia contemplado Guinivere se banhar naquela noite inesquecível. Guinivere entrou correndo, em desespero.
– Arthur, o que você fez?! — Disse ela aos prantos... Segurando o rei nos ombros e tentando balança-lo, inutilmente.
– Como ousa chamar seu rei pelo nome, mulher? — Disse Artur, serio, sem se alterar.
– Onde está Sir Lancelot... — perguntou a rainha, sem receber resposta — Responde Artur! Acabe com minha vida, mas não me torture deste jeito.
– Eu não fiz nada a seu amante, Guinivere. Porque eu, sim, te amo e não suportaria a ideia de lhe ver sofrer, como estou vendo agora, pela morte de outro homem. E eu que pensava que a abraçaria e consolaria todas as vezes que chorasse. No mínimo ele se acovardou e fugiu, vendo que não valeria a pena morrer por uma rainha infiel e desleal! — ele despejava palavras duras, que nem mesmo poderiam ser descritas, nos ouvidos da rainha. A dor que estava sentindo por fazer isso, era comparável à de Guinivere ao pensar que Lancelot a havia abandonado.
– Por um tempo os dois ficaram imóveis, apenas olhando um para o outro.
– Será mesmo que eu merecia isso Guinivere? — perguntou Artur, aparentemente, arrasado.
– E eu, Artur? Você não pensa nem um pouco em mim, nas minhas razões?
– Que razões, Guinivere? Tudo o que fiz, foi tentando lhe fazer feliz. Este sempre foi meu único objetivo neste casamento!
– Ah e por isso me obrigou a criar um filho que não era meu, provando que me culpou, o tempo todo, por não poder lhe dar o herdeiro que queria. Mordred foi o castigo que você me deu, em forma de presente.
– Eu não sabia que se sentia assim.
– Você nunca soube como me sentia sobre nada. Nunca se interessou pelas minhas ambições, nunca deixou que eu te ajudasse nos assuntos do reino, sempre me subestimou. Lancelot sabia o que eu era, do que eu era capaz. Ele acreditava em mim.
– Estes foram seus motivos, Guinivere?
– Você acha pouco?
– Eu acho que podíamos ter conversado sobre tudo isso.
– Nós nunca conversamos, Artur, porque você não acreditava na minha capacidade de fala. Você pensa que rainha é uma mulher bonita e sorridente, que vive grávida.
– Eu nunca pensei em você como rainha. Para mim você sempre foi minha mulher, a única a quem amarei para o resto da vida.
– Artur, você não percebe, mas sempre, desde o início, o que tem por mim é orgulho. Mostrar aos outros a beleza que só você poderá possuir. Sempre se tratou disso.
– Isso não existe, Guinivere! Do que está falando?
– Do que eu sinto! Do que eu sempre senti... — Guinivere sentou ao tapete e pôs-se a chorar. Pensou por um tempo no que seria de sua vida à partir de agora e, voltando a pensar com a razão balbuciou entre os soluços. — Eu admito meus erros. Fui infantil, fútil, egoísta. Poderíamos ter conversado sobre isso. Talvez se eu não estivesse tão magoada. Foi antes de Mordred, mas eu já tinha mágoas. Eu estava doente com minha infertilidade. Estava frágil. Me perdoe... Você está disposto a me perdoar?
– Você estaria, no meu lugar?
– Não, mas você é uma pessoa melhor do que eu. — ela soluçou e mais lágrimas rolaram.
Depois de tantos anos, Guinivere ainda sabia como conquistá-lo. Artur sabia que, mais cedo ou mais tarde, a perdoaria. Afinal, não poderia exilá-la de Camelot. O povo a amava e o rei não admitiria que foi traído.
Ele se aproximou de Guinivere e secou suas lagrimas, lamentando ter irritado aquela pele sensível com suas mãos ralas.
– Por que tem de ser tão perfeita? — Perguntou com uma ruga entre as sobrancelhas.
– Porque sou imperfeita demais por dentro. Tenho tantos sentimentos egoístas. — A rainha o abraçou aos soluços e Artur teve vontade de pô-la em seus braços e amá-la, mesmo depois de tudo o que havia acontecido.
E eu te perdoo por todos eles. E por tudo o que você fez... Mesmo depois do tanto que me magoou. Meu amor por você é o amor legítimo.
Os dois estiveram juntos de novo, mesmo com o sofrimento de Guinivere pela perda de Lancelot, durante muitos tempo.
Sabendo do sofrimento de sua amada esposa, Artur acabou permitindo que uma doença¹ o atingisse, sem lutar contra ela. Estava muito abatido e Guinivere, grata, cuidava do marido com zelo. Mas um dia ela acordou e recebeu a noticia que acabou com todas as esperanças do reino, que à esta altura estava à beira de ser tomado pelos saxões. O rei travou um combate de espadas com o filho, doente e sem excalibur e, mesmo assim, conseguiu vencer, mas Mordred usou seu ultimo suspiro dando um golpe fatal em seu pai, que já estava enfermo. Artur caiu com honra.
O reino caiu junto. Os saxões invadiu Camelot, destruindo tudo, para depois reconstruir ao seu bel prazer. Guinivere sabia que a culpa era sua. Lancelot voltou depois da queda de Camelot, para ser cativo dos saxões, já que liderou um pequeno grupo de homens contra eles, no anônimato. Os saxões fizeram uma aliança com Mordred, que poupou Guinivere da morte, mas a exilou junto a Lancelot, porém, ao contrário do que pode ter sido imaginado, nunca estiveram juntos novamente. Nem o azul do céu era igual á antes para Guinivere, muito menos Lancelot. Depois de tudo que havia feito Artur sofrer, depois de ter matado seu rei, descobriu amá-lo, com todas as suas forças e foi infeliz, para o resto de sua vida.
Merlin tentou salvar Camelot à tempo, entregando os amantes à Artur, mas Artur foi fraco e não aprendeu a lição que o druida queria lhe dar. O conselheiro esperava que ele se livrasse de seu amigo e de sua mulher definitivamente, podendo assim continuar a reinar em glória, mas sua fraqueza o levou a morte pela espada daquele que devia amá-lo. Após a queda de Camelot, Merlin se foi e nunca mais foi visto.
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