A Queda De Camelot
4 Capítulo 4
Guinivere, então pediu ajuda de um curandeiro em especial. Um druida, um mago. Disse a ele que conseguiria um lugar como conselheiro do rei se o mesmo a ajudasse a engravidar. Ele aceitou e ela o hospedou no castelo, sem saber que o mesmo era um antigo amigo de estado de Rei Uther, pai de Artur, porém nem mesmo o rei possuía tal conhecimento. Merlin havia sumido quando Artur ainda era um bebê.
Quando o rei voltou da guerra, não comemorou como de costume. Dessa vez esteve ao lado de sua esposa, mas a rainha estava amargurada e já não conseguia mais sorrir, nem mesmo chorar. Guinivere não amava Arthur como uma mulher ama seu marido. Artur estava mais para um ídolo aos seus olhos e nesse momento ela já não queria mais se deixar tocar por ele. Sabia que não era justo uma rainha seca por dentro, incapaz de procriar. Em sua cabeça isso não deixava de soar como um castigo dos Deuses por algo que nem ela sabia o que era.
Merlin era uma incógnita: Amava Camelot acima de tudo e possuía uma imensa admiração por Artur , pois o fazia lembrar seu mais estimado amigo, Rei Uther. No entanto seus sentimentos por Guinivere não eram os mais positivos. Ele temia a falta de um herdeiro ao trono da linhagem de Uther e se Artur caísse em batalha, sem um filho, Camelot cairia junto.
Depois de Guinivere conseguir que Merlin se tornasse o conselheiro do rei, o plano do druida logo se iniciou e a rainha confiava fielmente nele, mesmo que ele não contasse exatamente que medidas eram tomadas para que sua promessa se cumprisse. Com muita frequência a meia irmã do rei, que agora estava com 17 anos, ia visitar a capital, convidada por Merlin. Hospedava-se no castelo, naturalmente, mas haviam boatos sobre visitas noturnas ao rei. A rainha fingia não ouvi-los, mas sir Lancelot não fazia a menor questão de fingir e nem de esconder sua decepção por tal falta de respeito da parte de seu amigo. Ele sempre admirou muito aquele homem, mas neste momento, não. Não vendo a forma como sua tão amada senhora sofria. Artur não ia mais visitar a esposa á noite, nem cavalgava ou caminhava ao seu lado durante o dia. Ele estava respeitando todo o espaço que a rainha havia imposto entre eles, tudo bem, mas se prestar a um relacionamento incestuoso para manter em dia suas necessidades masculinas era repugnante para Lancelot.
A rainha depois de dois meses estava mais bem disposta graças à esperança de poder dar um herdeiro ao trono de Camelot e graças à sir Lancelot, que embora não possuísse a intimidade de um marido para com sua esposa, fazia com que ela se sentisse feliz, como só alguém muito amado poderia fazer. No entanto nunca o viu como amigo. Era difícil ver um amigo em um homem que lhe despertava tanto desejo, como o cavalheiro.
Lancelot, que sempre admirou a beleza da rainha mais do que o normal, agora estava se vendo completamente enfeitiçado por sua risada, por seu choro, pela sua maneira impaciente de caminhar, de se mover... Guinivere tornou-se mais do que sua protegida por honra. Ele estava muito dividido entre o amor de irmão que tinha por Artur e o amor de homem que aos poucos nutria por ela.
A rainha, por sua vez, estava enfeitiçada por ele e sabia disso. Sabia também que Lancelot partilhava dos mesmos sentimentos e que nunca se aproximaria dela mais do que o devido por questões de lealdade e honra, e decidiu então, tomar partido para corromper tal cavalheiro. Foi até seus aposentos durante a madrugada, mas ele estava de saída, ainda vestido. Trajava a habitual armadura de cavalheiro. Disse que o rei o havia chamado, mas Guinivere não o deixaria sair dali agora.
– O rei pode esperar... — disse em tom de urgência, adentrando o quarto. — Eu não... — Completou puxando um laço da camisola e deixando que a mesma caísse aos seus pés. Por baixo não havia nada... E se existia perfeição, Lancelot sabia que se tratava do que seus olhos contemplavam. Só neste momento ele parou pra pensar porque ela havia se arriscado desta maneira, indo sozinha aos aposentos de um homem durante a madrugada, mas não conseguia censurá-la. "Como é linda", ele pensava. Somente a tomou nos braços e cuidou de sua rainha... Da maneira como ambos desejavam.
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